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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Qua | 23.04.14

Dia Mundial do Livro

(imagem do google)

Uma velha cabine telefónica com livros vai ser instalada hoje, 23 de Abril, na Praça de Londres, em Lisboa. Uma ideia promovida pelo movimento de comerciantes da zona com o apoio da Fundação Portugal Telecom. Uma grande amiga minha é também uma das impulsionadoras desta iniciativa.

Esta pequena biblioteca ao ar livre permite ao leitor levar um livro sem prazo de entrega, havendo contudo a obrigação de deixar um outro. Esta iniciativa tem como objetivo estreitar laços comunitários, exercitar a cidadania, fomentar a leitura, sobretudo junto dos mais novos, e promover o gosto pelos livros num espaço imprevisto.

Todos os livros terão um marcador com os objetivos do projeto para lembrar aos utilizadores de onde o livro veio e a sua responsabilidade em manter aquele espaço através das devoluções e trocas.

Seg | 21.04.14

A desonestidade intelectual de Pulido Valente

 

(imagem do google)

Este texto de Vasco Correia Guedes,  mais conhecido como Vasco Pulido Valente é mais uma prova evidente da sua desonestidade intelectual e a confirmação do seu delírio maníaco com que nos presenteia, semana após semana,  naquele tom ligeiro e definitivo de quem tudo sabe e tudo viu.  

Com despudor e arrogância, este intelectual conservador da nossa praça, formado no Estado Novo, donde nunca verdadeiramente conseguiu libertar-se,  destila o seu veneno e a sua sanha persecutória contra as ciências socias, contra as ciências políticas, bem como contra as relações internacionais e as ciências humanas em geral, escapando apenas o douto historiador, ele próprio, a esta inutilidade social.

Depois do retrocesso que Nuno Crato imprimiu ao ensino, à investigação e à ciência em Portugal e dos elogios com que Durão Barroso brindou o ensino de «excelência» no tempo da ditadura, constatamos que também Pulido Valente quer condenar as Ciências Sociais ao seu velho estatuto, agora já não sob a ideia de ciências «perigosas» como eram conhecidas pelo anterior regime,  mas como  ciências «inúteis».

Parafraseando Daniel Oliveira sobre Pulido Valente, «compreendo que o arreliem os sociólogos e historiadores que fazem funcionar as instituições que lhe garantem o subsídio que recusa aos outros. Aquilo que me custa é acompanhar a decadência intelectual, sempre embrulhada numa prosa cuidada, a que este homem se entregou. Tudo nele é rancor e ressentimento. Nem uma ideia nova brilha naquela cabeça. Tudo requentado e oferecido, sem falta, sempre da mesma maneira, todos os fins de semana. Tirando os "vasquinhos" que pululam pela imprensa, que lhe imitaram o estilo sem terem o talento, e umas biografias interessantes para leitura de férias, nada ficará de Correia Guedes. Nem o seu nome».

Dom | 20.04.14

Cinnamon Rolls

 

Ingredientes:

1 ovo, batido

225 ml de leite

50 gr de manteiga sem sal

Raspa de 1 limão

500 gr de farinha

75 gr de açúcar

1+1/2 c. chá de fermento biológico seco

 Recheio:

50 gr de manteiga, amolecida

1 c. de sopa de canela

50 gr de açúcar amarelo

100 gr de nozes picadas

Topping:

100 gr de açúcar em pó

1-2 c. de chá de leite

Preparação:

Colocar na mfp todos os ingredientes da massa (leite morno, manteiga derretida, ovo batido, raspa de limão, farinha e açúcar).

Escolher o programa Massa (que amassa e leveda em 1h30m).

Entretanto, prepare o recheio:

Junte a manteiga derretida com a canela e o açúcar, mexendo até obter uma pasta.

Depois de terminar o tempo da mfp, retirar a massa para uma superfície enfarinhada.

Estender a massa com o rolo até ter um formato retangular 

Espalhar o recheio da manteiga e canela por cima com um pincel de cozinha e colocar as nozes.

Enrolar a massa, formando um rolo pouco apertado. Cortar 12 pedaços do mesmo tamanho e dispô-los num tabuleiro, forrado com papel vegetal, com o lado cortado para cima.

Colocar um pouco de película aderente por cima, sem apertar e deixar levedar por mais 30 minutos num sítio morno.

