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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 25.03.15

O «presidenciável» Henrique Neto

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Enquanto os «presidenciáveis» resguardam-se nos seus taticismos para avançar depois das legislativas, eis que surpreendentemente Henrique Neto, 78 anos, vai a jogo, tendo formalizado oficialmente a sua candidatura ao cargo de Presidente da República  esta quarta-feira no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa. Está no seu direito.

O antigo deputado socialista que «somou inimigos no PS», comprou guerras  com  António Guterres, foi um crítico feroz de José Sócrates, mas fervoroso apoiante de António José Seguro nas Primárias de setembro.

A sua candidatura tem poucas hipóteses de vir a ter sucesso. A sua idade e a disponibilidade física que um cargo desta natureza exige é um handicap, a inexistência de apoios ligados a estruturas partidárias é outro. Por outro lado, o seu envolvimento, direta ou indiretamente, na Operação Furacão em 2009 e no Caso dos Submarinos também não abonam a seu favor.

Resumindo, a candidatura de Henrique Neto vai servir única e exclusivamente para criar ruído e para a dispersão do eleitorado de esquerda.

Aliás é interessante verificar como a direita acolheu tão bem esta candidatura, desvalorizando a idade do candidato, quando há 9 anos, essa mesma fação criticou duramente a candidatura de Mário Soares.

Ter | 24.03.15

Herberto Helder (1930-2015)

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O poeta Herberto Helder, nascido em 1930 no Funchal, morreu esta segunda-feira, em Cascais, não sendo conhecidas ainda as causas da sua morte. Tinha 84 anos e era pai do jornalista do Expresso e comentador da SIC, Daniel Oliveira.

Provavelmente o mais importante poeta português contemporâneo era avesso a prémios e a homenagens.

A sua recente obra, editada em Portugal em junho do ano passado foi «A morte sem mestre».

 

Estende a tua mão contra a minha boca e respira

e sente como respiro contra ela,

e sem que eu nada diga,

sente a trémula, tocada coluna de ar a sorvo e sopro,

ó

táctil, ininterrupta,

e a tua mão sinta contra mim

quanto aumenta o mundo

Herberto Helder

Ofício Cantante

 

Seg | 23.03.15

Ventos de mudança na Europa

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As eleições regionais da Andaluzia e as eleições departamentais ocorridas neste fim-de-semana em França foram importantes para se começarem a delinear futuros cenários de governação nos dois países.

Na primeira volta das eleições departamentais em França, a grande incógnita era a dimensão do sucesso da extrema-direita e os danos para o Partido Socialista de Hollande. Já nas eleições regionais na Andaluzia, jogava-se o primeiro teste eleitoral à resistência dos grandes partidos tradicionais.

Em França, a aliança centrista liderada pelo UMP, partido de Nicolas Sakozy, conquistou o maior número de votos seguido da Frente Nacional, de Marine Le Pen que ficou em segundo lugar com 25%, remetendo o Partido Socialista de Hollande para a terceira posição com 22% dos votos.

Na vizinha Espanha, o PSOE da Andaluzia, com Susana Díaz como cabeça de lista, conseguiu chegar à vitória, elegendo 47 deputados, sem obter a maioria absoluta. O partido de Pablo Iglesias, com Teresa Rodríguez à frente elegeu 15 deputados, um resultado importante, mas ainda assim abaixo dos 19 a 22% das projeções, incluindo as que se realizaram à boca das urnas. O PP, partido no poder em Espanha, foi o grande derrotado com a perda de meio milhão de votos.

O Ciudadanos de Albert Rivera, partido de origem catalã e de centro-direita teve pela primeira vez uma votação que lhe garante nove deputados no parlamento regional andaluz. O resultado é ainda mais expressivo uma vez que a Andaluzia é uma região conservadora, nacionalista e tradicionalmente de esquerda, onde o PSOE vem  ganhando desde 1982. Os resultados do Podemos e do Ciudadanos confirmam que há agora quatro forças em disputa pelo poder num ano em que os espanhóis votam em três frentes.

Quer num caso como no outro havia previsões manifestamente exageradas quanto ao fim do bipartidarismo em Espanha e quanto ao domínio da Frente Nacional em França.

Muito embora os cenários mais catastrofistas não se tenham verificado, houve, no entanto, alguns progressos nesse sentido: na Andaluzia, por exemplo, nunca se haviam registado tantos lugares no Parlamento atribuídos a partidos não tradicionais (PSOE e PP) e, em França, a extrema-direita, pese embora tenha ficado em 2º lugar, consegue o seu melhor resultado de sempre em eleições locais e mantém a percentagem de votos conseguida nas eleições europeias de 2014.

