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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

26
Jul17

Oportunismo mórbido

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É vergonhoso o aproveitamento político que os partidos da Direita e alguma comunicação social estão a fazer com as vítimas do incêndio de Pedrogão.

 

A grande preocupação incide agora sobre a contabilidade dos mortos. Sobre a divulgação das listas com os nomes. É aberrante e doentia a obsessão com a devassa até das mortes. Parece que vale tudo. Nada nem ninguém merece respeito. Nem a memória dos mortos nem a as suas famílias.

 

Mas porventura existirá alguém interessado em esconder mortos? Por que o fariam e com que intenção? Será credível que as autoridades governamentais, depois de reconhecerem com base nas informações recolhidas e que lhe foram transmitidas, um número tão extraordinário como 64 vítimas, teriam interesse em esconder mais mortes, se comprovadas?

 

Interessante foi também o ultimato feito pelo PSD ao governo, através de Hugo Soares,  para a divulgação da lista de pessoas que  faleceram no incêndio de Pedrógão Grande com a ameaça de um pedido de urgência de uma reunião de líderes na AR.

 

Que dizer em relação a mais esta trapalhada de um partido (e do seu novo líder parlamentar), que deveria ter sentido de Estado e demonstrar que como maior partido da oposição é responsável.

 

Mas mais uma vez se veio a verificar o oportunismo político deste PSD que até das vítimas do infausto acontecimento se serviu, para tentar tirar dividendos políticos.

 

Só a silly season e a aproximação do período eleitoral justificam este desvario. Bem sei que o Diabo não dá sinais, mas socorrerem-se do inferno dos fogos também não parece uma boa estratégia.

13
Jul17

«A crise é de António Costa ou de Passos Coelho?»

 

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«O Governo de António Costa teve o seu momento mais difícil nas últimas semanas com a tragédia de Pedrógão Grande, uma história caricata de roubo de material militar que podia ser contada por Raul Solnado e saída, depois de um ano desse tema esquecido, de três secretários de Estado por terem viajado a convite da Galp.

 

Nos dois primeiros temas, há ainda muito por explicar. Algo que comissões independentes, não saídas do Parlamento, deviam contribuir para clarificar. Quanto às demissões, e não pondo em causa a importância e méritos dos que saem, é uma questão moral e não criminal.

 

Se durante um ano o Governo teve inúmeras vitórias e resultados positivos numa conjugação astral que tudo empurrava para o bem, nestas últimas semanas parecia que era o Diabo, para o qual preconizava Passos Coelho a sua entrada em cena, que estava em acção. Mas o PSD ganhou alguma coisa com isso? Não.

 

António Costa em São Bento comandou sempre a agenda política, tornando penosa a vida dos sociais-democratas na oposição. Estes, assentaram arraiais em termos de oposição nas questões de finanças. Utilizando para o combate o próprio líder e Maria Luís Albuquerque que, juntamente com Vitor Gaspar, foram os principais rostos da austeridade e de uma enorme pressão fiscal imposta aos portugueses.

 

Isso revelou-se um erro. Delfim Netto, ex-ministro brasileiro, dizia que o órgão mais sensível do corpo humano é o bolso. E o que é certo e sem sofismas é que os portugueses têm a percepção que hoje estão menos amarrados a uma austeridade sem sentido e levam uma vida ligeiramente melhor. Essa é a maior bandeira de António Costa e Passos Coelho não pode combater esta percepção, e a percepção é muito mais importante que a realidade na acção política.

 

O que se passou nestes últimos dias fez-me lembrar um filme de Billy Wilder, “Ace in the Hole” (também conhecido por “Big Carnival”). Ali, Kirk Douglas é um jornalista à deriva, que tem a oportunidade da sua carreira quando um homem cai numa gruta. E em vez de apressar o seu salvamento concebe um plano de adiar o seu resgate para que as primeiras páginas dos jornais lhe dêem a fama que perseguia. Este mau momento do Governo foi a tábua de salvação de uma oposição que não sobe nas sondagens e da qual os portugueses estão cansados.

