Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 19.01.16

António Almeida Santos (1926-2016)

almdeia_santos_foto_ricardo_fortunato_054520e3e3.j

Morreu António Almeida Santos, o histórico do partido socialista, a um mês de completar 90 anos. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, começou a sua atividade política em Moçambique, ainda durante o período da ditadura. Integrou o Grupo de Democratas que se opunha à colonização. Em Moçambique representou Humberto Delgado nas eleições presidenciais de 1958.

Com o 25 de Abril regressou a Portugal e foi uma das figuras mais importantes na construção da democracia portuguesa. Desempenhou vários cargos: foi ministro de vários governos e presidente da Assembleia da República. A última vez que tinha tido funções governamentais foi no IX Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, onde ocupou o cargo de Ministro de Estado.

Jurista brilhante era atualmente presidente honorário do partido socialista.

De uma entrega total, nunca virava a cara à luta política, estando sempre presente nos momentos importantes da vida do partido. A sua última aparição foi no domingo, ontem participou numa ação de campanha das presidenciais em apoio a Maria de Belém.

Escritor, com vários livros publicados, entre ensaios jurídicos, poesia e obras de História e Política, publicou em 2006 a sua autobiografia (Quase memórias).

Seg | 18.01.16

Alfredo Barroso arrasa Maria de Belém

 

d1fe4c8849eab3030886f8db11fe1c5a.jpg

Embora não seja apoiante da candidatura de Maria Belém, não posso deixar de ficar surpreendida com os termos impróprios usados por Alfredo Barroso para denegrir a candidatura da ex-ministra socialista. Que Alfredo Barroso queira apoiar outro candidato(a) é obviamente um direito que lhe assiste, agora os termos que o fundador do PS usa para se dirigir a uma antiga camarada de partido, antiga presidente do PS, e, já agora, a uma senhora parecem-me completamente inapropriados. Primeiro no jornal I e depois via facebook. Há limites, tem que haver limites, sob pena de isto descambar para um nível muito baixo.

alfredo_barroso_maria_de_belc3a9m.jpg

 

Dom | 17.01.16

Tony Carreira condecorado em França

 

ng5675505.jpg

Pode-se não gostar do género de música de Tony Carreira e eu não gosto, mas, em boa verdade, o cantor tem uma das mais carreiras de maior sucesso que a música ligeira portuguesa alguma vez conheceu, e um registo de vendas impressionante. Vendeu quatro milhões de discos em Portugal e conta no seu currículo com 18 álbuns que atingiram a marca de platina por 60 vezes. Tem uma marca no Guinness World Records, por conseguir encher repetidamente as maiores salas de espetáculo do país.

Tony Carreira foi condecorado com a medalha de «Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras» concedida pelo Governo Francês através da Ministra da Cultura e da Comunicação à semelhança de nomes como David Bowie, Bob Dylan ou as portuguesas Amália Rodrigues e Mariza. O músico pediu que a medalha lhe fosse entregue na embaixada portuguesa em Paris. O pedido foi recusado. O cantor ficou agastado com a decisão.

Mas, fonte da embaixada de Portugal em França, justificou a recusa. «Não se atribui a condecoração de um país na embaixada de outro país». Ora, se a condecoração era do governo francês tinha que ser entregue em França e não em Portugal, porque a embaixada portuguesa em França é considerada território português, dai a recusa.

Em declarações à TSF, o embaixador de Portugal em França explica que a polémica não faz qualquer sentido. Moraes Cabral felicita o cantor, mas diz que «seria estranho» que a condecoração francesa fosse imposta na embaixada de Portugal. O diplomata diz que lamenta se «o cantor Tony Carreira se sente melindrado com esta atitude pois não houve qualquer intenção, mas apenas atuar de uma forma consistente com a prática internacional, que tem regras».

Qui | 14.01.16

Os candidatos presidenciais

candidatostitulo738765c6.jpg

«Ainda não sei em quem votar.