Não sendo contudo resultados que favoreçam uma alteração do paradigma eleitoral nos dois países, são indicadores importantes que não devem ser negligenciados.

Dom | 22.03.15

Sporting vence o Guimarães por 4-1

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A receção dos minhotos em Alvalade era aguardada com grande expectativa. Não apenas pela derrota do Benfica e do empate do FC Porto nesta jornada, mas, também, porque foi  após a derrota do Sporting por 3-0 em Guimarães, na 1ª volta do campeonato, que foram desencadeadas as divergências que são conhecidas entre Bruno de Carvalho e Marco Silva.

Felizmente, ao contrário do jogo em Guimarães, no qual o Sporting nunca mostrou argumentos para contrariar a superioridade adversária, hoje, em Alvalade, o Sporting foi de longe a melhor equipa.

O jogo ficou resolvido ao intervalo e por isso baixou de ritmo e de intensidade na segunda parte, o que deixou os jogadores leoninos desnecessariamente expostos aos cartões amarelos, tendo, inclusive, Paulo Oliveira visto dois amarelos e o respetivo encarnado o que o afastará do próximo jogo com o Paços de Ferreira.

Foi, porém, uma boa jornada para o Sporting que consolidou o 3º lugar e está agora a seis pontos do Porto. Temos o dever de continuar a lutar pelo segundo lugar. Está difícil é certo, mas não impossível.

Sex | 20.03.15

Eclipse, Superlua e Equinócio da Primavera

O eclipse e a superlua são fenómenos astronómicos interessantes que acontecem hoje, dia 20 de março, em simultâneo com o equinócio de primavera, que marca a mudança de estação.

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Equinócio de Primavera

O equinócio da primavera ocorre quando o equador celeste se encontra alinhado com a trajetória elíptica da Terra em torno do Sol. De uma maneira mais simples, quando o eixo terrestre não está inclinado, Assim sendo, neste dia, devido ao equinócio dia e noite vão ter aproximadamente a mesma duração. O fenómeno propriamente dito, acontece cerca das 22h45, quando o sol, que a essa hora se encontra do outro lado da Terra, ilumina diretamente o equador. Essa é também a hora exata em que se inicia a primavera.

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Eclipse Solar

O dia vai, no entanto, começar com um eclipse total do Sol - que será visto apenas parcialmente em Portugal. O fenómeno ocorre entre as 8h e as 10h, na manhã desta sexta-feira, mas são necessários alguns cuidados para o observar, isto porque o Sol emite radiação luminosa infravermelha visível e ultravioleta. O perigo, contudo, está na quantidade emitida. O olho humano não se encontra preparado para observar diretamente o fenómeno, bastando uma observação de um minuto para causar danos permanentes. Não é o eclipse em si que é perigoso, mas sim a observação direta do Sol. Existem, no entanto, formas de o fazer em segurança com óculos apropriados. Mas o Observatório Astronómico de Lisboa alerta para que, mesmo com equipamento ótico adequado, as observações devem ser limitadas a 30 segundos, com intervalos de pelo menos 3 minutos entre cada observação. A lesão provocada pela sobre-exposição solar é indolor e pode provocar distorção das imagens ou alteração das cores e é, quase sempre, permanente e irreversível.

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Superlua

A superlua será o terceiro fenómeno celestial de sexta-feira. É um fenómeno bem menos raro que o eclipse e que corresponde ao momento em que a Lua cheia aparece no ponto da sua órbita elíptica mais próxima da Terra. Deste modo, o disco lunar atinge a sua maior dimensão.

Este fenómeno ocorre com um espaçamento de cerca de 14 meses lunares, ou seja, 412 dias. Ao contrário do eclipse, não há qualquer perigo na observação da superlua, no entanto, esta sexta-feira a lua encontra-se na sua fase nova, o que prejudica a sua visibilidade.

Qui | 19.03.15

Afinal havia Lista de contribuintes VIP

1912533_421603567999432_5584321360787248124_n.jpgSucedem-se as trapalhadas deste Governo. Afinal sempre havia lista de contribuintes VIP. Depois de terem jurado que não. O caso já fez duas vítimas, contudo não chegou para clarificar a situação, já que esta narrativa tem ainda muitas pontas soltas. Uma coisa é certa: A ista existe, prova disso são as demissões e os avanços e recuos que demonstram que existe algo, suficientemente embaraçoso, embora não se saiba quem é o seu autor porque todos querem sacudir a água do capote.

É evidente que todos os contribuintes têm, de igual modo, direito à privacidade. Importa, por isso, perceber que mecanismos existem para proteger a confidencialidade desses dados, independentemente da identidade do contribuinte.

