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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Qui | 21.04.16

Serviço Público

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Em 1970, em colaboração com a RTP, a Editorial Verbo lançou a «Biblioteca Básica Verbo - Livros de bolso», de 100 livros (15 escudos cada livro).

A iniciativa excedeu todas as expectativas e os dois primeiros volumes venderam mais de 230.000 exemplares. Ao todo, durante cem semanas, foram vendidos mais de 15 milhões de livros, num país com um enorme índice de analfabetismo.

Foi através desta coleção que tive oportunidade de ler, por exemplo, a «Aparição» de Vergílio Ferreira, «Menina e Moça» de Bernardim Ribeiro, «Clarissa» de Erico Veríssimo e outros que ainda moram lá por casa.

Esta iniciativa cultural que há décadas possibilitou a muita gente contactar com a boa literatura a preços módicos, está de volta com novos títulos. A «Coleção Essencial – Livros RTP» é um projeto da RTP em colaboração com a editora Leya e consiste na publicação de um conjunto de obras de ficção, com a finalidade de prover o gosto pela leitura através de alguns autores mais relevantes do século passado. Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, é o primeiro, desta ação de serviço público promovida pela televisão pública.

O lançamento foi ontem, na livraria Buchholz, em Lisboa e que contou com a presença do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa. 

Qua | 20.04.16

Museu do Dinheiro

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A partir de hoje, o Museu do Dinheiro estará de portas abertas (de quarta-feira a sábado entre as 10h00 e as 18h00) em plena Baixa Pombalina de Lisboa. Localiza-se nas instalações do Banco de Portugal, no espaço da antiga e recuperada Igreja de São Julião e pretende dar a conhecer a história do dinheiro em Portugal através de coleções de moedas e notas.

A exposição permanente está dividida em oito núcleos ao longo de dois mil metros quadrados. Para além da exposição sobre o dinheiro, «os visitantes são ainda convidados a descer à cripta da antiga igreja e a descobrir o único troço conhecido da Muralha de D. Dinis, classificada como Monumento Nacional».

Com entrada gratuita e experiências interativas, o museu foi «desenhado e construído» a pensar em todos os públicos, desde escolas, turistas, colecionadores e especialistas que podem encontrar «peças de grande raridade e interesse histórico», como referiu à Lusa, Eugénio Gaspar, responsável pelo projeto do novo museu.

Seg | 18.04.16

Dilma e o impeachement

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A Câmara dos Deputados do Brasil votou favoravelmente o impeachment da presidente Dilma Rousseff por 367 votos a favor, mais 25 do que os 342, equivalente a dois terços dos 513 parlamentares, que eram necessários, nesta madrugada, em Brasília, ficando decidido enviar a decisão da queda de Dilma para o Senado Federal. Agora o passo mais importante para a destituição de Dilma está dado. Bastará à oposição conseguir uma maioria simples dos votos dos 81 senadores para que Dilma caia e Michel Temer, o atual vice-presidente, assuma a direção do Palácio do Planalto.

Desde que iniciou o seu segundo mandato, em janeiro de 2015, Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores (PT) sofreram sucessivas derrotas no Congresso.

A pressão para a impugnação do mandato de Dilma Rousseff surge na sequência da divulgação das chamadas «pedaladas fiscais», atos ilegais resultantes da autorização de adiantamentos de verbas de bancos para os cofres do Governo para melhorar o resultado das contas públicas.

A investigação de membros históricos do PT, como o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por envolvimento na operação «Lava Jato», que investiga alegados esquemas de corrupção na petrolífera estatal Petrobras, também afetou seriamente a credibilidade da «Presidenta» brasileira, pela proximidade que tem com Lula da Silva.

Esta sessão histórica da Câmara dos Deputados foi o culminar de uma grave crise política e económica que está a dividir o Brasil. Numa longa sessão que demorou quase 10 horas, assistiu-se a espetáculo pouco edificante. O grande problema do Brasil tem sido a confluência de três fatores: o seu sistema constitucional, com um mau sistema de partidos e com quadros políticos ao nível do que de pior há no mundo. Ao pé disto, a classe política portuguesa quase que se equipara à nórdica.

