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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

14
Out17

O regresso de Santana Lopes

 

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Parece que desta vez Pedro Santana Lopes (PSL) vai mesmo candidatar-se à liderança do PSD. O anúncio foi feito na terça-feira, no espaço habitual de comentário na SIC Notícias. «Hoje é um dia de boas notícias: Portugal ganhou e eu sou candidato à liderança do PPD/PSD», afirmou o candidato.

 

PSL adiantou que só apresentará publicamente a sua candidatura na próxima semana e revelou que manifestou ao presidente do partido, Pedro Passos Coelho, a sua preferência pela realização de diretas em janeiro, opção essa que acabou por ser aprovada na segunda-feira em Conselho Nacional.

 

PSL é sobejamente conhecido dos portugueses. Foi líder do PSD, presidente das Câmaras da Figueira da Foz e da Capital e até primeiro-ministro. Desempenha atualmente as funções de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, desde 2011.

 

Como Marques Mendes referiu no passado domingo na SIC Notícias, a candidatura de PSL, neste momento, não deixa de ser um ato de coragem, uma vez que PSL tem mais a perder do que a ganhar. Mas também vai permitir que a disputa interna do futuro líder do PSD fique mais animada e acesa e, sobretudo, que não sejam «favas contadas» para Rui Rio.

 

Mas, como se explica que Santana Lopes, aos 61 anos e depois de ter sido tudo na política portuguesa, exceto Presidente da República, deixe para trás um lugar de certo prestígio, onde tem feito um bom trabalho e venha disputar a liderança de um PSD em frangalhos, trocando o certo pelo incerto? Será apenas o seu amor ao PPD/PSD?

 

Relembro aqui parte do artigo de Miguel sousa Tavares hoje no Expresso: Santana Lopes, (…) «o país inteiro conhece-o, até bem demais — com ele é como se fossemos todos família. A imprensa adora-o, porque ele é um incansável fabricante de emoções, animações e trapalhadas — o “menino guerreiro”. Tem sobre Rio essa vantagem: a ele não assustam as guerras perdidas (enfim, não todas…), e não há festa nem festança a que não compareça, convidado ou não. Infelizmente, tem, em relação a Rio, a imensa desvantagem daquele trágico e breve governo de 2002, que Durão Barroso deixou cinicamente de herança ao país quando se pirou para Bruxelas e que Santana chefiou como se chefia um clube de amigos. Mais do que uma amnésia colectiva, seria necessário que o país entrasse num processo de suicídio colectivo (como parece estar a acontecer com o PSD) para que voltássemos a passar por tão deliciosa experiência. Não obstante, eu prefiro sempre aqueles a quem falta em razão o que lhes sobra em coração: afinal de contas, eles são o sal da vida. E a Pedro Santana Lopes aplica-se como uma luva os versos do fado de Amália: “Coração independente/ coração que eu não comando/ vives perdido entre a gente… pára, deixa de bater/ se não sabes onde vais/ porque teimas em correr?».

04
Out17

O senhor que se segue

 

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Depois de Pedro Passos Coelho ter garantido publicamente que não se recandidatar à liderança dos social-democratas, outro Pedro, Santana Lopes admitiu ontem à noite na SIC Notícias estar a «ponderar obviamente» uma candidatura à liderança do partido.

 

Santana Lopes não consegue deixar de ser ele próprio. Está sempre disponível, mesmo quando não está. Como ninguém o quer no PSD, fez logo questão de vir a terreiro dizer que está a pensar avançar. Só para mostrar que está vivo. Só porque está melindrado por ninguém pensar nele para a presidência do partido. Pedro Santana Lopes é e será o eterno candidato.

 

Rui Rio parece ser o líder que se segue dos sociais-democratas. O antigo presidente da Câmara Municipal do Porto tem estado a ouvir notáveis social-democratas. A decisão de avançar com uma candidatura à liderança deverá ser anunciada talvez na próxima semana. Rui Rio é o nome mais forte para a corrida à liderança laranja, mas poderão surgir outros. André Ventura também já se mostrou disponível e Paulo Rangel, como já se percebeu, também não rejeita essa possibilidade.