Queria votar em Marcelo por ser descontraído.
Em Belém por ser uma mulher.
E em Sampaio por ele não ser Marcelo nem Belém.
Queria votar em Marisa por ser corajosa.
Em Edgar por ser amigo dos pobres.
Em Neto por ser empreendedor.
Em Morais por ser anti-corrupção.
Em Sequeira por ser cómico.
Em Cândido por ser inconformado.
E em Tino por ser Tino.
Ainda não decidi.

São todos muito bons. Estamos cheios de sorte».

 (Texto de Barbara Baldaia, no Facebook)

Qua | 13.01.16

Pelas 35 horas

ng5620223.jpg

O plenário parlamentar discutiu hoje os projetos -lei dos partidos da esquerda para repor o horário de trabalho de 35 horas semanais na função pública (a votação é na sexta), após o Governo e a maioria de direita terem obrigado os funcionários públicos a trabalhar 40 horas por semana a partir de 28 de Setembro de 2013.

Nesta legislatura quer PS, PCP, Verdes e Bloco de Esquerda tem como objetivo comum a reposição do horário de 35 horas na administração pública,  revogando o de 40 horas, todavia a diferença reside na sua entrada em vigor da lei, pois enquanto o partido do Governo remete a aplicação da medida para o segundo semestre deste ano, os outros três partidos querem que a sua aplicação seja mais célere.

A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas anunciou mesmo uma greve nacional na administração central para 29 de janeiro, caso o Governo não recue na data de entrada em vigor das 35 horas na administração pública.

A reposição das 35 horas é uma medida da mais elementar justiça. Acho imoral, a entidade patronal mudar unilateralmente a remuneração por hora dos trabalhadores (o que foi feito quando se passou de 35 para 40 horas por semana). Quando o trabalhador assinou o contrato de trabalho, foi na presunção que lhe seria pago x para trabalhar 35 horas semanais. Se realmente o Governo estivesse a agir de boa-fé e o objetivo fosse realmente a equidade entre público e privado, então a solução passaria por ajustar o ordenado pago ao preço hora. Não se pode invocar igualdade quando o salário não reflete o horário de trabalho previsto.

Acontece que o horário de trabalho semanal de 35 horas já havia sido formalmente adotado por muitas autarquias, depois de o governo PSD/CDS-PP ter sido obrigado pelo Tribunal Constitucional TC a publicar os acordos coletivos de entidade empregadora pública que decidira reter. Não se percebe por que é que a administração local deva ser diferente da administração central.

Por outro lado, se a ideia era uniformizar o setor público e privado, há muita gente no sector privado, e conheço algumas pessoas nessa situação, que trabalham menos de 40 horas semanais, às vezes 30 horas, por contrato individual ou acordo coletivo. Por que não a igualdade com estes trabalhadores?

Depois há serviços que podem efetivamente precisar de funcionários que cumpram 40 horas semanais, e estou a lembrar-me concretamente dos serviços de Saúde, para outros 35 horas semanais serão suficientes. O que mostra que devem existir horários de trabalho diferenciados e ponderados consoante os setores de atividade e remunerados de acordo com o horário de trabalho.

Finalmente parece-me manifestamente exagerado os organismos necessitarem de seis meses para se reajustarem ao horário das 35 horas, como defende o PS. Ora, se o governo anterior publicou em 29 de Agosto o diploma que determinou o aumento do horário de trabalho em 5 horas semanais, a partir de 1 de Outubro, isto é, um mês depois, agora são necessários SEIS meses? Ou seja, para aumentar o horário de trabalho bastou um mês, para mais em setembro, mês em que muitos trabalhadores encontram-se ainda a gozar férias, mas para repor a normalidade dos serviços são necessários seis meses! Por amor de Deus!

Ter | 12.01.16

De facto!

mw-860.jpg

Ricardo Duarte, 38 anos, médico anestesista no Funchal, publicou uma carta, em jeito de desabafo, no seu mural do Facebook, sobre o serviço de saúde onde exerce a sua atividade e que reflete grosso modo o estado da saúde e do país e que  se tornou viral. 