Sab | 16.04.16

O Bloco de Esquerda e a igualdade de género

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O Bloco de Esquerda, com um sentido de oportunidade único, num afã na luta contra a discriminação e pela igualdade e paridade de direitos, apresentou na Assembleia da República um projeto de resolução para mudar o nome do «Cartão do Cidadão» para «Cartão de Cidadania», por considerarem que a atual designação do documento «não respeita a identidade de género de mais de metade da população portuguesa».

No projeto de resolução que já foi entregue na Assembleia da República, os deputados do BE defendem que a «designação não deve ficar restrita à formulação masculina, que não é neutra, e deve, pelo contrário, beneficiar de uma formulação que responda também ao seu papel identificação afetiva e simbólica, no mais profundo respeito pela igualdade de direitos entre homens e mulheres».

Acontece que, gramaticalmente falando, o termo «cidadão» é um substantivo abstrato que não faz distinção de género. Do mesmo modo, quando nos referimos aos «portugueses» estamos implicitamente a considerar a população portuguesa no seu todo (homens e mulheres), não sendo necessário, por isso, fazer a discriminação entre ambos os sexos.

Se porventura se acatasse a pretensão do Bloco de Esquerda em alterar o cartão para «cartão da cidadania», estar-se-ia justamente a incorrer na discriminação inversa porque «cidadania» é, como sabemos um substantivo feminino.

A este respeito, apenas me ocorre dizer: «Calem-se», título de um texto de Miguel Esteves Cardoso, sobre este tema, que li há tempos no Público e que passo a citar:

 « (…) Todos nós, seja de que sexo ou de que sexualidade formos, somos portugueses. Somos o povo português ou a população ou a nação portuguesa.

Como somos todos portugueses quando alguém fala em "portugueses e portuguesas" está a falar duas vezes das mulheres portuguesas. As mulheres estão obviamente incluídas nos portugueses. Mas, ao falar singularmente das portuguesas, está-se propositadamente a excluir os homens, como se as mulheres fossem portugueses de primeiro (ou de segundo, tanto faz) grau.

Somos todos seres humanos. As mulheres não são seres humanas. Quando se fala na língua portuguesa não se está a pensar apenas na língua que falam as portuguesas. É a língua dos portugueses e doutros povos menos idiotas.

"Portuguesas e portugueses" não é apenas um erro e um pleonasmo: é uma estupidez, uma piroseira e uma redundância que fede a um machismo ignorante e desconfortavelmente satisfeitinho.

Somos todos portugueses e basta».

Qui | 14.04.16

Praça Hugo Chávez em Alfragide

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Quando vi esta imagem pensei, sinceramente, tratar-se de uma notícia do Inimigo Público, só depois lendo melhor vi que a Câmara Municipal da Amadora tinha mesmo atribuído o nome do ditador venezuelano, Hugo Chavez, a uma praça na freguesia de Alfragide, cuja cerimónia de inauguração contou, entre outros, com a presença da Presidente da Câmara Municipal da Amadora do PS, Carla Tavares, do Embaixador venezuelano e da Presidente da Junta de Freguesia de Alfragide, Beatriz Azevedo, eleita pelo PSD-CDS.

Se isto não é uma piada de mau gosto, assim parece.

 

Qua | 13.04.16

Discriminação no Colégio Militar

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Numa reportagem pelo Observador, o subdiretor do Colégio Militar, António Grilo afirmou: «Nas situações de afetos [homossexuais], obviamente não podemos fazer transferência de escola. Falamos com o encarregado de educação para que perceba que o filho acabou de perder espaço de convivência interna e a partir daí vai ter grandes dificuldades de relacionamento com os pares. Porque é o que se verifica. São excluídos».

Tais declarações suscitaram um pedido de esclarecimento do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, sobre discriminação dos alunos homossexuais naquela instituição militar que levou à demissão do Chefe do Estado-Maior do Exército, dado que «o Ministério da Defesa Nacional considera absolutamente inaceitável qualquer discriminação, seja por questões de orientação sexual ou quaisquer outras, conforme determina a Constituição e a Lei.».

