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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

24.07.17

Os livros de Enid Blyton

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Comemora-se neste mês 75 anos da primeira aventura de “Os Cinco” contada por Enid Blyton, provavelmente a escritora mais popular em todo o mundo.

 

O primeiro livro, datado de 1942, foi Os cinco na Ilha do Tesouro, depois mais 20 se seguiram desta coleção. Sucessivas gerações de leitores foram influenciadas por este grupo de duas rapazes, duas raparigas e um cão, cujas histórias, depois de muitas adversidades, acabavam sempre bem.

 

A Biblioteca Nacional, em Lisboa, em jeito de comemoração, inaugura, hoje, uma mostra bibliográfica que celebra simultaneamente o 75.º aniversário das primeiras aventuras da série “Os Cinco” e os 120 anos do nascimento de Enid Blyton (1897-1968).

 

O meu primeiro contacto com a literatura aconteceu graças a Enid Blyton. Antes dos “Os Cinco” e “Os Sete” eu desconhecia o prazer de ler, porque quem lê um livro desta autora e gosta não pode parar de ler a coleção inteira. Li depois "As Gémeas" e a coleção "Mistério".

 

Os livros de Enid Blyton estimulavam a nossa imaginação e transportavam-nos para um mundo de fantasia e de faz de conta. Recordo bem a avidez com que devorava “Os Cinco” e “Os Sete” e ainda me lembro da descrição daqueles deliciosos lanches que o grupo levava para as suas aventuras, onde não faltava a limonada e o bolo de frutas e lembro-me do suspense que aquelas narrativas produziam em mim, na ânsia de ver os heróis salvos e os vilões castigados.

 

Sem dúvida que Enid Blyton marcou a minha infância e, mais importante ainda, foi a responsável pelo meu gosto pela leitura.

 

Os livros de Enid Blyton sobrevivem até hoje. Adaptados aos novos tempos, continuam a animar várias gerações, atravessando fronteiras linguísticas, geográficas e culturais.

 

Os anos passam, mas a fórmula de Enid Blyton, essa, mantém-se inalterável, como uma marca firme que perdurará para sempre.

21.06.17

José Eduardo Agualusa vence prémio literário

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José Eduardo Agualusa acaba de vencer o International DUBLIN Literary Award, anunciado hoje na capital irlandesa. O prémio distingue o escritor angolano e o seu romance Teoria Geral do Esquecimento – numa edição particularmente forte, em que a lista final incluía obras de autores de renome como: Mia Couto, Orhan Pamuk, Viet Thanh Nguyen e Anne Enright.

 

O prémio literário de Dublin, de 100 mil euros, é gerido pelas Bibliotecas Públicas de Dublin, com o apoio da autarquia da capital irlandesa e é atribuído todos os anos a um livro escrito ou traduzido para inglês.Desde 1996 e ao longo das 21 edições, já distinguiu autores como Orhan Pamuk, Javier Marías, Michel Houellebecq, Colm Tóibin, Colum McCann, Jim Crace ou David Maalouf e Herta Müller.

 

Fico contente não apenas porque o galardão elege, pela primeira vez, um livro originalmente escrito em português, mas também porque permeia um autor de que gosto particularmente.

11.12.16

Patti Smith na cerimónia do Nobel 2016

 

 

Bob Dylan foi reconhecido  com o Nobel de Literatura em 2016. Depois de várias tentativas de contacto por parte da Academia Sueca, Dylan finalmente aceitou o Nobel e agradeceu-o, dizendo que estava «sem palavras»  com o reconhecimento.

 

O músico tinha comunicado há três semanas que não compareceria à cerimónia, alegando já ter outros compromissos, mas enviou um discurso de agradecimento para ser lido juntamente com os dos outros premiados na cerimónia de entrega de prémios que se realizou ontem, em Estocolmo.

 

Patti Smith foi convidada a atuar em sua honra. A cantora e poetisa interpretou uma das canções mais famosas de Dylan, A Hard Rain's A-Gonna Fall, tendo acusado o nervosismo e esquecido parte da letra. Smith pediu desculpas e retomou, logo depois, a atuação, perante os muitos aplausos da plateia.

