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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Qui | 24.07.14

Ricardo Salgado foi hoje detido

Ricardo Salgado, ex-presidente executivo do BES foi detido às 7 da manhã de hoje na sua casa do Estoril, alegadamente no âmbito dos vários inquéritos do chamado caso Monte Branco, a maior rede de branqueamento de capitais detetada em Portugal.

A operação terá sido desencadeada pelo Ministério Público e liderada pelo juiz Carlos Alexandre e acontece no seguimento de buscas efetuadas na quarta-feira, a várias entidades do Grupo Espírito Santo.Perigo de fuga para o Brasil devido a dupla nacionalidade poderá  motivar prisão preventiva.

A visita de ontem de Assunção Esteves ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira deve ter tido por finalidade tratar do alojamento. Porém, se o «dono disto tudo» começa a desfiar o novelo vai ser necessário construir uma verdadeira cidade prisional para alojar todos os cidadãos envolvidos nas negociatas do BES.

Qua | 23.07.14

Guiné Equatorial membro da CPLP

(cartoon Luis Afonso)
A Guiné Equatorial é o mais  recente membro de pleno direito da CPLP. A adesão deste país mereceu inicialmente a oposição de Portugal,  que resistiu enquanto pode, acabando depois por ceder.

A recusa de Portugal tinha, de resto, toda a razão de ser, visto que a Guiné Equatorial não só não tem uma ligação histórica com os países da CPLP como, pese embora ter recentemente adotado o português como língua oficial, não possui população nativa lusófona. Contudo, a posição do nosso país alterou-se devido fundamentalmente à pressão de empresas portuguesas com negócios ligados àquela nação africana.

A Guiné Equatorial é uma a ditadura, a mais longa em temos de poder no mundo. É um país onde se pratica sistematicamente tortura em relação aos opositores e dissidentes, onde se fuzilam e executam pessoas e a mutilação genital feminina continua a ser praticada a uma escala muito elevada. Mas também é um país com recursos financeiros e trata-se do terceiro país maior produtor de petróleo africano e isso faz toda a diferença.

Com esta adesão fica provado que a CPLP está refém de fatores que nada têm a ver com a lusofonia ou a cooperação entre países lusófonos, mas sim com interesses económicos que levam a que uma das mais ferozes e corruptas ditaduras africanas seja aceite no seu seio.

Qua | 23.07.14

Mario Vargas Llosa distinguido com Doutoramento Honoris Causa

 

Mario Vargas Llosa foi distinguido com o Doutoramento Honoris Causa concedido pela Universidade de Nova de Lisboa, proposto pelo poeta e catedrático Nuno Júdice que fez o elogio académico do escritor peruano.

Nuno Júdice classificou Llosa como um escritor notável e alguém que renovou o romance no final do séc. XX e que continua a ser fundamental no séc. XXI. «É um dos grandes romancistas do mundo que está ainda em atividade e a produzir livros notáveis», acrescentou o escritor português, que integra o Departamento de Línguas, Culturas e Literaturas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas desta universidade.

Mario Vargas Llosa alertou para os perigos da «sociedade do espetáculo» que vivemos e a ditadura da tecnologia, tendo defendido uma literatura que «mantenha o espírito crítico, sem a qual desapareceria a liberdade». «A literatura é um prazer, mas se for apenas isso, provavelmente empobrecia na sociedade algo de que depende, na sua essência, o progresso humano, que é o espírito crítico», afirmou  Vargas Llosa.

Nascido em 1936, Mário Vargas Llosa é conhecido pela sua crítica à hierarquia de castas sociais e raciais vigente ainda hoje no Peru – seu país de origem – e na América Latina. Docente universitário e político, Vargas Llosa é uma personalidade intelectual de grande vulto e um dos mais importantes escritores da América Latina e do mundo.

