Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba.
Vergílio Ferreira
A vinda do Papa Francisco teve um enorme significado. Independentemente da religião ou credo que cada qual professa, é impossível ficar indiferente a este homem. Porque que é uma lufada de ar fresco numa Igreja tantas vezes anacrónica; porque está constantemente a quebrar muros e barreiras; porque está sempre do lado certo da História e ao serviço dos mais necessitados; porque é um Homem de afetos; porque é um homem simples, com um estilo frugal de vida, despojado de luxos ofensivos e porque transmite uma mensagem de humanismo, de paz e de esperança.
Parecem coisas de somenos, mas têm uma enorme simbologia e significado e são um grande exemplo para todos os fiéis mas também para os não fiéis.
Por isso, é muito importante que reflitamos nas palavras do Papa, ontem, no Santuário de Fátima, focadas na Misericórdia e em Nossa Senhora. O Papa Francisco afirmou em Fátima que a Virgem Maria deve ser vista como uma referência para a vida espiritual dos católicos e não como uma «santinha» «a que se recorre para obter favores a baixo preço». «Na verdade, se queremos ser Cristãos, devemos ser marianos», afirmou, citando uma intervenção de Paulo VI.
Perante milhares de pessoas reunidas na bênção que antecede a procissão das velas, Francisco lembrou também «cada um dos deserdados e infelizes a quem roubaram o presente» e os «excluídos e abandonados a quem negam o futuro».
Na véspera da canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, o verdeiro motivo da sua visita, o Santo Padre exortou ainda os católicos a serem misericordiosos. «Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia», disse Francisco.
Na Capelinha das Aparições, junto à imagem de Nossa Senhora de Fátima, o Papa apelou aos peregrinos que ponham de lado «qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna» com «quem é amado».
Repetindo as suas preocupações em relação aos conflitos que ocorrem em diversas partes do mundo, como «bispo vestido de branco», pediu a Nossa Senhora para, «no mais íntimo» do seu «Imaculado Coração», que veja «as dores da família humana que geme e chora neste vale de lágrimas».
«Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco, da alvura branqueada no sangue do Cordeiro derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos», acrescentou.
Francisco fez esta oração depois de ter rezado perante a imagem de Nossa Senhora de Fátima durante perto de oito minutos, ao longo dos quais os milhares de peregrinos presentes no santuário, tal como o Papa, se mantiveram em silêncio.
Assunção Cristas aproveitou o debate quinzenal de ontem, no Parlamento, para anunciar num “rasgo” de populismo eleitoral que, caso fosse Presidente da Câmara de Lisboa, pretendia expandir a rede do metropolitano de Lisboa: não uma, não duas, não três, mas nada menos que 20 novas estações de metro em Lisboa. É obra!
Só falta agora Teresa Leal Coelho avançar com 30 ou 40 estações para Lisboa. É tão fácil prometer. Difícil é mesmo cumprir.
Seria ótimo para a mobilidade dentro da capital, mas seria bom que ela também referisse, já agora, de que forma pretende pagá-las. Porque, a menos que se descubra, entretanto, um poço de petróleo, algures, a medida é completamente irrealista, mas nada que ela não nos tenha já habituado. Quem não se lembra da medida revolucionária quando ela chegou ao ministério da agricultura? «Ministério de Assunção Cristas dispensa gravatas para poupar energia».
É cada vez mais difícil levar as propostas de Assunção Cristas a sério. Volta Paulo, estás perdoado.
Há muito que tinha deixado de ver o Festival da Canção e o Festival da Eurovisão. Lembro-me bem, quando era miúda, que esses dias eram um acontecimento importante em Portugal. O país parava, literalmente, para assistir na televisão ao certame.
Depois, ao longo dos anos, o festival da canção foi perdendo interesse, em grande parte devido à falta de qualidade das composições e dos intérpretes. Prova disso é que há anos que somos eliminados da final.
