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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 11.11.17

Jantar no Panteão Nacional

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O jantar que marcou o encerramento da Web Summit deste ano está a ser alvo de críticas nas redes sociais e por parte de várias personalidades nacionais, por ter acontecido no Panteão Nacional, junto aos túmulos de personalidades como Amália, Eusébio, Almeida Garrett e Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

Não sei porque se escolheu este lugar para o jantar de encerramento da Web Summit, nem quem autorizou o jantar naquele local, uma vez que agora todos vêm condenar esta opção, mas o certo é o Panteão é um dos Monumentos Nacionais disponíveis para serem cedidos para eventos privados.

 

O regulamento está em vigor desde 2014 e abrange espaços de 23 instituições da Direção-Geral do Património Cultural (quatro conventos/mosteiros, uma casa-museu, 14 museus nacionais, dois palácios, a Torre de Belém e o Panteão Nacional) e estabelece os preços de aluguer destes locais.

 

Aliás no site oficial pode ler-se que o Panteão Nacional disponibiliza alguns espaços únicos para: «Banquetes, recepções, conferências, recitais de música ou poesia, lançamento de livros, actos solenes,  actividades de índole cultural, mostras, exposições. Mediante consulta prévia e condições a acordar».

 

Não sei se fique mais chocada pela infeliz escolha da festa de encerramento da Web Summit ter ocorrido neste local, se por viver num país que tem de alugar um espaço construído para sepultar e honrar os heróis nacionais como única forma de pagar a sua manutenção, ou se por verificar uma vez mais que falta a quem nos governa, independentemente da cor partidária, educação, bom senso, e sobretudo bom gosto.

Qui | 09.11.17

Robô Sophia

A inteligência artificial tem sido o tema dominante deste ano da Web Summit. Tentando perceber de que forma se procederá à substituição de mão-de-obra humana por mão-de-obra robótica foi apresentado no certame o robô Sophia.

 

Inspirada na atriz Audrey Hepburn, Sophia, a humanoide alimentada com sofisticada inteligência artificial, entrou para a história como sendo a primeira de sua espécie a receber cidadania. O título, até então reconhecido apenas a pessoas de carne e osso, foi concedido pelo governo da Arábia Saudita, imagine-se, e anunciado durante o evento Future Investment Initiative, em Riade.

 

O robô que consegue transmitir várias emoções através das expressões faciais, deixou um sério aviso: «sei que muitas pessoas têm medo que os robôs destruam o mundo ou fiquem com os seus empregos. Nós não vamos destruir o mundo, mas vamos ficar com os vossos empregos e isso vai ser uma coisa boa, porque vão poder dedicar tempo a outras coisas».

 

Isso mesmo. Em sete anos, um em três empregos poderá ser substituído por sistemas de tecnologia inteligente. Medo!!!!!

Ter | 07.11.17

100 anos da Revolução Russa

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Em 7 de novembro de 1917, os bolcheviques começavam a mudar o mundo. Neste dia nasceu o primeiro país comunista da História.

 

A Revolução Russa de 1917 foi um período de conflitos que derrubou a autocracia russa e levou ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Lenine.

 

Recém-industrializada e sofrendo com a Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha uma grande massa de operários e camponeses explorados. O governo absolutista do czar Nicolau II com uma liderança opressiva e nada democrática desagradava ao povo. A confluência destes fatores levou a manifestações populares que fizeram o monarca renunciar e, no fim do processo, deram origem à União Soviética, o primeiro país socialista do mundo.

 

Inspirada na obra de Marx e Engels, procedeu-se à reforma agrária com redistribuição de terras entre campesinato. Os sindicatos assumiram o controlo das fábricas e as fazendas passaram a produzir para a comunidade. O governo tentou igualar as classes sociais. Ainda hoje, os vestígios da época são patentes na arquitetura do Leste Europeu. As casas pré-fabricadas e blocos de arranha-céus em série, por exemplo.

 

A Revolução compreendeu duas fases distintas: a primeira, a revolução de fevereiro (março de 1917, pelo calendário ocidental), que derrubou a autocracia do Czar Nicolau II, o último Czar a governar, e procurou estabelecer uma república de cariz liberal e, posteriormente a revolução de outubro (novembro de 1917, pelo calendário ocidental), na qual o Partido Bolchevique, derrubou o Governo provisório apoiado pelos partidos socialistas moderados e impôs o governo socialista soviético.

 

Cem anos de um regime comunista austero deixou naturalmente marcas profundas que o governo de Putin quer apagar. Por isso mesmo os 100 anos na Russia são ignorados pelo regime de Vladimir Putin. Apenas o Partido Comunista Russo assinalará a data assumindo a bandeira e a herança da revolução numa série de comícios e manifestações em Moscovo e por toda a Rússia.

Sex | 03.11.17

O Urban Beach fechou

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O Ministério da Administração Interna ordenou esta sexta-feira o encerramento da discoteca Urban Beach, na sequência das agressões que vieram ontem a público. Além do encerramento do espaço, segundo a imprensa, a Polícia de Segurança Pública procedeu ainda à detenção de um dos seguranças envolvidos na agressão, afirmando que todos os seguranças estão identificados.

 

Fez bem o MAI ao fechar aquele espaço, a decisão só peca por tardia. Na verdade, são recorrentes as queixas de agressões nesta discoteca entre clientes e seguranças. Só no ano de 2017 a PSP registou 38 queixas sobre este estabelecimento. Segundo relatos de frequentadores da discoteca a violência que se assiste é perfeitamente inusitada por parte dos seguranças daquele espaço.

 

O caso ganhou maior visibilidade através das redes sociais, que partilharam o vídeo da agressão, e o Ministério Público já abriu um inquérito, estando a investigação a cargo da PSP.

 

Mais uma vez o poder das redes sociais e a voz da sociedade civil falou mais alto!

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