Gosto muito da narrativa de Mário Vargas Llosa.  A sua escrita é clara e surpreendente. É profunda, mordaz, mas, ao mesmo tempo,  fluida, isenta de maneirismos, com um  estilo muito próprio.

Ter | 22.07.14

Ainda a questão da natalidade

 

 (imagem do google) 

Já aqui tinha falado natalidade. Contudo, dado que o assunto voltou a estar na ordem do dia, parece-me importante refletir um pouco mais sobre as causas que estão na sua génese.

O envelhecimento da população é um dado preocupante não apenas em Portugal como na maioria dos países europeus. A principal causa é a redução da natalidade que se tem verificado ao longo das últimas décadas e que tem aumentado nos últimos anos, não assegurando a renovação das gerações.

Este facto conjugado com o aumento da esperança de vida leva a que o número de idosos ultrapasse o numero de crianças, o que tem efeitos nefastos na economia, nas receitas fiscais que permitem financiar o Estado e nos regimes de pensões. A situação é de tal forma grave que ao ritmo a que a população portuguesa está a diminuir, admite-se que, se nada for feito, em 2050, mais de 30% da população nacional terá uma idade superior a 65 anos numa população total da ordem dos 8,7 milhões de pessoas, ou seja longe dos dez milhões com que nos habituámos a contar. A crise não explica tudo e alguma coisa deve ser imputada aos padrões de vida dos portugueses.

A grande mudança na natalidade deu-se quando um filho deixou de ser uma inevitabilidade e passou a ser uma decisão. A partir desse momento em que as pessoas puderam planear a chegada de um filho, passaram a ponderar dar este passo pesando vários fatores. Desde logo, os relacionados com a estabilidade económica, com a situação profissional e com os apoios familiares. Passa a existir uma conciliação da vida familiar com a profissional: organizar a vida familiar e profissional com os horários das creches, escolas e infantários. Há toda uma logística que é necessário gerir e que nem sempre é fácil, sobretudo se não se puder contar com um bom suporte familiar.

O paradigma entretanto alterou-se mais recentemente com os fenómenos migratórios internos, os quais tiveram impacto na desestruturação das famílias e vieram adiar o projeto da maternidade.

Depois, há todo um estereótipo construído à volta da ideia de que para ter um filho é necessário existir estabilidade conjugal, pessoal, profissional, emocional e económica. Capacidade para dar boas condições de vida, de saúde, de educação, de atenção, possibilidade de disponibilizar atividades extracurriculares e recreativas às crianças. Muitas vezes, perante tantos requisitos, muitos recuam. Além disso, os relacionamentos hoje são mais instáveis e a grande maioria dos casamentos já não são para toda a vida.

A juntar a todos estes fatores existe ainda um outro, não despiciendo: de há uns 40 anos, as expectativas da sociedade em relação à natalidade mudaram. Vivemos hoje numa sociedade altamente materialista e individualista, onde predomina uma cultura hedonista, do prazer e do efémero que tem alguma aversão ao compromisso, pois considera-o incompatível com aqueles valores.

Sabemos que ter filhos implica a assunção responsabilidades, que exige sacrifícios, disponibilidade, que obriga prescindir de muitas coisas em prol dos filhos. Isto faz, obviamente, com que muitos portugueses adiem a decisão de ter filhos ou de aumentar a prole.

Todos estes fatores conjugados, aliados à perda de poder de compra, cortes de salários, perda de benefícios fiscais e de abonos de família serviram para provocar um recuo na taxa de natalidade, abafada apenas, nos últimos anos, pela vinda para Portugal de imigrantes que mitigaram o problema.

Do meu ponto de vista, a natalidade trata-se de um problema com raízes sociais e culturais que vem sendo agravado nos últimos anos por problemas de cariz económico. As razões da baixa natalidade radicam num modelo de sociedades desenvolvidas que nenhum pequeno incentivo do Estado será suficiente para inverter.

