Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

08.05.17

En Marche

20409979_lB7rc.jpg

Emmanuel Macron foi eleito Presidente de na segunda volta das presidenciais francesas, batendo a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen . Nestas eleições mais que o futuro da França, jogava-se o futuro da Europa. Estava sobretudo em cima da mesa prosseguir na vinculação de França à União Europeia ou assumir uma rutura e um regresso a uma lógica nacionalista, caso Le Pen se sagrasse vencedora.

 

A escolha dos eleitores franceses foi clara. Uma maioria significativa de franceses uniram-se em torno da candidatura de Emanuel Macron, derrotando claramente a alternativa personificada por Marine Le Pen.

 

O que resulta de mais interessante e promissor no futuro Presidente da República é tratar-se de um centrista, europeísta, independente dos Partidos tradicionais, além de ser o mais jovem Presidente eleito em toda a história da República e o mais jovem de todos os Chefes de Estado em todo o mundo que prometeu no seu discurso de vitória «restaurar» os laços entre a Europa e os cidadãos, afirmando que defenderá «a França e a Europa».

 

Tem como principais desafios conseguir uma maioria parlamentar nas próximas legislativas e conseguir estancar o crescimento da extrema-direita.

 

09.11.16

Great American Disaster

14963364_814507715357223_6833762850892787876_n.jpg

 

Estou em choque. Eu e o mundo. Quando acordei, liguei a televisão e vi escarrapachado: «Donald Trump é o 45º Presidente dos Estados Unidos da América» nem queria acreditar. Como é possível? Contra tudo e contra todos Trump conseguiu ganhar, nem ele provavelmente sabe como conseguiu.

 

Daqui para a frente nada ficará como dantes. As razões sociopolíticas da vitória eleitoral de Trump são diversas,complexas e difíceis de explicar 'a quente'. Se acreditamos na democracia, teremos de reconhecer que haverá razões profundas para este «voto de protesto» dos eleitores americanos: a saturação perante o statu quo e a rejeição a Hillary Clinton falaram certamente mais alto. Creio que isso contou mais do que uma adesão convicta ao discursou xenófobo, chauvinista, machista, racista, bélico e insano de Donald Trump.

 

Agora entramos numa fase com consequências globais imprevisíveis. Os populistas rejubilam, a começar por Putin. A Europa e o mundo estremecem. A incerteza está instalada, porque a incógnita e a apreensão no que se viu e ouviu no passado recente são incontroláveis sobre o futuro do mundo e, consequentemente, sobre o de todos nós.

08.11.16

Hillary Clinton, um mal menor

 trump-clinton.jpg

Os americanos vão hoje às urnas escolher o candidato para ocupar a Casa Branca. Após o escândalo dos emails e a consequente investigação do FBI a Hillary Clinton, a luta pela Presidência dos Estados Unidos ficou mais renhida, mas a fazer fé nas sondagens, Hillary Clinton deverá suceder a Barak Obama na presidência dos EUA. Os americanos, ancorados no chamado «mal menor», vão certamente eleger a primeira mulher para a presidência dos EUA.

 

Não se podem negar as óbvias diferenças entre Hillary Clinton e Donald Trump. Este último pede a deportação de 11 milhões de imigrantes sem documentos e a construção de um muro impenetrável através de toda a fronteira mexicana. Também anunciou que vai restringir a entrada de qualquer muçulmano no país. Desferiu comentários misóginos, gabou-se de atacar sexualmente mulheres e declarou que deveria haver um castigo para as mulheres que praticam o aborto. Clinton, é mais uma peça do establishment, todavia mantém os votos das mulheres, latinos e dos afro-americanos e não fará certamente esse tipo de discurso racista e sexista.

 

Dito isto, seria obviamente incorreto por no mesmo nível Clinton e Trump. Contudo, nem um nem outro prestigiam a cadeira presidencial de um país como os Estados Unidos da América. Um eleitor que chega às urnas e tem por opção um «palhaço» para usar um eufemismo da criatura) e uma descendente da herança Clinton e dos seus escândalos de fraude - já para nem sequer mencionar os processos que contra ela correm na justiça - nem Trump, nem Clinton oferecem alguma esperança. Por isso, entre dois males, só se pode escolher o mal menor.

