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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

01
Fev16

O primeiro round das primárias americanas

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Hoje os olhos estão fixados no outro lado do Atlântico, mais propriamente no pequeno Estado do Iowa, onde arranca o processo eleitoral das primárias que irá determinar os candidatos nomeados por republicanos e democratas para as presidenciais norte-americanas. É aqui que começa a corrida para eleger a personalidade que vai governar, durante quatro anos aquela que ainda é, para muitos, a nação mais poderosa do mundo.

A escolha dos candidatos dos dois principais partidos na eleição americana começa com o caucus no Estado de Iowa, de uma forma simplista é uma convenção partidária, em que os filiados que devem estar presentes num determinado sítio a uma hora certa, a fim de escolherem os nomes em que os delegados daquela seção votarão.

Do lado republicano o controverso Donald Trump lidera as sondagens do Iowa, com 28 por cento dos votos, mas são muitas as dúvidas do lado dos republicanos e o Iowa vai certamente começar a clarificar algumas delas.

Do lado democrata, a favorita é, desde o início, Hillary Clinton. No entanto, o senador independente do Vermont, Bernie Sanders, tem vindo a ganhar terreno e conquistar gradualmente apoios. Se, no início da campanha, em abril, Sanders recolhia menos de 10 por cento das intenções de voto, conta hoje 42 por cento no Iowa, apenas menos três pontos que Clinton. Se Bernie Sanders conseguir bom resultado no Iowa, e estando em vantagem em New Hampshire (próximo Estado a ir a votos), pode mesmo baralhar as contas a Hillary, como em 2008 que as s sondagens já a davam como vencedora no Iowa, e acabou por perder para Barack Obama.

Assim sendo, uma coisa parece certa: os candidatos que não obtenham um bom resultado desde o início, dificilmente conseguirão recuperar mais tarde. Mesmo aqueles cujas sondagens apontam para lugares cimeiros, caso não ganhem Iowa e New Hampshire pode mesmo significar o fim da corrida presidencial de 2016.

26
Jan16

«Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha...»

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 (foto do Expresso)

O candidato do PCP Edgar Silva foi uma má escolha e a modesta pontuação alcançada nestas eleições presidenciais vem demonstrar isso mesmo. Os comunistas ganhariam mais, na minha opinião, em ter apoiado ou Carvalho da Silva ou Sampaio da Nóvoa.

Acresce que Edgar Silva não fez uma boa campanha e o eleitorado comunista, embora fiel, sabe distinguir «o trigo do joio» e cedo percebeu que o candidato do PCP não era para a ser levado muito a sério e fintou a disciplina de voto imposta pelo partido e votou em Nóvoa, em Marcelo ou dividiu-se pela abstenção. Basta analisar os resultados eleitorais nos distritos de Beja e Setúbal, por exemplo.

O resultado alcançado pelo candidato do PCP foi tão mau que nem dá direito a receber subvenção estatal para cobrir despesas da campanha, ao que julgo saber uma das mais onerosas, o que não deixará de gerar uma dificuldade acrescida no PCP e seus dirigentes na digestão dos resultados obtidos, por todas as consequências que daí resultarão.

Só isso explica a desorientação do Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, na noite eleitoral, que o levou a ter a seguinte reação face aos resultados de Edgar Silva: «Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista» (...) «são opções e não quero critica-las» (...) «Não somos capazes de mudar. Fazemos sempre a mesma opção por uma forma séria de fazer política». 

A frase dirigida diretamente à candidata do BE para além de sexista e machista é manifestamente infeliz e revela algum ressabiamento.

Pois é pena que o PCP não consiga mudar e trilhe o mesmo caminho há 40 anos e continue a ser o mesmo partido monolítico e retrógrado, quando tudo muda a nossa volta.

Não é pois de admirar que continuem a somar derrotas eleitorais (salvam-se as autárquicas). Depois de terem descido nas últimas legislativas viram agora a candidata do BE conseguir o dobro da votação do candidato comunista.

25
Out15

Devolução da sobretaxa

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Desde 2013, por imposição do governo PSD/CDS, para além de pagarem as retenções de IRS e as contribuições para a Segurança Social, os portugueses estavam também sujeitos ao pagamento de uma sobretaxa de IRS no valor de 3,5%. No entanto, no passado mês de julho, o Executivo anunciou a devolução em 2016 de parte do valor pago com a sobretaxa de IRS, quando for feita a liquidação do IRS no final de 2015.

