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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 22.01.14

O mistério da morte de seis jovens na praia do Meco

O mistério sobre a morte dos jovens universitários na praia do Meco a 15 de Dezembro adensa-se. As famílias das vítimas querem respostas para encerrar este mistério. A partir da cerimónia religiosa que a família das vítimas promoveu naquela praia, no passado domingo, com a celebração de uma missa, começaram a ser levantadas várias questões, que o silêncio do único sobrevivente faz avolumar num espesso manto de dúvidas. Como se explica a "amnésia seletiva" de que o estudante sobrevivente, João Gouveia, “Dux”, alega para não falar sobre o acidente? Acredito que esteja muito perturbado com tudo o que aconteceu, mas que esta história tem contornos muito estranhos, não restam dúvidas. As incertezas que persistem, são assustadoras e alertam para um ritual perigoso de praxe a que os estudantes foram forçados a aderir, certamente por receio de retaliações da comunidade académica. Por outro lado, há um conjunto de questões que importava ver esclarecidas. Nomeadamente, o facto das vítimas, que eram membros da Comissão Oficial das Praxes Académicas da Lusófona, não terem na sua posse os telemóveis; por que iam vestidos com traje académico; por que houve a preocupação de limpar a casa onde estavam hospedados; como é que “Dux” explica que o seu telemóvel nem sequer estivesse molhado; como conseguiu sobreviver à força da água e, finalmente o que aconteceu naquele fim-de-semana que acabou por se revelar fatídico? São questões que os familiares das vítimas e a própria sociedade gostariam de ver respondidas.

Segundo o "DN", vários psicólogos defendem que, neste momento, é normal que o jovem ainda esteja tão traumatizado com o sucedido que não reúna, por enquanto, as condições necessárias para apresentar a sua versão dos factos. As famílias dos estudantes falecidos não concordam com esta justificação, e querem saber o que se passou naquela noite trágica.
A imprensa que tem acompanhado as investigações sobre o caso admite que naquela madrugada teria passado pela praia, ou assistido mesmo ao acidente, um outro estudante ligado às praxes, para além do sobrevivente. Mas é em torno do ritual praxista que se levantam as maiores dúvidas, já que, segundo o "Correio da Manhã" (edição impressa) um «código de silêncio impera no seio da Comissão Oficial de Praxes Académicas da Universidade Lusófona», impedindo que se aprofundem os factos.

Por seu turno, o "Jornal de Notícias" informa que «as vítimas do Meco passaram as últimas horas de vida em praxe, e já estavam habituadas a rituais de risco». É sobre este tipo de rituais que se mantém um manto de silêncio, desconhecendo-se em que medida os jovens teriam sido conduzidos para comportamentos inadequados para o local da tragédia.
Para o jornal "Público" o «elevado estado de decomposição dos corpos de cinco dos seis estudantes da Universidade Lusófona que morreram (...) não permitiu que fossem colhidas amostras para fazer testes de despiste de drogas e álcool, que poderiam trazer mais alguma luz sobre o que se passou naquela madrugada trágica». Apenas um dos corpos, que foi a primeira vítima encontrada algumas horas depois do afogamento, estava em condições de proporcionar aquelas análises.

Enquanto isto, a Reitoria da Universidade Lusófona decidiu abrir um inquérito interno para «aclaração dos factos» e para lançar alguma luz sobre o que terá acontecido antes e durante a tragédia. No despacho dos responsáveis da Universidade considera-se que «decorrida esta etapa de gestão da dor que atingiu tão fortemente as famílias das vítimas», este é o momento que se impõe para tentar um «cabal esclarecimento do que aconteceu naquela noite na praia do Meco».

Ter | 21.01.14

O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa

O antigo líder social-democrata, Marcelo Rebelo de Sousa, afastou este domingo uma candidatura às presidenciais de 2016, considerando que o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, quis excluí-lo de candidato na sua moção de estratégia global.