 

Os prémios Nobel atribuidos são: uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de oito milhões de coroas suecas, equivalente a 824 mil euros, cerca de 871 mil dólares, que é partilhado se houver mais do que um vencedor numa categoria.

11.11.16

Leonard Cohen (1934 - 2016)

 

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O mundo ficou mais pobre com o desaparecimento de Leonard Cohen. O cantor e compositor canadiano morreu ontem. Tinha 82 anos. Nasceu em Montreal, mas vivia em Los Angeles, nos Estados Unidos da América. Lançou o último álbum no mês passado, You Want It Darker, em que refletia sobre a sua própria morte.

 

Deixa um legado artístico invejável de mais de seis décadas e uma voz inconfundível. Com uma vasta carreira artística, Leonard Cohen despertou para a fama como escritor em 1961. Dois anos depois, estreou-se no romance, e em 1966 faz a segunda investida na prosa, com um novo livro de poemas de permeio. A obra como escritor garantiu-lhe, em 2011, um dos mais importantes prémios de Espanha, o «Príncipe das Astúrias».

 

Foi depois do segundo romance que Cohen decidiu enveredar pela música, arte em que se tornou num ícone. Após alguns anos a viver na Grécia, voltou para os Estados Unidos e deu início a uma carreira musical.

 

Em 1967 lançou o seu primeiro álbum Songs of Leonard Cohen. Deixa-nos êxitos como Hallelujah, Suzanne, So Long Marianne ou Dance Me To The End of Love que perduram como património mundial.

23.10.16

O filme «A rapariga no comboio»

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Tinha alguma curiosidade em ver o filme A Rapariga no Comboio (The Girl on the Train) de Tate Taylor baseado no best seller de Paula Hawkins.

 

Tinha lido o livro no verão do ano passado como vos dei conta aqui. Gostei bastante do livro. Uma narrativa fluida com personagens bem construídas que agarram o leitor do primeiro ao último minuto.

 

Mas ver um filme após ter lido o livro é quase sempre uma desilusão e este não foi exceção. Enquanto o livro tem suspense e é empolgante, o filme é demasiado previsível e pareceu-me que as cenas simplesmente se iam desenvolvendo sem grande ligação entre as personagens.

 

Embora o realizador tentasse ser fiel à história, julgo que ficou muito por explorar. Tendo em conta a carga dramática que o livro tem, o guião do filme apresenta alguns momentos intensos, poucos, motivados sobretudo pela capacidade de representação de  Emily Blunt.

 

Gostei francamente de Emily Blunt no papel de Rachel: Pareceu-me uma boa escolha para interpretar uma alcoólatra deprimida e amargurada. Emily Blunt transformou-se fisicamente para assumir o papel principal (teve inclusive que ganhar alguns quilos). Quanto às restantes personagens, principalmente as masculinas, achei-as pouco consistentes e interessantes.

 

Apesar de tudo não podemos dizer que é um mau filme. Entendo, no entanto, que o livro tinha potencial mais do que suficiente para se fazer um thriller emocionante e arrebatador.

13.10.16

The Times They Are a-Changin!

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O Nobel de Literatura deste ano foi concedido ao cantor e compositor Bob Dylan. Em comunicado oficial a Academia Sueca afirma que o cantor recebe o prémio por «criar novas expressões poéticas dentro da grande tradição da canção americana».

 

Bob Dylan é o nome artístico de Robert Allen Zimmerman, nascido– compositor, cantor, pintor, ator e escritor norte-americano. Nascido no estado de Minnesota, em 24 de maio de 1941, aos 10 anos escreveu seus primeiros poemas e, ainda adolescente, aprendeu a tocar sozinho piano e guitarra.

 

Começou a cantar em bandas de rock, imitando Little Richard e Buddy Holly, mas quando foi para a Universidade de Minnesota em 1959, adotou a folk music, impressionado com a obra musical do lendário cantor folk Woody Guthrie. Em 1962, tinha lançado o seu primeiro álbum, Bob Dylan, seguindo-se outros, como Blonde On Blonde (1966) e Blood On The Tracks (1975), hoje reconhecidos como «obras-primas» dada a sua importância e genealidade.