O Chefe de Estado-Maior do Exército por considerar que não tem estatuto para ser sujeito a este tipo de explicações ao ministro da tutela, apresentou a sua demissão.

Acontece que as Forças Armadas estão submetidas ao poder político e como tal têm que obedecer às condicionantes que este lhes impõe. O ministro da Defesa tem autoridade sobre o poder militar e cumpre-lhe exercê-la. Foi o que fez e bem na minha opinião.

O que na realidade começa por configurar uma tremenda discriminação é a existência destes estabelecimentos de ensino (Colégio Militar e Pupilos do Exército), cujo acesso é só por si já discriminatório (os filhos dos militares pagam muito menos que outros alunos).

Refira-se que 2013 as três instituições de ensino (Colégio Militar, Colégio de Odivelas e Pupilos do exército) custavam anualmente 18 milhões de euros ao erário público e tinham uma receita de apenas 3,6 milhões! O Estado concluiu ainda que com cada aluno do Colégio Militar, por ano, gastava mais três mil euros do que noutra escola!

Acho tremendamente injusta esta lógica de casta, sobretudo em estabelecimentos de ensino públicos, que são geridos com dezenas de milhões de euros provenientes do Orçamento de Estado, ou seja dinheiro dos contribuintes! Faz pouco sentido a continuação daquelas instituições militares, vocacionados para formar elites com dinheiros provenientes do erário público, numa altura em tem verificado o fecho de inúmeras escolas, por critérios economicistas e demográficos.

Convertam aquelas instituições em estabelecimentos de ensino privado e ai poderão adotar as regras que muito bem entenderem.

Qua | 13.04.16

Ronaldo opera remontada e qualifica Real Madrid

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Depois da derrota de 2-0 na Alemanha frente ao Wolfsburg, no Santiago Bernabéu os merengues deram a volta ao resultado.

Cristiano Ronaldo, quem mais? marcou os três golos que carimbaram a passagem do Real Madrid às meias-finais da Liga dos Campeões. Que grande jogador!

O internacional português totalizou três hat-tricks na presente edição da prova milionária, algo inédito na competição, além de ter ficado apenas a um golo de igualar o seu próprio recorde numa só edição da Champions League.

No total, Ronaldo é o melhor marcador de sempre da Liga dos Campeões, contando agora 93 golos, contra os 83 de Messi.

No final da partida, Ronaldo desejou apanhar o Benfica nas meias-finais, «porque é uma equipa portuguesa» afirmou. Os encarnados jogam esta quarta-feira em casa, em desvantagem na eliminatória, dado que perderam em Munique, no terreno do Bayern, por 1-0.

Dom | 10.04.16

E se fosse eu?

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A Plataforma de Apoio aos Refugiados desafiou os alunos a colocarem-se no papel de um refugiado e a decidirem o que colocariam nas suas mochilas se tivessem de fugir para outro país. Este era naturalmente um exercício meramente especulativo que visava confrontar as crianças com a hipótese de muitas vezes não haver tempo para preparar a mochila, em caso de catástrofe natural por exemplo.

Depois do desafio lançado pela Plataforma de Apoio aos Refugiados, a RTP fez a mesma pergunta a várias figuras públicas, entre as quais Joana Vasconcelos. A artista plástica respondeu: «levava o meu caderno, para poder fazer desenhos. O meu iPad. Levava o phones para ouvir música. Os meus lápis para fazer desenhos. Os meus óculos de sol, todas as minhas joias portuguesas. Levava as lãs e a agulha para qualquer eventualidade e o meu iPhone para poder comunicar com o mundo».

Estas palavras caíram mal na opinião pública que considerou despropositadas as prioridades de Joana Vasconcelos, especialmente se pensarmos nas condições em que vivem os refugiados. As reações nas redes sociais não se fizeram esperar. 

