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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

31
Out17

Halloween ou Dia das Bruxas

 

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Hoje, dia 31 de outubro, para além do dia Mundial da Poupança, celebra-se o dia das bruxas, uma tradição que importamos dos EUA, mas a sua origem pagã está de acordo com a celebração do povo Celta. Esta festa era uma das mais importantes para este povo, pois celebrava o que para nós seria o céu e o inferno. Para os celtas o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não havia sofrimento.

 

A comemoração foi levada à América do Norte pelos irlandeses. A relação entre essa data e as bruxas, ocorreu na Idade Média quando havia a perseguição a homens e mulheres que eram considerados curandeiros. Os que fossem suspeitos dessa prática eram chamados de bruxos no sentido depreciativo. Como punição eram levados a julgamento e consequentemente seguiam para a fogueira. Quando essa cultura foi levada aos Estados Unidos pelos imigrantes irlandeses, povo de cultura celta, ficou então conhecida como «Dia das Bruxas».

 

Nessa época, a Irlanda passava pelo período chamado de carência, o que forçou um milhão de pessoas a imigrar para a então colônia britânica, levando consigo suas traições e histórias.

 

Hoje o Dia das Bruxas pouco tem a ver com a maneira como era celebrada antigamente. O que restou foi a referência aos mortos, mas com características bem distintas. Devido a esta relação, os símbolos usados nesta festa são sempre assustadores: bruxas, caveiras e gatos pretos, são comuns nesta data.

 

Em Portugal há cada vez mais pessoas a celebrar esta data. O Halloween de Vilar de Perdizes é famoso e tem como ponto alto da noite a preparação da queimada, licor feito à base de aguardente, açúcar, maçã e canela, pelo padre António Fontes, conhecido por "Dom Bruxo", com efeitos alegadamente esconjurativos de todos os males deste e do outro mundo.

 

As crianças na véspera e no Dia de Todos os Santos, em grande parte do país, mascararam-se e batem à porta na vizinhança pedindo doces e guloseimas com a frase «doce ou travessura». É o chamado «Pão por Deus».

 

Reza a história que o Pão por Deus tem raízes num ritual pagão do século XV que foi estabelecido após o terramoto de 1755. Nesse dia 1 de novembro, a população mais pobre de Lisboa terá aproveitado para sair às ruas e bater à porta dos mais afortunados e, assim, aliviar um pouco a fome.

 

A tradição manteve-se ao logo dos tempos, sobretudo fora das grandes cidades e com duas alterações significativas: o peditório passou a ser feito apenas por crianças, e, em vez de pão, os donos das casas oferecem hoje bolinhos, bolachas, guloseimas e frutos secos.

27
Fev17

And the winner is La La Land, sorry Moonlight

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A 89.ª cerimónia de entrega de prémios da Academia de cinema norte-americano estava a correr de feição, quando Warren Beatty sobe ao palco e anuncia La La Land, como o vencedor do melhor filme, pois o envelope que lhe fora entregue havia sido o de Melhor Atriz (Emma Stone, por La La Land). Já a equipa de La La Land estava a meio do seu discurso quando foi interrompida e confrontada com o terrível lapso: «Houve um engano». Afinal, era Moonlight o vencedor de Melhor Filme do ano.

 

Enganos à parte, La La Land o filme com mais nomeações ficou-se pelas seis estatuetas. Moonlight ganhou três, incluindo Melhor Filme. Aqui fica a lista definitiva:

 

Melhor Filme

 

La La Land, não desculpem, é engano, foi Moonlight

 

Melhor Realizador

 

Damien Chazelle, por La La Land

 

Melhor Ator

 

Casey Affleck, em Manchester by the Sea

 

Melhor Atriz

 

Emma Stone, em La La Land

 

Melhor Ator Secundário

 

Mahershala Ali, em Moonlight

 

Melhor Atriz Secundária

 

Viola Davis, em Fences

 

Melhor Argumento Original

 

Manchester By the Sea

 

Melhor Argumento Adaptado

 

Moonlight

 

Melhor Filme de Animação

 

Zootopia

 

Melhor Filme em língua não inglesa

 

“The Salesman” (Irão: Asghar Farhadi)

 

Melhor Documentário

 

OJ: Made in America

 

Melhor Design de Produção

 

La La Land

 

Melhor Fotografia

 

La La Land

 

Melhor Guarda-Roupa

 

Fantastic Beasts and Where to Find Them

 

Melhor Montagem

 

Hacksaw Ridge

 

Melhor Banda Sonora Original

 

La La Land

 

Melhor Canção Original

 

“City of Stars,” La La Land

 

Melhor Edição de Som

 

Arrival

 

Melhor Mistura de Som

 

Hacksaw Ridge

 

Melhores Efeitos Visuais

 

The Jungle Book

 

31
Jan17

«O que tem a Europa a dizer a Trump?