 

Em 1966, publicou Tarântula, a sua única obra de ficção, que mistura poesia e prosa e reflete as mesmas preocupações artísticas de algumas das suas canções.

 

Em 2004, foi eleito pela revista Rolling Stone o sétimo maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o segundo melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles. Uma de suas principais canções, Like a Rolling Stones, foi escolhida como uma das melhores de todos os tempos.

 

A escolha inédita de Bob Dylan para o Prémio Nobel da Literatura de 2016 não foi pacífica estando a motivar as mais diversas reações nas redes sociais. Há comentários para todos os gostos: «Prémio Nobel da Literatura? Por acaso tenho todos os seus livros..». Ou seja, se por um lado existe quem ache que o prémio é totalmente merecido por considerarem as suas letras e composições fabulosas, outros porém acham que os tempos estão definitivamente a mudar.

20.02.16

Umberto Eco (1932-2016)

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O mundo hoje foi surpreendido com a morte de Umberto Eco. O escritor que nasceu a 5 de janeiro de 1932, em Alessandria, no noroeste de Itália foi um dos mais importantes escritores do século XX. Escritor, filósofo, professor universitário, conquistou um lugar de destaque na cultura italiana nos últimos 50 anos.

Umberto Eco estreou-se na ficção em 1980 com O Nome da Rosa, livro premiado com Prémio Strega, em 1981, que mais tarde viria a ser adaptado ao cinema pelo realizador Jean Jacques Annaud, tendo Sean Connery como ator principal. Seguiram-se, O Pêndulo de Foucault, A ilha do dia antes, Baudolino, A misteriosa chama da rainha Loana e O cemitério de Praga.

A sua última obra, intitulada Numero Zero foi editada no ano passado e coloca questões sobre jornalismo e as novas plataformas digitais, escolhendo como cenário narrativo a redação de um jornal diário.

Dos mais influentes pensadores sobre a sociedade atual e da cultura de massas a nível internacional, foi uma das personalidades mais carismáticas do pensamento semiótico. Deixou um legado no campo da semiótica e da teoria da comunicação com O Desenvolvimento da Estética Medieval, publicado em 1959, e transformou a crítica da arte em meados da década de 60 com Obra Aberta, de 1962, e Apocalípticos e Integrados, de 1964. Integrou-se na Escola Sociológica Europeia, a par de nomes como Edgar Morin, Jean Baudrillard e Roland Barthes.

Umberto Eco, que lecionou nas universidades norte-americanas de Yale e Harvard, assim como no Collège de France, é autor de uma vasta bibliografia ensaísta, citando-se, entre outros, O signo, Os limites da interpretação, Kant e o ornitorrinco e Como se faz uma tese em Ciências Humanas. Dirigiu e compilou obras como História da beleza, História do feio e História das terras e dos lugares lendários.

09.10.15

Bielorrussa vence Nobel

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Svetlana Alexievich de 67 anos é a nova vencedora do Prémio Nobel da Literatura, atribuído pela Academia Sueca. A escritora é a 14ª mulher a ser distinguida com o Nobel da Literatura – em 2013 tinha sido a escritora canadiana Alice Munro

Nascida sob a égide da bandeira soviética, em Ivano-Frankovsk, na Ucrânia, entre 1967 e 1972, a galardoada estudou jornalismo na Universidade de Minsk. Devido às suas posições políticas críticas ao regime, viveu exilada em Itália, França, Alemanha e Suécia.

Os seus livros estão traduzidos em 22 línguas e alguns foram já adaptados para cinema e teatro. Em 2013 foi distinguida com o Prémio Médicis Ensaio pela obra «O fim do homem soviético», que encerra a série de cinco volumes «Vozes da utopia», na qual aborda a história da ex-União Soviética (URSS) e a sua queda, numa perspetiva individual. A série foi iniciada com «A guerra não tem o rosto de uma mulher» (tradução livre), primeiro livro da autora e que se baseia em entrevistas a centenas de mulheres que participaram na II Guerra Mundial (1939-45).

