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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 21.05.14

Eleições Europeias

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Decorre no próximo domingo um ato eleitoral, com vista a eleger 21 eurodeputados ao Parlamento Europeu, que melhor garantam a defesa dos interesses de Portugal no contexto do interesse comum europeu.

O próximo Parlamento Europeu vai confrontar-se com temas decisivos para a Europa e para Portugal. A integração europeia faz parte dos interesses permanentes e fundamentais de Portugal, já que grande parte das decisões nacionais passa pela Europa. Apenas alguns exemplos: Como se vai consolidar a zona euro? Como se vai implementar a União Bancária? Como se garantirá a livre circulação de pessoas num quadro de segurança? Como se aprofundará a cidadania europeia? Como se assegurará apoio aos países para superarem a crise da dívida soberana? Como se vão aplicar os fundos estruturais do pacote 2014-2020? Como se apoiará a retoma do crescimento económico e o combate ao desemprego? Como se aprofundará a integração nos sectores do ambiente e da energia? E os novos alargamentos? E as novas parcerias, incluindo a parceria transatlântica? E, para além de tudo isso, como se reforçará a eficácia, a democraticidade e a transparência das instituições europeias?

Apesar dos grandes dilemas da Europa e da encruzilhada de poderes das instituições, a campanha portuguesa aposta na política nacional e os partidos fazem contas aos eurodeputados a eleger.

O governo faz publicidade à sua governação, a roçar o ridículo, fazendo parecer que depois da saída da Troika, Portugal é um país renovado, salvo da trevas pela coligação CDS-PSD, desvalorizando as doses cavalares de austeridade, o enorme aumento de impostos, a queda do PIB e elogiando a queda do desemprego que como se sabe deriva em grande parte da emigração.

Os partidos da maioria ao invés de apresentarem propostas concretas para a Europa e definirem claramente a nossa posição no contexto europeu, preocupam-se apenas em tentar salvar a face e não ter uma derrota demasiado pesada. É inconcebível ouvir Paulo Rangel atribuir a crise do euro ao facto de Portugal e Espanha terem tido «governações basicamente erradas até 2011».  

Por seu turno, o PS entretém-se com ataques ao governo e à coligação, promessas eleitorais a um ano das eleições, sem saber ao certo o que o espera e a Europa mais uma vez fica de fora.

Francisco Assis é um bom candidato, tem um discurso assertivo, um raciocínio lógico e capacidades oratórias que o distinguem dos demais. Mas como tem que obedecer à estratégia delineada por Seguro de nada colocar em causa, serve-lhe de pouco.

E no essencial é isto que vimos assistindo nesta campanha, pobre em ideias, em que o interesse estratégico de Portugal na Europa é esquecido. Não é por isso de estranhar que, segundo as sondagens, possa existir nessas eleições uma abstenção a rondar os 70%.