O tema da sobretaxa esteve sempre como pano de fundo nas eleições de 4 de Outubro. Recorde-se que quer o PS como a coligação prometeram eliminar a sobretaxa de IRS na próxima legislatura, mas com calendários diferentes: os socialistas previam o seu fim em 2017, o PSD/CDS-PP comprometiam-se a eliminá-la até 2019.

Em plena campanha o Governo garantia a eventual devolução de 35,3% de todo o dinheiro arrecadado com a sobretaxa se a execução orçamental estivesse a evoluir positivamente como até aí. Passos Coelho negou tratar-se de uma promessa eleitoral na questão da eventual devolução da sobretaxa do IRS, defendendo que se tratava tão só do cumprimento dos objetivos do Orçamento do Estado para 2015.

Contudo tal devolução prometida pelo executivo está dependente da coleta de IRS e de IVA. Se for maior do que o previsto, os contribuintes recebem o excedente da sobretaxa. Mas se for menor, não há lugar a devolução.

Porém, num mês tudo mudou, os primeiros dados publicados pelo Governo depois das eleições legislativas demonstram que a devolução prevista da sobretaxa de IRS será muito inferior à anterior estimativa. Ou seja, aos contribuintes vai-lhes ser devolvido apenas um em cada dez euros da sobretaxa em 2016, contrariando a anterior síntese da execução orçamental do governo, que prometia uma devolução da sobretaxa de IRS no valor de 35,3%, o Ministério das Finanças fez saber, esta sexta-feira, que «o crédito fiscal será de 9,7%, o que corresponderá a uma sobretaxa efetiva de 3,2% (em vez de 3,5%).

O governo atribui a diferença à queda do IRS, que até ao mês passado caiu 85 milhões de euros (-0,9%) face ao mesmo período de 2014. Já no IVA, houve um aumento de 8,5%, que, segundo o governo, não chega para fazer face à queda de IRS.

Feitas as contas aos dois impostos, o crescimento é de 4%. Se as receitas conjuntas de IRS e IVA se mantiverem inalteradas, os contribuintes recebem 9,7% do imposto extraordinário.

Se isto não foi pura propaganda eleitoral....não sei o que será!

21
Set15

E o Syrisa voltou a ganhar as eleições

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Alex Tsipras voltou a ganhar as eleições na Grécia, mas sem maioria absoluta (145 lugares dos 300 do parlamento de Atenas).

O Syriza deverá agora aliar-se de novo aos Gregos Independentes, partido da direita nacionalista com quem já havia formado governo em Janeiro deste ano. Como grandes derrotados surgem os socialistas do Pasok que não deverão ir além de 17 lugares no Parlamento, os centristas do To Potami, com 10, e sobretudo a extrema-esquerda dissidente do Syrisa, os deputados que se afastaram de Tsipras para formar um novo partido, a União Popular,  o qual não conseguiu ultrapassar a barreira dos 3% e não deverá ter por isso representação parlamentar.

É a terceira vitória eleitoral de Tsipras em menos de nove meses! Esta terceira vitória de Tsipras é tanto mais surpreendente quanto é certo que surge num contexto de grande desânimo e descrença (a abstenção terá rondado os 40%), que se instalou no país depois do líder grego ter cedido às pressões de Bruxelas para a Grécia se manter no Euro, aceitando condições ainda mais pesadas do que inicialmente previstas e depois da vontade popular de pôr termo à austeridade, expressa no referendo de Julho passado.

Essa humilhação provocou uma fragmentação no Syrisa e afastou do partido boa parte do seu eleitorado, reduzindo a popularidade de Tsipras e com a agravante do novo dirigente dos conservadores da Nova Democracia, Evangelos Meimarakis, ter sido um adversário temível, disputando a liderança com Tsipras, taco a taco nas sondagens, quase até final.

Aparentemente foram os 15% de indecisos que acabaram por fazer a diferença, inclinando-se para a esquerda e renovando assim o mandato do Syriza.

07
Jun15

Programa Eleitoral do PS aprovado em Convenção

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(Cartoon ELIAS O SEM ABRIGO , JN, 07-06-2015)

A Convenção Nacional do PS aprovou  o programa eleitoral do partido, com um voto contra de Rosário Gama e sete abstenções.

O secretário-geral do PS, António Costa, começou a sua intervenção final, agradecendo o voto contra de Rosário Gama, pois segundo Costa «o PS não é um partido de pensamento único». Já eram conhecidas as sérias reservas da socialista Rosário Gama relativamente a redução da contribuição social dos trabalhadores (a TSU), pelos riscos que acarreta para a sustentabilidade da Segurança Social.