 

Mas um presidente dos EUA, por si só vale de pouco, como de resto viu-se durante os consulados de Barack Obama. Qualquer que seja o vencedor, o verdadeiro poder político na América está no Senado e no Congresso, na poderosa máquina burocrática de Washington e, ainda, no Supremo Tribunal.

 

Por isso não é só a Presidência dos Estados Unidos que está em disputa nestas eleições. Hoje também vão a votos todos os 435 lugares que compõem a Câmara dos Representantes e 34 das 100 cadeiras do Senado. No total, são 469 cargos legislativos. Também vão a jogo cerca de uma dezena de cargos de governadores estaduais e de governadores territoriais, bem como diversas funções a nível estadual e local.

02.03.16

«Super terça-feira»

 

 

24004733_03_02T041648Z_440365376_TM3EC311SEL01_RTR

Nos EUA teve ontem lugar a «Super terça-feira». Assim chamada, porque, no âmbito das primárias americanas, foi o dia em que mais Estados e territórios norte-americanos votam para a nomeação oficial do candidato presidencial democrata e republicano durante as convenções nacionais dos partidos às presidenciais de novembro. Foram 14 os Estados que foram a eleições, num dia considerado determinante para definir o destino dos candidatos republicanos e democratas à Casa Branca.

Do lado dos Democratas, Hillary Clinton foi a grande vencedora, ganhando em sete dos 11 Estados disputados e numa região, de acordo com os resultados preliminares e sondagens. A candidata do Partido Democrata às presidenciais dos Estados Unidos conseguiu a maioria dos votos no Alabama, Arkansas, Geórgia, Massachusetts, Tennessee, Texas, Virgínia e na Samoa Americana. O seu rival, o senador Bernie Sanders conquistou os estados do Colorado, Minnesota, Oklahoma e Vermont. Hillary Clinton celebrou a vitória parcial nas primárias da «Super terça-feira» que até agora, lhe concedeu seis estados, segundo as sondagens, ficando a situação praticamente resolvida, já que Hillary tem um avanço significativo nos delegados, quase mais 500 do que Bernie Senders. A vitória esmagadora que teve na Carolina do Sul - quase 50 pontos à frente do seu principal adversário – deu-lhe um grande impulso.

No que toca ao partido republicano, Donald Trump conquistou pelo menos sete dos 11 estados disputados, alcançando a maioria dos votos do lado dos conservadores, nomeadamente no Alabama, Georgia, Massachusetts, Tennessee, Arkansas, Vermont e Virgínia, estando ainda a ser apurado o Alaska, o último estado desta «Super terça-feira». Trump não venceu, no entanto, no Texas, Estado onde se elegiam mais delegados. Aqui o vencedor foi Ted Cruz que conquistou também Oklahoma.

Donald Trump ainda não tem o caminho aberto. Todavia, o milionário está a surpreender e a criar uma dinâmica de vitória. O republicano que há dois meses era encarado como uma farsa, paulatinamente vem ganhando terreno. Já ganhou em três Estados e a vitória no Nevada foi muito importante porque derrotou Marco Rubio e Ted Cruz.

26.01.16

«Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha...»

mw-860 (2).jpg

 (foto do Expresso)

O candidato do PCP Edgar Silva foi uma má escolha e a modesta pontuação alcançada nestas eleições presidenciais vem demonstrar isso mesmo. Os comunistas ganhariam mais, na minha opinião, em ter apoiado ou Carvalho da Silva ou Sampaio da Nóvoa.

Acresce que Edgar Silva não fez uma boa campanha e o eleitorado comunista, embora fiel, sabe distinguir «o trigo do joio» e cedo percebeu que o candidato do PCP não era para a ser levado muito a sério e fintou a disciplina de voto imposta pelo partido e votou em Nóvoa, em Marcelo ou dividiu-se pela abstenção. Basta analisar os resultados eleitorais nos distritos de Beja e Setúbal, por exemplo.

