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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Sex | 04.07.14

16ª Edição do Festival Musa em Carcavelos

 

 (imagem do google)

A praia de Carcavelos, em Cascais, vai receber vários concertos, hoje e amanhã, na 16.ª edição do Musa, um festival «sustentável» que tem como compromisso perseguir preocupações ambientais. O festival terá para além dos cantores  de reggae uma área dedicada ao ambiente, o Espaço Ozono, para a venda de artesanato, projetos de design, pintura, escultura, discos, vestuário, bijutaria, fotografia, livros, ilustração e serigrafia, entre outros.

O programa do festival inclui vários nomes, como Alpha Blondy, The Gladiators com Droop Lion e Freddy Locks. Outros nomes do reggae jamaicano vão também presentes, como Kabaka Pyramid, JAH9, Meta & The Cornerstones e Ragin Fyah. Animal Foundation, Dentinho & The Promised Land, Jimi Jah & The Urban Band e Kwantta são outros dos nomes  que constam deste cartaz.

O bilhete diário custa 15 euros e o passe dos dois dias 20 euros.

Qui | 03.07.14

Os cartazes da discórdia

 

 (retirado daqui

Os apoiantes de António Costa foram surpreendidos com um apelo às eleições primárias, através de cartazes espalhados por todo o país. Nos cartazes pagos pelo Partido Socialista, sem sequer estar aprovado o regulamento das eleições primárias, lê-se:«candidato a primeiro-ministro», remetendo diretamente para o site do partido, onde apenas consta informação sobre o secretário-geral e candidato António José Seguro.

Os apoiantes de António Costa não gostaram e protestaram. Os cartazes começaram a ser retirados em menos de 24 horas. Jorge Coelho, da comissão organizadora das eleições primárias socialistas, já assumiu publicamente que este apelo constituiu um equívoco.

Já agora, a propósito de cartazes: que tal usarem a mesma energia e retirarem os cartazes das Europeias que já cheiram a bafio?

Qui | 03.07.14

«A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda»

 

Brilhante o texto que Sophia de Mello Breyner escreveu para o Expresso:

Republicação integral:

«O Expresso recupera na íntegra um artigo escrito por Sophia de Mello Breyner no semanário a 12 de julho de 1975. Foi publicado durante o IV Governo Provisório e foi dirigido ao ministro da Comunicação Social, Jorge Correia Jesuíno, que disse que as artes não eram favoráveis aos períodos revolucionários. O artigo intitulava-se "A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda".

"1 - A ARTE deve ser livre porque o ato de criação é em si um ato de liberdade. Mas não é só a liberdade individual do artista que importa. Sabemos que quando a Arte não é livre o povo também não é livre. Há sempre uma profunda e estrutural unidade na liberdade. Onde o artista começa a não ser livre o povo começa a ser colonizado e a justiça torna-se parcial, unidimensional e abstrata. Se o ataque à liberdade cultural me preocupa tanto é porque a falta de liberdade cultural é um sintoma e significa sempre opressão para um povo inteiro.

2 - NÃO PENSO que exista uma arte para o povo. Existe sim uma arte para todos à qual o povo deve ter acesso porque esse acesso lhe deve ser possibilitado através dos meios de comunicação. Primeiro os "aedos" cantaram no palácio dos reis gregos "o canto venerável e antigo". Era uma arte profundamente aristocrática. Depois os rapsodos cantaram esse mesmo canto na praça pública. E Homero, foi, como se disse, o educador da Grécia. Isto é: a cultura foi posta em comum. E por isso os gregos inventaram a democracia. A política começa muito antes da política. Penso que nenhum socialismo real será possível se a cultura não foi posta em comum. Quando o aedo, ou poeta medieval cantavam na praça o seu poema era ouvido por todos, mesmo pelo analfabeto. E viajava por todo o país e de país em país: por isso o mirandês canta Mirandolim-Marlbourg. Depois a cultura fechou-se em livros e os analfabetos e os pobres foram rejeitados. Tudo se tornou mais complexo e complexado. As comunidades foram divididas e cada homem foi dividido dentro de si próprio. Será preciso um enorme paciente e múltiplo e obcecado esforço para construir o mundo de outra maneira. E é preciso que nenhum dirigismo esmague esse esforço. É evidente que no mundo atual encontramos a par da arte uma meta-arte. O cubismo é uma meta pintura, uma pintura sobre a pintura. Arte e meta-arte alimentam-se e inspiram-se mutuamente e penso que este é um dos caminhos, uma das possibilidades. Foi a ler Proust e Rimbaud que aprendi a escrever para crianças. O simplismo e o populismo nunca conduzirão a nada. Se João Cabral de Melo é capaz de escrever uma obra como "Morte e Vida Severina" é porque é capaz de escrever "Uma Faca só Lâmina". "Morte e Vida Severina" é um poema que todos entendem, mas nele as imagens são tão precisas, e os versos tão densos como em "Uma Faca só Lâmina". Creio que o "poema para todos" é, dentro da cultura em que estamos, o poema mais difícil de escrever. Creio que esse poema é necessário e por isso tenho procurado encontrar um caminho para ele. Por isso em "Livro Sexto" invoquei O canto para todos Por todos entendido Mas sei que esse poema não se programa. E por isso, já depois do 25 de abril escrevi: Um poema não se programa Porém a disciplina Sílaba por sílaba O acompanha Mas a disciplina do poema não é a da política. O poema é disciplinado pela sua própria necessidade. Nem o próprio artista se pode programar a si próprio. O Ministro da Comunicação Social disse que os períodos revolucionários não eram propícios às artes de vanguarda. Não podemos esquecer que também Hitler e Salazar não se entendiam bem com a arte de vanguarda e que ambos a perseguiam. Um verdadeiro período revolucionário está aberto a todas as formas de criação.

