Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba.
Vergílio Ferreira
«Porquê? Digam-me porquê, por amor de Deus. Por que é que Pedro Passos Coelho resolveu reabrir o túmulo político onde repousava Miguel Relvas, para a sua triste figura vir novamente assombrar os nossos dias, numa altura em que as coisas pareciam começar a correr bem para o PSD?
Se todos nós sabemos que assim que Miguel Relvas abre a boca e mostra os dentes o PSD perde votos, como se justifica este impulso autofágico de Passos Coelho? Será por causa da máquina "laranja"? Mas se Relvas fosse mesmo o todo-poderoso apparatchik, o homem que domina o aparelho com a ponta do calcanhar, como é que se explica a miserável votação da lista que ele encabeçou para o conselho nacional? Nada disto faz sentido, senhoras e senhores, e a falta de sentido faz-me comichão na zona da democracia. Eu não consigo perceber que tipo de relação tem realmente Pedro Passos Coelho com Miguel Relvas – e não gosto de não perceber. [...]
[...]Pedro Passos Coelho, manifestamente cansado de boas notícias, decidiu recuperar o velho parceiro para o conselho nacional do partido. E com ele regressaram as perguntas. É porque são muito amigos? Mas se Relvas fosse mesmo muito amigo do primeiro-ministro saberia com certeza reconhecer que a sua presença ao seu lado o prejudica politicamente, e seria o primeiro a afastar-se, por amizade. É porque Passos Coelho precisa de Relvas para gerir o próximo ciclo eleitoral? Mas, para isso, não precisava de estar em primeiro lugar na lista do conselho nacional do PSD – Relvas poderia perfeitamente fazer esse trabalho nos bastidores. É porque Passos Coelho, como sugeriu Marcelo Rebelo de Sousa, é muito teimoso? Mas teimosia é não deixar cair, não é ir buscar novamente depois de já ter caído. O casal Relvas-Coelho não casa, nunca casou e, no entanto, insiste em permanecer casado. O mistério adensa-se. E se os mistérios são óptimos em policiais, são péssimos em democracia».
«Porquê? Digam-me porquê, por amor de Deus. Por que é que Pedro Passos Coelho resolveu reabrir o túmulo político onde repousava Miguel Relvas, para a sua triste figura vir novamente assombrar os nossos dias, numa altura em que as coisas pareciam começar a correr bem para o PSD?
Se todos nós sabemos que assim que Miguel Relvas abre a boca e mostra os dentes o PSD perde votos, como se justifica este impulso autofágico de Passos Coelho? Será por causa da máquina "laranja"? Mas se Relvas fosse mesmo o todo-poderoso apparatchik, o homem que domina o aparelho com a ponta do calcanhar, como é que se explica a miserável votação da lista que ele encabeçou para o conselho nacional? Nada disto faz sentido, senhoras e senhores, e a falta de sentido faz-me comichão na zona da democracia. Eu não consigo perceber que tipo de relação tem realmente Pedro Passos Coelho com Miguel Relvas – e não gosto de não perceber. [...]
[...]Pedro Passos Coelho, manifestamente cansado de boas notícias, decidiu recuperar o velho parceiro para o conselho nacional do partido. E com ele regressaram as perguntas. É porque são muito amigos? Mas se Relvas fosse mesmo muito amigo do primeiro-ministro saberia com certeza reconhecer que a sua presença ao seu lado o prejudica politicamente, e seria o primeiro a afastar-se, por amizade. É porque Passos Coelho precisa de Relvas para gerir o próximo ciclo eleitoral? Mas, para isso, não precisava de estar em primeiro lugar na lista do conselho nacional do PSD – Relvas poderia perfeitamente fazer esse trabalho nos bastidores. É porque Passos Coelho, como sugeriu Marcelo Rebelo de Sousa, é muito teimoso? Mas teimosia é não deixar cair, não é ir buscar novamente depois de já ter caído. O casal Relvas-Coelho não casa, nunca casou e, no entanto, insiste em permanecer casado. O mistério adensa-se. E se os mistérios são óptimos em policiais, são péssimos em democracia».