O documento passou a prever que, no caso da redução da TSU dos trabalhadores, que será reversível a partir de 2019, o OE compensará eventuais quebras financeiras no sistema de Segurança Social e, no caso dos empregadores, que a descida gradual estará sempre condicionada à existência de receitas compensatórias por parte de novas fontes de financiamento do sistema.

O programa eleitoral socialista manteve a maioria das medidas já defendidas no âmbito do cenário macroeconómico. Além da questão da Segurança Social, o programa eleitoral do PS prevê a eliminação da sobretaxa de IRS em 2017, ano em que também se pretende repor a totalidade do corte salarial aplicado desde 2011 aos trabalhadores do setor público.

O PS mantém, ainda, a promessa de reduzir o IVA da restauração para a taxa intermédia de 13% e, com estas medidas de estímulo, prevê défices sempre abaixo de três por cento a partir de 2016, atingindo os 0,9 por cento em 2019.

Será que consegue? A ver vamos... 

28
Mai15

Escândalo de Corrupção na FIFA

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Aconteceu aquilo que se suspeitava já há algum tempo: vários dirigentes da FIFA, entidade responsável pelo futebol mundial, foram detidos na Suíça (sede da FIFA), a pedido da Justiça norte-americana que solicitou a extradição dos implicado para que sejam julgados por corrupção.

A FIFA nos últimos anos sofreu acusações de corrupção, particularmente no processo de escolha dos Campeonatos de 2018 e 2022 – cujos vencedores foram a Rússia e o Catar. A investigação agora levada a cabo lança dúvidas sobre a transparência e honestidade do processo de escolha nos últimos campeonatos.

As detenções acontecem numa altura em que a FIFA vai a votos para escolher o presidente para os próximos anos. Joseph Blatter e o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al Hussein, são os dois concorrentes. Luís Figo esteve na corrida mas, na última semana, anunciou o abandono da sua candidatura à presidência do organismo que rege o futebol mundial por achar que o processo de eleição era tudo menos «democrático».

Blatter não foi, por enquanto, envolvido no esquema que levou à detenção de sete elementos da organização a que preside. Blatter mantém-se na corrida para um quinto mandato na FIFA, cujas eleições estão marcadas para amanhã. O porta-voz da organização desportiva já veio garantir que o presidente está «de consciência tranquila» neste processo.

Mas, face às investigações em curso, são muitos os que defendem o adiamento das eleições na FIFA até que a situação seja devidamente clarificada. No entanto, Joseph Blatter e o seu staff pretendem que o calendário eleitoral previsto seja mantido.

O presidente da UEFA Michel Platini mostrou-se chocado com o escândalo de corrupção que atinge o organismo máximo do futebol mundial e pediu a Joseph Blatter para se demitir do cargo de presidente da FIFA por achar que é tempo de mudar. Platini anunciou ainda que "uma grande maioria a maioria das associações de futebol europeias vão votar na candidatura do príncipe Al  Hussein.

24
Mai15

Eleições espanholas

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Hoje, 36 milhões de eleitores espanhóis vão às urnas para votar nas eleições municipais e autonómicas espanholas. O PP leva pequena vantagem sobre o PSOE, mas a entrada em cena de dois novos partidos - e com números fortes nas sondagens, o Podemos e o Ciudadanos - vão seguramente mudar a geografia politica espanhola com variações consideráveis nas intenções de voto e percentagens de indecisos entre os 32% e os 44% nas várias regiões.

Este é também o primeiro grande teste para o Podemos depois de há um ano ter sido a surpresa das europeias ao conseguir eleger cinco deputados. Agora, está a um passo de conseguir realizar o objetivo a que se propuseram: dar voz aos cidadãos que não eram ouvidos no debate político e acabar com o bipartidarismo do PP e PSOE, depois de quase 40 anos de hegemonia e alternância.

Contudo, depois de uma entrada fulgurosa, o partido de Pablo Iglesias tem vindo a perder gás e abrir espaço para a entrada em cena de um novo ator político cuja popularidade disparou nos últimos meses. É o partido liberal  Ciudadanos  que, depois de se destacar na Catalunha por se opor ao nacionalismo, tem conseguido captar votos de protesto no resto do país. Sendo um partido de matriz mais liberal que o Podemos, poderá, na opinião de alguns analistas, ser uma hipótese como parceiro de coligação, tanto para o PP como para o PSOE, caso nenhum destes partidos consiga obter uma maioria absoluta.