3 - É EVIDENTE que há incoerência. As campanhas de dinamização são mais políticas do que culturais. Fazem um doutrinamento político que deve ser feito pelos partidos. Pois não há doutrinamento apartidário. Não há angelismo político. Um doutrinamento político que se apresenta como apartidário é necessariamente ambíguo. Vivemos no pluralismo. Mas não queremos viver na ambiguidade. Queremos que o pluralismo seja nítido e declarado com clareza. Que todo aquele que exerce uma atividade de doutrinamento político diga aos outros o partido a que pertence ou que apoia. Queremos uma revolução clara. Queremos a clareza e a coerência dessa clareza. Este país tem neste momento uma intensa consciência da necessidade de clareza. A política é um capítulo da moral. O povo que somos votou conscientemente e quer a política que escolheu. Queremos justiça social concreta mas sabemos que essa justiça só se poderá construir na liberdade e na verdade. Sabemos muito claramente o que não queremos. Não queremos a violência, não queremos que a liberdade seja sofismada. Não queremos nem inquisições nem perseguições. Não queremos política da terra queimada. Não queremos política imposta. E no plano da cultura queremos acima de tudo que a política não seja anti-cultura. A demagogia é a traição cultural da revolução. Porque a demagogia é a arte de ensinar um povo a não pensar. Um provérbio africano diz: Uma palavra que está sempre na boca transforma-se em baba. Não queremos continuar a suportar a baba dos slogans. Querer fazer política cultural quando os meios de comunicação estão inundados de demagogia é uma incoerência radical. O ministro da comunicação referiu-se ao facto de o trabalho dos artistas ser agora pago pelo povo. Também muitos jornais são agora pagos pelo povo e todos os dias custam ao povo uma despesa escandalosa. A cultura é cara. A incultura acaba sempre por sair mais cara. E a demagogia custa sempre caríssimo.»

Qui | 03.07.14

O Seguro de vida de Passos Coelho

 

 

 (imagem do google)

«Eu juro que comecei a ver o debate sobre o Estado da Nação cheio de vontade de vir para aqui maltratar Pedro Passos Coelho. Afinal, a nação não se encontra em bom estado, e o próprio primeiro-ministro começou a sua intervenção em registo looney, afirmando querer construir “uma sociedade de pleno emprego”, que é daquelas coisas que talvez se pudesse dizer por alturas da revolução francesa, mas que em 2014 parece, no mínimo, deslocado. E como se tal não bastasse, Passos veio ainda com a conversa da aposta no ensino e na qualificação dos portugueses, que é promessa mais velha do que o nevoeiro de D. Sebastião, garantindo de caminho, sem se rir, que “muito já foi feito na reforma do Estado”.

Só que, quando eu já me encontrava a afiar as garras para me atirar ao discurso do primeiro-ministro, apareceu o seguro de vida de Passos Coelho – Seguro himself. E assim que ele abre a boca, não só o PS cai cinco pontos nas sondagens, como Passos Coelho fica imediatamente a parecer o maior estadista do hemisfério norte.» João Miguel Tavares , 03/07/2014, Público

Qui | 03.07.14

Afinal o crime compensa!

 

 

 (imagem do google) 

Jeremy Meeks foi detido em Stockton na Califórnia por suspeita de assalto à mão armada e tornou-se uma estrela nas redes sociais. A polícia local divulgou uma imagem do rapaz na sua página do Facebook, sem contudo imaginar a dimensão que ia suscitar.