 

Sim, de repente a imprensa esqueceu-se que Rui Rio anda em périplo pelo País a arregimentar tropas, nas autárquicas as duas maiores cidades são um desastre anunciado e no interior do PSD foram visíveis o espanto e a crítica contra o novo líder parlamentar já escolhido. Se há fragilidade momentânea do Governo, há um estado comatoso do maior partido da oposição que está sem garra e sem causas. Parece triste, abúlico, na ânsia por renovação mas com medo de desafiar o líder.

 

No debate do Estado da Nação, Luís Montenegro atacou, dizendo que «o Estado está a colapsar». Mas se assim é, porque o PSD não cai no coração dos portugueses? É isso que na São Caetano não percebem. Porque não há antídoto visível contra os bons resultados económicos. António Costa está para durar, aprendam a lidar com ele.».

 

Texto de Rui Calafate, ECO

27
Jun17

Suicídio Político

 

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Pedro Passos Coelho de visita a Pedrógão, acompanhado por deputados do PSD, declarou que o Estado falhou no apoio psicológico às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, adiantando ter tido conhecimento de que um suicídio terá ocorrido por falta desse apoio, situação entretanto negada pela Administração Regional de Saúde do Centro.

 

Como se percebe depois de 64 mortes num incêndio que coloca em causa o Estado e os serviços do Estado, só se compreende tal afirmação se a mesma fosse à "prova de bala". Não sendo, é uma afirmação grave, que um político minimamente responsável, sério e com sentido de Estado, nunca poderia proferir em direto.

 

Entretanto o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrogão Grande, João Marques, já fez mea culpa ao assumir que, involuntariamente, induziu Passos Coelho em erro e o líder do PSD já veio igualmente a público dizer que não devia ter divulgado uma informação que carecia de confirmação oficial.

 

Pedro Passos Coelho, um político experiente na comunicação política, não podia ter sido tão leviano. Mesmo que fosse o Provedor local a induzi-lo em erro, o líder do PSD devia ser o primeiro a exigir-lhe contenção, mas o oportunismo político fê-lo avançar e isso pode-lhe agora sair caro.

01
Abr17

Cada tiro, cada melro

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Teresa Leal Coelho, candidata do PSD a Lisboa deu a sua primeira entrevista ao Observador depois de ser escolhida pelo PSD como candidata ao Município de Lisboa e a coisa não lhe correu lá muito bem.

 

Senão vejamos:

 

A primeira grande promessa da candidata do PSD a Lisboa foi baixar o IMI para 0%. Os lisboetas certamente aplaudiriam de pé esta medida, caso fosse possível pô-la em prática, mas não é, porque os valores deste imposto são definidos anualmente no Orçamento do Estado, no qual são indicados um limite mínimo e um teto máximo, que se situa entre os 0,3% e os 0,45%. Às autarquias compete, dentro desse margem, indicar um valor. O IMI de Lisboa já está na taxa mínima. Acresce, ainda, que esta é a principal fonte de receitas da autarquia e como tal é impensável um município poder renunciar a esta receita.

 

Mas baixar o IMI para 0% não é a única medida que a candidata pretende tomar, caso seja eleita, o que se espera não venha a acontecer. Leal Coelho promete reduzir também a fatura da água: «seguramente que irei revogar a taxa de proteção civil que é paga no âmbito da fatura da água, por ser “inconstitucional” e “injusta”». Ora, na fatura da água, os lisboetas pagam várias taxas à Câmara: a de saneamento, a de resíduos urbanos e a de consumos coletivos, mas não a de proteção civil que é cobrada através de uma notificação. Sucede que a mesma rendeu 21,6 milhões de euros em 2016 aos cofres da Câmara de Lisboa, por isso também não se afigura provável a Câmara poder dispensar esta fonte de receita.

 

A candidata do PSD diz que a assiduidade não é bitola, mas promete «mais assiduidade como presidente da câmara» e justifica a sua ausência, enquanto vereadora, nas reuniões da câmara, alegando que as substituições «decorreram quase exclusivamente para assegurar outras responsabilidades políticas».

 

Sabemos que Teresa Leal Coelho foi para ai a 36ª (?) escolha do PSD. Sabemos bem que esta não é uma candidata ganhadora, mas que foi lançada às feras em desespero de causa.