Num Estado de Direito é importante que os sistemas de informação que mantêm informação sensível sobre os cidadãos ofereçam garantias básicas de segurança e confidencialidade e de igualdade. Estes princípios não se restringem apenas à Autoridade Tributária, devem ser observados em todas as de entidades do Estado.

Agora é tempo de apurar as responsabilidades políticas. O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais deverá ser ouvido no Parlamento e caso se verifique que tinha conhecimento da existência da dita lista não lhe restará outra saída senão demitir-se.

Qua | 18.03.15

Júlio Isidro foi o bombeiro de serviço do Agora Nós

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Júlio Isidro é um nome incontornável quando se fala na história da televisão em Portugal. No início de 1960, com apenas 15 anos, estreou-se no Programa Juvenil na RTP e, desde então, tornou-se presença regular no pequeno ecrã.

Com 55 anos de carreira e saber de experiência feito, apresentou alguns dos formatos mais emblemáticos em televisão e foi responsável também pela descoberta e pelo lançamento das melhores vozes deste país.

Ontem, na impossibilidade de Tânia Ribas de Oliveira e Zé Pedro Vasconcelos apresentarem o programa da manhã foi Júlio Isidro o «bombeiro de serviço».

Chamado uma hora antes de a emissão ir para o ar, apresentou  o programa das manhãs da RTP, Agora Nós. Sem preparação, sem rede, unicamente com o saber e a experiência que tantas horas de palco e de câmaras lhe deram.

Estava estranhamento calmo e bem-disposto e apresentou-se deste modo: «o meu nome não é Tânia Ribas de Oliveira e também não é José Pedro Vasconcelos. Sou apenas um suplente que às nove da manhã estava de pijama em casa a tomar o meu pequeno-almoço (...) o programa, hoje, não se chama Agora Nós, mas sim Agora é Que São Elas», concluiu o apresentador.

Um dia inesquecível para Júlio Isidro que recebeu inúmeros elogios nas redes sociais pelo seu desempenho no programa e em circunstâncias tão inesperadas.

Um exemplo e uma lição de que os cabelos brancos e as rugas não  são apenas sinal de envelhecimento.  São igualmente sinal de experiência, de maturidade, de capacidade de passar ensinamentos às novas gerações e como tal, apresentadores como o Júlio Isidro não devem ser despachados para a RTP Memória.

Júlio Isidro, não obstante os seus 70 anos, ainda poderia muito bem apresentar um programa de entretenimento. Era bem capaz de ser um sucesso.

Ter | 17.03.15

A Lifestyle de Varoufakis

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Yanis Varoufakis foi notícia em todo o mundo devido a uma reportagem na revista social, Paris Match, onde o ministro das Finanças grego é fotografado no seu apartamento em Atenas, juntamente com a mulher, Danae Stratou.

As críticas não tardaram e nas redes sociais comparavam a exibição «pouco austera» de lifestyle do ministro com a situação económica do país, que o próprio descreve como uma «crise humanitária».

O que é mais estranho nesta  sessão fotográfica da Paris Match sobre Varoufakis não é propriamente a vida que o ministro grego desfruta, mas o facto de ter aberto as portas de sua casa a uma revista social, ao mesmo tempo que diz desprezar o estrelato.

O problema da chamada «esquerda caviar» não é ter dinheiro e ter um determinado tipo de vida, o problema começa quando ela pretende ostentar e exibir os seus hábitos sociais o que contradiz com o discurso que adota.

Seg | 16.03.15

Cavaco antevê um crescimento de 2% da economia em 2015

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Em mais um dos seus inúteis  passeios presidenciais, desta vez a Paris, Cavaco Silva não perdeu a oportunidade para mostrar porque é que a sua popularidade anda pelas ruas da amargura.

Na verdade é escandaloso o grau de parcialidade deste Presidente da República. Ainda há poucos dias justificava as dívidas do primeiro-ministro com o «cheiro a eleições» quando os ventos não corriam de feição para Passos Coelho.

Hoje, em Paris, sabendo que a comunicação nacional social faria eco das suas declarações, teve a distinta lata de despir as vestes presidenciais e assumir uma postura de primeiro-ministro na OCDE, tecendo loas às políticas do Governo português, elogiando diversas áreas da governação e realçando o esforço de consolidação orçamental, a aposta nas exportações, com resultados positivos no equilíbrio das finanças públicas e das contas externas, afirmando que «Portugal está a fazer tudo o que lhe compete fazer».

Mas o seu discurso otimista foi mais longe ao antever, qual zandinga, um crescimento de 2%, acima das previsões do governo.

Bom, mas se as afirmações de Cavaco forem tão certeiras como as que fez relativamente ao BES, então estamos conversados!