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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 15.05.16

Para o ano há mais!

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E pronto o campeonato está decidido e só temos de nos penitenciar por isso (o Sporting perdeu demasiados pontos, sobretudo em casa, contra equipas teoricamente mais fracas). Os jogos com o Boavista, Tondela e Rio Ave e Guimarães foram prova disso.

Aponto algumas razões: William Carvalho não estava ao nível do que nos habituou noutras épocas; a defesa estava pouco segura, com exibições intermitentes e havia jogadores lesionados; Montero foi vendido ao desbarato e Téo chegou tarde e muito abaixo que havia rendido no início do campeonato.

A equipa melhorou bastante com as contratações do mercado de inverno, Coates e Rubem Semedo vieram dar outra consistência à defesa, Schelotto, Marvin e Bruno César deram outra dinâmica à equipa e William e Téo Gutierrez foram subindo de rendimento.

No cômputo geral o SCP fez um enorme campeonato: merecia ter ganho o título; não ganhou, ficando num brilhante segundo lugar com 86 pontos. É verdade que acabamos esta época por apenas ganhar a Supertaça (embora seja importante não esquecer que fomos afastados indecentemente quer da Liga dos Campeões como da taça de Portugal...) mas no campeonato, além de garantirmos o 2º lugar e o consequente apuramento direto para a Liga dos Campeões, batemos o recorde do maior número de vitórias da história do Sporting e isso não é de somenos!

Gostaria de partilhar convosco este texto de Nicolau Santos  do Expresso, que sintetiza a época do Sporting.

Sex | 13.05.16

«Costa 3, Ferreira 0»

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 «Estive a ver a entrevista de António Costa na SIC.

 O que mais me chamou a atenção foi a postura do entrevistador, o pafioso Gomes Ferreira.

 Nenhuma das perguntas que trazia na manga tinha implícitos quaisquer pressupostos de sucesso para o Governo e daí – esquece o personagem -, para o País. O estilo foi mais ou menos este:

Dr. António Costa há uma cobra a sair do bolso da Comissão Europeia, por causa do deficit excessivo, como pretende matá-la? Eu acho que não tem fisga para tanto.

Dr. António Costa o desemprego está a aumentar, as exportações caem, o investimento cai, em suma, o senhor diz que não é bem assim e que as causas não tem a ver com a atual governação e que o crescimento vai ocorrer mas eu não acredito.

Dr. António Costa, tem-se dado muito bem com o Dr. Marcelo, mas olhe que nessa história dos colégios privados, eu acho que ele vai discordar de si, e vai-se acabar a lua-de-mel.

 Dr. António Costa, quanto quer receber pelo Novo Banco? A banca quer que o Novo Banco seja nacionalizado porque lhe convém, e o Governo vai fazer a vontade aos banqueiros. Aí está mais uma manobra oculta aos olhos dos portugueses.

Em suma, o pafioso Gomes Ferreira mais parecia o chefe da oposição a querer destruir as explicações e os argumentos do Primeiro-Ministro. Seria ele capaz de fazer uma entrevista, no mesmo tom truculento a Passos Coelho ou ao irrevogável Portas?

A Direita, quando as coisas correm bem quer que elas corram menos bem, quando as coisas correm menos bem quer que as coisas corram mal. Espécie de arautos da desgraça, trombeteiros do apocalipse.

O que esta solução governativa veio mostrar, com o ineditismo da aliança à esquerda, foi que a Direita só poderá vir a ser poder de novo em Portugal num hipotético cenário de catástrofe financeira e económica. Pois bem, é esse o cenário que a Direita almeja e para o qual trabalha com ímpeto e afã, quer no plano nacional quer no plano internacional, de forma a poder regressar ao poder que perdeu e às prebendas a que acha que tem direito, por direito de berço ou de unção divina.

Como a realidade nunca mais sai do sítio, como a desgraça nunca mais se concretiza, a Direita empurra o que pode para que a realidade funerária que ela adora se concretize.

António Costa foi respondendo a todas as provocações, implícitas ou explícitas, com a bonomia de um santo homem, tendo como objetivo desmontar a narrativa da desgraça, substituindo-a por uma proclamação de serenidade e confiança, que é o que o País precisa, e os portugueses merecem.

Dou os meus parabéns ao Primeiro-Ministro. Eu não teria paciência para aturar o pafioso Ferreira com a tranquilidade e a boa cara com que ele o fez. À primeira pergunta teria posto logo o personagem em sentido, ainda que reconheça que isso seria um grave erro político que a Direita exploraria até à náusea, e que o Ferreira se esforçou por provocar com insistência.

