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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 12.01.14

Eusébio e o Panteão Nacional

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 (imagem do Panteão Nacional)

 A ida de Eusébio para o Panteão Nacional tem animado o debate público nos últimos dias, por ser um tema que divide os portugueses.

Quando uma figura nacional desaparece, logo surgem os representantes habituais do oportunismo bacoco de diversos quadrantes para um aproveitamento circunstancial. A morte de Eusébio foi exemplo disso. Mas vamos à questão de fundo. Para que serve o Panteão? Quem lá está? Quem lá devia estar?

De acordo com a lei 28/2000, as honras do Panteão destinam-se a «perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade».

Atualmente, o Panteão Nacional abriga memoriais fúnebres de grandes vultos da História de Portugal, como D. Nuno Álvares Pereira, Infante D. Henrique, Pedro Álvares Cabral e Afonso de Albuquerque, bem como, os restos mortais de alguns presidentes da República e escritores. As exceções a estas personalidades são Humberto Delgado e Amália Rodrigues cujos restos mortais foram trasladados depois de se alterarem as disposições legais que apenas permitiam a trasladação da fadista para o Panteão Nacional quatro anos após a morte. Nomes tão relevantes para a identidade nacional como Luís de Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Vasco da Gama ou Alexandre Herculano não estão no Panteão. Por aqui se vê que o critério de acesso ao Panteão Nacional é discricionário.  

Os critérios de avaliação de entrada no Panteão Nacional deveriam ser avaliados por um colégio de personalidades independentes e não pelos políticos que se apropriam da imagem dos candidatos, num ato puramente demagógico, para conseguir granjear a simpatia dos eleitores. Seria importante definir-se critérios na forma como se acolhe grandes vultos e heróis da nossa História no Panteão Nacional. O critério de escolha não pode ser feito de forma emocional, nem por impulso.

Dito isto, acho que Eusébio tem tanto direito a estar no Panteão como Amália. Ambos foram figuras populares que se notabilizarem nas suas áreas, e com quem os portugueses se identificaram, quer em vida quer na hora da morte. Todavia, continuo a achar que Eusébio ficaria melhor sepultado junto aos seus adeptos e admiradores. Parece-me muitíssimo mais acertado e até mais bonito homenagear o "Pantera Negra", fazendo o que propôs Miguel Sousa Tavares no seu comentário semanal da SIC: sepultar Eusébio na capela do Estádio da Luz, imortalizando desta maneira a sua memória.