Por isso mesmo o Estado para intervir não poderá apenas olhar para um dos lados da equação, subvencionando a natalidade. Tem de existir uma ação concertada em vários setores para que haja uma estrutura equilibrada e renovada da sociedade. Tem que existir sobretudo uma mudança de mentalidades. Mais útil seria que os governos vissem na baixa natalidade, não um problema circunstancial, mas um dado estrutural. A promoção de políticas de natalidade é essencial para o futuro de Portugal e não pode ser manietada com voluntarismo e precipitação.

Ter | 22.07.14

Deputada Catarina Marcelino sofre de dislexia

 

A maioria dos portugueses, eu inclusive, certamente nunca tinha ouvido falar de Catarina Marcelino. Ora, para que conste, a dita senhora é deputada do PS por Setúbal. Devido a vários erros ortográficos, graves, como é visível na imagem acima colocada, Catarina Marcelino saltou para a ribalta e o seu post está nos perfis de vários utilizadores no Facebook. A deputada entretanto já corrigiu devidamente os erros, desculpando-se com um problema de dislexia. Pois....temos pena.... mas já existem hoje corretores ortográficos, sabia?

Dom | 20.07.14

Os dilemas do PSD

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 (imagem do google)

A maioria que sustenta o governo parece presa por arames. Quem o diz é Marques Mendes. Ontem, no seu habitual comentário semanal na SIC, Mendes apontou claros sinais de desentendimento dentro da coligação, dando como exemplos o relatório sobre a natalidade ou a conferência de imprensa da reforma do IRS, adjetivando o comportamento dos partidos da maioria de «ridículo, patético e sinal de criancice».

A conferência de imprensa sobre as alterações ao IRS foi «patética». Relativamente à natalidade - o PSD apresentou um estudo e o CDS veio dizer que já tinha um estudo anterior, parece um «concurso de beleza», é ridículo! No Conselho de Ministros há «governo e oposição», concluiu o Marques Mendes, dizendo que o CDS está «a brincar com o fogo», já que «sem coligação desaparece do mapa» e o mesmo se aplica aos sociais-democratas também deviam parar com as «provocações» porque sem o CDS será impossível vencer as eleições. «Convinha entenderem-se», afirmou o ex-líder do PSD.

Quanto às presidenciais, o social-democrata adianta que esse tema «vai ser a maior dor de cabeça para a coligação». Marques Mendes elenca os quatro candidatos prováveis às presidenciais:  Santana Lopes (o preferido do PSD e de Passos Coelho); Rui Rio (a escolha do CDS) Durão Barroso, o mais temido e Marcelo Rebelo de Sousa o mais popular nas sondagens e na opinião pública.

Aliás, se dúvidas existiam elas ontem ficaram claras, após a entrevista de Santana Lopes ao Expresso. A entrevista confirma o que muitos suspeitavam: Santana continua a «andar por aí», não perdendo o desejo que sempre acalentou: ser o candidato apoiado pela direita às presidenciais, sendo que a sua estratégia foi posta em causa com a possível candidatura de António Guterres, já que o antigo primeiro-ministro do PS poderá contar não apenas com apoios à esquerda, mas também de franjas da direita ligadas sobretudo a movimentos católicos.

De realçar, ainda, que o governo de Santana Lopes ainda está muito presente na memória dos portugueses como um dos piores, senão mesmo o pior da história democracia, e nem o lugar de Provedor da Santa Casa da Misericórdia, cargo que vem ocupando nos últimos anos ligado às questões socias, conseguiu apagar a má imagem que deixou, até porque doravante ela ser-nos-á reavivada pelos seus opositores, nomeadamente por Marcelo no seu comentário dominical.

A escolha não será nada fácil!

Sab | 19.07.14

O panorama televisivo em Portugal

(imagem do google)

A utilidade da televisão, desde há muito, tem motivado os mais acesos debates de modo a responder à eterna questão: a televisão forma ou empobrece o cidadão?