Aquecer o forno a 200ºc e depois colocar o tabuleiro, deixando cozer até ficarem douradinhos.

Retirar do forno e deixar arrefecer uns minutos para depois pincelar com a pasta do açúcar em pó com o leite.

 

Dom | 20.04.14

Sobre o regime de exclusividade dos deputados

  (imagem do google)

Dos 230 deputados na Assembleia da República, 124 acumulam funções parlamentares com outras atividades profissionais no setor privado. Em diversos casos, prestam serviços remunerados a empresas que operam em sectores de atividade fiscalizados por comissões parlamentares que os mesmos deputados integram. Noutros casos, exercem cargos de administração ou fornecem serviços de consultoria a empresas que beneficiam, direta ou indiretamente, de iniciativas legislativas, subsídios públicos ou contratos adjudicados por entidades públicas.

O Bloco de Esquerda e o PCP apresentaram dois diplomas no Parlamento: um para impor o regime de exclusividade dos deputados e outro para alargar o regime de incompatibilidades dos titulares de cargos políticos. Ambos foram chumbados pelos partidos do chamado «arco da governabilidade».

CDS, PSD e PS reclamam oportunismo eleitoral nos projetos de PCP e BE. O bloquista Pedro Filipe Soares já contrapôs, dizendo que as críticas de eleitoralismo foram usadas para «evitar discutir o essencial» e o facto de os outros partidos argumentarem estar em causa liberdades e garantias não colhe, uma vez que já existe restrições e incompatibilidades aprovadas.

Mas há deputados do PSD interessados em reabrir a discussão, com propostas novas, embora tenham votado ao lado da bancada do PSD, que juntamente com o CDS e com o PS reprovaram os projetos do BE e do PCP. É o caso dos deputados Cristóvão Norte e Duarte Marques, que propõem a reabertura da discussão sobre o limite de mandatos dos parlamentares, uma questão cara aos autarcas que já estão sujeitos a esse regime e que há muito se dizem discriminados.

Duarte Marques e Cristóvão Norte defendem um aumento de 906 euros no salário-base dos deputados, desde que fosse obrigatório um regime de exclusividade e o número de deputados fosse reduzido de 230 para 180. Os parlamentares do PSD explicam que o que se poupava com a redução dos 50 deputados poderia ser distribuído pelos restantes. Recorde-se que atualmente o salário-base de um deputado é de 3264 euros ilíquidos. Assim e na senda do que aqueles parlamentares propõem, o Estado poderia arrecadar uma poupança de 163.200 euros. O salário de um deputado passaria, de acordo com a presente proposta, a ser 4170 euros.

O problema é complexo e, talvez por isso, dificilmente será resolvido. Contudo, as propostas do BE e do PCP tiveram o mérito de relançar a discussão.

Em Portugal coexistem duas classes de políticos, perfeitamente distintas: os profissionais e os «paraquedistas». Na classe dos políticos profissionais há, como em todas as profissões, os competentes - que poderão efetivamente estar mal pagos -, os cumpridores - que talvez mereçam o que ganham - e os incompetentes - que fazem da política um modo de vida, mas não justificam o que lhes é pago. Se aplicarmos aos deputados os critérios de avaliação de desempenho, concluiremos certamente que o resultado da maioria não é satisfatório.

Ora, salvo melhor opinião, penso que não se trata de pagar mais aos políticos. A verdade é que se ganham pouco em relação a um gestor de uma empresa pública, ganham incomparavelmente melhor do que a maioria dos cidadãos portugueses. E é efetivamente com os salários dos portugueses que deve ser feita a comparação e não com o que ganham os gestores ou os políticos de outros países europeus. Os políticos «paraquedistas», que atravessam temporariamente os cargos políticos e que também os há competentes ou incompetentes, são movidos por ideais ou por causas, nuns casos, ou por ambição pessoal, noutros. Para os primeiros não será certamente a remuneração o fator motivacional. Para os segundos, existe, geralmente, um fator capital na sua passagem pela política: o investimento num futuro promissor, subsequente ao abandono da política.

