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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 21.02.14

Melhore a sua atividade cerebral

 

Quer manter uma boa atividade cerebral? Aprender uma segunda língua pode ser uma boa ajuda. Cientistas da Universidade de Edimburgo (Reino Unido) e do Instituto de Ciências Médicas de Nizam em Hyderabad (Índia) descobriram que falar mais de uma língua ajuda a retardar em quase cinco anos o surgimento de demência – e, mostrando-se  mais eficiente do que o efeito de medicamentos.

Os investigadores acreditam que as trocas entre diferentes sons, palavras, conceitos, estruturas gramaticais e normas sociais que os falantes de duas ou mais línguas precisam  de exercitar, acabam sendo uma forma natural de treino do cérebro, fornecendo uma espécie de “reserva cognitiva” que tende a ser mais eficaz do que qualquer prática lúdica, como jogos e outros exercícios.

Para chegar a essa conclusão, os investigadores acompanharam quase 650 pessoas com demência, na Índia, das quais 60% eram bilíngues. Aquelas que falavam mais de uma língua desenvolveram a doença mais tarde que a média dos que apenas falavam uma.

A vantagem de ser bilingue vale inclusivamente para iletrados, o que indica que o efeito não é causado por diferenças na educação formal, nem de género, nem motivado pela ocupação profissional ou de local de residência (por exemplo, se a pessoa vivia no campo ou cidade) como fatores que poderiam influenciar o aparecimento da demência.

Qui | 20.02.14

Tribunal Constitucional chumba proposta referendo à coadoção

Como era expectável o Tribunal Constitucional (TC) chumbou as perguntas apresentadas pelo PSD para o referendo à coadoção. O Tribunal Constitucional considerou que colocar duas perguntas sobre temáticas diferentes num mesmo referendo, poderia condicionar as respostas. OTC considerou não estarem verificadas a constitucionalidade e a legalidade da proposta de referendo. A existência de duas perguntas, uma sobre adoção plena e outra sobre coadoção, dificulta, no entender dos juízes do palácio Ratton, a «perfeita consciencialização» por parte dos cidadãos. E podia levar «à contaminação recíproca das respostas, não garantindo uma pronúncia referendária genuína e esclarecida». Por outro lado, os juízes entenderam que o referendo limitava o universo eleitoral, ao excluir os eleitores residentes no estrangeiro.

O acórdão refere também que é “evidente” que coadoção e adoção são “conceitos distintos”. E que o referendo a concretizar-se, poderia colocar o legislador perante um dilema. Os juízes do TC questionam mesmo a capacidade dos eleitores responderem negativamente à possibilidade de coadaptar, e afirmativamente à opção de adotar plenamente por casais do mesmo sexo. E acrescentam: «O resultado jurídico decorrente deste referendo acarretaria um resultado em si mesmo discriminatório, independentemente das valorações que se possam fazer relativamente à adopção por casais do mesmo sexo»

Ora, ninguém ignorava que esta proposta era inconstitucional, nem mesmo os seus subscritores, tratando-se, por isso, de uma simples “manobra de diversão”.

Desta feita, aos proponentes da proposta só lhes resta assumir as suas responsabilidades perante o país, nomeadamente pelo facto de terem contribuído para a descredibilização da política e das instituições democráticas, devendo apresentar um pedido formal de desculpas pela forma indigna como conduziram todo este processo.

Depois desta decisão o Presidente da República não poderá convocar a consulta popular. A devolução ao Parlamento terá de ser acompanhada de fundamentação política. O teor dessa mensagem é que determinará a margem de manobra do PSD. Se Cavaco Silva se pronunciar politicamente e de forma negativa sobre o referendo, arruma qualquer hipótese de os sociais-democratas persistirem. Mas, mesmo que a bancada do PSD optasse por reformular a proposta, teria que escolher apenas uma das perguntas, já que a combinação dos dois temas foi chumbada pelo TC.

Qui | 20.02.14

«Um tostão é um tostão, um cretino é um cretino»!

O atual treinador do Nacional, Manuel Machado, passou à reforma, no ano passado, com uma pensão de 5295 euros, tendo  declarado ao jornal Correio da Manhã que pediu a reforma antecipada, e que, apesar de ter 58 anos de idade, acumulou 60 de descontos.

«Eu tenho 60 anos de descontos para a CGA e para a segurança social e descontei mais de dois milhões de euros para esses dois regimes». Para precisar em que condições conseguiu acumular os tais 60 anos de descontos, Manuel Machado acrescentou: «Eu tenho 32 anos de serviço no regime privado, com descontos para a Segurança Social, por via do futebol, e 28 anos de serviço no sector público, por via de atividade docente».

