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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 05.01.17

«A Taça Lucílio Baptista nunca se há de endireitar»

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«O Sporting foi ontem afastado da final four da Taça Lucílio Baptista porque a média etária da sua equipa era superior à da do Vitória de Setúbal. É um critério como qualquer outro. E está contemplado no regulamento. Talvez fosse melhor que fosse beneficiada a equipa com mais jogadores portugueses em campo. E aí o Setúbal ganhava de goleada.

 

Em qualquer caso, a Taça Lucílio Baptista há-de sempre ser recordada não pelos vencedores mas pelas lamentáveis arbitragens com que todos os anos são brindadas as equipas que participam no torneio.

 

Na terça-feira, a fava saiu ao FC Porto no jogo contra o Moreirense. Dois penáltis por assinalar e duas expulsões, a primeira das quais – a de Danilo – há-de entrar para o primeiro lugar dos casos mais ridículos da arbitragem portuguesa.

 

Na quarta-feira, foi a vez do Sporting. O menor problema não foram os dois cantos a favor do Sporting que ficaram por marcar; ou os foras de jogo assinalados que afinal não eram; ou o golo invalidado por suposto fora de jogo de Campbell logo no início do segundo tempo. O pior mesmo, honrando esse extraordinário árbitro que foi Lucílio Baptista, o homem que apitava por intuição, foi o penálti assinalado aos 94 minutos contra o Sporting. Ele há penáltis duvidosos. Ele há penáltis claros. E ele há penáltis que não lembram à mente mais abstrusa – a não ser que essa mente pertença a um tal Rui Oliveira, árbitro da Associação de Futebol do Porto.

 

Dito isto, o Sporting deu meia parte ao Setúbal e um golo de canto, que é uma coisa que já não se usa. Mas colocar a jogar Markovic é o mesmo que dizer que jogamos com dez. Diz o presidente Bruno de Carvalho que o homem vai explodir. Olha que bom! Mas talvez valha a pena sugerir-lhe que vá explodir para bem longe – porque, pelo andar da carruagem, o bom do Markovic vai passar uma temporada em Portugal sem fazer um jogo de jeito. E assim ao intervalo lá ficou o homem nas cabines, bem como o Bryan Ruiz, que continua a jogar como um peixe fora de água em relação ao que produziu na época anterior.

 

Com estes dois em campo, o Sporting, na prática, jogava com nove contra onze e deu 45 minutos de avanço ao Vitória que fez o 1-0. Na segunda parte, com as entradas de Bas Dost e Gelson, a música foi logo outra, mas não deu para mais do que chegar ao empate – e para comprovar também que o André falha golos que, como diria o saudoso Jorge Perestrelo, 'até eu marcava como a minha barriguinha'.

 

Ou seja, está na altura de perguntar se o Palhinha, o Geraldes ou o Matheus não são melhores que o Markovic e o André. E se não será bom pedir o seu regresso e despachar alguns dos monos que comprámos na última abertura do mercado e que até agora tão péssima conta de si têm dado.

 

Pelo menos com estes não éramos eliminados da Taça Lucílio Baptista devido à média etária, mas apenas pelos grosseiros erros de arbitragem, característica que faz parte integrante desta competição. E não dávamos outra vez meia parte de avanço ao adversário para ver se o Markovic ou o Elias encarreiram.

 

Uma última nota: já só nos restam a Liga (e o Benfica está longe…) e a Taça de Portugal. Se não ganhar nenhuma (e para a Taça temos uma ida a Chaves que é perigosíssima), como fica Jorge Jesus no final da época? E Bruno de Carvalho?»

 

 

NICOLAU SANTOS - Director Adjunto - jornal Expresso

 

Ter | 03.01.17

Generosidade com generosidade se paga

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No verão, na época dos incêndios, um casal de Avanca, Estarreja, Paulo Pereira e Lucinda Borges, andou a distribuir água pelos automobilistas retidos na autoestrada, quando um incêndio cortou a A1 durante cinco horas.

 

Estavam cerca de 40 graus e os condutores estavam sem comida, bebida e sombra para suportar o calor que se fazia sentir. De pronto, o casal recorreu aos estabelecimentos mais próximos e terá comprado cerca de mil litros de água para oferecer aos automobilistas.

 

Várias testemunhas afirmam mesmo que Lucinda e Paulo recusaram qualquer tipo de ajuda pecuniária: «vimos a sensação de bem-estar nas pessoas, esse é a maior compensação que podemos ter», garantiram.

 

Não fosse as novas tecnologias e provavelmente este ato de tamanha generosidade ficaria apenas retido na memória de quem lá esteve e vivenciou este episódio. Felizmente, uma das automobilistas, que estava no local filmou e divulgou-o nas redes sociais. A história foi também veiculada na comunicação social.

 

Ironia do destino, em apenas cinco meses a vida deste casal mudou. Agora são eles que precisam de ajuda. Paulo perdeu o emprego e Lucinda enfrenta uma doença grave. O casal de Estarreja tem uma filha pequena e sem qualquer rendimento está a ser difícil fazer frente às dificuldades.

 

Após a divulgação notícia pelo JN, a ajuda não tardou e foram várias as ofertas de comida, dinheiro, emprego e até de consultas em hospitais privados.

 

E ainda bem que assim é, porque este casal merece mesmo ser ajudado.

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