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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 08.01.16

O frente-a- frente entre Marcelo e Nóvoa

 

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A campanha do candidato Marcelo Rebelo de Sousa tem sido um passeio triunfal com destino a Belém. Mas, ontem, no frente-a-frente com Sampaio da Nóvoa, Marcelo foi encostado às cordas. Foi o primeiro debate onde Rebelo de Sousa foi verdadeiramente questionado e não pode dizer-se que no final tenha podido cantar vitória. Caiu-lhe finalmente a máscara. Perdeu a pose de quem elogia e concorda sempre com o oponente, porque Nóvoa foi bem preparado para o debate e obrigou Marcelo a «sair da toca» com citações do antigo comentador que o fizeram cair por várias vezes em contradição. Marcelo acabou enredado na sua especialidade: as palavras.

Acabaram os sorrisos, a simpatia e o paternalismo. A petulância, os jogos retóricos - «não foi isso que disse» «nunca disse isso» - não funcionaram desta vez. Veio ao de cima os traços da sua personalidade: a sobranceria, a agressividade e a contradição.

Infelizmente acabará por chegar a Presidente da República, não pelas suas qualidades políticas, mas pela exposição mediática que gozou enquanto comentador político.

Qui | 07.01.16

A estratégia de Marcelo

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Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) tenta a todo o custo captar votos à esquerda e à direita. Foi isso mesmo que assistimos no frente-a-frente com Marisa Matias. Afinal, ficamos agora a saber que Marcelo Rebelo de Sousa é favorável à adoção por casais do mesmo sexo, desde que, segundo ele, «esteja garantido do ponto de vista técnico a proteção da criança», não interessa que seja um adotante, dois, «um casal do mesmo sexo ou de sexo diferente, isso é irrelevante». Como procedia então se já estivesse no lugar de Cavaco Silva? MRS foi perentório «Não vejo razão para não promulgar», respondeu.

Relativamente a outra questão fraturante – o aborto – o moderador pergunta a MRS que faria ao diploma de revogação das taxas moderadoras, recordando que ele assinara a iniciativa de movimentos pró-vida para impor essas taxas. Marcelo, nem pestaneja: «não vejo razão para não promulgar». Porque segundo o candidato «uma coisa é a posição enquanto cidadão, outra enquanto Presidente». Marisa Matias recorda-lhe então que em relação ao aborto, ele foi o responsável por um referendo que atrasou dez anos a despenalização, levando à humilhação das mulheres, em julgamentos como o de Aveiro. MRS contrapõe lembrando que como presidente do PSD era apenas «um líder minoritário de oposição», e que foi afinal Jorge Sampaio – o último Presidente de esquerda – a decidir.

Marcelo vai mais longe, neste debate em que pareceu ter como alvo o eleitorado de esquerda, fazendo tábua rasa das opções ideológicas, assegurando que com ele em Belém não terá que tomar qualquer iniciativa legislativa no sentido de questionar a lei que despenaliza o aborto em vigor que segundo ele demonstra a vontade da maioria dos portugueses.

Uma resposta a lembrar a célebre rábula de Ricardo Araújo Pereira («- É crime? - É. - Mas o que é que acontece? - Nada!»).

O chumbo do Tribunal Constitucional aos cortes nos salários e pensões previstos no Orçamento do Estado para 2012 foi outro dos temas que motivou uma troca mais acesa de argumentos entre os dois candidatos, com Marisa Matias a dizer que Marcelo Rebelo de Sousa discordou da decisão dos juízes do Tribunal Constitucional. De imediato, o professor respondeu: «Não critiquei, disse que alguns dos fundamentos jurídicos [apresentados] eram discutíveis". E acrescentou: «Eu concordei com a decisão do Tribunal Constitucional”.

Marcelo diz que não disse, mas disse. Afinal o que disse Marcelo Rebelo de Sousa no dia 22 de janeiro de 2012, na TVI? [...] «Passa pela cabeça de alguém que a maioria dos Juízes do Tribunal Constitucional chumbe o Orçamento de Estado? Que significa chumbar a execução do acordo da troika, parar o financiamento a Portugal e colocar Portugal numa situação crítica em relação à Europa? Era o que faltava. Passa pela cabeça de alguém? Em homenagem de uma interpretação muito rígida e fixista da Constituição. Isto lembra ao careca?» Afinal lembra o careca…

Marisa Matias podia ter arrumado a questão se tivesse obrigado o seu opositor a dizer como teria procedido se fosse PR em 2012. Não o fazendo, deixou-o na sua praia a dissertar sobre aspetos técnicos do pedido de fiscalização sucessiva e da decisão subsequente do Constitucional. Foi pena que em vez de obrigá-lo a mostrar que espécie de Presidente quer ser, deixassem brilhar o comentador e o académico.

Já houve eleições mais e menos disputadas, mas não me lembro de eleições em que a função presidencial fosse tão desvalorizada e tão esvaziada. E este é talvez o aspeto mais trágico desta campanha.