Na 20ª jornada da Liga Zon Sagres, o Estoril fez História ao impor-se no Estádio do Dragão com um golo de grande penalidade obtido por Evandro aos 78 minutos. Na ressaca de um mau resultado frente ao Eintracht de Frankfurt (2-2), o F. C. Porto (FCP) vacilou no momento em que se exigia uma resposta forte. É a primeira derrota caseira, cinco anos e meio depois, depois do FCP ter então perdido em casa com o Leixões.
Mas não basta criticar a equipa da casa. Há muito mérito do Estoril-Praia, que depois de uma época notável, viu partir alguns dos seus melhores jogadores. Ontem mesmo, no Estádio do Dragão, sem de um dos seus melhores jogadores, mostrou que pratica um bom futebol, capaz de competir com qualquer equipa.
Como bem sabemos os campeonatos são feitos de vitórias, empates, mas também de derrotas. Todos os clubes passam por isso. Mas os adeptos do FCP vivem noutro mundo. Para eles perder, e então em casa, é inadmissível. Para esta cultura desportiva muito tem contribuído sobretudo a qualidade do nosso futebol, a complacência dos dirigentes e dos árbitros com o FCP, o famoso “sistema” e os casos do “apito dourado”.
Penso, contudo, que não restarão muitas dúvidas que este FCP de Paulo Fonseca em termos qualitativos estará a longe dos últimos anos, pois jogadores como Hulk, James Rodriguez e João Moutinho eram mais-valias e faziam toda a diferença.
Aos olhos da maioria dos sócios e simpatizantes do FCP, habituados há vários anos a um nível futebolístico e resultados desportivos acima da média, que se têm refletido na conquista de vários títulos nacionais e internacionais, perder um simples jogo torna-se um drama.
Mas será que faz sentido, neste altura do campeonato, despedir o treinador do FCP? Penso que não, e por várias razões: não faz parte da filosofia do clube despedir treinadores durante a época; não existe uma grande desvantagem pontual para com os principais rivais; quem quer que chegue terá que começar praticamente do zero (como outra tática, como novos métodos, tc); por último, e talvez o mais importante, Pinto da Costa sabe bem que à 20ª jornada nenhum treinador conseguirá inverter o ciclo, sabe ainda melhor que ninguém que, esta época, não tem jogadores para "tirar" o título ao Benfica (embora até ao lavar dos cestos seja vindima). Mudar agora e falhar seria cometer dois erros – a aposta em Fonseca e a sua saída com mais de meio campeonato disputado. Assim, mesmo que não vença, ficará como o arauto da estabilidade e, poderá sempre fundamentar o falhanço com uns casos de arbitragem, que sempre acontecem, que prejudicaram o FCP e beneficiaram os rivais. Enfim, o costume. Pinto da Costa saberá melhor que ninguém fazer a gestão dos seus erros.
Na 20ª jornada da Liga Zon Sagres, o Estoril fez História ao impor-se no Estádio do Dragão com um golo de grande penalidade obtido por Evandro aos 78 minutos. Na ressaca de um mau resultado frente ao Eintracht de Frankfurt (2-2), o F. C. Porto (FCP) vacilou no momento em que se exigia uma resposta forte. É a primeira derrota caseira, cinco anos e meio depois, depois do FCP ter então perdido em casa com o Leixões.
Mas não basta criticar a equipa da casa. Há muito mérito do Estoril-Praia, que depois de uma época notável, viu partir alguns dos seus melhores jogadores. Ontem mesmo, no Estádio do Dragão, sem de um dos seus melhores jogadores, mostrou que pratica um bom futebol, capaz de competir com qualquer equipa.