 

Mas o homem indicado é bem capaz de ser Rui Rio. É uma ambição antiga do político portuense que pode ser satisfeita nesta altura. Um leader social-democrata como Rio, do lado esquerdo do partido, é interessante sob o ponto vista político e poderá colocar novos desafios a António Costa. Ainda poderá eventualmente criar-se uma solução tipo bloco central.

06
Set17

«Passos perdido no seu labirinto»

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 «“Não aceitamos o ambiente de intolerância em que só se discute o futuro segundo a perspectiva do pensamento dominante”. Nesta frase, grave e grandiloquente, dita por Pedro Passos Coelho no encerramento da Universidade de Verão do PSD, cabem por inteiro os dramas da sua liderança e os fracassos da sua oposição. O que a marca não é tanto o horror do “ambiente de intolerância”, que existe e a cada passo vai dando um ar de guerra tribal à vida pública. O que a torna importante é o reconhecimento da impotência de Pedro Passos Coelho e do PSD em contrariar a “perspectiva do pensamento dominante”. Fora do poder, o principal partido da oposição admite que o domínio das palavras, das ideias ou dos projectos capazes de suscitar a atenção dos portugueses e de marcar o debate público não lhe pertence. O admirável país novo de António Costa é uma máquina oleada e à prova de bala-as sondagens confirmam-no.

 

Talvez seja o impulso desta impotência que leva alguns responsáveis do PSD a dizer em público o que nenhum militante social-democrata diria em privado há apenas meia dúzia de anos. Não estão apenas em causa as alarvidades de André Ventura em Loures sobre os ciganos ou sobre os imigrantes – que associa o partido ao perigo populista e xenófobo e manda às malvas o pouco que resta da doutrina personalista e humanista do velho PSD. A tolerância de Passos Coelho ao “ambiente de intolerância” em Loures é apenas o sintoma mais grave de um partido que pressente a necessidade de gritar para se fazer ouvir. Vejam-se as declarações de Paulo Rangel sobre uma alegada responsabilidade moral do Governo nas mortes de Pedrógão. Ou o tom rancoroso de Aníbal Cavaco Silva sobre os “pios” da esquerda na mesma universidade de Verão.

 

O PSD não domina o pensamento porque se afundou no ressentimento. Vários colunistas o disseram nos últimos dias e é a consequência dessa forma de vida que vale a pena reflectir. Porque o PSD, um partido crucial, deixou de ser uma mola influente na política. Tornou-se o bombo da festa. Este fim-de-semana, Pedro Nuno Santos lamentava ao Sol que, “ao fim destes dois anos”, o PSD “não tenha percebido nada do que está a acontecer em Portugal e continue a cometer erros”. No meio do cinismo, o novo guru da esquerda do PS tem razão. O PSD não deu conta que a aliança sagrada das esquerdas mudou radicalmente o quadro da política. Não percebeu que o “discurso dominante”, feito de facilidades e de paternalismo pagos pelos impostos, é música celestial para os portugueses. Não percebeu que o eleitorado tem a memória curta e detesta rebobinar os tempos da crise. Não percebeu que os portugueses precisavam de distensão. Que o diabo não virá enquanto a Europa crescer, o Banco Central Europeu ajudar e houver folga para redistribuir as verbas libertadas pela excepcional conjuntura da economia.

 

Neste desnorte, as ciladas que António Costa a cada passo organiza são sempre um sucesso. Quando o PSD é desafiado a fazer parte de consensos em matérias como os investimentos públicos ou os fundos comunitários, bem sabemos que em causa está uma provocação. Mas, nestes apelos cínicos à responsabilidade, o PSD não se pode remeter à condição birrenta dos partidos de protesto. Tem de ir a jogo, como aliás aqui explicou João Miguel Tavares. Tem de mostrar as suas ideias e as suas prioridades. Exigindo que os consensos sobre o betão se alarguem à Saúde, à Segurança Social ou à Justiça que, como Passos Coelho disse e bem, são reformas muito mais importantes para o futuro do que a discussão sobre mais estradas ou rotundas. Ao optar pela intransigência, Passos Coelho pode convencer os militantes mais radicais, sempre dispostos a ver a política como um braço-de-ferro para homens de fala grossa e barba rija. Mas dificilmente chegará ao eleitorado flutuante que, apreciando firmeza e ideias claras, exige principalmente que os partidos se empenhem na resolução dos problemas do país.