 

Por aqui se vê como o PSD anda desesperado recorrendo ao populismo mais básico. Mas convinha que a senhora soubesse minimamente ao que vai e do que fala para não fazer estas tristes figuras, porque esta não é uma militante qualquer do partido. É a  vice-presidente do PSD.

28
Mar17

Aeroporto Cristiano Ronaldo

 

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A cerimónia de inauguração do aeroporto da Madeira com o nome de «Cristiano Ronaldo» está marcada para a próxima quarta-feira e contará com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa, presidente da República e primeiro-ministro.

 

Contudo a escolha do nome do aeroporto feita pelo governo regional da Madeira, liderado por Miguel Albuquerque tem sido alvo de muitas críticas.

 

Se há muitos que defendem o nome do capitão da seleção outros, porém, criticam tal decisão. É o caso do embaixador e socialista Francisco Seixas da Costa que defende que aeroporto devia ter o nome de Alberto João Jardim.

 

Também Marcelo Rebelo de Sousa manifestou as suas dúvidas sobre a escolha e parte do PSD da Madeira defendia que a escolha recaísse em Alberto João Jardim, que liderou o governo regional da Madeira durante décadas.

 

Pois bem, eu não escolheria nem um nem outro, a minha preferência recaía em João Gonçalves Zarco que no ano de 1419 juntamente com Tristão Vaz Teixeira desembarcaram pela primeira vez no arquipélago da Madeira.

 

Mais tarde viriam a ser nomeados capitães-donatários nesta ilha – Zarco ficou com a capitania do Funchal e Vaz Teixeira com a do Machico –, com o objetivo de promover o seu povoamento e colonização.

 

Por este motivo, penso que o nome de «Gonçalves Zarco» assentaria que nem uma luva ao aeroporto do Funchal.

16
Mar17

O PSD já tem candidato a Lisboa

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A poucos dias de se conhecer a opção de Pedro Passos Coelho para o Município de Lisboa, há um nome que agrada aos sociais-democratas: Teresa Leal Coelho, vice-presidente do PSD e vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, escolha que deverá ser validada na Comissão Política Nacional da próxima terça-feira, 21 de março, mas antes disso a candidata ainda tem de passar pelo crivo dos plenários das estruturas concelhia e da distrital do partido. Contudo, estas estruturas veem com bons olhos um eventual avanço de Teresa Leal Coelho em Lisboa.

 

Após vários nomes que foram sendo queimados neste percurso de escolha de candidato autárquico, começando em Pedro Santana Lopes, passando por José Eduardo Moniz, José Eduardo Martins, Marques Mendes, Morais Sarmento, Carlos Barbosa, Maria Luís Albuquerque, Teresa Morais e Marisa Ferreira parece que o de Teresa Coelho será o eleito.

 

Depois de um processo em que concelhia e distrital não conseguiram entender-se em torno de um eventual apoio a Assunção Cristas e que acabou por opor a concelhia (que desafiou Passos a avançar) ao próprio líder nacional e sabendo antecipadamente que o PSD não ganhará em Lisboa, o partido envida esforços para que a derrota em Lisboa seja menos pesada, ou seja, que o seu candidato ou candidata fique atrás da candidata do CDS, coisa que, a acontecer, é vista por alguns barões do partido como um falhanço de consequências fatais para Passos.

 

Enquanto se projetam os efeitos dos resultados em Lisboa começa-se já a pensar no congresso do partido que se seguirá às autárquicas e onde os apoiantes de Rui Rio começam a contar espingardas a fim de vê-lo defrontar a atual liderança.

 

 

22
Fev17

«Lisbon Papers»

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Segundo notícia avançada pelo Jornal Público, o Fisco deixou sair do país dez mil milhões de euros para paraísos fiscais, entre 2011 e 2014, sem qualquer tipo de controlo, durante os anos em que Paulo Núncio foi secretário de Estado e Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque responsáveis pela pasta das Finanças.

 

O dinheiro terá sido comunicado ao fisco pelos bancos, ao abrigo da lei, mas a administração fiscal fez «vista grossa» e deixou passar as transferências.