As televisões, neste momento, não estão preocupadas em melhorar competências, mas em ganhar dinheiro. A generalidade dos programas servem única e exclusivamente para aumentar o share do canal.

Bem sei que o mercado publicitário teve uma queda abrupta nos últimos três anos. Mas tudo tem os seus limites!

Sabemos que a televisão é um espelho da sociedade, portanto se temos uma sociedade com défices culturais a televisão apenas reflete isso mesmo.
Os operadores tendem a ir ao encontro dos telespetadores para ganhar audiências, mas, ainda assim, seria possível fazê-lo de forma diferente e com melhor qualidade. Existem bons programas, nomeadamente programas de informação e entretenimento que poderiam ser exibidos em horário nobre, tornando-se inconcebível a continuação de produtos de qualidade confrangedora, como os famosos reality shows.

Algo que me preocupa neste atual estado da televisão é que as estações televisivas nivelaram por baixo e há como que um efeito mimético que faz com que no mesmo horário, transmitam programas idênticos, o que torna complicada a escolha para um telespectador que não aprecie um certo tipo de produto encontrar outro num registo diferente.

As tardes de fim-de-semana nas televisões generalistas, por exemplo, são preenchidas com a transmissão de programas de música popular «pimba» e passatempos telefónicos que prometem oferecer avultadas quantias em dinheiro. Podemos discordar sobre a qualidade musical destes programas. Mas duvido que se possa considerar serviço de qualidade um passatempo desprovido de qualquer interesse cultural, desportivo ou social! Ora se as televisões insistem neste formato, isso significa que têm espectadores para esta tipologia de programas, o que aliás diz muito sobre as preferências dos portugueses.

Proliferam nestes passatempos os apelos para que os telespectadores liguem para números de valor acrescentado que os apresentadores mencionam à exaustão, ficando habilitados, caso liguem, de preferência muitas vezes, a prémios chorudos, tentando convencer os telespetadores que o prémio em jogo poderá ser a solução para os mais dramáticos problemas das pessoas afetadas pela crise e pelo desemprego.

São seis horas de entretenimento, com apresentadores animados que a cada quarto de hora repetem o número para qual se deve ligar para ganhar o prémio. E a cereja em cima do bolo é naturalmente a atribuição do almejado prémio. «Vinte mil euros estão garantidos, mas pode ganhar muito mais», «eu pegava já no telefone»; Pode juntar os mil euros a outro tanto e quem sabe ganhar o jackpot»; «Já imaginou o que fazia com este dinheiro? Pagar uma dívida, a casa, a luz…mudar a sua vida?»

Pois é! É aqui que está o problema! É que os 20 mil euros nunca vão servir para pagar a conta da luz ou da casa e, muito menos, para pagar uma dívida, pela simples razão de que o prémio não é pecuniário, logo, não há dinheiro disponível. As pessoas vão ao engano, porque os prémios atribuídos são creditados num cartão “Visa” que permite fazer compras, mas nunca levantar o prémio em numerário. Perante esta situação, já existem queixas na Entidade Reguladora da Comunicação Social e que estão a ser investigadas.

Eu percebo que subjacente a tudo isto está as lutas pelas audiências e a necessidade de ocupar um espaço das tardes de sábado e domingo a preços reduzidos. Mas também sei que o grande objetivo é arrecadar uma fonte receita de milhões de euros que são embolsados pelas operadoras de televisão e que representam um maná nos dividendos e proveitos das empresas de comunicação. Entristece-me sobremaneira ver profissionais competentes darem dar a cara a este embuste para garantirem o seu trabalho.

Se no caso dos canais privados, esta é apenas uma estratégia que responde a estímulos de mercado, já a televisão pública, paga com o dinheiro dos contribuintes, deveria garantir um serviço público de qualidade e não se deixar seduzir por estas grelhas de programas de gosto muito duvidoso.

Resta a que não se revê nestes programas recorrer ao Cabo ou ao sistema de gravações dos operadores de televisão.