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«Trump é o personagem principal da história que se repete. Mas não cometamos o erro de acreditar que está sozinho em palco, a representar o seu horrífico one man show perante um Mundo que se indigna.

O nacionalismo económico de Donald Trump tem pouco de novo. O objetivo não é proteger o trabalho ou os seus direitos. Trump quer fazer dos EUA o paraíso da exploração, dos baixos impostos para as grandes empresas e da desregulamentação ambiental e financeira. Reparem que à Goldman Sachs, a espinha dorsal do selvagem capitalismo global, não incomoda nada integrar a administração Trump.

Quanto ao resto, o muro com o México ou os decretos para banir muçulmanos dos EUA, é racismo, puro e duro. É xenofobia. É política de guerra.

Donald Trump tem aliados na Europa para este programa de extrema-direita. Quer reunir com Theresa May para ressuscitar o encontro entre Reagan e Thatcher que, nos anos 80, determinou o início da hegemonia da Direita na política mundial. Mantém contacto próximo com Marine Le Pen. Está a inspirar Viktor Orbán, o protofascista húngaro no poder.

A Europa está a ser dominada por uma vaga conservadora, xenófoba e com laivos fascistas. Mas que Europa é esta que não dá luta, e que parece embarcar sem grande resistência nesta vaga cheia de passado?

Não é esta também a Europa da Goldman Sachs? Não é esta a Europa que paga 6000 milhões à ditadura turca para manter centenas de milhares de refugiados em autênticos campos de concentração? E quantas mortes esconde o seu muro do Mediterrâneo? E a quantos foi negada passagem segura para fugir da guerra, não por serem apenas muçulmanos, ou sírios, mas por serem imigrantes, sem poder e sem escolha?

Não confundo alhos com bugalhos. Trump é, da forma mais revoltante e repugnante, tudo o que sempre rejeitei. Representa o programa que o Bloco de Esquerda quer intransigentemente combater. Mas não se combate os muros de Trump com os muros do Frontex Europeu. E não se combate a Goldman Sachs com a Goldman Sachs. Nem se combate a selvajaria laboral e económica que Trump propõe com a absoluta precarização laboral ou com a chantagem da austeridade levada a cabo pelas instituições europeias.

Combate-se o trumpismo com democracia, com solidariedade entre povos, com Estado social, com dignidade no trabalho e decência na economia. Parecem chavões? Pois não são. A cada um destes pontos corresponde um conjunto bem concreto de políticas. E, em quase todos, esta Europa falha. Ela já não é uma alternativa, e é por isso que a sua crítica a Trump se ouve tão baixinho.

Há, nos EUA como na Europa, quem resista à extrema-direita e não ceda à chantagem do menor dos males. É nesses movimentos e partidos que está hoje a esperança dos EUA e da Europa».

 

Mariana Mortágua - Deputada do BE

20
Jan17

Posse de Donald Trump

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Hoje, todos os olhares estão postos na América para a tomada de posse de Donald Trump, o candidato do Partido Republicano que ganhou uma das eleições mais surpreendentes da história norte-americana, e que será a partir de hoje o 45º presidente dos Estados Unidos. A cerimónia oficial da tomada de posse tem início às 11h30 locais (16h30 em Portugal).

 

O momento mais aguardado é o do juramento de Trump com a mão sobre dois exemplares da Bíblia, usando duas: a sua, oferecida pela sua mãe, e a que o ex-Presidente Abraham Lincoln usou na sua posse, há 150 anos, seguido do primeiro discurso enquanto Presidente dos EUA.

 

800 mil a 900 mil pessoas estarão hoje em Washington (metade das que estiveram na tomada de posse do primeiro mandato de Obama) para assistir à cerimónia ou participar em ações de protesto junto ao Capitólio, sede do Congresso americano. O juramento de posse deverá ficar marcado por muitas ausências (60 congressistas democratas já tinham confirmado a sua ausência).

 

Confirmada na cerimónia está a presença como habitualmente de vários ex-Presidentes e respetivas primeiras-damas: Bill Clinton e a candidata democrata presidencial Hillary Clinton, o casal W. Bush e Jimmy Carter acompanhado da sua mulher.