 

Passos Coelho, porém, não entende que a crítica sistemática e negativa é cimento para a consolidação do “pensamento dominante”. Ao barricar-se no contra e no queixume deixa-se ficar refém do lado menos útil da sua biografia política. Cola-se ao passado e desiste do futuro. O primeiro-ministro que governou na pior conjuntura económica em muitas décadas, que geriu o ajustamento inevitável, que, melhor ou pior, manteve um rumo que acabou na saída da troika em 2014 torna-se assim presa fácil dos clichés que a esquerda lhe vai colando. Passos é um dos mais preciosos activos do PS, do Bloco e do PCP porque se tornou um alvo parado num tempo que já acabou. É fácil o “pensamento dominante” colá-lo a um putativo excesso de austeridade aplicado por ideologia ou capricho. É fácil situá-lo como autor de uma governação que, por oposição à actual, fez questão de espremer os portugueses voluntária e gratuitamente.

 

Com o Bloco e o PCP a encherem com mestria o campo do poder e da oposição, o PSD devia olhar para o lado e ver como Assunção Cristas consegue temperar melhor a faceta contestatária com a faceta construtiva – ainda esta semana lá veio uma proposta para baixar o IRC. A melhor maneira de mostrar a suposta incongruência da “geringonça” seria provar que em questões essenciais como a da iniciativa privada, a do peso do Estado, a da responsabilidade fiscal ou das relações com a Europa, o PSD tem muito mais a dialogar com o PS do que o Bloco ou o PCP. E isso só se conseguiria se a direita liderada pelo PSD se assumisse “como motor reformista do país”, afirmando-se como uma alternativa “na apresentação de ideias inovadoras por sector, com bons think tanks ou até um governo sombra”, como escreveu por estes dias Alexandre Homem Cristo no Observador.

 

Ficando preso ao ressentimento, Pedro Passos Coelho afunda-se. Cada vez mais sozinho no PSD, a braços com escolhas duvidosas para as autárquicas, preso à imagem do neoliberal punitivo que queria erguer um Portugal novo a golpes de austeridade, carregando às costas menos-valias de um certo passado recente (com Cavaco Silva à cabeça), incapaz de articular um projecto coerente para o futuro, Passos parece perdido, abandonado e cansado. Um dia, quando a História se sobrepuser ao jornalismo, quando a propaganda sobre o passado recente se despir da emoção, talvez seja visto como o homem que salvou o país de um tormento como o da Grécia. Mas a política não se faz de profecias. Hoje, que é o que conta, Pedro Passos Coelho é um líder perdido no seu labirinto. No próximo congresso do PSD não deixará de haver quem lhe queira apontar a saída.».

 

Manuel Carvalho - Público

01
Set17

Cavaco Silva na Universidade de Verão do PSD

 

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O ex-presidente da República Cavaco Silva veio de Albufeira e interveio na Universidade de Verão do PSD que marcou a rentrée política do partido e que arrancou esta semana em Castelo de Vide.

 

Perante uma plateia de jovens do PSD, Cavaco lançou críticas veladas a Marcelo e ao Governo, arrasando a «verborreia frenética dos políticos» e aqueles que «piam» por jogada partidária. E afirmando que também há fake news em Portugal, não apenas «na América do senhor Trump».

 

Cavaco falou com a maior desfaçatez como se ele próprio não tivesse tido uma carreira política, como se ele não tivesse sido tudo o que um político  pode ser de mais relevante – ministro, primeiro-ministro e presidente da República.

 

Falou ainda como ele próprio não tivesse alimentado notícias falsas durante décadas, em todas as funções de governante que teve. Vê-lo a mencionar este assunto é, no mínimo, hilariante.

 

Quem não se lembra da famosa intentona de Belém? Em que um ex-assessor de Cavaco, Fernando Lima, acusou José Sócrates de vigiar Belém, vindo depois a provar-se que as suspeitas não tinham fundamento, ou a ocasião em que Cavaco assegurava ao país de que o BES estava sólido, persuadindo os cidadãos portugueses a participarem na operação de aumento de capital que, posteriormente, se revelou uma gigantesca fraude. Estas palavras de Cavaco aconteceram meras semanas antes de o BES ter falido.

