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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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16
Jul17

Gentil Martins ataca homossexuais e barrigas de aluguer

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O Dr. Gentil Martins deu uma entrevista ao Expresso em que aborda o tema da homossexualidade e as barrigas de aluguer, comparando os homossexuais aos «sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam». «Sou completamente contra os homossexuais, lamento imenso», disse.

 

O cidadão Gentil Martins tem todo o direito a estar contra as barrigas de aluguer e achar que todas as crianças têm o direito a ter mãe, assim como tem o direito de não gostar de homossexuais, mas perde toda a razão quando passa ao insulto, atacando a moral de Cristiano Ronaldo, chamando-lhe «estupor moral» e ao por em causa a educação que a sua mãe lhe proporcionou.

 

O médico Gentil Martins não pode afirmar que a homossexualidade é uma «anomalia», «um desvio de personalidade», comparando-a aos sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam.

 

Porque uma coisa é o direito à liberdade de expressão a que Gentil Martins tem como cidadão, outra bem diferente é o dever que o cirurgião tem enquanto médico, de ter um «comportamento público adequado à dignidade que a sua profissão exige», como referiu o bastonário da Ordem dos Médicos.

 

Duas médicas já comunicaram que vão fazer queixa na Ordem dos Médicos o que implica que as declarações de Gentil Martins sobre a homossexualidade tenham que ser analisadas pelos órgão competentes.

 

Atualmente com 87 anos, o cirurgião ficou famoso pela separação de gémeos siameses e foi bastonário da Ordem dos Médicos, continuando ainda no ativo, a dar consultas e a efetuar cirurgias.

 

Mas não é pela sua provecta idade ou por ter salvado muitas vidas que o médico ganha supremacia moral sobre os outros ou pode-lhe ser permitido proferir declarações homofóbicas que visem atingir outros cidadãos.

01
Fev17

Sobre a morte medicamente assistida

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A Assembleia da República vai debater hoje uma petição do movimento cívico «Direito a Morrer com Dignidade» que defende a despenalização da morte assistida em Portugal.

 

O tema é polémico e tem dividido opiniões. Não tenho ainda uma opinião formada e definitiva sobre o tema, aliás como a maioria da população portuguesa, razão pela qual se deve lançar um debate alargado como bem sugeriu o Presidente da República.

 

Em todo o caso, julgo que há mais argumentos contra a morte medicamente assistida do que a favor. Desde logo os religiosos, éticos, morais e jurídicos.

 

Do ponto de vista religioso a Eutanásia é tida como uma usurpação do direito à vida humana.

 

Na perspetiva da ética médica a vida é considerada como um dom sagrado sobre o qual o médico não pode decidir sobre a vida de alguém. Os médicos, quando se formam, fazem o Juramento de Hipócrates, onde juram não matar e onde garantem, expressamente, todos os meios de sobrevivência aos seus pacientes.

 

Acresce, que a legalização da eutanásia poderia colocar em causa a relação médico /paciente. A legitimação da morte medidamente assistida levaria a que a mesma se aplicasse de forma discricionária, tendo como consequência a morte sem o consentimento das pessoas em causa. Depois, dada a dificuldade de se prever o tempo de vida que resta ao doente, bem como a possibilidade de erro no diagnóstico médico,  poderia conduzir a falecimentos precoces e sem sentido.

 

Do ponto de vista meramente jurídico, a nossa Constituição assegura aos cidadãos o direito à vida plena. O ato médico de retirar a vida a um doente a seu pedido e com o seu consentimento é punível por via do artigo 134º do Código Penal, e chama-se «homicídio a pedido da vítima». Não há, no entanto, na história da justiça portuguesa qualquer caso que, por via deste artigo, tenha chegado à fase de acusação.  

 

Estes argumentos parecem importante e suficientes para que se alargue a natureza do debate e a questão do sentido da vida adquira importância na discussão acerca da melhor maneira de morrer. Por isso, só favorável a que este assunto seja referendado.

 

Aliás, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, recém-eleito, já defendeu um referendo sobre o assunto, afirmando que o tema deve ser debatido por toda a sociedade portuguesa e que o parlamento não tem competências para tomar uma decisão deste tipo.