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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 10.07.17

Exoneração de três secretários de Estado

 

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Os secretários de Estado, Fernando Rocha Andrade (Assuntos Fiscais), Jorge Costa Oliveira (Internacionalização) e João Vasconcelos (Indústria) pediram ontem a exoneração de funções, uma vez que são suspeitos do «crime de recebimento indevido de vantagem».

 

Como é óbvio os secretários de Estado não deviam ter aceitado o convite da GALP para ir ver os dois jogos do Europeu de França no verão passado. Um membro do governo, que representa o Estado, não pode, nem deve aceitar convites de empresas que estão em litígio com o próprio Estado.

 

Quando se recebe um convite desta natureza deve previamente questionar-se a intenção de quem convida. Esta, para além das questões éticas subjacentes, é uma questão do mais elementar bom senso.

 

Os governantes certamente não avaliaram devidamente as consequências deste presente envenenado da Galp e entenderam que pagando o valor das viagens o caso estaria encerrado. Não estava.

 

A demissão afigurava-se uma inevitabilidade, como já aconteceu em muitos outros casos. Realmente não se entende por que é que só se consumou um ano depois.

 

A vida não está a correr nada bem a António Costa. Após a tragédia de Pedrogão e do assalto a Tancos, perde de uma penada, três secretários de Estado com peso dentro do governo: Rocha Andrade, um homem forte nas finanças e próximo de António Costa; João Vasconcelos, que se vem revelando uma pedra chave na área da inovação e do empreendedorismo e finalmente Jorge Costa Oliveira, com créditos firmados na internacionalização da economia. 

Qui | 06.07.17

Devem os ministros demitirem-se?

 

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Assunção Cristas pediu a demissão dos responsáveis pelas pastas da Defesa e da Administração Interna, na sequência do roubo de armas de Guerra em Tancos e da tragédia de Pedrógão Grande. Para a líder do CDS estes dois casos são exemplos da «crise de autoridade e de confiança», que fragilizam o país e para os quais têm de haver uma resposta.

 

Não querendo minimizar estes dois acontecimentos que na verdade são graves, como tive já oportunidade de referir, parece-me que em Portugal existe entre a classe política e alguma comunicação social a tendência de sempre que existe um problema de maior gravidade em qualquer área ou sector se levantar um coro de críticas ao governo, pedindo a cabeça do ministro da tutela.

 

É óbvio que as responsabilidades nos dois casos devem ser apuradas à exaustão e a culpa, se a houver, não pode morrer solteira, mas a demissão dos ministros para além do gáudio da oposição que benefícios trará ao país?

 

A demissão imediata seria certamente a saída mais fácil e mais cómoda para os eventuais responsáveis, porque livram-se de responsabilidades e caem no mundo do esquecimento, mas este não seria um ato de coragem, seria, pelo contrário, uma atitude de cobardia política, como aliás reconheceu a ministra da Administração Interna. Difícil é mesmo, quando algo acontece, ficar, arcar com as consequências, aceitar escrutínios sobre o que sucedeu e correu mal e, finalmente, depois de todo o balanço efetuado assumir ou não a decisão de se demitir. Parece-me que esta será a atitude correta.

 

Curiosamente ou talvez não, os que exigem a demissão dos ministros vangloriam-se com estas pequenas vitórias irrelevantes com a finalidade de fragilizar o governo  e assim alimentam a (baixa) política deste país.

Qua | 05.07.17

Ridículo!

 

 

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O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, insurgiu-se com o Parlamento Europeu, depois de apenas 30 deputados terem comparecido num debate da Comissão, em Estrasburgo, dedicado a fazer o balanço da Presidência de Malta na União Europeia que o país assumiu durante o primeiro semestre do ano. Um número na verdade muito reduzido se tivermos em consideração que o Parlamento Europeu é composto por 751 eurodeputados.

 

«O Parlamento Europeu é ridículo, muito ridículo». «Vocês são ridículos», «o Parlamento é totalmente ridículo» foram os insultos que se ouviram de Juncker.