Mas este ano, Salvador Sobral conseguiu por, de novo, toda a gente a ver o festival da Eurovisão, expectantes com a sua canção. Se no ano passado ganhamos o Europeu de Futebol este ano também podemos ganhar a Eurovisão. Difícil? Sim, mas não impossível.
Com uma música composta pela sua irmã, Luisa Sobral, interpretou uma canção lindíssima - Amar pelos Dois - que a todos encantou e, com ela, voltamos a estar numa final do Festival da Eurovisão.
A canção portuguesa distinguiu-se, sem dúvida, das demais. Primeiro porque o Salvador foi o único que não cantou em inglês e depois porque dispensou todos os efeitos cénicos e pirotécnicos, criando um ambiente intimista: só ele, a sua voz e a sua presença para dar a ouvir ao mundo «Amar pelos Dois».
A atuação portuguesa foi a única feita fora do palco principal. Salvador Sobral «amou pelos dois» num palco mais pequeno e situado no meio do público. O público ouviu a sua interpretação e acendeu as luzes dos telemóveis para o acompanhar, respeitando o silêncio pedido pela organização durante a sua prestação.
Como disse o Ricardo Araújo Pereira sobre a participação de Portugal numa crítica ao festival da Eurovisão, na Mixórdia de Temáticas da Radio comercial, era apenas um «rapaz a cantar». E que bem que ele cantou!
Salvador Sobral voltará a interpretar o tema «Amar pelos dois», na final, que se realiza no próximo sábado em Kiev, na Ucrânia, com transmissão na RTP 1 e esperemos que lhe corra muito bem.
Li no Facebook. e achei genial. O dia 13 de maio vai ser um grande dia para Portugal. Para além da visita do Papa a Fátima para a canonização dos pastorinhos e da possibilidade do Benfica se sagrar já campeão nacional, há ainda uma provável prestação de Salvador Sobral no Festival da Eurovisão que se prevê memorável. Se isto não é a reedição de «Futebol, Fátima e Fado» em pleno 2017, não sei o que seja!
Emmanuel Macron foi eleito Presidente de na segunda volta das presidenciais francesas, batendo a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen . Nestas eleições mais que o futuro da França, jogava-se o futuro da Europa. Estava sobretudo em cima da mesa prosseguir na vinculação de França à União Europeia ou assumir uma rutura e um regresso a uma lógica nacionalista, caso Le Pen se sagrasse vencedora.
A escolha dos eleitores franceses foi clara. Uma maioria significativa de franceses uniram-se em torno da candidatura de Emanuel Macron, derrotando claramente a alternativa personificada por Marine Le Pen.
O que resulta de mais interessante e promissor no futuro Presidente da República é tratar-se de um centrista, europeísta, independente dos Partidos tradicionais, além de ser o mais jovem Presidente eleito em toda a história da República e o mais jovem de todos os Chefes de Estado em todo o mundo que prometeu no seu discurso de vitória «restaurar» os laços entre a Europa e os cidadãos, afirmando que defenderá «a França e a Europa».
Tem como principais desafios conseguir uma maioria parlamentar nas próximas legislativas e conseguir estancar o crescimento da extrema-direita.
Rui Moreira é mais um exemplo de autarca com tiques autoritários que se julga acima dos partidos. Não me pareceu descabido, como tenho visto escrito por ai, o facto de Ana Catarina Mendes dizer que «na noite eleitoral todas as vitórias dos candidatos do PS e das listas que o PS integra serão vitórias do PS».
O que me parece é que há muito que o autarca portuense teria vontade de rejeitar o apoio do PS. Precisava apenas de uma razão suficientemente aceitável para não ficar mal visto aos olhos do seu eleitorado. As declarações da secretária-geral adjunta do PS foram a gota de água ou talvez a oportunidade para descartar um apoio que era cada vez mais incómodo para Rui Moreira e seus acólitos.