Como bem sabemos os campeonatos são feitos de vitórias, empates, mas também de derrotas. Todos os clubes passam por isso. Mas os adeptos do FCP vivem noutro mundo. Para eles perder, e então em casa, é inadmissível. Para esta cultura desportiva muito tem contribuído sobretudo a qualidade do nosso futebol, a complacência dos dirigentes e dos árbitros com o FCP, o famoso “sistema” e os casos do “apito dourado”.
Penso, contudo, que não restarão muitas dúvidas que este FCP de Paulo Fonseca em termos qualitativos estará a longe dos últimos anos, pois jogadores como Hulk, James Rodriguez e João Moutinho eram mais-valias e faziam toda a diferença.
Aos olhos da maioria dos sócios e simpatizantes do FCP, habituados há vários anos a um nível futebolístico e resultados desportivos acima da média, que se têm refletido na conquista de vários títulos nacionais e internacionais, perder um simples jogo torna-se um drama.
Mas será que faz sentido, neste altura do campeonato, despedir o treinador do FCP? Penso que não, e por várias razões: não faz parte da filosofia do clube despedir treinadores durante a época; não existe uma grande desvantagem pontual para com os principais rivais; quem quer que chegue terá que começar praticamente do zero (como outra tática, como novos métodos, tc); por último, e talvez o mais importante, Pinto da Costa sabe bem que à 20ª jornada nenhum treinador conseguirá inverter o ciclo, sabe ainda melhor que ninguém que, esta época, não tem jogadores para "tirar" o título ao Benfica (embora até ao lavar dos cestos seja vindima). Mudar agora e falhar seria cometer dois erros – a aposta em Fonseca e a sua saída com mais de meio campeonato disputado. Assim, mesmo que não vença, ficará como o arauto da estabilidade e, poderá sempre fundamentar o falhanço com uns casos de arbitragem, que sempre acontecem, que prejudicaram o FCP e beneficiaram os rivais. Enfim, o costume. Pinto da Costa saberá melhor que ninguém fazer a gestão dos seus erros.
A novidade do 35º Congresso do PSD foi o regresso de Miguel Relvas ao núcleo duro de Passos Coelho e à política ativa, depois de aceitar o convite para o número 1 do novo Conselho Nacional, órgão máximo do partido entre congressos, regressando assim às lides políticas, depois de um período de ”nojo” desde que abandonou o Governo liderado por Pedro Passos Coelho. Foi, aliás, o atual primeiro-ministro quem, no Congresso do PSD, que este fim-de-semana decorreu no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, que anunciou o nome de Relvas, numa equipa em que estará também Nilza Sena, número dois da lista anunciada por Pedro Passos Coelho que é despromovida para o Conselho Nacional. Mantêm-se nos lugares anteriormente ocupados Jorge Moreira da Silva, Marco António Costa, Teresa Leal Coelho e Pedro Pinto.
A 2ª surpresa do congresso foi a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, que havia referido que não iria estar presente. Contudo Marcelo não só apareceu, como se sentou ao lado do primeiro-ministro. Marcelo sabe bem que terá que contar com o apoio do PSD e do CDS na caminhada que traçou para Belém e por isso tem que se prestar a estes números. Marcelo aterrou de paraquedas no Coliseu O homem é um verdadeiro artista. Faz de tudo, desde cómico a ilusionista, neste último espetáculo era vê-lo a dominar a arte do contorcionismo. Assumiu-se como único cofundador do PSD no ativo. Poderão aqui estar lançados os dados para as presidenciais. A menos que Passos Coelho queira deitar tudo a perder, terá de apoiar Rebelo de Sousa e, provavelmente pedir o seu apoio nas legislativas.
Pedro Santana Lopes, outro putativo candidato às presidenciais, comparou o congresso do PSD com uma festa de aniversário em que «havia uma série de pessoas que não eram para vir, o aniversariante julgava que não vinham, e de repente começou a aparecer tudo». Para mim, «terem vindo cá significa uma coisa: reconheceram definitivamente a liderança de Pedro Passos Coelho e o seu papel imprescindível na condução dos destinos do país», afirmou o antigo presidente do PSD, depois de acentuar que, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, não decidiu vir a este Congresso em cima da hora. «Quando a família está a passar por momentos muito difíceis - e o PPD/PSD está num momento muito difícil, com a responsabilidade de conduzir uma nau numa grande tormenta, uma grande nau - a nossa obrigação é estarmos presentes», considerou.