Penso que a interrupção do exercício da advocacia, de consultoria, da docência por incompatibilidade ou conflito de interesses poderá afastar os políticos profissionais dos ideais e das causas que defendem e os melhores e mais competentes deputados do Parlamento, arriscando-nos a ter uma Assembleia composta por gente incapaz, pior da que já existe atualmente. E estamos a falar de pessoas que nos representam, por isso seria conveniente que a escolha fosse criteriosa, baseada nas suas qualidades pessoais e nos seus curricula e não em clientelas partidárias (mas este tema ficará para outra altura).

Também não há razão para que aufiram remunerações desconformes com a realidade portuguesa. Parece-me mesmo imoral, nesta altura, aumentar-se os salários aos deputados em mais 906 euros, quando os portugueses vêm os seus salários e pensões serem sistematicamente reduzidos, mais, quando o Governo está há 3 anos para aumentar 15 euros no salário mínimo e ainda não chegou a um consenso.

Esta é a prova de que uma ideia aparentemente boa, pode ter resultados perversos. 

Deste modo, penso que talvez não fosse má ideia encarar a incompatibilidade do seguinte modo: os que ocupam lugares a tempo inteiro aufeririam a respetiva remuneração; aos restantes, a tempo parcial, poder-lhes-ia ser permitida a acumulação de funções com a correspondente perda de remuneração. Não sendo a proposta ideal para acabar com a promiscuidade e a corrupção, seria porventura a mais justa para todos. Seria igualmente uma forma de o Estado poupar dinheiro e os deputados dedicarem o mesmo tempo que já dedicavam às funções parlamentares, uma vez que não têm o dom da ubiquidade.

A discussão deveria ser feita quanto antes. E aqueles que argumentam que esse tema só deveria ser debatido no âmbito de uma reforma estrutural do sistema, estão apenas a adiar um debate que, com certeza, ajudaria a credibilizar o sistema político. 

Sab | 19.04.14

Pires de Lima contradiz colegas de governo

Realmente não há memória de um governo assim. Na terça-feira, a ministra das Finanças admitiu, na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, que o Governo poderá vir a aplicar taxas a produtos com efeitos nocivos para a saúde.

No dia seguinte, o Ministério da Saúde veio declarar que a ideia de taxar produtos nocivos para a saúde deve ser encarada mais como uma política para melhorar o estado de saúde da população do que como uma medida orçamental. No dia seguinte, o ministro da Saúde explicou que esta pode ser uma das vias para ajudar a resolver a acumulação de dívidas dos hospitais em termos estruturais.

Hoje aparece o ministro da Economia a desmentir os seus colegas de Governo, dizendo que o assunto não passa de uma «ficção», que nem sequer foi discutido em Conselho de Ministros, sendo que as notícias vindas a público não passam de meras especulações. Em que é que ficamos?

A descoordenação deste Governo é por demais evidente. É por estas e por outras que a imagem dos políticos não merece credibilidade. Se nem sequer conseguem entender-se numa medida tão básica como esta, como querem proceder à reforma do Estado? 

 

Sex | 18.04.14

Governo quer taxar alimentos «nocivos» para a saúde

 

 (imagem retirada do google)

O Governo prepara-se para criar uma taxa sobre produtos considerados nocivos para a saúde, como alimentos com teor elevado de sal ou açúcar, já a partir de 2015, cujo objetivo primordial é melhorar o estado de saúde da população. Em causa estão bebidas e alimentos sólidos embalados com quantidades de sal e de açúcar superiores a determinados níveis que ainda vão ser definidos, segundo o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde.

Ninguém nega que reduzir a ingestão de alimentos que se revelem prejudiciais para a saúde deverá constituir uma prioridade e uma necessidade de qualquer executivo, havendo até estratégias nesse sentido em muitos países europeus.

Contudo, se estivesse na mente do governo efetivamente a saúde dos portugueses e não apenas o simples facto de aumentar a receita fiscal, o que se revelaria sensato e lógico era legislar no sentido de obrigar à diminuição da percentagem dos teores de sal e açúcar em alguns produtos, bem como de uma forma sensata e pedagógica veicular informação adequada que levasse os portugueses a reduzir o consumo de sal, gorduras e açúcar na sua alimentação.

Portanto, alegar motivos de saúde é, no mínimo, hipócrita, porquanto se os cidadãos cortarem em larga escala o consumo destes produtos, não só a receita fiscal diminui, como a despesa aumenta, motivada pelo desemprego nesses sectores.