A razão para este desabado, assume Ricardo Duarte, prende-se com o seguinte facto: «Dois dias antes da morte do jovem nas urgências no S. José, fui com o meu filho ao centro de saúde para o vacinar mas não consegui porque não havia vacinas. Ora como é possível que o país se levante quando, pelas mais diversas razões, não se consegue salvar alguém mas ninguém se indigne por não haver prevenção?».

As palavras de Ricardo Duarte demonstram um grande desânimo e uma grande desmotivação. «Trabalho num serviço de saúde onde tenho de improvisar a toda a hora porque o fármaco x e y “não há” (Ups… estamos proibidos de dizer que não há!). É um facto. Onde temos vários ventiladores de 30 mil euros avariados (um deles há mais de 1 ano!) porque “ninguém” pagou a manutenção.» E prossegue: «Vivo numa região em que se gastam muitos milhões em fogo-de-artifício e marinas abandonadas, sem existir contudo dinheiro para um monitor e um ventilador de transporte para a sala de emergência de um hospital dito central e centro de trauma certificado. É um facto.».

Diz o médico anestesista: «Trabalho 65 horas por semana, a uma média de 9 euros por hora». «Recebo menos de metade do que quando acabei a especialidade há oito anos».

Um médico em Portugal ganha 9 euros por hora? Digam-me, por favor, que não é verdade. Porque, se for, há qualquer coisa de muito errado neste país.

Seg | 11.01.16

David Bowie (1947-2016)

phpThumb.jpg

O artista britânico, conhecido pelo seu lado excêntrico e a sua capacidade camaleónica, morreu ontem aos 69 anos, vítima de cancro. Há dois dias havia lançado um novo álbum de originais Blackstar, coincidindo com a data do seu 69.º aniversário, em que surge como um rocker, surpreendendo uma vez mais ao adotar um registo no âmbito do jazz.

David Bowie tornou-se num dos músicos mais influentes de sempre. Nascido David Robert Jones, a 8 de Janeiro de 1947, construiu uma das carreiras mais apreciadas da indústria do espetáculo. Embora desde cedo tenha realizado o álbum e diversas canções, Bowie só chamou verdadeiramente a atenção do público em 1969, com a canção Space Oddity. A partir daí muitos êxitos se seguiram como, Life on Mars; China Girls; Heroes; Let´s Dance; Ashes to Ashes, The Man Who Sold The World (daria azo a uma fantástica versão dos Nirvana) ou Under Pressure (com Fredy Mercury).

É conhecido também a sua participação no mundo da 7ª arte, em filmes como The man who fell to earth ( 1975), The Hunger (1983), Merry Christmas Mr. Lawrence (1983) e Labyrinth ( 1986); A última tentação de Cristo (1988) e Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992).

Embora não fosse propriamente sua fã, reconhecia-lhe o seu estilo único, a sua capacidade em trabalhar a imagem, de se reinventar e de se ter afirmado como uma das figuras com maior êxito e influência da música pop mundial.

Dom | 10.01.16

Gestos que contam

ng5605119.jpg

Paulo Gonçalves da Honda, líder da classificação geral das motos no Rali Dakar, teve uma atitude de louvar logo no início da etapa de ontem do rali.

Corria-se a 7ª etapa e Matthias Walkner, terceiro classificado da geral,  sofreu uma queda aparatosa logo aos 15 km. O piloto português da Honda, líder da geral nas motos, percebeu de imediato a gravidade da situação e parou para ajudar o piloto austríaco, tendo perdido cerca de 11 minutos da sua classificação, até chegar a equipa médica do Dakar2016, pondo em causa a sua liderança.

Walkner foi obrigado a abandonar, pois fraturou o fémur, mas a organização da prova já garantiu que não será deduzido esse tempo ao piloto português nesta etapa devido ao seu gesto altruísta.

«Fiz aquilo que me competia, ao contrário acredito que fizessem o mesmo por mim. O Dakar é uma aventura de muito risco, de muito sacrifício, damos tudo por tudo ao longo de vários dias, milhares de quilómetros, e o risco está sempre à espreita. Não sou um herói, sou um ser humano com respeito pelos outros. A nossa vida vale mais que qualquer vitória, sem ela não vencemos!»,  explicou o piloto da Honda no seu Facebook.