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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Qua | 28.03.18

Portugal não vai expulsar diplomatas russos

 

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Após o envenenamento com gás tóxico do ex-espião russo, Sergei Skripal e da sua filha, Yulia Skripal ocorrida no Reino Unido no passado dia 4 de março, numa reação em cadeia dezesseis países anunciaram a expulsão de diplomatas russos, em solidariedade com o Reino Unido.

 

A primeira-ministra britânica, Theresa May, já veio dizer que é «altamente provavelmente» que a Rússia seja responsável pelo ataque a Skripal, que, segundo a Chefe do Estado britânica, este modus operandi faz parte de «um padrão de agressão russa contra a Europa». No Parlamento May reiterou que só a Rússia teria «a capacidade, a intenção e o motivo» para atacar o ex-espião. As investigações do caso, a cargo da unidade de contraterrorismo da Scotland Yard ainda terminaram, contudo a Rússia já negou a participação no ataque.

 

Portugal condenou imediatamente o atentado de Salisbury e expressou com veemência a sua solidariedade com o Reino Unido. Porém, à semelhança de outros 14 Estados-membros da União Europeia, decidiu não expulsar diplomatas russos do país.

 

Numa nota enviada à comunicação social, o gabinete de Augusto Santos Silva disse que «toma boa nota das decisões, anunciadas hoje por vários Estados-membros da União Europeia, relativas à expulsão de diplomatas da Federação Russa neles acreditados», mas «acredita que a concertação no quadro da União Europeia é o instrumento mais eficaz para responder à gravidade da situação presente».

 

Sim, não basta uma simples suposição para culpar seja quem for, são necessárias provas cabais e irrefutáveis. Curiosamente, ninguém expulsou diplomatas, ou teve outras atitudes retaliatórias semelhantes contra os EUA, aquando da invasão do Iraque, decidido nas Lages, com o beneplácito de Durão Barroso, com base nas supostas armas de destruição maciça, que se veio a provar não existirem.

 

Fez muito bem o nosso MNE ao tomar a posição que tomou - o que não significa de todo estar refém do BE ou do PCP, significa apenas bom senso.

Qui | 22.03.18

Manipulação de dados pessoais através das redes sociais

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De repente o mundo acordou e percebeu que as redes sociais guardam os nossos dados pessoais e os manipulam a seu belo prazer. Todas as informações são guardadas e posteriormente usadas para analisar o nosso perfil, para que, mediante um algoritmo, nos sejam mostrados anúncios adaptados às nossas preferências, às nossas pesquisas, os quais são depois utilizados para os mais variados fins, sejam eles comerciais ou políticos.

 

Através do escândalo da Cambridge Analytics, uma empresa de tratamento de dados do Reino Unido, percebemos como uma simples empresa, ao ter acesso a bilhões de dados pessoais, pode montar perfis psicométricos e definir os tipos de personalidade de 50 milhões de norte-americanos e, assim, condicionar, por exemplo, a vitória de Donald Trump ou no Reino Unido a sua saída da União Europeia.

 

Esta forma de manipulação assustadora, sendo uma violação clara dos direitos das pessoas, teve pelo menos um lado positivo: o de  prevenir para este problema, fazendo-nos tomar consciência de que tudo o que se faz no Facebook tem um custo e de como o Facebook ganha dinheiro à nossa custa, através de publicidade encapotada, ainda que nunca nos tenha pedido um único cêntimo.

 

A partir de agora tomamos conhecimento que ao aceder a aplicações que à partida nos parecem inócuas, isso tem consequências, pois são um poderoso instrumento para esmiuçar o nosso perfil.

 

Doravante ninguém poderá dizer que desconhecia este estratagema.

 

Qua | 21.03.18

Licenciaturas pré-bolonha equiparadas a mestrados

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 (imagem retirada da net)

 

Incompreensível esta inflação de títulos académicos promovida pelo Governo: os bacharelatos e licenciaturas pré-Bolonha passarão a licenciaturas e mestrados pós-Bolonha, respetivamente; os mestrados pré-Bolonha serão equiparados «para todos os efeitos legais» aos doutoramentos pós-Bolonha.