Perante isto, não restava outra alternativa ao PS que não fosse apresentar um candidato próprio, o que aliás devia ter feito logo de início, e Manuel Pizarro afigurava-se como a escolha mais provável.
Se por um lado Pizarro é a escolha é acertada já que é uma pessoa «de uma enorme lealdade e competência» como foi afirmado pelo próprio presidente da Câmara do Porto, por outro, sendo um fervoroso apoiante de Rui Moreira, tem agora um problema acrescido, ou seja de como se distanciar da candidatura de Moreira, apontar as fragilidades do seu opositor e o que faria de diferente, caso ganhasse a Câmara do Porto, tarefa que se imagina complicada.
No meio desta narrativa há uma consequência lógica que é possível extrair para o futuro: por muito boas que sejam as relações pessoais e políticas, jamais se deve apoiar uma candidatura que não comungue dos mesmos princípios políticos.
A bem da clareza e da transparência devem existir listas próprias sujeitas a sufrágio eleitoral e posteriormente poder-se-ão eventualmente estabelecer acordos pós eleitorais.
O vídeo-árbitro estará presente na próxima época em todos os jogos do campeonato do principal escalão do futebol português, com recurso às imagens transmitidas pelo operador de TV responsável pela emissão de uma determinada partida. Em alguns casos pode ser decidida a instalação de câmaras adicionais.
A FPF vai investir perto de 2 mil euros por jogo, pouco mais de 600 mil por época no vídeo-árbitro. A este valor há ainda acrescentar os custos de instalação, na Cidade do Futebol, de um centro de monitorização onde irá funcionar o vídeo-árbitro. Contas feitas, os custos, a suportar na íntegra pela Federação, deverão rondar 1 milhão de euros.
Segundo as regras definidas pela International Football Association Board, o recurso às imagens de televisão pode ocorrer em quatro situações: nos casos de golo (se o vídeo-árbitro detetar alguma irregularidade deve comunicar ao árbitro principal que, ou acata de imediato a sugestão ou decide visionar as imagens junto à linha lateral para retificar ou manter a decisão inicial), em casos de penálti, expulsões e, por fim, nos erros de identificação de jogadores, por exemplo, para efeitos de sanções com cartões amarelos ou vermelhos.
A final da Taça de Portugal, já no próximo dia 28, entre o Benfica e o Vitória de Guimarães, vai recorrer a esta nova tecnologia.
Se por um lado é um facto positivo em prol da «verdade desportiva», por outro será contraproducente devido às inúmeras paragens no jogo. Porque quebra o ritmo do jogo e encurta o desafio. Depois, também porque o vídeo-árbitro não irá acabar com as polémicas em torno da arbitragem. Pois se já agora ao verem e reverem à posteriori várias vezes o mesmo lance os adeptos dos vários clubes chegam, invariavelmente, a conclusões opostas, por que raio é que com o recurso a um vídeo-árbitro as polémicas acabariam?
É que a polémica é intrínseca ao futebol e faz parte do próprio jogo. É graças a ela que se vendem jornais desportivos, que há inúmeros programas sobre futebol em todas as estações de televisão com audiências significativas, que se dá trabalho a vários comentadores “especialistas” que debitam umas coisas sobre o tema e que se enchem estádios de futebol. Por isso, não se iludam, continuarão a existir erros grosseiros e lances polémicos.
Um terço gigante pesando 540 quilos e medindo 26 metros de altura, obra de arte da artista plástica Joana Vasconcelos foi instalado no recinto do Santuário de Fátima.
A peça – encomendada pelo próprio Santuário para comemorar o centenário – recorda a aparição em Fátima aos três pastorinhos da Virgem Maria, que tinha em suas mãos um Rosário com contas brancas.
A obra intitulada «Suspensão» segue a linha de obras anteriores da autora realizadas há mais de 20 anos (não ser executada com panelas e tampas em inox ou tampões OB foi uma sorte). Tudo em grande escala a fazer jus à autora e à sua obra.