Santana Lopes defendeu que é essencial a presença do Estado na saúde e questionou se será assim tão errado ponderar a mutualização de parte da dívida. O antigo primeiro-ministro recebeu palmas dos congressistas do PSD quando defendeu que «há limites» para as divergências internas, referindo o caso de António Capucho e fazendo alusão às críticas feitas ao governo por Pacheco Pereira e Ferreira Leite nos seus programas semanais na TV.
Sem surpresas, Paulo Rangel foi apresentado como cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu. O seu discurso animou ontem o Congresso do PSD, ao prometer várias vezes uma vitória nas eleições europeias. «Vai ser um calendário hostil, uma campanha duríssima, tudo ou quase tudo está contra nós. Mas, apesar das dificuldades, vamos ganhar, vamos vencer», afirmou. Será «uma missão de curto prazo e de grande alcance: ganhar as eleições europeias”, insistiu para júbilo dos congressistas».
Para já, a nota mais importante deste Congresso, foi ver adversários internos unidos em torno do líder. Foi assim com Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa que se passearam por lá, na esperança de, mais tarde, chegarem ao «pote». Para estes dois estará destinado lugares no Palácio de Belém: Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República e provavelmente Marques Mendes como chefe da Casa Civil. E assim se dará continuidade ao modelo de presidência seguido por Cavaco (pelo menos no que toca à estatura dos protagonistas). Mas há ainda Pedro Santana Lopes que também quer ser candidato a Belém. Mas, dado essa possibilidade ser remota, veremos o que a sorte lhe reserva. «Está escrito nas estrelas!».
A novidade do 35º Congresso do PSD foi o regresso de Miguel Relvas ao núcleo duro de Passos Coelho e à política ativa, depois de aceitar o convite para o número 1 do novo Conselho Nacional, órgão máximo do partido entre congressos, regressando assim às lides políticas, depois de um período de ”nojo” desde que abandonou o Governo liderado por Pedro Passos Coelho. Foi, aliás, o atual primeiro-ministro quem, no Congresso do PSD, que este fim-de-semana decorreu no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, que anunciou o nome de Relvas, numa equipa em que estará também Nilza Sena, número dois da lista anunciada por Pedro Passos Coelho que é despromovida para o Conselho Nacional. Mantêm-se nos lugares anteriormente ocupados Jorge Moreira da Silva, Marco António Costa, Teresa Leal Coelho e Pedro Pinto.
A 2ª surpresa do congresso foi a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, que havia referido que não iria estar presente. Contudo Marcelo não só apareceu, como se sentou ao lado do primeiro-ministro. Marcelo sabe bem que terá que contar com o apoio do PSD e do CDS na caminhada que traçou para Belém e por isso tem que se prestar a estes números. Marcelo aterrou de paraquedas no Coliseu O homem é um verdadeiro artista. Faz de tudo, desde cómico a ilusionista, neste último espetáculo era vê-lo a dominar a arte do contorcionismo. Assumiu-se como único cofundador do PSD no ativo. Poderão aqui estar lançados os dados para as presidenciais. A menos que Passos Coelho queira deitar tudo a perder, terá de apoiar Rebelo de Sousa e, provavelmente pedir o seu apoio nas legislativas.
Pedro Santana Lopes, outro putativo candidato às presidenciais, comparou o congresso do PSD com uma festa de aniversário em que «havia uma série de pessoas que não eram para vir, o aniversariante julgava que não vinham, e de repente começou a aparecer tudo». Para mim, «terem vindo cá significa uma coisa: reconheceram definitivamente a liderança de Pedro Passos Coelho e o seu papel imprescindível na condução dos destinos do país», afirmou o antigo presidente do PSD, depois de acentuar que, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, não decidiu vir a este Congresso em cima da hora. «Quando a família está a passar por momentos muito difíceis - e o PPD/PSD está num momento muito difícil, com a responsabilidade de conduzir uma nau numa grande tormenta, uma grande nau - a nossa obrigação é estarmos presentes», considerou.