O resultado alcançado pelo candidato do PCP foi tão mau que nem dá direito a receber subvenção estatal para cobrir despesas da campanha, ao que julgo saber uma das mais onerosas, o que não deixará de gerar uma dificuldade acrescida no PCP e seus dirigentes na digestão dos resultados obtidos, por todas as consequências que daí resultarão.

Só isso explica a desorientação do Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa, na noite eleitoral, que o levou a ter a seguinte reação face aos resultados de Edgar Silva: «Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista» (...) «são opções e não quero critica-las» (...) «Não somos capazes de mudar. Fazemos sempre a mesma opção por uma forma séria de fazer política». 

A frase dirigida diretamente à candidata do BE para além de sexista e machista é manifestamente infeliz e revela algum ressabiamento.

Pois é pena que o PCP não consiga mudar e trilhe o mesmo caminho há 40 anos e continue a ser o mesmo partido monolítico e retrógrado, quando tudo muda a nossa volta.

Não é pois de admirar que continuem a somar derrotas eleitorais (salvam-se as autárquicas). Depois de terem descido nas últimas legislativas viram agora a candidata do BE conseguir o dobro da votação do candidato comunista.

25.01.16

No rescaldo das Presidenciais

19208858_1bZej.jpg

Marcelo Rebelo de Sousa com uma vitória esmagadora e com uma votação muito superior à da PAF, ganhou em todos os distritos do país e será o próximo Presidente da República.

Ainda assim, Sampaio da Nóvoa surpreendeu e alcançou o segundo lugar com 22,78% dos votos – mais de um milhão de portugueses votou no ex-reitor. Um resultado que o deixou com larga vantagem, relativamente a Maria de Belém. Nóvoa revelou-se um bom candidato e que no final soube, com dignidade, assumir a derrota. 

Marisa Matias  teve uma boa votação que premeia uma boa campanha. Apoiada pelo Bloco de Esquerda, a candidata conquistou o terceiro lugar na votação: 10,10% dos votos (mais de 468 mil portugueses votaram nela) - o melhor resultado das três eleições para a Presidência da República em que o Bloco de Esquerda apresentou candidato próprio.

Tino de Rans foi a grande surpresa desta noite. Ninguém dava nada por ele, mas a verdade é que com a sua simplicidade conquistou o voto de mais de 151 mil portugueses. O balanço final dá a Tino de Rans o sexto lugar com 3,31% dos votos – deixa para trás Paulo de Morais (2,15%), Henrique Neto (0,83%), Jorge Sequeira (0,30%) e Cândido Ferreira (0,23%). Quem diria!

Maria de Belém com 4,24% foi a grande derrotada destas eleições.  O resultado foi muito pior do quese imaginava. A ex-ministra da Saúde foi uma das grandes deceções da noite. Não só ficou longe de Sampaio da Nóvoa, como teve menos de metade dos votos de Marisa Matias e como não atingiu a fasquia do 5% será a candidata a ter de suportar por inteiro a sua campanha, porque o Estado não lhe paga a subvenção pública devida. Nas primeiras sondagens realizadas, Maria de Belém surgia como a segunda candidata com mais intenções de voto. Mas a partir de dezembro começou em queda abrupta que acabou por se materializar no dececionante resultado eleitoral: um quarto lugar – a mais de 272 mil votos do terceiro. A polémica questão das subvenções políticas que surgiu a duas semanas das eleições também não a terá ajudado. A sua candidatura, empurrada pelos históricos da ala segurista, foi no que deu. Sinceramente, penso que não tinha necessidade de se ter prestado a tamanha humilhação.

Edgar Silva também teve um mau resultado. O padre católico não conseguiu convencer o eleitorado comunista. Com 3,95% dos votos conseguidos nas presidenciais fica muito aquém do expectável. O resultado do candidato Edgar Silva é tão fraco que torna o PCP um aliado mais perigoso para o governo socialista. Neste momento os comunistas devem estar a tentar perceber se era o candidato que era fraco ou se já estão a pagar o preço por apoiarem um governo do qual não fazem parte.