Mas claro, ó Ferreira, ainda és muito novinho para conseguires tourear o António Costa e conseguires tirá-lo do sério. Ainda andavas de cueiros e já ele tinha quilómetros de debates políticos, entrevistas e declarações públicas.

Eu se fosse ao Balsemão despedia-te, ó Ferreira, porque acabaste por dar um grande tiro no pé, já que o resultado do prélio foi: Costa 3, Ferreira 0 e virou-se o feitiço contra o feiticeiro. A geringonça está de boa saúde e recomenda-se e no horizonte não se vê borrasca a não ser aquela que a Direita catastrofista teima em anunciar todos os dia».

(Estátua de Sal, 11/05/2016)

Qua | 11.05.16

José Rodrigues dos Santos sobre a dívida pública

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Os socialistas insurgiram-se contra José Rodrigues dos Santos (JRS). Em causa está uma peça apresentada no telejornal ddo passado dia 2 de maio, onde o jornalista apresentou gráficos referentes à situação financeira do país.

A dívida pública, situada nos 130% do PIB, foi o seu principal enfoque, com o apresentador a acentuar o aumento verificado entre 2005 e 2011 (José Sócrates no Governo) e que este aumento teria um perfil diferente do aumento entre 2011 e 2015 ( Governo de Passos Coelho).

Fui, por curiosidade, visualizar a dita peça sobre a dívida pública e penso que o jornalista extravasou claramente a função informativa. JRS faz juízos de valor e nessa medida julgo exorbitou as funções para as quais estava qualificado, isto é para apresentar o Telejornal.

O que esperamos quando assistimos ao Telejornal é que nos informe sobre os acontecimentos mais importantes do País e do Mundo, coisa diferente de quando assistamos a um debate, onde são devidamente identificados o moderador, os comentadores, sem esquecer o contraditório.

A “informação” veiculada por JRS é parcial e tendenciosa. Ao invés de se limitar a ler as notícias, dá uma entoação retorcida, com variações de timbre de voz (consoante a sua opinião sobre o tema) e já nem falo naquele tique irritante de piscar o olho, nem nas piadas brejeiras com que muitas vezes termina a apresentação do Telejornal! O desempenho deste jornalista para além desagradável - não cabe nos cânones do jornalismo que se quer isento e rigoroso.

JRS como jornalista tem um código deontológico e uma conduta ética que deveria observar e respeitar. Mas não é a primeira vez que JRS nos brinda com peças do género. Já havíamos assistido a observações menos felizes do jornalista em causa, designadamente a propósito da Grécia e da eleição do deputado Alexandre Quintanilha para a Assembleia da República.

Que o cidadão JRS não goste do Partido Socialista em geral e de José Sócrates em particular é um direito que lhe assiste e que eu até aceito, agora que o jornalista JRS tenha esse sentimento e o demonstre em horário nobre e ainda por cima num canal de televisão público é que já me parece bastante mais grave e inaceitável.

Dom | 08.05.16

Passos Coelho nunca inaugurou «coisa nenhuma»

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 (imagem daqui)

Pedro Passos Coelho ao ser convidado pelo atual governo para estar presente na inauguração do «Túnel do Marão» afirmou que não iria até porque, segundo o próprio «nunca» esteve numa obra de inauguração enquanto liderou o Governo. «Nem de estradas, nem de autoestradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma. Estaria lá com certeza o senhor ministro da Economia em representação do Governo».

Não? É só consultar a Net, as imagens não deixam margem para dúvidas. Ainda há pouco, já depois de sair do governo, foi inaugurar uma escola construída há três anos com pin na lapela, ainda a sonhar que era 1° Ministro.

Estará Passos com amnésia, pensará que os portugueses são totós ou não têm acesso à internet?

Dom | 08.05.16

Jorge Sampaio contradiz Durão Barroso

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Muitos não esquecem da Cimeira das Lajes em 2003 e das suas consequências nefastas. Foi nesta cimeira que George W. Bush, Tony Blair, José Maria Aznar e Durão Barroso decidiram a invasão militar do Iraque supostamente para «eliminar as armas de destruição maciça» naquele país, contra tudo e contra todos.