Pouco mais de 24 horas depois da sua publicação, a imagem de Meeks tinha já mais de 56 mil likes e mais de 16.500 mil comentários, além de inúmeras partilhas. No Twitter houve mesmo quem tenha partilhado imagens de Jeremy Meeks em anúncios da Calvin Klein e da Hugo Boss

A beleza e o aspeto físico  atraente deste jovem de 30 anos conquistou fãs em todo o mundo e acaba de lhe abrir novas portas no mundo da moda. É que o «criminoso mais sexy do mundo», como ficou conhecido, vai ser representado pela  agência de modelos, Blaze Models. Gina Rodríguez, representante daquela agência, já declarou que o seu novo «agenciado» pode chegar a ganhar entre 3.500 e 11 mil euros, por mês.  E de pouco importa que ele tenha sido suspeito de assaltos à mão armada, de posse ilegal de armas e de violar a liberdade condicional.

Qua | 02.07.14

Sophia de Mello Breyner no Panteão

 (imagem do google) 

Os restos mortais da escritora e poetisa Sophia de Mello Breyner serão hoje transladados para o Panteão Nacional, quando se comemoram dez anos sobre a sua morte e o 40.º aniversário do 25 de Abril, esse «dia inicial inteiro e limpo», como a própria o descreveu naquele que é provavelmente o mais belo dos poemas dedicados à revolução de abril. A cerimónia inclui um cortejo solene que partirá do cemitério de Carnide e percorrerá as ruas de Lisboa, rumo à Igreja de Santa Engrácia.

A ideia de trasladar Sophia para o Panteão surgiu no final do ano passado, após um artigo que o escritor José Manuel dos Santos assinou no jornal PÚBLICO.

Ainda no final de 2013, por iniciativa dos deputados Marco Perestrello (PS) e Nuno Encarnação (PSD), a proposta chegou ao Parlamento, onde veio a ser aprovada por unanimidade em Fevereiro deste ano. 

Sophia é apenas a quinta personalidade a quem o regime democrático concede esta honra. As anteriores foram Humberto Delgado, em 1990, Amália Rodrigues, em 2001, Manuel de Arriaga e Aquilino Ribeiro, em 2007.

É possível que no século XX português tenha existido outros vultos de grandeza equivalente a Sophia de Mello Breyner. Alguns  merecerão igual honestidade cívica, ética e política, outros terão sido igualmente considerados.  Mas é difícil encontrar alguém que reúna todas estas características. Foi este «encontro perfeito» que levou José Manuel dos Santos a propor a entrada de Sophia no Panteão Nacional, para lhe prestar o tributo que merece, mas também, assume, para revalorizar a própria instituição.

É a ele que caberá fazer neste dia a evocação da homenageada, numa cerimónia que foi pensada ao milímetro que contará com momentos marcantes e simbólicos  da vida da poetisa. «Tentarei falar dela como ela falou dos poetas que admirava», diz José Manuel dos Santos, que sublinha que não se tratará de um elogio fúnebre, até porque a entrada no Panteão representa «uma espécie de ressurreição simbólica».

O atual templo que alberga o Panteão Nacional foi construído no preciso local onde primitivamente existiu um templo de meados do século XII e, em 1568, a Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, mandou erguer uma igreja para receber o relicário da virgem mártir Engrácia de Saragoça, daí derivando a sua atual designação. O começo das obras de construção da atual igreja iniciaram-se em 1682 e prolongaram-se indefinidamente, apenas ficando concluídas em 1966, tendo o seu arrastamento no tempo dado origem à expressão popular obras de Santa Engrácia que serve para designar as obras que não possuem fim à vista.

Almeida Garrett, Amália Rodrigues, Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro, Humberto Delgado, João de Deus, Manuel de Arriaga, Óscar Carmona, Sidónio Pais e Teófilo Braga são as personalidades que se encontram sepultadas no Panteão Nacional que hoje recebe a poetisa Sophia de Mello Breyner e Andresen.

Fonte: Público

Ter | 01.07.14

Carlos do Carmo distinguido com um Grammy

(imagem do google)

Carlos do Carmo, uma das vozes maiores do fado português, foi distinguido por unanimidade pela Academia Latina com um Grammy na categoria Lifetime Achievemet (Prémio à Excelência Musical) uma distinção das mais consideradas na indústria musical.

É a primeira vez que um artista português recebe esta distinção, um prémio que celebra o conjunto de uma obra e que chega num momento em que Carlos do Carmo celebra 50 anos de carreira.

O galardão será entregue no MGM de Las Vegas, nos EUA, no dia 19 de Novembro, no mesmo mês em que deverá estrear um documentário sobre a vida e obra do fadista.

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