09
Mai15

Por que falham as sondagens?

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As sondagens no Reino Unido falharam redondamente. Apontavam para um empate técnico entre conservadores e trabalhistas e um impasse na impossibilidade de se conseguir formar um governo maioritário que garantisse estabilidade governativa, mas veio a verificar-se, contra todas as expectativas uma clara vitória do partido conservador de David Cameron. Este facto veio colocar, mais uma vez, na ordem do dia a fiabilidade das sondagens de opinião.

Uma sondagem ou estudo de opinião, em termos muito genéricos, visa medir opiniões, atitudes ou comportamentos  através da aplicação de inquéritos ou de questionários,  efetuados a grupo de pessoas que se pretende representativo da população que queremos estudar,  com o objetivo de tirar conclusões e de generalizar este tipo de comportamentos a toda a população.

É claro que sondagens nunca substituem o ato em si. Se em causa estiver uma sondagem para determinada eleição, a «prova dos nove» far-se-á nesse dia. De qualquer modo, os resultados da sondagem, se forem feitos com rigor científico, deverão dar uma indicação mais ou menos precisa da intenção de voto da população alvo.

Tecnicamente as sondagens são organizadas a partir de uma amostra da população e para o seu cálculo há teorias estatísticas que indicam com alguma precisão o número mínimo de entrevistas válidas para se obter alguma precisão na sondagem.

Uma sondagem tem sempre três características fundamentais: a dimensão da amostra, o grau de confiança e a margem de erro.

No caso de Portugal uma dimensão da amostra razoável é formada por cerca de 800 a 2000 entrevistas. O grau de confiança normal é de 95%. Acontece que fazer sondagens é um trabalho muito dispendioso e quanto maior for o universo mais cara fica, pois têm que ser entrevistados muitos mais cidadãos representativos da amostra.

A margem de erro normalmente rondará os 2% e 5%. Também, como se compreende que a redução da margem de erro encarece muito o estudo de opinião. Ou seja, quanto maior a precisão mais onerosa ficará a sondagem.

Depois não menos importante é a escolha dos entrevistados. Há vários processos, que não interessa aqui pormenorizar, uns são mais caros do que os outros. A forma geralmente usada é entrevista telefónica. O problema é que cada vez há mais famílias sem telefone fixo e assim todas estas pessoas saem automaticamente fora amostra, pois as entrevistas só poderão ser consideradas e validadas entrevistas a pessoas que residam em casas com telefones fixos.

Também existe a possibilidade de recorrer ao processo de eleição fictícia, com voto secreto numa urna, realizado em plena rua ou de porta a porta. Neste caso o eleitor é convidado a votar da mesma forma que faria no dia da eleição. Acontece que este processo é muito demorado e portanto mais caro que o contacto telefónico, razão porque não é muitas vezes o escolhido.

Uma vez contactado o entrevistado, há outro problema que se coloca e é necessário ultrapassar, prende-se com o facto de este responder: “Não sei” ou então “Não responde”. Aqui reside em parte o falhanço das sondagens. O que fazer com os indecisos? No caso das eleições, normalmente são repartidos proporcionalmente pelos partidos conforme as votações das sondagens. Assim, quem teve mais votos recebe mais indecisos o que faz sentido para o senso comum mas pode perfeitamente não corresponder à realidade.

Depois há fatores que são muito difíceis de medir. O primeiro deles é a abstenção, questão muito importante na distribuição do resultado global. O segundo é que as sondagens não conseguem controlar mudanças de voto de última hora. É perfeitamente natural que uma pessoa possa mudar à última hora a sua intenção de voto. Alás, o simples efeito de publicar uma sondagem tem consequências diretas sobre os eleitores e pode alterar o processo de tomada de decisão de voto de uma forma imprevisível. O terceiro fator prende-se com o sistema partidário e os seus protagonistas. O problema está no modelo, que é baseado em comportamentos passados. Quando os comportamentos eleitorais mudam radicalmente, esses modelos já não são válidos e os resultados são extrapolados para o modelo atual, logo saem enviesados.

Isto significa que o mecanismo das sondagens é ainda muito imperfeito Mas isso não deve retirar valor aos estudos de opinião. As sondagens de opinião fazem parte integrante e indissociável dos sistemas democráticos avançados. Por isso, não podem ser ignoradas nem desvalorizadas. Os cidadãos, os eleitores e os visados saberão valorizá-las na sua justa medida e elas cumprirão, numa sociedade democrática, a sua função de diagnóstico e de intencionalidade da opinião analisada, eventualmente falível, mas certamente indispensável.