Sinceramente ao ler o perfil de candidato a Presidente da República  que Passos Coelho quis eliminar na moção estratégica, imediatamente pensei em Marcelo Rebelo de Sousa, como aliás tive ocasião de escrever.

Contudo, o que estranhei, ainda mais, foi ver o próprio Marcelo, no seu comentário semanal da TVI,  identificar-se com esse perfil. Então não é que o professor Marcelo julga  encaixar-se no perfil de «protagonista catalisador de contrapoderes». Admite ser «um catavento de opiniões erráticas» e pensa que a sua imagem é vista como alguém em função da «mediatização gerada em torno do fenómeno político» ou de «popularidade fácil»? Pelos vistos, sim, ao assumir que a imagem traçada por Pedro Passos Coelho é a sua.

Mas não menos assombrosa é a razão apontada pelo Professor e que subjaz à vontade de Passos Coelho em o excluir de candidato às presidenciais . Dizia o comentador que o Primeiro Ministro pensa que pode ganhar as eleições legislativas, pois as coisas estão a correr-lhe bem, e por isso sente-se com força para desde já afastar quem não gosta. Ora, imaginava eu,  que a função de Presidente da República era desempenhada por alguém que se afirmava acima dos partidos, sem renegar obviamente o  apoio destes.

Depois refletindo melhor pensei: Marcelo Rebelo de Sousa ainda nisto há muito. É uma “velha raposa” e “não dá ponto sem nó”. A verdade é que Marcelo Rebelo de Sousa sempre  ambicionou ser Presidente da República. As sondagens, para já, são-lhe favoráveis e colocam-no à frente de todos os outros.  Por isso, não me surpreenderia, que um dia destes surgisse uma candidatura independente de Marcelo Rebelo de Sousa,  em nome do «dever moral». E  a falta de apoio de Passos Coelho só pode ser visto como um facto positivo, porquanto o putativo candidato apoiado por Passos Coelho terá que carregar necessariamente o ónus dos quatro anos da sua governação com todos as falhas que lhe conhecemos.

Seg | 20.01.14

Cristiano Ronaldo

 

O ano de 2014 começou auspicioso para o jogador português. A época no Real Madrid está a correr de feição (continua a maravilhar os adeptos com os suas jogadas e os seus golos); recebeu na passada semana a segunda Bola de Ouro da sua carreira, sendo o primeiro futebolista português a conseguir tal feito; hoje vai ser condecorado pelo Presidente da República, com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, como forma de reconhecer o atleta «de renome internacional que tem sido o símbolo de Portugal em todo o mundo». Esta condecoração estava prevista para antes da Bola de Ouro, mas a morte de Eusébio veio alterar os planos. Assim, será uma semana depois de ter ganhado a Bola de Ouro que o capitão da Seleção Nacional receberá a sua segunda condecoração e a primeira em nome individual. Ronaldo, de 28 anos, junta-se assim a nomes como Rosa Mota, Eusébio, José Mourinho, Vítor Baía ou Carlos Queiroz, na lista de personalidades ligadas ao desporto que foram reconhecias pela Presidência da República. Pela importância que Cristiano Ronaldo representa para Portugal e para a sua população jovem que o adotou como ídolo, o Presidente da República escolheu bem o início do ano de 2014 para lhe prestar essa justíssima homenagem, em nome do Estado Português.

Dom | 19.01.14

Passos veta apoio a Marcelo nas presidenciais

As próximas eleições presidenciais serão em 2016, mas o PSD conta ter apenas um congresso ordinário até lá, por isso Passos Coelho aproveitou para fazer na moção estratégica que irá levar ao 35º congresso do partido, um elogio ao atual Presidente da República. Diz Passos Coelho que «Aníbal Cavaco Silva tem encarnado uma visão do papel do Presidente da República em que o PSD globalmente se revê», isto, «apesar das diferenças naturais quanto às medidas de política que por vezes possam existir. O Presidente tem desenvolvido uma acção de cooperação estratégica e institucional com os governos constitucionais e com os outros órgãos de soberania que vai ao encontro do desejo dos Portugueses de o verem a desempenhar um papel construtivo e positivo que possa impulsionar, e não complicar ou bloquear, as soluções de que o País carece».