Marcelo Rebelo de Sousa, porque as sondagens lhe são favoráveis, quer chegar a Belém sem se comprometer. Não entusiasma ninguém porque preferiu desaparecer, fazer-se de morto. Acontece que o aspeto marcante dum presidente da república enquanto instituição é a de ser sufragada pelo voto em função de um conjunto de ideias e não em função da simpatia. Marcelo pretende, enquanto candidato, distribuir sorrisos, apagar o seu passado e pairar acima da política em que sempre participou, para dar a entender que é um candidato independente. Seria bom que assumisse as suas posições e a sua história. Porque se assim não for, não fará qualquer diferença tê-lo a ele ou qualquer outro em Belém. Ao candidato a presidente da república exige-se muito mais, não pode ter um papel meramente decorativo. Já bastaram estes dez anos com Cavaco Silva e espero que os portugueses tenham aprendido a lição.

Ter | 05.01.16

Uma ideia de poupança

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(imagem retirada daqui)

Já vi este ano esta sugestão de poupança plasmada em vários blogues e o conceito também já foi discutido no meu local de trabalho.

A ideia é a seguinte: durante as 52 semanas do ano vamos poupando gradualmente, começando na primeira semana com 1€ e terminando a última semana do ano colocando de parte 52€.Se seguirmos isto com rigor conseguiremos poupar a módica quantia de 1378 €. Um bom pecúlio, sem dúvida.

Também há quem faça a poupança no sentido decrescente, ou seja, começa por poupar 52€ na semana 52, depois os 51€ da semana 51 e assim sucessivamente.

A ideia até me parece interessante, o problema é que começamos com muito entusiasmo, mas depois, a meio, fica tudo em águas de bacalhau!

Dom | 03.01.16

Sporting recupera liderança no campeonato

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Vitória justíssima do Sporting sobre o FC Porto por 2-0, em jogo da 15.ª jornada da I Liga de futebol. Islam Slimani voltou a ser fundamental com dois golos que permitiram aos leões recuperar a liderança no campeonato, mas quer a defesa, quer o meio campo estiveram quase perfeitos. O resultado até podia ser mais dilatado, não fora as bolas nos ferros da baliza à guarda de Iker Casillas.

Seria injusto, num jogo em que a equipa demonstrou um empenhamento total e uma disciplina tática quase exemplar, não destacar a grande exibição coletiva que os jogadores leoninos nos proporcionaram, mas julgo ser de realçar para além da exibição soberba de Slimani, a prestação imperial de Naldo e os desempenhos assombrosos de João Mário e de Adrien, este último tantas vezes considerado injustamente o elo mais fraco do meio campo. Ontem foi simplesmente brilhante, a defender, a atacar, a comandar a equipa como um verdadeiro capitão. Só faltou mesmo o golo (bateu no poste) que teria sido a «cereja no topo do bolo» para premiar aquela noite de glória, aplaudida de pé por cerca de 49000 espectadores no momento da sua saída.

A verdade é que graças à organização tática do SCP, o FC Porto nunca se conseguiu impor em Alvalade. Aboubakar desperdiçou, na primeira parte, duas ocasiões de golo (duas boas defesas de Rui Patrício).

Nota-se na maioria dos jogadores sportinguistas uma postura diferente: uma maior entrega ao jogo e uma motivação em crescendo. As limitações individuais e a má forma de alguns (caso de William) são superadas pela força e envolvência do coletivo.

É verdade que o Porto tem um plantel superior ao do Sporting, mas os leões têm melhor treinador e uma melhor atitude e isso tem sido fundamental. A grande força desta equipa está na consciência que tem das suas capacidades e dos seus limites. A continuarem assim, poderemos ser campeões no final da época.

Sex | 01.01.16

Em jeito de balanço...

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O ano que agora chega ao fim não deixou saudades. Assinalado por grandes convulsões em várias zonas do mundo, 2015 fica também marcado pela intolerância, pelo ódio, pelo medo, pela violência que foi iniciada em janeiro (com o atentado ao jornal satírico francês Charlie Hebdo) e continuou com atentados terroristas por esse mundo fora; pelo piloto suicida que matou 150 pessoas nos Alpes franceses; pelo drama dos refugiados que fogem da guerra e aos quais a Europa não consegue dar uma resposta cabal e culminou em dezembro (com os ataques terroristas em Paris), reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico.

 

A nível interno, a perda da maioria absoluta nas eleições de outubro para os partidos da direita, permitiu um acordo histórico firmado por António Costa com o Bloco de Esquerda e o PCP e conduziu à formação de um Governo socialista que resultou de uma nova forma de interpretar a configuração das forças políticas parlamentares, que independentemente da sua duração não deixa de ser uma nova perspetiva política.

 

O ano de 2016 começa com uma nova campanha eleitoral para escolher o presidente da República. O próximo chefe de Estado poderá vir a ter um papel crucial, caso os apoios que suportam o Governo socialista se revelarem titubeantes. A derrocada de do Banif, com que fomos infelizmente confrontados,  veio por mais uma vez a nu a debilidade do sistema financeiro e a incompetência de regulação e de supervisão. Espera-se que o ano que hoje começa, seja em tudo diferente e um ano de mudança na verdadeira aceção da palavra. 

 

Pessoalmente, 2015 foi um ano difícil no âmbito familiar e duro sob o ponto de vista profissional. Não tenho vontade de olhar para trás e fazer qualquer tipo de balanço.

 

Resoluções para este ano? «Não faço planos para a vida, para não estragar os planos que a vida tem para mim», como sabiamente dizia Agostinho da Silva. O calendário muda apenas de página, mas tudo permanece igual e a vida continua…

 

Desejo-vos um ano de 2016 com muita saúde! Tudo o mais façam acontecer…

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