 

Por tudo isto Cavaco na Universidade de Verão do PSD foi igual a ele próprio, como de resto a imprensa conservadora fez notar de forma cautelosa.

 

Cavaco apenas quis ajustar contas com o passado e foi essa mensagem negativa de revanchismo que passou a dezenas de jovens que ambicionam entrar na politica e que deveriam ter recebido uma mensagem de esperança no futuro

 

Devia ter ficado sossegado em Albufeira.

26
Jul17

Oportunismo mórbido

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É vergonhoso o aproveitamento político que os partidos da Direita e alguma comunicação social estão a fazer com as vítimas do incêndio de Pedrogão.

 

A grande preocupação incide agora sobre a contabilidade dos mortos. Sobre a divulgação das listas com os nomes. É aberrante e doentia a obsessão com a devassa até das mortes. Parece que vale tudo. Nada nem ninguém merece respeito. Nem a memória dos mortos nem a as suas famílias.

 

Mas porventura existirá alguém interessado em esconder mortos? Por que o fariam e com que intenção? Será credível que as autoridades governamentais, depois de reconhecerem com base nas informações recolhidas e que lhe foram transmitidas, um número tão extraordinário como 64 vítimas, teriam interesse em esconder mais mortes, se comprovadas?

 

Interessante foi também o ultimato feito pelo PSD ao governo, através de Hugo Soares,  para a divulgação da lista de pessoas que  faleceram no incêndio de Pedrógão Grande com a ameaça de um pedido de urgência de uma reunião de líderes na AR.

 

Que dizer em relação a mais esta trapalhada de um partido (e do seu novo líder parlamentar), que deveria ter sentido de Estado e demonstrar que como maior partido da oposição é responsável.

 

Mas mais uma vez se veio a verificar o oportunismo político deste PSD que até das vítimas do infausto acontecimento se serviu, para tentar tirar dividendos políticos.

 

Só a silly season e a aproximação do período eleitoral justificam este desvario. Bem sei que o Diabo não dá sinais, mas socorrerem-se do inferno dos fogos também não parece uma boa estratégia.

13
Jul17

«A crise é de António Costa ou de Passos Coelho?»

 

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«O Governo de António Costa teve o seu momento mais difícil nas últimas semanas com a tragédia de Pedrógão Grande, uma história caricata de roubo de material militar que podia ser contada por Raul Solnado e saída, depois de um ano desse tema esquecido, de três secretários de Estado por terem viajado a convite da Galp.

 

Nos dois primeiros temas, há ainda muito por explicar. Algo que comissões independentes, não saídas do Parlamento, deviam contribuir para clarificar. Quanto às demissões, e não pondo em causa a importância e méritos dos que saem, é uma questão moral e não criminal.

 

Se durante um ano o Governo teve inúmeras vitórias e resultados positivos numa conjugação astral que tudo empurrava para o bem, nestas últimas semanas parecia que era o Diabo, para o qual preconizava Passos Coelho a sua entrada em cena, que estava em acção. Mas o PSD ganhou alguma coisa com isso? Não.

 

António Costa em São Bento comandou sempre a agenda política, tornando penosa a vida dos sociais-democratas na oposição. Estes, assentaram arraiais em termos de oposição nas questões de finanças. Utilizando para o combate o próprio líder e Maria Luís Albuquerque que, juntamente com Vitor Gaspar, foram os principais rostos da austeridade e de uma enorme pressão fiscal imposta aos portugueses.

 

Isso revelou-se um erro. Delfim Netto, ex-ministro brasileiro, dizia que o órgão mais sensível do corpo humano é o bolso. E o que é certo e sem sofismas é que os portugueses têm a percepção que hoje estão menos amarrados a uma austeridade sem sentido e levam uma vida ligeiramente melhor. Essa é a maior bandeira de António Costa e Passos Coelho não pode combater esta percepção, e a percepção é muito mais importante que a realidade na acção política.