Sabia-se, de antemão, que a ameaça de «destruição maciça» não se encontrava no Iraque, mas na própria base militar das Lajes, onde, na sequência do ultimato lançado nos Açores, começaram a soprar os ventos de guerra e que deu início ao longo e penoso conflito militar. 

Em entrevista ao semanário Expresso e à SIC, Durão Barroso afirmou que consultou o Dr. Jorge Sampaio, então Presidente da República, tendo este concordado com a realização da Cimeira das Lajes, que esteve na origem da invasão do Iraque, numa tentativa de vincular Sampaio à Cimeira das Lages.

O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, num artigo publicado no Público, diz que foi «inspirado pela leitura dos semanários de fim de semana», o que o levou a «fazer uma breve revisitação dos anos 2002-2003», e explica a sua versão dos factos:

«Costuma dizer-se que a memória é seletiva e que os relatos históricos são construções narrativas», escreve Jorge Sampaio, para de imediato contrapor que «as chamadas fontes em história permitem colmatar lacunas e reconstituir factos passados».

Afirma Jorge Sampaio que recebeu um telefonema de Barroso a solicitar uma reunião urgente. «Para minha estupefação, tratava-se de me informar que havia sido consultado sobre a realização de uma cimeira nos Açores, essa mesma que, nesse mesmo dia, a Casa Branca viria a anunciar para 16 de março, daí a pouco mais de 48 horas», lê-se no texto. «Não é preciso ser-se perito em relações internacionais para se perceber que eventos deste tipo não se organizam num abrir e fechar de olhos», declara Sampaio, para acrescentar que «também não é preciso ser-se constitucionalista, para perceber que não cabe ao Presidente autorizar ou deixar de autorizar atos de política externa».

O antigo Presidente da República corrige, em seguida, a versão dos factos de Durão Barroso, para assegurar: «transmiti claramente que, tratando-se, como o meu interlocutor afiançava, de uma derradeira e essencial tentativa para a paz e evitar a guerra, nada teria a opor».

Durão Barroso, como é público e notório seguiu um percurso de «primeiro eu e depois o país». Como se sabe, não teve pejo em abandonar o país, num momento particularmente difícil, para ocupar um cargo na Europa. Não sei se Barroso terá arquitetado todo este esquema das Lages como grande dose de calculismo, na presunção de que isso lhe traria dividendos e lhe abrisse as portas da Comissão Europeia? Agora o que é um facto é que a sua ascensão após a Cimeira das Lajes foi evidente. Serviu para a construção do seu perfil internacional e catapultou-o para a presidência da Comissão Europeia.

 

 

Sex | 06.05.16

Estado reduz financiamento a colégios privados

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O ministério da Educação decidiu estabelecer novas regras nos contratos de associação. Permite apenas que os alunos completem nos colégios o ciclo que atualmente frequentam.

Os contratos de associação foram estabelecidos com escolas particulares nos anos 80, para suprir as necessidades educativas em regiões do País onde a rede pública não chegava. As turmas abrangidas por este regime são totalmente financiadas pelo Estado e não implicam qualquer pagamento das famílias. Há atualmente 1.751 turmas frequentadas por mais de 45 mil alunos, do 7º ao 12º ano, que são financiadas com contrato de associação. Cada turma recebe 80.500 euros anuais do Estado.

Mas a realidade mudou entretanto. Se por um lado, todos os concelhos do país dispõem hoje de uma oferta pública de ensino, por outro, Portugal enfrenta um problema sério de índices de natalidade, ou seja o número de crianças tem vindo a decrescer desde finais do século passado.

O Governo anterior dentro da sua visão sobre a educação suprimiu 25 mil horários, colocando no desemprego mais de 10 mil professores, com a justificação de uma diminuição do número de alunos do público, cortando sempre mais no financiamento do ensino público do que no financiamento do ensino privado.

O atual governo pretende um redimensionamento do ensino particular e cooperativo abrangido pelos contratos de associação, no sentido da sua racionalização, o que permitirá direcionar todos os recursos financeiros disponíveis para a valorização da escola pública.

A decisão do executivo desagrada, obviamente, aos colégios e aos seus representantes que veem os seus lucros descer brutalmente (quem não se lembra das apropriações ilícitas do grupo de colégios «GPS»?) e, naturalmente, a muitos pais que já solicitaram audiências urgentes ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao presidente do Parlamento e aos grupos parlamentares, na sequência de um despacho que dizem violar o respeito pelos contratos com os privados.