Finalmente os números da abstenção. A abstenção ficou assim em 51,16%. O que significa que mais de metade dos eleitores não votou. Só na reeleição de Cavaco Silva a abstenção atingiu um nível mais elevado do que nas Presidenciais deste domingo. Este nível de abstenção é o segundo mais elevado em Presidenciais desde o 25 de Abril. Se forem excluídas as eleições em que os presidentes foram reeleitos (o que não foi o caso), então a abstenção foi a mais elevada de sempre.

23.01.16

Domingo, tudo às urnas!

votar2015.jpg

Desde de que completei 18 anos, nunca deixei de votar. Sempre encarei o voto como um direito e um dever do qual quero usufruir, mesmo quando dou por mim a questionar se o meu voto muda alguma coisa.Conquistámos um direito tão importante, que é lamentável se não lhe dermos uso ou senão reconheçamos o seu poder.  Posso até votar em branco, como já aconteceu, mas não deixo de votar.

O nosso envolvimento nas questões políticas é crucial para o crescimento do nosso país. Não podemos querer um país melhor e depois cair na apatia da não participação política e cívica, limitando-nos a posteriori a criticar quem nos calhou em sorte.

É através das eleições que somos chamados a decidir o nosso futuro e por isso votar torna-se bem mais que um direito: votar é mesmo um dever de cidadania.

Hoje em dia gozamos de uma liberdade plena e fazemos questão de escolher quase tudo no nosso dia-a-dia e de decidir sobre praticamente todas as questões que se nos apresentam. Vamos deixar que decidam por nós o futuro Presidente da República? Não faz sentido!

Por isso, o meu apelo é muito simples. Portugal precisa de todos nós, no dia 24 de janeiro, informe-se e intervenha na escolha do próximo Presidente. Não conhece os candidatos? Fácil! Procure as propostas dos 10 candidatos presidenciais. Ah, e tal, mas eu nem sei onde é que se vota, informe-se aqui, mas por favor não deixe de votar! Não deixe que outros decidam o futuro por si. Seja um cidadão responsável. Vote!

22.01.16

Tudo vai depender da abstenção

unnamed.png

A avaliar pelas sondagens que hoje foram conhecidas, Marcelo Rebelo de Sousa é o preferido dos portugueses para o cargo de Presidente da República, destacando-se dos seus principais adversários, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém.

Contudo, Marcelo está a perder gás, a margem tem vindo estreitar-se, enquanto Nóvoa e Marisa ganham fôlego. Sampaio da Nóvoa regista mesmo a maior subida. O candidato tem insistido que acredita numa segunda volta e, segundo os números divulgados nas várias sondagens, é mesmo o mais bem colocado para desafiar Marcelo Rebelo de Sousa.

Maria de Belém tem sido porventura a maior desilusão destas eleições. Foi quem mais desceu durante a campanha, sendo que os resultados das sondagens ainda nem sequer têm em conta a polémica das subvenções vitalícias. Resta perceber se ficará ou não atrás de Marisa Matias. A candidata apoiada pelo BE, também tem feito uma boa campanha e subido nas intenções de voto.

Do que se conclui que a abstenção é que irá decidir se as eleições presidencias ficam decididas já no próximo domingo. Ou seja, se a abstenção for grande, Marcelo pode não chegar aos 50% dos votos, arriscando mesmo uma segunda volta.

Recorde-se que segundo dados do Expresso e analisando a tendência da abstenção nas eleições presidenciais conclui-se que na primeira eleição dos presidentes o recorde negativo foi alcançado em 2006, quando na 1ª eleição de Cavaco Silva, com 38,47% de abstenção. Em contraponto, o recorde absoluto de abstenção nas presidenciais foi atingido em 2011, justamente na reeleição de Cavaco, com 53,48%.

O facto de haver sondagens que nos últimos dias encurtaram a vantagem de Marcelo face aos adversários justifica alguma prudência A candidatura de Rebelo de Sousa está confiante numa vitória inequívoca no próximo domingo, mas à cautela tem uma equipa a trabalhar para a eventualidade de ter de ir a uma segunda volta.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D