 

O que se passou nestes últimos dias fez-me lembrar um filme de Billy Wilder, “Ace in the Hole” (também conhecido por “Big Carnival”). Ali, Kirk Douglas é um jornalista à deriva, que tem a oportunidade da sua carreira quando um homem cai numa gruta. E em vez de apressar o seu salvamento concebe um plano de adiar o seu resgate para que as primeiras páginas dos jornais lhe dêem a fama que perseguia. Este mau momento do Governo foi a tábua de salvação de uma oposição que não sobe nas sondagens e da qual os portugueses estão cansados.

 

Sim, de repente a imprensa esqueceu-se que Rui Rio anda em périplo pelo País a arregimentar tropas, nas autárquicas as duas maiores cidades são um desastre anunciado e no interior do PSD foram visíveis o espanto e a crítica contra o novo líder parlamentar já escolhido. Se há fragilidade momentânea do Governo, há um estado comatoso do maior partido da oposição que está sem garra e sem causas. Parece triste, abúlico, na ânsia por renovação mas com medo de desafiar o líder.

 

No debate do Estado da Nação, Luís Montenegro atacou, dizendo que «o Estado está a colapsar». Mas se assim é, porque o PSD não cai no coração dos portugueses? É isso que na São Caetano não percebem. Porque não há antídoto visível contra os bons resultados económicos. António Costa está para durar, aprendam a lidar com ele.».

 

Texto de Rui Calafate, ECO

27
Jun17

Suicídio Político

 

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Pedro Passos Coelho de visita a Pedrógão, acompanhado por deputados do PSD, declarou que o Estado falhou no apoio psicológico às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, adiantando ter tido conhecimento de que um suicídio terá ocorrido por falta desse apoio, situação entretanto negada pela Administração Regional de Saúde do Centro.

 

Como se percebe depois de 64 mortes num incêndio que coloca em causa o Estado e os serviços do Estado, só se compreende tal afirmação se a mesma fosse à "prova de bala". Não sendo, é uma afirmação grave, que um político minimamente responsável, sério e com sentido de Estado, nunca poderia proferir em direto.

 

Entretanto o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrogão Grande, João Marques, já fez mea culpa ao assumir que, involuntariamente, induziu Passos Coelho em erro e o líder do PSD já veio igualmente a público dizer que não devia ter divulgado uma informação que carecia de confirmação oficial.

 

Pedro Passos Coelho, um político experiente na comunicação política, não podia ter sido tão leviano. Mesmo que fosse o Provedor local a induzi-lo em erro, o líder do PSD devia ser o primeiro a exigir-lhe contenção, mas o oportunismo político fê-lo avançar e isso pode-lhe agora sair caro.

01
Abr17

Cada tiro, cada melro

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Teresa Leal Coelho, candidata do PSD a Lisboa deu a sua primeira entrevista ao Observador depois de ser escolhida pelo PSD como candidata ao Município de Lisboa e a coisa não lhe correu lá muito bem.

 

Senão vejamos:

 

A primeira grande promessa da candidata do PSD a Lisboa foi baixar o IMI para 0%. Os lisboetas certamente aplaudiriam de pé esta medida, caso fosse possível pô-la em prática, mas não é, porque os valores deste imposto são definidos anualmente no Orçamento do Estado, no qual são indicados um limite mínimo e um teto máximo, que se situa entre os 0,3% e os 0,45%. Às autarquias compete, dentro desse margem, indicar um valor. O IMI de Lisboa já está na taxa mínima. Acresce, ainda, que esta é a principal fonte de receitas da autarquia e como tal é impensável um município poder renunciar a esta receita.

 

Mas baixar o IMI para 0% não é a única medida que a candidata pretende tomar, caso seja eleita, o que se espera não venha a acontecer. Leal Coelho promete reduzir também a fatura da água: «seguramente que irei revogar a taxa de proteção civil que é paga no âmbito da fatura da água, por ser “inconstitucional” e “injusta”». Ora, na fatura da água, os lisboetas pagam várias taxas à Câmara: a de saneamento, a de resíduos urbanos e a de consumos coletivos, mas não a de proteção civil que é cobrada através de uma notificação. Sucede que a mesma rendeu 21,6 milhões de euros em 2016 aos cofres da Câmara de Lisboa, por isso também não se afigura provável a Câmara poder dispensar esta fonte de receita.

