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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 13.04.13

O tempo deste Governo esgotou-se

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A saída de Miguel Relvas do Governo abriu uma janela de oportunidade a Pedro Passos Coelho (PPC). Supostamente, quando sai um ministro que tem a seu cargo a coordenação política do Governo abre-se um novo ciclo político, com tudo o que isso comporta. PPC poderia e deveria ter aproveitado esta conjuntura para dar um novo alento nas áreas das finanças e a da economia. Sim, porque uma remodelação no executivo nesta altura do campeonato teria necessariamente que incluir Vítor Gaspar, uma vez que o Ministro das Finanças não só falhou todos os objetivos a que se tinha proposto, como foi responsável por dois orçamentos desconformes com a Lei Fundamental. Ao manter Vítor Gaspar no governo, PPC veio corroborar a convicção de que a solução para os problemas do país em geral e para a execução do plano de ajustamento em particular passa pela manutenção do ministro das Finanças e da sua credibilidade externa, junto do seu homólogo alemão e da Troika. Com estes retoques cirúrgicos o primeiro-ministro perde a oportunidade de fazer uma remodelação alargada, preferindo, antes, arrastar este executivo até ao limite, provavelmente até às autárquicas e com isso perde também boa parte da credibilidade que ainda lhe restava. E as críticas ao governo vêm de todos os quadrantes políticos, incluindo setores que apoiavam esta maioria. De Bagão Félix, a Manuela Ferreira Leite, de Pacheco Pereira a António Capucho ninguém parece continuar a acreditar em algo que este Governo faça. Parece que o tempo deste Governo esgotou-se. Isso ficou patente numa sondagem de opinião realizada pela Eurosondagem para a Sic e para o Expresso. De acordo com este estudo, 60 %dos inquiridos defendem que o Executivo de Passos Coelho não deve ir até ao fim da legislatura. Apenas cerca de metade, 32,5 %, pensam que o Governo deve cumprir o seu mandato até 2015.