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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 16.01.17

Passos Coelho e a TSU

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Bem sabemos que a «coerência» em política é um termo que não tem grande credibilidade, já que os políticos afirmam, com uma enorme facilidade, uma coisa e o seu contrário.

 

Vem a propósito da descida da TSU para as empresas que está prevista no acordo de concertação social, como forma de compensá-las pelo aumento do Salário Mínimo Nacional. Tanto o BE como o PCP admitiram levá-la ao parlamento, caso o Governo insista na sua redução e Passos Coelho, espantem-se, também admitiu votar contra esta proposta ao lado dos partidos que apoiam a «geringonça», afirmando perentoriamente: «Não peçam o nosso apoio para isso. Se dentro da maioria não se entendem para resolver este problema e forem os próprios partidos da maioria a levar a questão à Assembleia da República, o nosso voto não têm. Isso que fique claro».

 

Independentemente da bondade da medida, e eu tenho algumas dúvidas da sua eficácia, certo é que Pedro Passos Coelho enquanto primeiro-ministro, sempre defendeu a descida da TSU para as empresas, ao mesmo tempo que baixava salários, com a justificação de fomentar a criação de postos de trabalho. É de facto surpreendente vir agora mudar de posição ao sabor do vento e das conveniências.

 

É que afinal Passos Coelho, pese embora a bandeirinha na lapela e a suposta pose de Estado que aparenta, não é senão é um líder fraco, que necessita de recorrer reiteradamente ao tacticismo e ao oportunismo político.

 

Ao alinhar com a extrema-esquerda parlamentar para derrotar o Governo, o PSD desrespeita o acordo de concertação social, à semelhança da CGTP — o único parceiro social a ficar fora do acordo de concertação —, mostrando ser uma oposição irresponsável, movida por ódios e vinganças, ficando assim responsável pela não aprovação da proposta no Parlamento.

Sex | 13.01.17

Viagem de António Costa à Índia

 

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O primeiro-ministro está na Índia, numa viagem com uma dimensão afetiva especial, uma vez que esta era terra do seu pai, Orlando Costa.

 

A viagem de Costa à Índia fez todo o sentido. O Primeiro-Ministro quer tirar proveito da sua ascendência indiana e promover a imagem de Portugal num mercado de elevado potencial (a índia tem um crescimento na ordem dos 8% ao ano). Portugal tem poucos interesses naquele país, o que não se entende, tendo em conta a História comum que liga os dois países.

 

Nesta visita de Estado, o primeiro-ministro faz-se acompanhar por cinco ministros - Negócios Estrangeiros, Defesa Nacional, Cultura, Economia, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e pelo secretário de Estado da Indústria.

 

Para o primeiro-ministro português, a relação entre Portugal e a Índia deve assentar numa parceira entre duas dimensões: a economia e a ciência.

 

Na área da ciência a comitiva visita a agência espacial e o Instituto de Tecnologia de Bangalore. No âmbito económico, António Costa e o Governo português definiram como prioridade nesta viagem à Índia, tirar partido da presença de algumas empresas nacionais que já operaram em território indiano (casos da Efacec, da Brisa ou da Visabeira) para ampliar a sua penetração neste mercado.

 

O segundo objetivo passa pelo estabelecimento de parcerias com empresas indianas, tendo em vista a entrada em mercados do sudeste asiático ou da África Oriental, onde a Índia já tem forte presença.

 

O Governo português tem neste capítulo grandes expectativas no que respeita a empresas portuguesas das áreas do ambiente (saneamento, recolha de lixo e abastecimento de água), da defesa (a Índia é um dos principais compradores mundiais de armamento) e das startups.

 

Recorde-se que as startups indianas já tiveram uma forte presença na última Web Summit que teve lugar em Lisboa, em novembro passado. Ainda no decurso desta viagem, no Instituto Universitário de Bangalore, juntamente com o secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos, António Costa participou num evento dedicado às statups, tendo assinado um memorando entre a MoU Statup Portugal e a Invest Índia.

 

Para além da dimensão económica e científica, Portugal aproveita esta visita para reforçar igualmente a relação política com a Índia, após o corte de relações, na sequência da invasão de Goa em 1961, que duravam há mais de 450 anos. Após esse corte,  a relação entre os dois países está agora pacificada. As visitas de Estado iniciaram-se com Mário Soares, depois com Cavaco Silva e uma visita com José Sócrates.