Santana Lopes defendeu que é essencial a presença do Estado na saúde e questionou se será assim tão errado ponderar a mutualização de parte da dívida. O antigo primeiro-ministro recebeu palmas dos congressistas do PSD quando defendeu que «há limites» para as divergências internas, referindo o caso de António Capucho e fazendo alusão às críticas feitas ao governo por Pacheco Pereira e Ferreira Leite nos seus programas semanais na TV.
Sem surpresas, Paulo Rangel foi apresentado como cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu. O seu discurso animou ontem o Congresso do PSD, ao prometer várias vezes uma vitória nas eleições europeias. «Vai ser um calendário hostil, uma campanha duríssima, tudo ou quase tudo está contra nós. Mas, apesar das dificuldades, vamos ganhar, vamos vencer», afirmou. Será «uma missão de curto prazo e de grande alcance: ganhar as eleições europeias”, insistiu para júbilo dos congressistas».
Para já, a nota mais importante deste Congresso, foi ver adversários internos unidos em torno do líder. Foi assim com Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa que se passearam por lá, na esperança de, mais tarde, chegarem ao «pote». Para estes dois estará destinado lugares no Palácio de Belém: Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República e provavelmente Marques Mendes como chefe da Casa Civil. E assim se dará continuidade ao modelo de presidência seguido por Cavaco (pelo menos no que toca à estatura dos protagonistas). Mas há ainda Pedro Santana Lopes que também quer ser candidato a Belém. Mas, dado essa possibilidade ser remota, veremos o que a sorte lhe reserva. «Está escrito nas estrelas!».
No relatório final da 10ª avaliação ao programa de ajustamento português o Fundo Monetário Internacional (FMI) poe em causa a narrativa que o Governo tem vindo a construir sob o «milagre económico».
O FMI diz, expressamente, que o desemprego está em níveis «inaceitáveis», embora reconheça que tem havido uma descida nos últimos meses. Mas, adverte que o desemprego jovem atingiu os 37 %. Defende ainda que os custos salariais em Portugal têm de baixar ainda mais.
Segundo este organismo, o ajustamento externo expresso através da balança comercial ̶ grande bandeira deste governo ̶ foi conseguido substancialmente devido ao efeito conjugado da queda das importações com o crescimento das exportações de combustíveis. Portugal por força da recessão verificada nos últimos anos deixou de importar, mas as exportações da venda de combustível da Galp ao exterior foram responsáveis por metade do aumento das exportações portuguesas em 2013, tendo sido decisivas na evolução das exportações e isso permitiu equilibrar e a balança comercial. Contudo, o FMI avisa que os ganhos conseguidos podem ficar em causa «assim que as importações recuperarem de níveis anormalmente baixos e as unidades de refinação eventualmente esgotem a sua capacidade extra» sendo que a melhoria registada na exportação de serviços, designadamente no turismo, é também muito vulnerável a choques na procura. No fundo, o que tanto FMI como Comissão Europeia vêm dizer é que os sinais positivos da economia não têm um crescimento sustentando e que as reformas essenciais estão por fazer.
O relatório observa que os riscos de Portugal não atingir os seus objetivos continuam elevados. O FMI assume que há um novo risco de chumbo do Tribunal Constitucional (TC) (depois de a oposição ter pedido a fiscalização ao Orçamento de 2014). Para o FMI, os chumbos do TC «complicam os esforços do Governo» para reduzir o défice e «geram incertezas», potencialmente negativas para o crescimento e o emprego. Entre os grandes desafios do país, o FMI aponta para o endividamento das famílias e das empresas como entrave ao consumo e o investimento e a dívida pública elevada.