Acontece que compete ao Estado gerir criteriosamente os recursos públicos e, por isso, não deve financiar escolas privadas onde exista capacidade instalada não aproveitada nas escolas públicas dentro da mesma área geográfica.

É claro que os pais deverão ter toda a liberdade de escolher o sistema de ensino para os seus filhos e optar pelo privado se assim o entenderem. A questão que se coloca aqui é tão só a seguinte: faz algum sentido que tal opção seja feita à custa dos impostos de todos nós?

Qui | 05.05.16

Jovem destrói estátua de D. Sebastião

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A estátua do rei D. Sebastião, localizada à entrada da estação do Rossio e enquadrada por dois arcos em forma de ferradura, como se vê na foto, símbolo mitológico do cavalo branco que, segunda reza a lenda, o rei que desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578, iria regressar montado no cavalo, numa manhã de nevoeiro, foi quebrada, depois de um jovem de 24 anos ter trepado para ao local a fim de tirar fotografias. A estátua acusou o peso, acabando por ser projetada para o chão, tendo ficado totalmente destruída.

Dois agentes no local que presenciaram a cena identificaram de imediato o jovem e o caso será alvo de notificação, sendo agora dado conhecimento ao Ministério Público, uma vez que se trata de uma estátua que se encontra num edifício classificado como património nacional.

Assim sendo, o jovem deverá ser acusado de crime contra o património, porque é disto que se trata. Para além da sanção financeira óbvia que terá que suportar, deverá ainda cumprir serviço cívico e comunitário para aprender a respeitar o espaço público e para que sua ação irrefletida sirva de exemplo a outros cidadãos.

Já agora que se aproxima o final do campeonato português de futebol, seria bom que as autoridades impedissem as costumeiras comemorações na estátua do Marquês de Pombal. O melhor local para festejar é, sem dúvida, o estádio de futebol dos respetivos clubes.

Ter | 03.05.16

Lisboa está a mudar!

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mw-1024.jpgAs obras de requalificação do eixo central Entrecampos-Marquês de Pombal, que abrange a Avenida da República, a Praça Duque de Saldanha e a Avenida Fontes Pereira de Melo, arrancam hoje e vão prolongar-se durante todo o ano de 2016. A Praça Duque de Saldanha será a última a ser concluída, no início de 2017.

Esta requalificação realizar-se-á em três frentes, sendo primeiramente intervencionado, em cada uma, o separador central, e só depois os passeios. Tais intervenções causarão naturais constrangimentos à circulação automóvel, naquele que é um dos eixos mais movimentados da capital, muito embora haja a garantia do Município lisboeta de que a circulação automóvel nunca será interrompida. Veja aqui os vários percursos recomendados pela autarquia para fugir ao trânsito enquanto se mantiverem as obras do eixo central de Lisboa.

O alargamento dos passeios e a instalação de ciclovias são algumas das intervenções previstas, num investimento que totalizará 7,5 milhões de euros. O projeto prevê que as praças Picoas e Saldanha sejam transformadas em praças que as avenidas da República e Fontes Pereira de Melo ganhem uma ciclovia em cada sentido e passeios mais largos. Na Avenida da República, as ciclovias ficarão, em cada sentido, entre o separador que divide o corredor central do lateral e o estacionamento. Será também aumentado o número de lugares disponíveis para cargas e descargas.

Os passeios mais largos abrirão mais espaço para os cidadãos desfrutarem da cidade, ou numa esplanada, ou a pedalar ou simplesmente a caminhar. O mesmo cenário será transposto na Praça Duque de Saldanha, onde, de acordo com o projeto, deixará de ser possível transitar de automóvel junto aos prédios e passará a existir uma rotunda interior, de menor dimensão. A mesma solução será aplicada em Picoas, onde os carros passarão a transitar apenas no corredor central da Avenida Fontes Pereira de Melo, que manterá as três vias. Estas duas intervenções inserem-se no programa «Uma Praça em Cada Bairro», uma iniciativa que visa converter 30 artérias da capital em locais de convívio ao ar livre.

Pese embora todos os constrangimentos, a qualidade do acesso automóvel nas cidades é fundamental para a sua competitividade - haverá mais empregos nas indústrias de restauração, hotelaria e turismo - mas para isso é necessário facilitar as acessibilidades, aumentar o espaço disponível à superfície com restaurantes e esplanadas para usufruto dos moradores e visitantes e assim tornar esta zona mais atraente e apetecível.

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