 

A viagem à Índia terminará em Goa com um encontro entre António Costa e empresários da indústria de cinema de Bollywood, numa tentativa para captar para Portugal investimentos desta importante indústria cinematográfica.

Qui | 12.01.17

Agasalhem-se!

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Vem aí um «frio de rachar», tudo por culpa de uma superfície frontal fria que irá afetar Portugal nos próximos dias e provocar uma descida das temperaturas, em especial da mínima. Segundo informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a passagem de uma frente fria por Portugal continental vai levar a uma descida de 3 a 7 graus Celsius até ao início da próxima semana.

 

Apesar destas baixas temperaturas, ainda assim Portugal será dos países menos afetados por esta por esta onda de frio que tem afetado a Europa e que já provocou pelo menos 60 mortes.

 

A vaga de frio, proveniente da Escandinávia, tem-se alastrado pela Europa desde o passado fim de semana e, segundo a imprensa tem provocado mortes em países do Leste da Europa como República Checa ou Bulgária, sendo que os sem-abrigo e os migrantes têm sido os mais atingidos.

 

Sou suspeita, gosto do tempo frio. Não gosto de chuva, mas gosto do frio.

 

Gosto das árvores nuas e das folhas caídas no chão. Gosto dos casacos compridos, das camisolas quentinhas, das luvas e dos cachecóis coloridos.

 

Gosto das roupas do Outono/Inverno. Das saias pelos joelhos, dos vestidos de lã, dos collants opacos, das botas de cano alto e meio cano.

 

Gosto dos castanhos e dos pretos conjugados com cores e acessórios mais alegres.

 

Adoro um chá com scones. Gosto de um leite com chocolate e torradas, saboreados ao lanche, sem pressa, ao fim de semana.

 

Por isso, venha o frio. Estaremos cá para o receber.

 

Ter | 10.01.17

As críticas dirigidas a Mário Soares

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Mário Soares será recordado como um dos maiores políticos portugueses de sempre. Será sempre lembrado como um lutador, um combatente pela liberdade e um construtor da nossa democracia, foi esse o grande legado que nos deixou. E por isso mesmo na hora da sua morte deveria haver um certo respeito pela sua memória.

 

Porém, não é isso que se verifica. Se por um lado muitos demonstram consternação pelo seu desaparecimento, e isso foi visível nas ruas por onde o cortejo fúnebre passou e pelos milhares que se dirigiram ao Jerónimos para lhes prestar a última homenagem, há os que destilam um profundo ódio nas redes sociais pela figura de Mário Soares.

 

As críticas provêm sobretudo de dois grupos distintos: de um lado, de saudosistas do antigo regime e de outro, os retornados do ultramar que nunca perdoaram a Soares nem a Almeida Santos a forma como foi conduzido o processo de descolonização.

 

Mas são sobretudo do primeiro grupo donde provêm as mensagens mais hostis. As críticas a Soares são acompanhadas com histórias sobre a alegada profanação da bandeira nacional, sobre o «caso Emaudio» e sobre a Fundação Mário Soares.

 

Calcula-se que os autores dos posts a denegrir e a insultar Mário Soares não pensem, por um segundo sequer, que um dos principais motivos porque podem emitir tais "opiniões" é porque Soares lutou uma vida inteira para que o pudessem fazer.

 

Mas, o mais preocupante de tudo isto são estes sentimentos e estas emoções negativas serem o espelho do nacionalismo ideológico que por esse mundo conseguem fazer eleger Trumps, Le Pens, Farages e quejandos.

 

Diria também que também aqui o populismo nacionalista faz o seu caminho e não é imune ao que se passa noutras regiões do mundo.

Ter | 10.01.17

Simply the best!

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Cristiano Ronaldo ganhou mais um prémio. Desta vez foi o de melhor jogador do mundo em 2016. O capitão da seleção nacional agradeceu o troféu a todos os companheiros da equipa portuguesa, aos treinadores e aos jogadores do Real Madrid, afirmando que: «o ano de 2016 foi o melhor ano da minha carreira. Depois daquilo que eu ganhei, tanto na seleção como no meu clube, eu não tinha dúvidas que podia ter ganho, como ganhei este troféu», disse Cristiano Ronaldo na cerimónia, visivelmente feliz.

Parabéns, grande capitão, és o maior!

                                                                                                                                       

Seg | 09.01.17

E a vírgula?