A três meses do final do resgate, Portugal só conseguiu dois terços da consolidação estrutural pretendida. O que falta do ajustamento ficou para 2014 e 2015, com a austeridade distribuída de forma semelhante pelos dois anos. Na verdade, o FMI lembra que o défice previsto para 2015 é de 2,5%, o que vai obrigar o governo a tomar medidas adicionais permanentes no valor de 1,2% ou seja, o equivalente a 2 mil milhões de euros de cortes na despesa.
O FMI determina ainda que Portugal reduza as rendas e aumente a concorrência nos sectores não transacionáveis (onde se inclui a energia), para que o ónus do ajustamento não recaia de forma excessiva sobre os trabalhadores, e em particular dos trabalhadores não qualificados.
Trata-se portanto de um grande "inconseguimento" que nos vai levar a um estado ainda mais "frustacional", uma vez que não vamos conseguir atingir nunca o "soft power sagrado" de um nível de vida condigno neste país!!! Resumidamente é isto!
No relatório final da 10ª avaliação ao programa de ajustamento português o Fundo Monetário Internacional (FMI) poe em causa a narrativa que o Governo tem vindo a construir sob o «milagre económico».
O FMI diz, expressamente, que o desemprego está em níveis «inaceitáveis», embora reconheça que tem havido uma descida nos últimos meses. Mas, adverte que o desemprego jovem atingiu os 37 %. Defende ainda que os custos salariais em Portugal têm de baixar ainda mais.
Segundo este organismo, o ajustamento externo expresso através da balança comercial ̶ grande bandeira deste governo ̶ foi conseguido substancialmente devido ao efeito conjugado da queda das importações com o crescimento das exportações de combustíveis. Portugal por força da recessão verificada nos últimos anos deixou de importar, mas as exportações da venda de combustível da Galp ao exterior foram responsáveis por metade do aumento das exportações portuguesas em 2013, tendo sido decisivas na evolução das exportações e isso permitiu equilibrar e a balança comercial. Contudo, o FMI avisa que os ganhos conseguidos podem ficar em causa «assim que as importações recuperarem de níveis anormalmente baixos e as unidades de refinação eventualmente esgotem a sua capacidade extra» sendo que a melhoria registada na exportação de serviços, designadamente no turismo, é também muito vulnerável a choques na procura. No fundo, o que tanto FMI como Comissão Europeia vêm dizer é que os sinais positivos da economia não têm um crescimento sustentando e que as reformas essenciais estão por fazer.
O relatório observa que os riscos de Portugal não atingir os seus objetivos continuam elevados. O FMI assume que há um novo risco de chumbo do Tribunal Constitucional (TC) (depois de a oposição ter pedido a fiscalização ao Orçamento de 2014). Para o FMI, os chumbos do TC «complicam os esforços do Governo» para reduzir o défice e «geram incertezas», potencialmente negativas para o crescimento e o emprego. Entre os grandes desafios do país, o FMI aponta para o endividamento das famílias e das empresas como entrave ao consumo e o investimento e a dívida pública elevada.
A três meses do final do resgate, Portugal só conseguiu dois terços da consolidação estrutural pretendida. O que falta do ajustamento ficou para 2014 e 2015, com a austeridade distribuída de forma semelhante pelos dois anos. Na verdade, o FMI lembra que o défice previsto para 2015 é de 2,5%, o que vai obrigar o governo a tomar medidas adicionais permanentes no valor de 1,2% ou seja, o equivalente a 2 mil milhões de euros de cortes na despesa.
O FMI determina ainda que Portugal reduza as rendas e aumente a concorrência nos sectores não transacionáveis (onde se inclui a energia), para que o ónus do ajustamento não recaia de forma excessiva sobre os trabalhadores, e em particular dos trabalhadores não qualificados.
Trata-se portanto de um grande "inconseguimento" que nos vai levar a um estado ainda mais "frustacional", uma vez que não vamos conseguir atingir nunca o "soft power sagrado" de um nível de vida condigno neste país!!! Resumidamente é isto!