Manuel Machado possui o curso superior de Educação Física, tendo exercido a função de docente em várias escolas públicas. Acresce que esta reforma antecipada, foi alvo de uma penalização de cinco por cento por cada ano que faltava até à idade legal da reforma (65 anos em 2013), tal como ditam as regras da Caixa Geral de Aposentações.

Assim sendo, tendo atingido a reforma com 58 anos, Manuel Machado foi alvo de um corte total de 35 por cento, valores confirmados pelo próprio treinador. «Tive sete anos de penalização», afirmou, ainda que devido aos cortes efetuados , recebe «menos de metade da pensão que devia receber».

Ora, o que eu não consigo compreender é como um cidadão com 58 anos de idade, pode ter efetuado  descontos correspondentes a 60 anos! «Um tostão é um tostão, um cretino é um cretino»!

Qua | 19.02.14

Papa Francisco recusou passaporte diplomático

O Papa Francisco volta a surpreender e a fazer história. O Papa e os cardeais residentes no Vaticano têm direito a passaportes diplomáticos uma vez que se trata de um Estado soberano. Mas, apesar de poder contar com um passaporte expedido pelo Vaticano, o Papa Francisco contactou o embaixador de Buenos Aires em Roma, dizendo que preferia renovar os seus documentos «para viajar pelo mundo como qualquer cidadão argentino».

O Ministério do Interior divulgou o novo documento de identidade na Internet onde Jorge Bergoglio surge com as suas vestes brancas de pontífice e o habitual solidéu na cabeça. O que quer dizer que foi aberta uma exceção para o Papa, uma vez que os argentinos (como os cidadãos de outros países) estão proibidos de usar chapéus nas fotografias dos documentos oficiais e acrescentou: «este novo gesto do Papa a favor do nosso país enche-nos de fé. (...) Ele escolheu renovar o passaporte e o seu bilhete de identidade, para viajar pelo mundo na qualidade de representante supremo da Igreja Católica com um documento idêntico ao de qualquer outro cidadão argentino».

Qua | 19.02.14

Sobre a Vírgula

     Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
 
Não, espere.

  Não espere..

  Ela pode sumir com seu dinheiro.
  23,4.

  2,34.


    Pode criar heróis..
 
Isso só, ele resolve.

  Isso só ele resolve.
  

  Ela   pode ser a solução.
  Vamos perder, nada foi resolvido.
  Vamos perder nada, foi resolvido.
 
  A vírgula muda uma opinião.
  Não queremos saber.
  Não, queremos saber.
 
  A vírgula pode condenar ou salvar.
  Não tenha clemência!
  Não, tenha clemência!
 
  Uma   vírgula muda tudo.  
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

 

  * Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
  * Se você for homem, colocou a   vírgula depois de TEM...

 

 

Seg | 17.02.14

Duas faces da mesma moeda

O Diário de Notícias publicou um trabalho sobre a situação financeira da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia sob o título «Gaia em risco de falência com dívida próxima dos 300 milhões», alegando de que este município, era o segundo  mais endividado do país, seguido do da  capital.

O secretário nacional do Partido Socialista, pela voz de António Galamba, acusou o antigo vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia de ser um dos rostos dessa dívida da autarquia. «Verificámos hoje que a Câmara Municipal de Gaia está à beira da falência e tem uma dívida de 300 milhões de euros. Perante o que temos assistido nos últimos dias, sobretudo do Dr. Marco António, percebemos bem porque é que ele tem falado sobre bancarrota e sobre políticas antigas. Porque de facto ele é um dos rostos responsáveis por esta situação e era bom que desse explicações ao país», afirmou o dirigente socialista.

O antigo vice-presidente da Câmara de Gaia, Marco António Costa, apressou-se a dizer que estava a ser alvo de um «ataque» por parte do PS, recusando-se a tecer quaisquer comentários pela dívida de 300 milhões de euros daquela autarquia, atribuindo tais afirmações ao facto dos socialistas terem tido «uma semana particularmente difícil para o seu líder».

Recorde-se que foi justamente Marco António que a dada altura de uma Comissão Política do PSD, em Fevereiro de 2011, então vice-presidente da Câmara de Gaia, lançou a bomba atómica a Passos Coelho: ou há eleições no país, ou há eleições no PSD. E agora percebe-se. O vice presidente da Câmara de Gaia queria escapar-se, o mais depressa possível,  do buraco de 300 milhões de euros que criou em Gaia, juntamente com o seu amigo Luis Filipe Meneses.

Na altura, a crise entre PS e PSD já passara a barreira PEC IV. A crise já era obviamente política. Todavia, Pedro Passos Coelho podia ter agido como um político responsável e ter recusado a chantagem do seu partido, explicando a Marco António que Portugal deveria estar acima dos partidos. Não o fez. E o resto é história. Houve eleições. Saiu Sócrates, entrou Passos Coelho.

Já passaram 3 anos sobre este episódio. António José Seguro está hoje politicamente tão entalado como estava Pedro Passos Coelho nessa altura e nessa medida são ambos duas faces da mesma moeda.

