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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Ter | 01.04.14

O oportunismo de Durão Barroso

 

«Eu, francamente, não tenho qualquer intenção de ser candidato a Presidente», afirmou Durão Barroso em entrevista ao Expresso e à SIC Notícias. Pois… nós sabemos, em 2004 também não tinha qualquer intenção de ser Presidente da Comissão Europeia e o certo é que , pela calada, como quem não quer a coisa, deixou o país às mãos de Santana Lopes e saltou para Bruxelas.

Volvidos dez anos, Barroso quer fazer as pazes com os portugueses e, por isso, dá esta entrevista, que sob todos os ponto é esclarecedora. Barroso já começou a inverter o discurso, proclamando a sua paixão pelo país, a sua simpatia pelas classes sacrificadas, declarando ter avisado Passos Coelho de que havia limites para esta política, contrariando o seu discurso anterior de que as medidas tomadas iam no bom sentido.

Mas Barroso faz também revelações surpreendentes. Que chamou a atenção de Constâncio relativamente ao BPN, que Portugal só dispunha de 300 milhões em caixa em Abril de 2011. Diz que entende a participação de Ferreira Leite e Bagão no manifesto dos 70, porque as suas pensões foram cortadas - e até faz previsões (qual Zandinga) - parecendo-lhe improvável uma maioria nas próximas legislativa será necessário estabelecer consensos. Mas vai mais longe: deveria, em sua opinião, pensar-se num Presidente da República apoiado pelas principais forças políticas do arco da governabilidade, no fundo um bloco central alargado para Belém. Se estivessem dispostos a apoiá-lo tanto melhor (frase minha).

Barroso não se coloca como candidato na corrida às presidenciais. Depois de dez anos de presidência da Comissão europeia, depois de vários cargos em Portugal como ministro e secretário de estado, Barroso não quer ser candidato a Presidente. Mas Barroso quer chegar a Presidente da República como chegou a Presidente da Comissão Europeia. No fundo quer entrar na corrida, sem ter de correr, quer ser uma espécie de candidato fabricado pelos media e pelo sistema político que sistematicamente faz parte de todas as sondagens. E a forma mais eficaz para atingir tais propósitos é mostrar desinteresse, até porque a hora de avançar ainda não chegou e, por agora, é apenas tempo de deixar as portas entreabertas, não de as abrir ou fechar.

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