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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

24.09.17

Eleições Autárquicas e futebol

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No próximo dia 1 de Outubro, data de eleições autárquicas, estão marcados quatro jogos da I Liga de futebol, inclusive um clássico entre Sporting e F. C Porto, que será disputado apenas após o fecho das urnas.

 

Marcado, inicialmente para as 18 horas, o primeiro clássico da temporada foi adiado e terá início às 19h15. A Liga anunciou que os restantes jogos do dia 1 de Outubro serão igualmente disputados após o fecho das urnas.

 

Ora, em Portugal, após 1974, e bem, era usual que em dia de eleições não houvesse jogos de futebol. Foi assim até 2015, ano em que o dia das Eleições Legislativas coincidiu com dia de futebol. E este ano vai repetir-se o cenário.

 

A Comissão Nacional de Eleições  emitiu um comunicado onde desaconselhou a realização de eventos desta natureza no mesmo dia por serem geradores de abstenção.

 

Em carta dirigida ao presidente da CNE, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional explicou que a realização de quatro jogos no domingo, 01 de outubro, está relacionada com a participação das equipas portuguesas nas competições europeias e os compromissos com as seleções nacionais.

 

Foram publicados artigos de opinião e editoriais a considerar, entre outras coisas, que «o futebol entra a pés juntos sobre a democracia». Mas houve também quem afirmasse precisamente o contrário com a justificação de que futebol e eleições não são de todo incompatíveis, porque quem tivesse intenção de votar o faria, independentemente dos jogos de futebol agendados para aquele dia. Foi o caso do PSD e CDS. Percebe-se! Quanto maior for a abstenção menor será o descalabro da direita.

 

Tudo isto nos conduz à questão: teremos em Portugal uma democracia suficientemente madura, à semelhança de outros países, que permita  que a existência de um jogo de futebol em dia das eleições não conduza a uma abstenção ainda maior?

 

Tenho dúvidas. Primeiro,  porque um clássico é um clássico, em que foco, nesse dia, está virado quase única e exclusivamente para o jogo. Basta ver as televisões! Os adeptos do Porto terão que vir a Lisboa assistir ao jogo. Será que antes têm paciência para exercer o seu direito de voto? Depois porque as eleições autárquicas são eleições muito desvalorizadas, onde, por norma, existem valores altos de abstenção e finalmente porque a campanha eleitoral foi paupérrima. Das piores que têm existido, que me lembre.

 

Por isso o Governo, a fim de evitar que situações destas possam ocorrer, está a preparar alterações ao Regime Jurídico das Federações Desportivas, para que não haja coincidência de espetáculos desportivos em dias de eleições.

 

O Secretário de Estado do Desporto considerou essencial que todos estejam mobilizados para que haja a maior participação dos cidadãos nos momentos eleitorais, admitindo a importância de reduzir os fatores perturbadores que possam de algum modo prejudicar a mobilização dos cidadãos.

 

«Queremos estar todos mobilizados para que haja maior participação dos cidadãos nos momentos eleitorais e nesse seguimento reduzir ao mínimo fatores perturbadores, de distração dessa mesma mobilização dos cidadãos», afirmou, lembrando que estas alterações apenas terão efeito nos próximos atos eleitorais.

07.04.17

A Entrevista de Passos

 

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A entrevista de Passos Coelho nas SIC foi politicamente desinteressante.  Percebe-se. O problema do discurso do PSD é o vazio que ele encerra. Como é que o PSD pode vir defender a classe média, quando lhe aplicou doses cavalares de austeridade? Como é que se é contra o aumento dos impostos, quando o próprio os aumentou de forma desmedida? Como é que se critica o governo, quando se tem telhados de vidro?

 

A certa altura Passos Coelho reconheceu que o Governo atingiu realmente a meta do défice, mas diz que isso só foi possível porque «mudou de estratégia e recorreu a medidas extraordinárias», que, para ele, seriam o tal Plano “B”.

 

Acontece que o défice ficou nos 2,1% e, mesmo sem as receitas extraordinárias que todos os governos aplicam, ficaria, segundo a insuspeita Unidade Técnica de Apoio ao Orçamento (UTAO) da Assembleia da República, pelos 2,4%. Diga-se, em abono da verdade, que tal aconteceu sem aumento da carga fiscal, pelo contrário, até houve uma queda ligeira. As contas agora parecem suficientemente consolidadas para o Conselho De Finanças Públicas de Teodora Cardoso avançar com uma previsão de 1,75 de défice para 2017.

 

Resumindo: a única mensagem clara desta entrevista foi para o interior do partido, ao avisar os seus adversários políticos que não se demite caso tenha um mau resultado autárquico. Quanto ao resto…. Foi mais do mesmo.

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