 

A Autoridade Tributária confirmou que nos anos em causa, houve 20 declarações financeiras apresentadas ao fisco pelos bancos que não foram tratadas pela autoridade tributária. O jornal refere ainda que em 2015 o dinheiro transferido para paraísos fiscais cresceu 133% face ao ano anterior, para 8885 milhões de euros. A maior fatia do dinheiro foi transferida para as Baamas, cerca de 4790 milhões de euros. Seguem-se Hong Kong e o Panamá. Não deixa de ser contudo estranho como é que o fisco é tão célere e exigente com os seus concidadãos e tão desatento com o dinheiro que sai lá para fora!

 

O caso está a ser investigado pela Inspeção Geral de Finanças a pedido do Ministério das Finanças. Esquerda e direita já pediram audições sobre a fuga de capitais para paraísos fiscais.

 

Veremos agora como o PSD e o CDS vão descalçar esta bota. Espermos que sejam tão proativos quanto foram no caso da CGD e levem o caso até às últimas consequências.

16
Fev17

Ainda o folhetim da Caixa Geral de Depósitos

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Já ninguém aguenta toda esta polémica em torno da CGD. Este folhetim da CGD que envolve Mário Centeno, Governo, Marcelo, António Domingues, Lobo Xavier e todos os partidos já cheira demasiado a chicana política.

 

É óbvio que o Governo geriu mal todo o processo de nomeação da antiga administração da CGD, assente no pressuposto de que um banco público pode ser gerido como um banco privado. Mas, em contrapartida, António Domingues, ao não perceber o que lhe era exigido enquanto presidente de um banco público, mostrou que não estava à altura do cargo para o qual tinha sido nomeado.

 

O caso já se arrasta há meses, mas há dias ganhou novo fôlego, graças a uns SMS comprometedores. Foram alegadamente mensagens trocadas entre Centeno e Domingues, que António Lobo Xavier levou a Marcelo, e que levaram Centeno a Belém e posteriormente a justificar-se perante os portugueses.

 

António Domingues já tinha deixado uma imagem muito negativa em todo este processo. Ao fazer chegar os SMS, ao Presidente da República, via António Lobo Xavier, piorou ainda mais a sua imagem e a do Conselheiro de Estado (que não devia ter-se prestado a tal papel).

 

O Presidente da República depois de ter dado o seu apoio a Mário Centeno e ao Governo, sentiu-se traído pelo ministro das Finanças, que lhe terá omitido as mensagens telefónicas que enviou a Domingues. Daí o comunicado da Presidência da República, que veio fragilizar ainda mais o ministro das Finanças, e a exigência de que Centeno se justificasse perante os portugueses, não obstante o apoio de Marcelo ao ministro, o que motivou a ira dos partidos da direita.

 

O PSD e o CDS, como habitualmente, continuaram a agitar a lama como se não tivessem, também eles, culpa neste processo (podiam ter resolvido a situação quando comandavam os destinos de Portugal, mas arrumaram o assunto para debaixo do tapete) e veem agora, quais virgens ofendidas, criticar o Governo.

 

São exatamente os mesmos que há tempos conviveram alegremente com as falsidades de Maria Luís Albuquerque no Parlamento que agora exigem a demissão de Mário Centeno e a divulgação das suas mensagens telefónicas. Pelo meio, como é evidente, tentam extrair dividendos políticos, ao mesmo tempo que fragilizam a Caixa Geral de Depósitos, põem em causa a sua recapitalização e ameaçam a estabilidade do sistema financeiro português.

 

Há casos assim em que, infelizmente, ninguém se sai bem na fotografia. 

16
Jan17

Passos Coelho e a TSU

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Bem sabemos que a «coerência» em política é um termo que não tem grande credibilidade, já que os políticos afirmam, com uma enorme facilidade, uma coisa e o seu contrário.

 

Vem a propósito da descida da TSU para as empresas que está prevista no acordo de concertação social, como forma de compensá-las pelo aumento do Salário Mínimo Nacional. Tanto o BE como o PCP admitiram levá-la ao parlamento, caso o Governo insista na sua redução e Passos Coelho, espantem-se, também admitiu votar contra esta proposta ao lado dos partidos que apoiam a «geringonça», afirmando perentoriamente: «Não peçam o nosso apoio para isso. Se dentro da maioria não se entendem para resolver este problema e forem os próprios partidos da maioria a levar a questão à Assembleia da República, o nosso voto não têm. Isso que fique claro».