08
Mai15

Eleições no Reino Unido

920222.jpgContra todas as previsões, o Partido Conservador britânico foi o vencedor das eleições no Reino Unido.

A contagem dos votos prossegue e os resultados definitivos deverão conhecidos hoje. Mas as projeções feitas à boca das urnas, avançadas pela BBC e pela Sky News contrariam as sondagens dos últimos dias que apontavam para um empate técnico entre conservadores e trabalhistas.

O Partido Conservador de David Cameron triunfou no ato eleitoral que escolheu uma nova composição para a Câmara dos Comuns e reforçou a votação.

David Cameron já reagiu, sublinhando que esta foi uma grande noite para os conservadores e que o seu objetivo continua a ser governar para todos no Reino Unido. O líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband reconheceu a derrota e disse que foi uma noite dececionante e difícil para os trabalhistas.

Grande ambiente de euforia foi sentido na Escócia, onde o Partido Nacional Escocês (SNP na sigla inglesa) eliminou do mapa eleitoral os trabalhistas locais. Estavam-lhe atribuídos 56 dos 59 lugares atribuídos à Escócia no Parlamento de Westminster.

Diferente sorte teve o Partido Liberal-Democrata, parceiro de coligação de Cameron no governo anterior. Nick Clegg, vice-primeiro-ministro, conseguiu manter o seu lugar de deputado, mas perdeu quase todos os deputados. Em 2010, tinham conseguido eleger 57 deputados, agora deverão contar com apenas ter oito. Clegg reconheceu a derrota e apresentou a sua demissão da liderança do partido.

As eleições legislativas no Reino Unido foram importantes não apenas pela escolha do dirigente partidário que irá ocupar o nº 10 de Downing Street, mas também porque aqui se vai jogar o futuro territorial da UE e a relação do país com a Europa.

As necessidades do país são hoje bem diferentes do que eram, quando Cameron chegou ao poder. Há cinco anos, a recuperação da economia era a prioridade do primeiro-ministro; hoje tem no topo da agenda política a relação de Londres com a Escócia e o referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia.

25
Abr15

O povo saiu à rua num dia assim

 

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Há 40 anos, um ano depois da queda do regime ditatorial, o país foi a votos para a Assembleia Constituinte, naquelas que foram as primeiras eleições livres da nossa História.

Tal era a vontade de participar que se recensearam mais de seis milhões de pessoas em apenas dois meses. Foi preciso construir, de base, todos os cadernos eleitorais.

No dia da votação, os eleitores esperaram, pacientemente, em longas filas, numa jornada eleitoral de 12 horas, e votaram maciçamente, com uma participação de 91,66%, um recorde para a história política portuguesa.  A elevada adesão às urnas de 1975 não voltou a verificar-se: logo no ano seguinte, as eleições para a Assembleia da República tiveram uma taxa de abstenção de 16,7% e a partir daí, foi sempre a aumentar.

As eleições destinavam-se a eleger uma Assembleia Constituinte – que tinha como única missão fazer aprovar a Constituição. O partido mais votado, como acontece nos regimes parlamentares, não seria convidado pelo Presidente da República a formar Governo.

O Movimento das Forças Armadas (MFA) decidira que o chefe do Executivo devia ser um militar. O Governo em funções, o IV Provisório, era chefiado por Vasco Gonçalves, próximo do PCP - e assim devia continuar, qualquer que fosse o resultado das eleições. Os números seguros das eleições só foram conhecidos cerca das cinco da manhã do dia 26. O Partido Socialista, de Mário Soares, foi o grande vencedor.

O segundo partido mais votado – provavelmente a grande surpresa destas eleições – foi o PPD. Em terceiro lugar ficou o PCP, imediatamente seguido pelo CDS. Os comunistas nunca perdoaram ao Presidente da República estes resultados. Culparam Costa Gomes de ter influenciado a votação quando, no dia de reflexão, se dirigiu aos portugueses pela televisão e falou tanto em socialismo, que o povo foi levado a votar no Partido Socialista.

No dia 2 de Abril de 1976, dez meses depois do início dos seus trabalhos, a Assembleia Constituinte aprovaria a Constituição de 1976 que, entre os seus órgãos de soberania, criou um parlamento detentor da função legislativa e com competências de fiscalização política do Governo e da Administração Pública que foi designado por Assembleia da República.