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A Câmara de Lisboa precisa urgentemente de alguém que lhe reveja e corrija os textos. Depois de um erro em inglês nos cartazes da Web Summit, a edilidade colocou por toda a cidade 500 mupis com a inscrição «Obrigado Mário Soares», em homenagem ao antigo chefe de Estado português.

 

O sentido da frase implícita nos cartazes é que Mário Soares foi obrigado e penso que não é isso que se pretende afirmar, mas sim fazer um agradecimento ao antigo Presidente da República.

 

Para a próxima convinha escrever «Obrigado, Mário Soares». E não, não é um preciosismo. É que a falta de uma simples vírgula faz toda a diferença, porque muda completamente o significado da frase.

Seg | 09.01.17

Globos de Ouro 2017

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Realizou-se ontem a 74.ª edição dos Globos de Ouro, no Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, que contou com a presença de algumas das mais conhecidas estrelas de Hollywood.

 

Os Globos de Ouro, prémios do cinema e da televisão atribuídos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, são vistos, habitualmente, como uma antecâmara dos Óscares.

 

O filme La La Land conquistou sete galardões nos Globos de Ouro, vencendo em todas as categorias para que estava nomeado.

 

La La Land, uma homenagem aos musicais da época dourada de Hollywood, foi considerado o melhor filme na categoria de comédia ou musical, e arrecadou também prémios de melhor realização - Damien Chazelle -  e melhores interpretações masculina e feminina, para Emma Stone e Ryan Gosling. O filme venceu ainda os prémios de melhor argumento (Damien Chazelle), melhor banda sonora original (Justin Hurwitz) e melhor canção (City of Stars).

 

O vencedor na categoria de melhor drama foi Moonlight, primeira longa-metragem de traços biográficos de Barry Jenkins.

 

Casey Affleck venceu na categoria de melhor ator de drama em Manchester by the Sea e Isabelle Huppert na mesma categoria feminina, pelo desempenho em Elle, filme que conquistou também o galardão de melhor filme estrangeiro.

 

Os prémios de melhor atriz e ator secundários foram para Viola Davis em Fences e Aaron Taylor-Johnson em Animais Noturnos.

 

Na televisão The Crown venceu a categoria de melhor série dramática e Atlanta a melhor série de comédia.

 

O momento alto da noite coube a Meryl Streep, vencedora do prémio carreira, Cecil B. DeMille, a qual teceu duras críticas Donald Trump, sem nunca pronunciar o nome do Presidente eleito.

 

Meryl lembrou o episódio em que Trump gozou com Serge Kovaleski, repórter do New York Times e deficiente físico. «Isso partiu-me o coração, e eu não me consegui recuperar, porque não era um filme, era real. Esse instinto de humilhar quando vem de alguém numa plataforma pública afeta de vida de todos, porque dá permissão para que outros façam o mesmo», disse Meryl Streep emocionada, acrescentando, ainda que «o desrespeito convida o desrespeito e a violência incita a violência», continuou. «Quando os poderosos usam sua posição para intimidar os outros, todos nós perdemos».

Sab | 07.01.17

Obrigada, Dr. Mário Soares

 

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Faleceu hoje Mário Alberto Nobre Soares, depois de quase um mês de internamento no Hospital da Cruz Vermelha. A notícia ainda que esperada, não deixa de ser perturbadora. Soares foi considerado o «pai da democracia» pelo muito  que lhe devemos na construção do regime democrático do país e na restauração das liberdades. Sem Mário Soares este país não seria seguramente o mesmo.


Mário Soares nasceu em Lisboa, a 7 de Dezembro de 1924. As ações políticas que encetou contra o Estado Novo desde os tempos de estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa tiveram como consequência ter sido preso 13 vezes pela PIDE (polícia política) e ainda ter sofrido, em 1968, uma deportação para São Tomé. Tendo concluído, em 1951, a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas iniciou, na mesma Universidade, o Curso de Direito, tendo-o concluído em 1957.

 

Como advogado, defendeu, em tribunais plenários, inúmeros opositores ao regime. Combateu nas lutas da oposição democrática ao regime anterior, nomeadamente nas campanhas eleitorais da CEUD e da CDE. Devido às constantes perseguições que a polícia política lhe fazia, viu-se obrigado, em 1971, a refugiar-se em Paris.