 

Independentemente da bondade da medida, e eu tenho algumas dúvidas da sua eficácia, certo é que Pedro Passos Coelho enquanto primeiro-ministro, sempre defendeu a descida da TSU para as empresas, ao mesmo tempo que baixava salários, com a justificação de fomentar a criação de postos de trabalho. É de facto surpreendente vir agora mudar de posição ao sabor do vento e das conveniências.

 

É que afinal Passos Coelho, pese embora a bandeirinha na lapela e a suposta pose de Estado que aparenta, não é senão é um líder fraco, que necessita de recorrer reiteradamente ao tacticismo e ao oportunismo político.

 

Ao alinhar com a extrema-esquerda parlamentar para derrotar o Governo, o PSD desrespeita o acordo de concertação social, à semelhança da CGTP — o único parceiro social a ficar fora do acordo de concertação —, mostrando ser uma oposição irresponsável, movida por ódios e vinganças, ficando assim responsável pela não aprovação da proposta no Parlamento.

17
Dez16

O PSD e as eleições autáquicas

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Depois da recusa de Pedro Santana Lopes, o PSD continua à procura de candidato à Câmara de Lisboa para as próximas eleições autárquicas.

 

Nesta altura, é esta a maior dor de cabeça que Passos Coelho tem para resolver. Há nomes como José Eduardo Martins e Laurinda Alves a serem testados em sondagens internas, mas que não convencem os dirigentes e por isso não há ainda qualquer decisão sobre o candidato.

 

Entretanto começam a surgir vozes que defendem que Passos Coelho é a escolha certa para Lisboa. Uma dessas vozes foi do vice-presidente do PSD-Lisboa, Rodrigo Gonçalves, que reforçou a ideia que é preciso apresentar «o melhor dos melhores» à Câmara de Lisboa, defendendo por isso a aposta no ex-primeiro-ministro.

 

Há no entanto opiniões contrárias dentro do partido e que são públicas, com militantes que apontam para uma coligação com o CDS e ainda outros mais virados para que a escolha deva recair num independente de prestígio, apoiado pelo PSD.

 

Responsáveis do PSD contactados dizem que a resposta ao repto lançado por Rodrigo Gonçalves ao líder deve ser encontrada nas palavras de Carlos Carreiras: Pedro Passo Coelho «é candidato a primeiro-ministro e não é candidato a presidente da Câmara de Lisboa».

 

Entretanto vários jornais de referência dão como certo o apoio do PSD a Assunção Cristas. É inaceitável que o maior partido do parlamento não tenha um candidato credível para apresentar, tendo que ir a reboque do CDS. O facto de apoiar Cristas já constitui em si mesmo uma derrota. 

 

Uma coisa é certa: está criada a crispação entre distrital e concelhia. A distrital inclina-se para o apoio a Assunção Cristas, a concelhia nem quer ouvir falar nisso. Pelo meio, resta uma indefinição cada vez mais criticada dentro do partido e que só deverá ser desfeita quando Passos anunciar o candidato a Lisboa que terá o apoio do PSD.

 

Esta indefinição que paira em torno dos candidatos para as principais autarquias é o pano de fundo que está a servir a Rui Rio para tentar ganhar protagonismo, mas na sombra há outros  candidatos que vão marcando terreno, como Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e Luís Montenegro.

 

O facto de o Congresso de 2018 ainda estar longe, de Passos Coelho ter ganhado as eleições legislativas e de não dar sinais de querer abandonar a liderança faz com que haja particular cautela na forma como dirigentes e militantes abordem a questão da liderança.

 

Há ainda muitos que acham que Passos Coelho só poderá cair caso perca as próximas legislativas. Mas o certo é que a desorientação nas autárquicas está a deixar o PSD nervoso, e uma derrota no próximo ato eleitoral poderá aumentar a pressão que já se faz sentir em torno da liderança.