Na mesma moção, Passos Coelho definiu o perfil de candidato que o PSD gostaria de ver em Belém: «deve comportar-se mais como um árbitro ou moderador, movendo-se no respeito pelo papel dos partidos mas acima do plano dos partidos». Fora das suas preferências estará um candidato «protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num catavento de opiniões erráticas». Dito de outro modo, Passos Coelho não gostaria de apoiar Marcelo Rebelo de Sousa na corrida a Belém, uma vez que a definição que traça do perfil de candidato presidencial assenta-lhe que nem uma luva. Apesar de Marcelo não ter assumido qualquer candidatura a Belém, nunca excluiu essa hipótese, justificando que por «dever moral» não deveria afastar essa possibilidade.

Sab | 18.01.14

Rating da dívida portuguesa mantem-se em "lixo"

A dívida soberana de Portugal deixou de estar debaixo de vigilância negativa da agência de notação financeira - Standard & Poor’s (S&P) -. Porém, tal facto não terá qualquer repercussão na notação financeira atribuída há dois anos, mantendo-se o nível ‘BB’, uma vez que a S&P considera que a dívida portuguesa vive mergulhada há dois anos num patamar considerado “lixo”. Contudo, reconhece a S&P, o país está «menos vulnerável no curto-prazo», mas ainda assim, a debater-se com grandes fragilidades, não obstante se verifiquem «sinais de estabilização da economia» e considere atingíveis as metas orçamentais acertadas com os credores.

Sab | 18.01.14

«Ary Rima com Lisboa»

  

Hoje, comemora-se o 30º aniversário da morte de Ary dos Santos. Para recordar a data e homenagear o poeta, Fernando Tordo apresenta o espetáculo «Ary Rima com Lisboa», às 18h, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz. «Um concerto em jeito de tertúlia, ou uma tertúlia em jeito de concerto», na opinião do próprio. Fernando Tordo voz e guitarra, contando igualmente com as participações especiais de Mitó do grupo A Naifa (voz) e de João Tordo (contrabaixo). A noite promete ser uma celebração da amizade, das canções e da cidade de Lisboa, recordando as músicas escritas e musicadas pela parceria José Carlos Ary dos Santos e FernandoTordo, um dos duetos mais emblemáticos da música portuguesa.

Sex | 17.01.14

A coadoção por casais homossexuais

Em Maio foi aprovado na generalidade na Assembleia da República, um projeto de lei do PS, para que uma pessoa casada ou em união de facto com outra do mesmo sexo, tivesse a possibilidade de adotar o filho do seu companheiro ou companheira.

Na realidade, muitas crianças que vivem com casais homossexuais são hoje discriminadas por não lhes ser reconhecido, perante a lei, um dos seus pais.

Foram ouvidas várias entidades no Parlamento, nomeadamente psicólogos, que atestaram: «não existem diferenças entre as crianças provenientes de famílias monoparentais e heteroparentais», em termos do seu desenvolvimento cognitivo, emocional, social e educacional.

Este projeto pretendeu basicamente proteger vários casos que já existem e evitar assim diversas situações, mal resolvidas. Vejamos um exemplo:  uma criança vive com os pais ou mães,  homossexuais, sendo apenas legalmente filho de um deles (porque a lei não permite a coadoção). Se este tiver o azar de morrer, a criança não tem vínculo jurídico com o outro membro do casal, apesar dela lhe chamar mãe ou pai, apesar de se amarem, apesar de poderem ter vivido, até então, debaixo do mesmo teto. E essa criança pode acabar por ir parar a uma instituição, em vez de ficar com aquele ou aquela que ama  e que reconhece como tal.