Eu própria quando visualizei o vídeo, confesso que também fiquei um bocado espantada. Pensei cá para mim:-  Olha que mulher fútil! Joias, telemóvel e tablet? Mas depois comecei a questionar, e se fosse eu, o que levaria na mochila?  E quanto mais pensava na pergunta, mais difícil era dar uma resposta. Primeiro pensei em bens essenciais como alimentos, roupas, documentos e outros bens com valor estimativo. Posteriormente ponderei, então e o telemóvel? Será que conseguiria deixar o telemóvel em casa, quando tivesse que procurar uma nova vida noutro país e falar com os que me são próximos? E o iPad? Certamente daria jeito para comunicar com o mundo.

E as agulhas e as malhas? Claro que isso não seriam as minhas prioridades. A realidade, as condições de vida e necessidades de Joana Vasconcelos são diferentes das minhas e das demais pessoas. Ora, se esses materiais são essenciais à atividade profissional da Joana Vasconcelos, acho normalíssimo que quisesse levar. Eu preferiria levar um livro e um caderno, mas isso sou eu que não sou artista plástica.

A verdade é que é fácil atacar, é fácil ir na onda, é fácil chamar fútil ou superficial a alguém. Mas acredito que, se em vez de criticarmos, pensarmos primeiro na nossa resposta à mesma pergunta, talvez nos surpreendamos. Depois é difícil colocar-nos na pele de um refugiado porque nós não nos confrontamos com o mesmo tipo de dificuldades.

Creio que o mais importante nisto como em tudo, é sermos capazes de estar numa posição em que respeitamos as escolhas do outro, desde que o bem-estar de alguém, não coloque em causa o nosso. Agora se gosta de levar óculos de sol, tablets, telemóveis ou agulhas, penso sinceramente que isso será um problema de somenos e que só a ela lhe dirá respeito.

Enquanto investimos tempo na crítica a estas escolhas, passa-nos ao lado milhares de outros detalhes que levam à existência de refugiados e das soluções que existem para os ajudarmos.

Qui | 07.04.16

As bofetadas de João Soares

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Após este lamentável comentário de João Soares na rede social facebook, fica patente a ausência de bom senso e a dificuldade do ministro conviver com a liberdade de expressão num regime democrático. Parece-me, por isso, faltar-lhe condições para continuar a exercer o cargo de ministro da Cultura. 

Qua | 06.04.16

Faz hoje cinco anos que pedimos ajuda ao FMI

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Faz hoje precisamente cinco anos que Portugal pediu ao FMI e à União Europeia uma ajuda financeira de emergência, como contrapartida pelo empréstimo de 78 mil milhões de euros.

O pedido de ajuda ocorreu no dia 6 de Abril de 2011 depois de a oposição ter chumbado em bloco o PEC IV.

A situação económica e financeira internacional teve repercussões a nível nacional. Portugal viu as taxas de juro subirem de forma expressiva. Era necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à atual situação política ou de medidas a nível europeu que pudessem alavancar a economia nacional. José Sócrates acordou um compromisso político com a chanceler alemã. Teríamos o apoio da Alemanha, no quadro europeu, para estancarmos a crise em Portugal. Era um programa preventivo à semelhança do que foi implementado em Espanha. Isto mesmo foi posteriormente confirmado por Teixeira dos Santos numa entrevista á TVI. O ex-ministro das Finanças acreditava que a «aprovação do PEC IV teria evitado o pedido de resgate».

Só que entretanto a direção do PSD, pela voz de Marco António, informou Passos Coelho de que das duas uma: ou haveria eleições no país, ou no PSD. Passos optou por sacrificar o país, com as consequências devastadoras que bem conhecemos.

Curiosamente, o FMI anunciou hoje que Angola solicitou um programa de assistência para os próximos três anos. Sabe-se que o país angolano enfrente há três anos uma forte crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra com a quebra da cotação internacional no barril de crude, o que levou o governo angolano a aprovar logo em janeiro uma estratégia nacional para fazer face à crise petrolífera, já que o país é extremamente dependente do petróleo, que representa 95% das receitas de exportação do país.

Angola é também um dos principais mercados das exportações portuguesas e um dos maiores investidores em Portugal. Portugal é um dos países que mais impacto terá com a crise angolana, com reflexos diretos na economia nacional e na vida dos portugueses.