 

Foram poucos os artistas que aceitaram atuar na cerimónia de tomada de posse do novo presidente dos EUA: Toby Keith, a cantora Jennifer Holliday, o ator Jon Voight, a banda de rock 3 Doors Down, The Piano Guys, Lee Greenwood, Dj RaviDrums e The Frontmen of Country foram confirmados. Por outro lado, foram vários aqueles que disseram “não” a Donald Trump, como o cantor country Garth Brooks e o grupo Kiss. Também foi noticiado que Elton John, Céline Dion e Kanye West rejeitaram o convite.

 

O centro de Washington será protegido e a segurança reforçada com a presença de 30 mil agentes. Mesmo assim, os protestos são esperados. Amanhã, uma marcha das mulheres está prevista no centro da capital norte-americana em protesto contra Donald Trump.

 

Dados publicados nos últimos dias revelaram que Trump é o Presidente eleito mais impopular em 40 anos, com apenas 40% de opiniões favoráveis.

09
Jan17

Globos de Ouro 2017

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Realizou-se ontem a 74.ª edição dos Globos de Ouro, no Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, que contou com a presença de algumas das mais conhecidas estrelas de Hollywood.

 

Os Globos de Ouro, prémios do cinema e da televisão atribuídos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, são vistos, habitualmente, como uma antecâmara dos Óscares.

 

O filme La La Land conquistou sete galardões nos Globos de Ouro, vencendo em todas as categorias para que estava nomeado.

 

La La Land, uma homenagem aos musicais da época dourada de Hollywood, foi considerado o melhor filme na categoria de comédia ou musical, e arrecadou também prémios de melhor realização - Damien Chazelle -  e melhores interpretações masculina e feminina, para Emma Stone e Ryan Gosling. O filme venceu ainda os prémios de melhor argumento (Damien Chazelle), melhor banda sonora original (Justin Hurwitz) e melhor canção (City of Stars).

 

O vencedor na categoria de melhor drama foi Moonlight, primeira longa-metragem de traços biográficos de Barry Jenkins.

 

Casey Affleck venceu na categoria de melhor ator de drama em Manchester by the Sea e Isabelle Huppert na mesma categoria feminina, pelo desempenho em Elle, filme que conquistou também o galardão de melhor filme estrangeiro.

 

Os prémios de melhor atriz e ator secundários foram para Viola Davis em Fences e Aaron Taylor-Johnson em Animais Noturnos.

 

Na televisão The Crown venceu a categoria de melhor série dramática e Atlanta a melhor série de comédia.

 

O momento alto da noite coube a Meryl Streep, vencedora do prémio carreira, Cecil B. DeMille, a qual teceu duras críticas Donald Trump, sem nunca pronunciar o nome do Presidente eleito.

 

Meryl lembrou o episódio em que Trump gozou com Serge Kovaleski, repórter do New York Times e deficiente físico. «Isso partiu-me o coração, e eu não me consegui recuperar, porque não era um filme, era real. Esse instinto de humilhar quando vem de alguém numa plataforma pública afeta de vida de todos, porque dá permissão para que outros façam o mesmo», disse Meryl Streep emocionada, acrescentando, ainda que «o desrespeito convida o desrespeito e a violência incita a violência», continuou. «Quando os poderosos usam sua posição para intimidar os outros, todos nós perdemos».

09
Nov16

Great American Disaster

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Estou em choque. Eu e o mundo. Quando acordei, liguei a televisão e vi escarrapachado: «Donald Trump é o 45º Presidente dos Estados Unidos da América» nem queria acreditar. Como é possível? Contra tudo e contra todos Trump conseguiu ganhar, nem ele provavelmente sabe como conseguiu.

 

Daqui para a frente nada ficará como dantes. As razões sociopolíticas da vitória eleitoral de Trump são diversas,complexas e difíceis de explicar 'a quente'. Se acreditamos na democracia, teremos de reconhecer que haverá razões profundas para este «voto de protesto» dos eleitores americanos: a saturação perante o statu quo e a rejeição a Hillary Clinton falaram certamente mais alto. Creio que isso contou mais do que uma adesão convicta ao discursou xenófobo, chauvinista, machista, racista, bélico e insano de Donald Trump.