 

Foi um dos fundadores, em 1973, do Partido Socialista, do qual foi o primeiro secretário-geral. Regressou a Lisboa em 1974, logo após o derrube do regime, tendo sido chamado a desempenhar as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros, no âmbito das quais desenvolveu negociações conducentes à independência das colónias portuguesas.Muitos não lhe perdoam a forma como conduziu o processo de descolonização. Mas, com as forças militares desmotivadas e cansadas, e quando na rua o povo gritava «nem mais um soldado para as colónias» não vejo como teria sido possível acordar um cessar-fogo sem como moeda de troca dar a independência às antigas colónias. Era rumar contra a história.

 

A seguir ao 25 de Abril, opôs-se à tentativa das forças militares radicais, afetas ao PCP, no sentido de reverterem a revolução num regime totalitário de esquerda, que culminou na derrota daquelas forças em 25 de Novembro.

 

Foi primeiro-ministro de 1976-1978 e de 1983-1985. Negociou, de 1977 a 1985, com pleno sucesso, a entrada de Portugal na CEE - Comunidade Europeia (atual União Europeia). Foi presidente da República, dois mandatos sucessivos, de 1986 a 1996, tendo iniciado as chamadas presidências abertas, durante as quais percorreu muitas regiões do país, auscultando diretamente as aspirações e as reclamações populares, dando assim início a uma nova postura presidencial.

 

Desempenhou, posteriormente, as funções de eurodeputado no Parlamento Europeu.Ultimamente dedicava-se à escrita, à coordenação da Fundação a que deu o seu nome e à intervenção pública em inúmeros artigos da imprensa, congressos e debates.

 

O último ato político em que compareceu, foi em julho de 2016, quando o governo de António Costa decidiu homenageá-lo, num ato simbólico. A homenagem coincidiu com os 40 anos da posse do I governo constitucional saído do 25 de abril de 1974, presidido precisamente por Soares.

 

Mário Soares gostava de viver e teve uma vida cheia. Nenhumas dúvidas podem existir de que é a personalidade mais marcante do regime surgido a 25 de Abril de 1974, tendo sido decisivo em vários momentos fundadores desse mesmo regime.

 

O seu perfil de combatente infatigável desde os tempos da ditadura, que nem a prisão, o exílio ou agora o avançar dos anos conseguiram travar, foram fiéis ao lema: «só é derrotado quem desiste de lutar».

 

Quem não se lembra do célebre frente e frente com Álvaro Cunhal? Ao visualizar-se aquelas imagens facilmente se percebe os dotes políticos de Soares, bem como o seu carisma, e sobretudo a forma como sempre esteve do lado certo da história. No combate ao Estado Novo, na luta que travou contra o PCP, a seguir à revolução e, por último, no pedido de adesão à Comunidade Económica Europeia que afastou por muitos anos o PCP e a extrema-esquerda da governação do país.

 

Quer se goste ou não de Mário Soares, há que reconhecer a sua  enorme capacidade política, um faro e uma intuição invejáveis, até na forma como combateu o governo de Passos Coelho, já na parte final da sua vida. É certo que sempre se sentiu o dono do regime, mas a verdade é que o que lhe devemos supera e muito todas as suas falhas. Sou-lhe, por isso, profundamente grata. Obrigada, Dr. Mário Soares!

Sex | 06.01.17

Dia de Reis

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 ADORAÇÃO DOS MAGOS, Diego Velazquez, 1619

 

Hoje comemora-se o Dia de Reis. De acordo com o Evangelho de São Mateus os reis magos - Gaspar, Belchior e Baltazar - teriam seguido uma estrela até chegarem ao «rei dos judeus», que tinha nascido em Belém. Ofereceram-Lhe, na ocasião, e segundo este relato, ouro, incenso e mirra. É por essa razão que, nalguns países (Espanha, por exemplo), a troca de presentes de Natal se faz apenas na noite de 5 para 6 de janeiro, e não de 24 para 25 de dezembro como no nosso país.

De acordo com algumas interpretações, a expressão «magos» referia-se a sábios e não propriamente a reis. E muitos viram nestes viajantes a representação de outros povos situados em territórios longínquos, isto é, os reis representativos dos três continentes que na altura eram conhecidos: Europa, África e Ásia.

Com a chegada do Dia de Reis, estão oficialmente encerradas as festividades do Natal e do Ano Novo. Apesar de ser uma data mais comemorada no país vizinho, nós, por cá, temos por cá algumas tradições: hoje é dia de comer Bolo Rei e de se cantar as Janeiras. Depois disso, há que arrumar as decorações de Natal e esperar por mais um ano.