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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 10.12.13

O fator 'Rui Rio'

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Um movimento cívico da área do PSD emergiu no Porto com o objetivo de destronar a atual direção de Passos Coelho. Com um governo sob forte pressão de vários quadrantes políticos (sindicatos, funcionários públicos, trabalhadores, corporações, partidos da oposição e diversos movimentos sociais) a ala crítica do PSD(barões) decidiu criar um movimento com vista a uma alternativa interna em torno de Rui Rio. Esta ‘plataforma de reflexão’, denominada «Uma Agenda para Portugal» movimenta-se em torno de determinados ideais por entenderem que Portugal atravessa uma séria crise económica, social bem como no plano dos valores.

A iniciativa teve o efeito de conseguir abanar o atual primeiro-ministro. Sem nunca referir o nome de Rui Rio ou qualquer outro nome da Plataforma criada no Porto, em torno da qual Rui Rio está a ser empurrado para assumir o confronto com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho deixou um claro aviso para dentro do partido e matou assim o assunto: «acho bem que se pense na futura liderança do partido. Não tenciono ficar eternamente à frente do PSD», mas aconselhou calma aos militantes: «não tenciono colocar a minha liderança à disposição». Ao contrário, disse, «vou apresentar a recandidatura a breve prazo» e, como afirmara a vice-presidente do PSD, Teresa Leal Coelho, «quem retira Passos Coelho da liderança são os eleitores, não são os barões. E para isso terão que ser eleitos».

Por outr lado, parece que o tempo de Rui Rio ainda não chegou, porque como o próprio afirmou «não está para aí virado». Só “circunstâncias especiais” poderiam levar Rui Rio a avançar para a liderança do PSD. Rui Rio não esclarece quais são essas circunstâncias, mas assegura que as aparições públicas que tem feito são agenda e nada mais.

De repente criou-se um certo “sebastianismo” em redor de Rio como este fosse a solução para todos os problemas do país. É certo que Rui Rio tem carisma, teve um bom desempenho à frente da Câmara do Porto, mostrando possuir alguma sensibilidade social que porventura tem faltado a Pedro Passos Coelho. Mas será isso suficiente para conquistar as bases do PSD e tomar a liderança do partido? E, sobretudo, para Governar o país num momento particularmente difícil como este?