 

Agora entramos numa fase com consequências globais imprevisíveis. Os populistas rejubilam, a começar por Putin. A Europa e o mundo estremecem. A incerteza está instalada, porque a incógnita e a apreensão no que se viu e ouviu no passado recente são incontroláveis sobre o futuro do mundo e, consequentemente, sobre o de todos nós.

08
Nov16

Hillary Clinton, um mal menor

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Os americanos vão hoje às urnas escolher o candidato para ocupar a Casa Branca. Após o escândalo dos emails e a consequente investigação do FBI a Hillary Clinton, a luta pela Presidência dos Estados Unidos ficou mais renhida, mas a fazer fé nas sondagens, Hillary Clinton deverá suceder a Barak Obama na presidência dos EUA. Os americanos, ancorados no chamado «mal menor», vão certamente eleger a primeira mulher para a presidência dos EUA.

 

Não se podem negar as óbvias diferenças entre Hillary Clinton e Donald Trump. Este último pede a deportação de 11 milhões de imigrantes sem documentos e a construção de um muro impenetrável através de toda a fronteira mexicana. Também anunciou que vai restringir a entrada de qualquer muçulmano no país. Desferiu comentários misóginos, gabou-se de atacar sexualmente mulheres e declarou que deveria haver um castigo para as mulheres que praticam o aborto. Clinton, é mais uma peça do establishment, todavia mantém os votos das mulheres, latinos e dos afro-americanos e não fará certamente esse tipo de discurso racista e sexista.

 

Dito isto, seria obviamente incorreto por no mesmo nível Clinton e Trump. Contudo, nem um nem outro prestigiam a cadeira presidencial de um país como os Estados Unidos da América. Um eleitor que chega às urnas e tem por opção um «palhaço» para usar um eufemismo da criatura) e uma descendente da herança Clinton e dos seus escândalos de fraude - já para nem sequer mencionar os processos que contra ela correm na justiça - nem Trump, nem Clinton oferecem alguma esperança. Por isso, entre dois males, só se pode escolher o mal menor.

 

Mas um presidente dos EUA, por si só vale de pouco, como de resto viu-se durante os consulados de Barack Obama. Qualquer que seja o vencedor, o verdadeiro poder político na América está no Senado e no Congresso, na poderosa máquina burocrática de Washington e, ainda, no Supremo Tribunal.

 

Por isso não é só a Presidência dos Estados Unidos que está em disputa nestas eleições. Hoje também vão a votos todos os 435 lugares que compõem a Câmara dos Representantes e 34 das 100 cadeiras do Senado. No total, são 469 cargos legislativos. Também vão a jogo cerca de uma dezena de cargos de governadores estaduais e de governadores territoriais, bem como diversas funções a nível estadual e local.

22
Abr16

Prince (1958-2016)

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Este ano não está a ser fácil. Depois de David Bowie, ontem foi mais um dia triste para o panorama musical: morreu Prince, aos 57 anos. O cantor encontrava-se na sua residência e estúdio de gravação, conhecido como Paisley Park, no estado de Minnesota (EUA). A causa da morte ainda é desconhecida, mas sabe-se que há uma semana, terá sido levado de urgência para o hospital, depois de o seu avião privado ter feito uma aterragem de emergência. Porém, pouco depois, Prince recuperou, teve alta, e garantiu aos fãs que estava bem.

Nascido em Minneapolis, em 1958, Prince Rogers Nelson era considerado um dos nomes mais influentes da música pop, citado por dezenas de artistas pelo talento e capacidade criativa, abrangendo diversos estilos musicais, em particular soul, funk e R&B. Lançou o clássico álbum Purple Rain em 1984, sendo considerado por diversas listas importantes como um dos melhores discos de todos os tempos. Dois anos depois lançaria o clássico Kiss, canção mais icônica do cantor, que ficou no top mundial durante várias semanas. Desde então, tornou-se muito influente da indústria musical e sempre procurou inovar a cada novo trabalho.

Da sua vasta carreira o músico contabilizou: um Óscar, dois Globos de Ouro, sete Grammys, uma atuação no Super Bowl de 2007, a referência na Hall of Fame em 2004.

Em Portugal, o seu quarto e último espetáculo foi em 2013, num concerto que teve lugar no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Prince era dos nomes mais marcantes da Pop. Um génio, multifacetado, músico prodigioso e de vários instrumentos. Perfeccionista, fanático pelo seu trabalho, com uma enorme capacidade de se reinventar e de supreender sempre. Desapareceu aos 57 anos, mas para os seus fãs e apreciadores do seu género musical será certamente eterno.