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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 11.01.14

Troika recompensa governo

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 (fonte)

A submissão de Passos Coelho e da sua "equipa" aos interesses da troika começa a produzir os seis efeitos. Alguns dos ex-ministros desta maioria começaram a ser recompensados por algumas das instituições políticas e financeiras internacionais que têm contado com as prestimosas colaborações deste governo.

O ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, fiel discípulo do ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaüble, é apontado ao FMI. Vítor Gaspar foi nomeado por Durão Barroso, em Novembro passado, para presidir ao grupo de alto nível para a tributação da Economia Digital. Neste sábado, o jornal “Expresso” anuncia que o ex-ministro das Finanças se candidatou a diretor para os assuntos fiscais do FMI.

José Luís Arnaut, amigo de Durão Barroso, salta diretamente das privatizações para o conselho consultivo internacional do Goldman Sachs, depois da assessoria concedida a esta instituição que se tornou a maior acionista dos CTT, recentemente vendido a “preço de amigos” pelo atual Governo. José Luís Arnaut, que foi ministro do PSD nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes, terá como funções “fornecer conselhos estratégicos sobre uma série de negócios, regiões, políticas públicas e questões económicas, em particular sobre Portugal e os países africanos de língua portuguesa”. José Luís Arnaut é sócio da sociedade de advogados CMS Rui Pena & Arnaut (RPA), que nos últimos anos tem estado envolvida em todas as privatizações,  e é atualmente administrador da REN. No jornal Expresso, Pedro Santos Guerreiro refere que José Luís Arnaut foi o «advogado mais influente» no extenso programa de privatizações do atual governo. «José Luís Arnaut esteve em todas. Ora trabalhando para o Estado, ora para as empresas vendidas, ora para as empresas compradoras. Arnaut foi decisivo nas privatizações da EDP, REN, ANA, TAP (que falhou) e agora nos CTT». É caso para sublinhar que provavelmente é impossível encontrar maior promiscuidade entre política e interesses públicos, por um lado, e interesses privados, por outro. Na privatização dos CTT, José Luís Arnaut assessorou o banco Goldman Sachs, que se tornou no maior acionista da empresa. Ainda segundo o “Expresso”, a sociedade de advogadas da qual Arnaut é sócio, representou os interesses de bancos como o Goldman Sachs e o JP Morgan nas negociações dos swaps com o Estado.

O ex-ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, vai ocupar um cargo na OCDE. É o novo diretor do departamento de Country Studies da OCDE e ficará responsável pelas negociações com os ministros da Economia e das Finanças dos países da organização.

Last but not least, Paulo Portas é apontado à Comissão Europeia. Como já alguém disse anteriormente, não há melhor profissão do que a de ex-ministro.