 

A candidata do PSD diz que a assiduidade não é bitola, mas promete «mais assiduidade como presidente da câmara» e justifica a sua ausência, enquanto vereadora, nas reuniões da câmara, alegando que as substituições «decorreram quase exclusivamente para assegurar outras responsabilidades políticas».

 

Sabemos que Teresa Leal Coelho foi para ai a 36ª (?) escolha do PSD. Sabemos bem que esta não é uma candidata ganhadora, mas que foi lançada às feras em desespero de causa.

 

Por aqui se vê como o PSD anda desesperado recorrendo ao populismo mais básico. Mas convinha que a senhora soubesse minimamente ao que vai e do que fala para não fazer estas tristes figuras, porque esta não é uma militante qualquer do partido. É a  vice-presidente do PSD.

28
Mar17

Aeroporto Cristiano Ronaldo

 

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A cerimónia de inauguração do aeroporto da Madeira com o nome de «Cristiano Ronaldo» está marcada para a próxima quarta-feira e contará com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa, presidente da República e primeiro-ministro.

 

Contudo a escolha do nome do aeroporto feita pelo governo regional da Madeira, liderado por Miguel Albuquerque tem sido alvo de muitas críticas.

 

Se há muitos que defendem o nome do capitão da seleção outros, porém, criticam tal decisão. É o caso do embaixador e socialista Francisco Seixas da Costa que defende que aeroporto devia ter o nome de Alberto João Jardim.

 

Também Marcelo Rebelo de Sousa manifestou as suas dúvidas sobre a escolha e parte do PSD da Madeira defendia que a escolha recaísse em Alberto João Jardim, que liderou o governo regional da Madeira durante décadas.

 

Pois bem, eu não escolheria nem um nem outro, a minha preferência recaía em João Gonçalves Zarco que no ano de 1419 juntamente com Tristão Vaz Teixeira desembarcaram pela primeira vez no arquipélago da Madeira.

 

Mais tarde viriam a ser nomeados capitães-donatários nesta ilha – Zarco ficou com a capitania do Funchal e Vaz Teixeira com a do Machico –, com o objetivo de promover o seu povoamento e colonização.

 

Por este motivo, penso que o nome de «Gonçalves Zarco» assentaria que nem uma luva ao aeroporto do Funchal.

16
Mar17

O PSD já tem candidato a Lisboa

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A poucos dias de se conhecer a opção de Pedro Passos Coelho para o Município de Lisboa, há um nome que agrada aos sociais-democratas: Teresa Leal Coelho, vice-presidente do PSD e vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, escolha que deverá ser validada na Comissão Política Nacional da próxima terça-feira, 21 de março, mas antes disso a candidata ainda tem de passar pelo crivo dos plenários das estruturas concelhia e da distrital do partido. Contudo, estas estruturas veem com bons olhos um eventual avanço de Teresa Leal Coelho em Lisboa.

 

Após vários nomes que foram sendo queimados neste percurso de escolha de candidato autárquico, começando em Pedro Santana Lopes, passando por José Eduardo Moniz, José Eduardo Martins, Marques Mendes, Morais Sarmento, Carlos Barbosa, Maria Luís Albuquerque, Teresa Morais e Marisa Ferreira parece que o de Teresa Coelho será o eleito.

 

Depois de um processo em que concelhia e distrital não conseguiram entender-se em torno de um eventual apoio a Assunção Cristas e que acabou por opor a concelhia (que desafiou Passos a avançar) ao próprio líder nacional e sabendo antecipadamente que o PSD não ganhará em Lisboa, o partido envida esforços para que a derrota em Lisboa seja menos pesada, ou seja, que o seu candidato ou candidata fique atrás da candidata do CDS, coisa que, a acontecer, é vista por alguns barões do partido como um falhanço de consequências fatais para Passos.

 

Enquanto se projetam os efeitos dos resultados em Lisboa começa-se já a pensar no congresso do partido que se seguirá às autárquicas e onde os apoiantes de Rui Rio começam a contar espingardas a fim de vê-lo defrontar a atual liderança.