O PSD ou melhor a JSD vem agora propor um referendo à coadoção homossexual, justificando ser uma questão que divide a sociedade portuguesa, devendo ser promovido um amplo debate nacional sobre esta matéria. Pergunto, será aceitável referendar questões de direitos humanos fundamentais?Eu não vejo esta questão como fraturante, mas sim como uma questão estruturante, não sendo por isso referendável.  Acaso saberá a JSD quanto custa um referendo?

Como explica e bem Fernanda Câncio:  «as crianças em causa na lei da coadoção nunca vão ter «um pai e uma mãe». Têm duas mães ou dois pais e tê-los-ão sempre - quer a lei lhos reconheça ou não. Não está em causa decidir com quem essas crianças vivem, quem vai educá-las e amá-las e quem elas vão amar. Essa decisão não nos pertence. A nossa opção é entre aceitar e proteger essas famílias ou rejeitá-las e persegui-las».

O preconceito e o desconhecimento que ainda imperam em algumas camadas da população portuguesa, não podem ser pretexto para que estas questões essenciais não sejam resolvidas. É urgente acabar com esta discriminação e assegurar direitos plenos a estas crianças e famílias.

Sex | 17.01.14

Forte queda de granizo

 (fonte: SIC Notícias)   

Hoje, às 8h, quando saía de casa para o trabalho,o termómetro do carro marcava 4º. e caía uma forte chuva de granizo. Nunca tinha assitido a uma coisa assim. As ruas estavam praticamente intransitáveis. A circulação estava muito complicada porque a visbilidade era reduzida e os carros patinavam literamente num manto de gelo. Um espetáculo maravilhoso e ao mesmo tempo aterrador.

Qui | 16.01.14

Chefe de Gabinete do MAI pede demissao do Governo

O Presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa, Luís Cunha Ribeiro, contratou os serviços da empresa POP Saúde do médico Miguel Oliveira, velho conhecido de quando ambos trabalhavam no INEM,  para reorganizar a ARS de Lisboa com um contrato no valor de 74 mil euros. Na sequência desta  contratação, a chefe do gabinete do ministro da Administração Interna, Rita Abreu Lima,  que por sua vez é sócia daquela empresa e mulher de Miguel Oliveira, pediu a demissão a Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, de quem era Chefe de Gabinete, quando o assunto veio a público.

A contratação desta empresa com a ARS Lisboa foi criada há dias com recurso ao procedimento por  ajuste direto. O acordo decorreu com grande rapidez, com o procedimento a ser autorizado no dia 2 de Janeiro, o contrato formalizado a 10 do mesmo mês e Miguel Oliveira a dar início às suas funções no dia 14 de Janeiro. Luís Cunha Ribeiro justificou a escolha do ex-presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) Miguel Oliveira por ser a pessoa indicada para o cargo, dado que possui formação nas áreas de saúde, gestão e economia, «imprescindíveis para uma perspetiva de gestão com a componente clínica». No contrato vem redigido que a aquisição deste serviço de consultoria - especializada em medicina de emergência - se destina a «apoiar a reorganização da urgência metropolitana da Grande Lisboa e a reforma hospitalar». É ainda explicitado que o valor de 74 390,40 euros, (valor pouco abaixo do limite máximo previsto para os ajustes diretos), será pago em prestações mensais de 5040 euros.

Mas há mais. Em 2013, a ARS LVT fez um ajuste direto de mais de 62 mil euros à sociedade de advogados Vieira Costa Gomes para «implementação das recomendações» de uma auditoria. E a central de compras do Serviço Nacional de Saúde fez ajustes diretos de mais de 126 mil euros para compra de serviços de consultoria na ARS LVT. Além desse montante, a central de compras gastou ainda 240 mil euros em auditorias para o mesmo organismo.

Na sequência da notícia,  o Bloco de Esquerda reagiu, reclamando ao ministro da Saúde «uma auditoria aos contratos de consultoria subscritos pela administração da ARS LVT nos últimos três anos».