 

O presidente da Comissão afirmou que o facto de estarem apenas 30 deputados presentes neste debate demonstra que «o Parlamento não é sério», perante uma plateia quase vazia, salientando que, se em vez do Presidente de Malta estivesse a chanceler, Angela Merkel, ou o presidente francês, Emmanuel Macron, seguramente o Parlamento estaria repleto, afirmando que não voltará a estar presente numa reunião deste tipo.

 

Obviamente que Jean-Claude Junker tem alguma razão no que diz. Ele limitou-se a constatar um facto que é um sentimento partilhado certamente por muitos europeus: os plenários estão vazios e é vergonhoso que a instituição gaste o dinheiro dos contribuintes, mormente nos chorudos ordenados pagos aos deputados europeus e estes não cumpram com as suas obrigações.

 

Já agora é inadmissível que o Regimento do Parlamento Europeu não estabeleça um número mínimo de eurodeputados dos 28 países para estarem presentes no hemiciclo para que o plenário funcione.

Seg | 03.07.17

Medalha de Bronze

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A seleção portuguesa de futebol venceu  ontem o México por 2-1 e conseguiu o 3º lugar na Taça das Confederações. A seleção esteve a perder boa parte do jogo, mas acabou por empatar através de Pepe no fim do tempo regulamentar. No prolongamento, valeu-nos o  penálti decisivo, convertido ao minuto 104' por Adrien Silva, que nos permitiu ascender ao pódio da Taça das Confederações e conquistar a medalha de bronze.

 

Portugal teve uma participação positiva no torneio. Não perdeu nenhum jogo. Porém, no jogo com o Chile, nas grandes penalidades falhamos três (Quaresma, Moutinho e Nani). Ontem mesmo com o México, André Silva não conseguiu converter uma grande penalidade. E isso paga-se caro!

 

A Alemanha que se apresentou com uma equipa de ‘segundas linhas’ foi um justo vencedor. Apesar de ter tido pela frente um adversário (Chile) que lutou até final.

 

A Alemanha venceu por uma bola a zero e conquistou a Taça das Confederações, praticando um futebol rigoroso, criativo, seguro, a explorar os erros de um adversário talentoso, mas que se apresentou ontem demasiado nervoso.

Sab | 01.07.17

Furto de material militar em Tancos

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Uma das notícias que está a marcar a atualidade é o roubo de material militar das instalações militares dos Paióis Nacionais de Tancos.

 

Segundo informações oficiais foram roubadas: 120 granadas, 44 lança-granadas, 1.500 munições, 4 engenhos explosivos prontos a detonar, entre outro material.

 

No furto deste material de guerra guardado em Tancos, os assaltantes terão furado a rede circundante do terreno dos Paióis Nacionais de Tancos. Ficou-se a saber, no que respeita a medidas de segurança eletrónica, que o sistema de vídeo vigilância encontra-se inoperacional. A segurança no local faz-se apenas por rondas aleatórias. O Exército tinha já iniciado os procedimentos legais para a adjudicação da obra de implementação de vigilância e controlo de acessos eletrónico, de forma faseada, prevendo-se a disponibilização de verbas apenas em 2018 ao abrigo da Lei de Programação Militar.

 

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, já veio publicamente assumir a responsabilidade política do caso, o que não lhe retira menor gravidade.

 

É incompreensível como um armazem com granadas, munições e explosivos esteja sem videovigilância e à mercê de todo o tipo de assaltos! Porém, porque é não se recorreu a um empresa de segurança até as verbas estarem disponíveis? 

 

Numa altura em que se assiste a ameaças terroristas cada vez mais frequentes e sofisticadas, este facto assume proporções preocupantes, porquanto remete-nos para um clima de desconfiança e um receio objetivo  que se prende com a segurança de todos nós.

 

A segurança e a defesa dos cidadãos é uma das necessidades básicas de qualquer país. O pior que poderia acontecer neste momento é perdermos a confiança nos serviços que supostamente asseguram a nossa defesa e segurança.

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