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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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23
Mar15

Ventos de mudança na Europa

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As eleições regionais da Andaluzia e as eleições departamentais ocorridas neste fim-de-semana em França foram importantes para se começarem a delinear futuros cenários de governação nos dois países.

Na primeira volta das eleições departamentais em França, a grande incógnita era a dimensão do sucesso da extrema-direita e os danos para o Partido Socialista de Hollande. Já nas eleições regionais na Andaluzia, jogava-se o primeiro teste eleitoral à resistência dos grandes partidos tradicionais.

Em França, a aliança centrista liderada pelo UMP, partido de Nicolas Sakozy, conquistou o maior número de votos seguido da Frente Nacional, de Marine Le Pen que ficou em segundo lugar com 25%, remetendo o Partido Socialista de Hollande para a terceira posição com 22% dos votos.

Na vizinha Espanha, o PSOE da Andaluzia, com Susana Díaz como cabeça de lista, conseguiu chegar à vitória, elegendo 47 deputados, sem obter a maioria absoluta. O partido de Pablo Iglesias, com Teresa Rodríguez à frente elegeu 15 deputados, um resultado importante, mas ainda assim abaixo dos 19 a 22% das projeções, incluindo as que se realizaram à boca das urnas. O PP, partido no poder em Espanha, foi o grande derrotado com a perda de meio milhão de votos.

O Ciudadanos de Albert Rivera, partido de origem catalã e de centro-direita teve pela primeira vez uma votação que lhe garante nove deputados no parlamento regional andaluz. O resultado é ainda mais expressivo uma vez que a Andaluzia é uma região conservadora, nacionalista e tradicionalmente de esquerda, onde o PSOE vem  ganhando desde 1982. Os resultados do Podemos e do Ciudadanos confirmam que há agora quatro forças em disputa pelo poder num ano em que os espanhóis votam em três frentes.

Quer num caso como no outro havia previsões manifestamente exageradas quanto ao fim do bipartidarismo em Espanha e quanto ao domínio da Frente Nacional em França.

Muito embora os cenários mais catastrofistas não se tenham verificado, houve, no entanto, alguns progressos nesse sentido: na Andaluzia, por exemplo, nunca se haviam registado tantos lugares no Parlamento atribuídos a partidos não tradicionais (PSOE e PP) e, em França, a extrema-direita, pese embora tenha ficado em 2º lugar, consegue o seu melhor resultado de sempre em eleições locais e mantém a percentagem de votos conseguida nas eleições europeias de 2014.

Não sendo contudo resultados que favoreçam uma alteração do paradigma eleitoral nos dois países, são indicadores importantes que não devem ser negligenciados.