As sondagens para as europeias não auguram nada de bom para o líder do PS. António José Seguro, por seu lado, não abre o jogo e tenta ganhar tempo. As notícias que referem nomes que poderão vir a integrar as listas do PS às eleições europeias são ainda completamente especulativas, sendo certo que a grandeza da medida da vitória do PS nas eleições terá seguramente implicações internas no partido. 

De acordo com o semanário SOL, os apoiantes de António Costa consideram possível que o atual presidente da Câmara de Lisboa assuma a liderança, caso Seguro não consiga obter um resultado eleitoral expressivo.  Aliás, o próprio Costa já colocou essa fasquia a Seguro: «Não é para mim um cenário credível o PS perder as eleições europeias».

Assim, voltámos à estaca zero: ou o PS consegue mostrar o que vale nas próximas eleições, ou seja que é uma alternativa política credível e não uma simples alternância, numa lógica de mera gestão política, ou mais cedo do que tarde haverá eleições no PS.

Não deixa porém de ser curioso que Seguro seja, nesta momento, uma alternância  que se vá esgotando ainda antes mesmo de ser alternativa.

Dom | 16.02.14

Philomena

Philomena tem como pano de fundo uma Irlanda profundamente conservadora e católica. A história, verídica, narra a vida de uma jovem ingénua (Judi Dench,) que na década de 50 engravida e por imposição familiar é internada no convento de Roscrea.

Depois de dar à luz um rapaz, as religiosas do convento decidem dar o seu filho para adoção. Contudo, Philomena nunca desistiu de encontrar a criança. É com a ajuda do jornalista “ex-BBC” Martin Sixsmith (Steve Coogan) consegue esse desígnio.  

Baseado no livro de Martin Sixsmith “The Lost Child of Philomena Lee”, o filme é realizado e trazido para o grande ecrã por Stephen Frears.  

Com uma dupla de protagonistas improvável, mas com uma enorme química entre si, Philomena consegue agarrar o espetador do primeiro ao último minuto.  Aliás, sublinhe-se que a performance de Judi Dench  é soberba. A sua personagem oscila entre a dor profunda de uma mãe que “perde” um filho e a esperança e a fé da católica fervorosa que a faz seguir em frente. Steven Coogan consegue igualmente um desempenho notável, surpreendendo até pela capacidade que demonstra no papel de jornalista.

Frears apresenta um drama, salpicado com momentos de humor, caracteristicamente britânico, que atravessam e fortalecem a estrutura das personagens e da história.

Mais do que uma história comovente, “Philomena” torna-se belo exemplo de força e tenacidade. Uma história simples, bem contada por um jornalista que não se resigna aos factos que lhe são apresentados e uma mãe que nunca desistiu do seu filho. Uma combinação que os levou numa viagem em busca da verdade. O filme lança uma crítica continuada à igreja católica. Mas o drama biográfico é mais do que uma crítica, é uma homenagem a Philomena.

Ao ver este filme não pude deixar de pensar no “caso Rui Pedro”. Rui Pedro desapareceu, em Lousada, em 1998. Tinha 11 anos. Durante anos, a mãe, por coincidência com mesmo nome, Filomena Teixeira, lutou para que o caso não caísse no esquecimento. Em 2011 – 13 anos após o desaparecimento -, Afonso Dias, um amigo da família e a última pessoa a estar com ele, foi acusado do crime de rapto. No ano seguinte foi absolvido no julgamento em primeira instância. Em 2013 o Tribunal da Relação do Porto condenou-o. O recurso ainda está pendente no Supremo Tribunal de Justiça. Enquanto isso, a vida de Filomena Teixeira ficou destruída. O seu rosto não mente. A 28 de Janeiro, ele faria 27 anos. Paulo Pires e Ana Padrão fizerem um vídeo, para que o caso não caia no esquecimento. E para que Rui Pedro – se estiver vivo – possa visualizá-lo e voltar para casa. Deus queira!

Dom | 16.02.14

NÃO QUERO MORRER…

 

 (imagem retirada do google)

«NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!! NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO PARA JÁ SABER TUDO!

Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril.

E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade.

Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente,  ordenadamente, no respeito  das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar.

Sou dos que acreditam na invenção desta crise.

Um “directório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia.

Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz.

Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final.

Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência.

Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho. Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se.

Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida.

E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível.

A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães.

 Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de  sair de casa,  suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se  de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores  de geração espontânea, mas 81.000  licenciados estão desempregados.

Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho.

Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada”  faz um milhão de espectadores.

Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros.

Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade.

Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados.

Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes.

Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho…

Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem?

E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa.

Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora.

E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário.

Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos.

E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista…

Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço.

E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome, envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos.

É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade».

Júlio Isidro