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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 07.04.13

«É PRECISO QUE ALGO MUDE PARA QUE TUDO FIQUE NA MESMA»

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O primeiro-ministro falou hoje ao País a partir do Palácio de S. Bento, reagindo ao veto do Tribunal Constitucional (TC). Muito crítico em relação a este órgão de soberania - cuja decisão respeita mas discorda - atribuiu ao acórdão dos juízes do TC «consequências muito sérias e graves para o futuro, não só do Governo mas de todo o país». No entanto, Passos Coelho afastou a hipótese de um novo aumento de impostos para compensar o impacto negativo verificado pelo chumbo do TC «que parece ser a solução que o Tribunal Constitucional favorece nas suas interpretações», salientou. «Fazê-lo poria em causa irremediavelmente as nossas possibilidades de recuperação atempada da economia e da criação de emprego», anunciando, no entanto, que vai compensar o desequilíbrio das contas do orçamento de estado com medidas de contenção da despesa, designadamente nas áreas da Saúde, Educação, Segurança Social e empresas públicas. Afastou em definitivo qualquer cenário de renúncia do Governo e prometeu lutar até ao limite das suas forças para evitar que Portugal caia num segundo resgate. E convocou todos, «o país, a sociedade, todos os órgãos de soberania e os partidos do arco da governação». Passos Coelho não inclui aqui o PS, mas deixou claro que precisa de apoio de todos para tirar o país do impasse em que se encontra e que «sem compromissos duradouros» a tarefa de recuperar o país - «que envolve todo o Estado português» - não será possível. No fundo, o primeiro-ministro não disse nada de novo. Continuamos como estávamos. Mais austeridade? Claro! «É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma»!