Em declarações à televisão pública sueca SVT, Alexijevich afirmou que conquistar o Nobel da Literatura é «uma sensação fantástica, mas, ao mesmo tempo, um pouco perturbadora». «Penso de imediato em grandes nomes como Bunin Pasternak” disse, referindo-se a Boris Pasternak, poeta e romancista russo, autor de Dr. Jivago, distinguido com o Nobel da Literatura em 1958.

Ao jornal Svenska Dagbladet, a autora explicou que, pessoalmente, o galardão ser-lhe-á favorável: «Significa que já não será tão fácil os poderosos da Bielorrússia e da Rússia repudiarem-me com um gesto».

02.04.14

Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil!

Celebra-se, hoje, o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil! Comemora-se esta data para homenagear o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor de algumas das histórias para crianças mais lidas em todo o mundo, que nasceu a 2 de Abril.

Autor de livros como "O Patinho Feio", "A Pequena Sereia" e "O Soldadinho de Chumbo", o dinamarquês se tornou um dos maiores nomes da literatura infantil.

Hoje, recorde o seu livro infantil preferido e aproveite para lê-lo às suas crianças!

02.01.14

As minhas escolhas de 2013

Personalidade Internacional:

 

 

O Papa Francisco tem conquistado fiéis e não fiéis, graças à sua simplicidade e às mudanças que tem promovido no seio Vaticano. O mundo está rendido à sua personalidade. 

 

 

Acontecimento Internacional:

 

 

Morte de Mandela, Primeiro presidente negro da África do Sul (1994-1999) e herói da luta contra o apartheid, Nelson Mandela morreu no dia 5 de dezembro, aos 95 anos. Cem líderes mundiais viajaram até Joanesburgo para lhe dizer adeus e o mundo prestou homenagem ao Nobel da Paz 1993.

 

Personalidade Nacional:

 

O Tribunal Constitucional - Os juízes do palácio Ratton  têm sido apontados como forças do bloqueio e como  oposição política à estratégia e à ação do Governo. Mas o que teria sido a vida dos portugueses sem a Constituição e sem o papel do Tribunal Constitucional, nestes últimos três anos?

 

 

Acontecimento Nacional:

 

Contestação social  - O ano que terminou foi marcado por forte uma agitação social. Com efeito, Portugal assistiu em 2013 a mais de 1.450 manifestações, sendo a mais marcante a organizada pelas forças e serviços de segurança, que num gesto inédito invadiram a escadaria e chegaram às portas da Assembleia da República.

  

Política:  

 

Paulo Portas – O atual vice-primeiro-ministro é a figura do ano político que termina. Pelos piores motivos, claro. Adicionou ao dicionário político a palavra que muito provavelmente lhe ficará colada para sempre: «irrevogável». Conseguiu, a meio do ano, provocar uma crise política, deixando um país inteiro em suspenso, devido à forma muito peculiar de gerir a sua carreira política. Entretanto, como se isso não bastasse, presenteou-nos com o famoso Guião da Reforma do Estado, que se resumiu a «uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma».

 

 Cinema:

 

 

 Gaiola Dourada- Pode não ter sido o melhor filme do ano, mas foi, seguramente, o filme mais visto em Portugal com cerca de 700 mil espetadores.

 

 

Livros: 

 

A Sentinela - Gosto muito de Richard Zimler. Da sua escrita e também dos temas que aborda, muito embora este livro saia um pouco da narrativa habitual do autor, mas nem por isso menos interessante. Na realidade, muito embora marcado por um género diferente, este livro encantou-me pela diversidade de aspetos abordados e pelas várias histórias que encerra.

 

 Música:

 

Ana Moura - A escolha vai para o seu disco “Desfado” que foi distinguido pelo jornal “Sunday Times” como sendo o melhor disco da World Music de 2013

   

Desporto:

  

A Seleção Nacional de Futebol que se conseguiu apurar para o Mundial de 2014 no Brasil e, naturalmente, Cristiano Ronaldo o grande obreiro deste desígnio.