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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 29.12.13

Lixeira a céu aberto em Lisboa

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A greve dos cantoneiros terminou esta madrugada, mas a paralisação às horas extraordinárias vai manter-se até dia 5. A greve foi convocada em protesto contra a transferência de competências da Câmara para as juntas de freguesia. Todavia, António Costa já garantiu que todos os direitos dos 1800 trabalhadores (dos quais 870 são afetos aos serviços de higiene) que vão ser transferidos da câmara para as juntas de freguesia de Lisboa estarão assegurados e que estes manterão um «lugar cativo» na câmara caso regressem. O presidente referiu ainda que «não está em curso nenhuma privatização em nenhum sector da higiene», considerando que esta é um embuste evocado pelos sindicatos.

A situação agravou-se nos últimos dias, com toneladas de lixo acumuladas em bairros históricos da capital. O presidente da Câmara de Lisboa já fez saber que os problemas de higiene urbana decorrentes da greve de recolha do lixo só devem normalizar a partir do dia 10 de janeiro.

A situação desagrada naturalmente aos habitantes e também chama a atenção dos turistas não apenas pela má imagem que transmite, sobretudo nesta época de festas pela cidade, como e mais importante ainda, o lixo acumulado na via pública constitui um foco de insalubridade, representando claros riscos para a saúde pública.

Não me compete discutir a justeza da greve, o que me apraz registar é o empenhamento da CGTP em convocar esta greve e mostrar um total desprezo pelo bem-estar e pela saúde pública dos munícipes que lhes garantem os salários e o emprego. Confrontado com a quantidade de lixo que se amontoa nas ruas, o secretário-geral da CGTP apelou ao executivo da Câmara de Lisboa para que «procure encontrar uma solução adequada tão breve quanto possível», para o conflito laboral, porque «a defesa do serviço público é também a defesa da imagem da cidade». Se amanhã os serviços camarários decidirem recorrer a serviços de outsourcing ou mesmo privatizar na totalidade estes serviços da Câmara, imagino qual seria a reação de Arménio Carlos.

Não vejo o que perderiam os cantoneiros em fazer valer os seus direitos, justos que sejam, em sede própria, e pelos meios adequados. Mas sei o que ganhariam todas as pessoas que estão a ser afetadas por esta greve. 

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