 

A justificação para esta medida, segundo o DN, é «a duração do tempo de formação. Com Bolonha, a duração dos primeiros ciclos (licenciatura) baixou para os três anos, sendo frequente associada a um mestrado integrado que estende o prazo para cinco anos. Muitas das licenciaturas pré-Bolonha tinham os mesmos cinco anos de duração, e os bacharelatos três, mas nem sempre lhes era reconhecido valor equivalente aos dos novos primeiro e segundo ciclos do superior».

 

Depois admirem-se que haja quem adorne os curricula com o estatuto académico de «visiting scholar em Berkeley»!

 

Ter | 20.03.18

Começa hoje a Primavera

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Começa hoje a Primavera. O Equinócio da Primavera inicia-se às16h15. Este instante marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se por 92,79 dias até ao próximo Solstício que ocorrerá no dia 21 de Junho às 11h07min e dará lugar ao Verão.

Seg | 19.03.18

Sporting 2 - 0 Rio Ave

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Estava com um certo receio deste jogo do Sporting frente ao Rio Ave, depois daquele jogo confrangedor na República Checa, 72 horas antes.

 

Embora jogássemos em casa, o Rio Ave é sempre um adversário de respeito. Tem vindo a fazer um campeonato competente, é uma equipa bem organizada e está em 5º lugar.

 

Mas o Sporting fez um bom jogo, um dos melhores desta segunda volta. Marcámos dois golos, num jogo em que podíamos ter goleado, tal foi o caudal ofensivo dos leões. Gelson, Bruno Fernandes, William Carvalho e Bas Dost destacaram-se pela positiva em noite de homenagem a Peyroteo.

 

Com Battaglia no meio campo a libertar William e Bruno Fernandes para as funções de construção e com os jogadores a fazer uma pressão alta forte desde a primeira fase de construção, o futebol do Sporting ganha uma outra dimensão, tornando-se mais eficaz. Espero que o treinador mantenha esta estrutura para o que falta da época.

 

Nota negativa para a equipa de arbitragem. Rui Costa apitou faltas a despropósito, cortando ataques conduzidos por Bruno Fernandes, Rúben Ribeiro e Gelson Martins, não assinalou um penalti sobre Bruno Fernandes e o seu auxiliar marcou foras de jogo inexistentes, prejudicando claramente a nossa equipa.

 

Agora é descansar e preparar o próximo embate com o Braga que não vai ser fácil.

Qua | 14.03.18

Stephen Hawking (1942-2018)

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Stephen Hawking morreu aos 76 anos, na sua casa em Cambridge, tendo-se destacado pelo seu trabalho na área da relatividade e dos buracos negros.

 

O físico britânico nasceu em 8 de janeiro de 1942, exatamente 300 anos após a morte de Galileu, e morreu no mesmo dia do nascimento de Albert Einstein (14 de março de 1879).

 

Apesar de sofrer de esclerose lateral amiotrófica, desde os 21 anos, Stephen Hawking surpreendeu tudo e todos ao viver mais de 50 anos com a doença, caracterizada pela degeneração dos neurónios motores, as células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos músculos.

 

Esta patologia deixou-o progressivamente paralisado, ao ponto de apenas conseguir comunicar com a ajuda de um computador que interpretava os seus gestos faciais. Mas a sua valentia e persistência aliadas ao seu brilhantismo e humor inspirou pessoas em todo o mundo.

 

Professor de matemática na universidade de Cambridge, Hawking fez parte de uma das mais importantes pesquisas no ramo da física, sobre a «Teoria de Tudo».

 

Grande parte de seu trabalho concentrou-se em unir a relatividade (a natureza do espaço e do tempo) e a teoria quântica (a física do menor) para explicar a criação e o funcionamento dos cosmos.

 

Hawking tornou-se aos 32 anos um dos membros mais jovens da instituição científica de maior prestígio do Reino Unido, a Royal Society.

 

Em 1979 foi nomeado titular da prestigiosa Cátedra Lucasiana da Universidade de Cambridge, centro ao qual chegou procedente da Universidade de Oxford para estudar Astronomia Teórica e Cosmologia.

 

A sua notoriedade levou-o a participar em séries de televisão como “Star Trek” e “The Simpsons” e a sua voz apareceu em canções do grupo Pink Floyd.

Dom | 11.03.18

Professor Doutor Passos Coelho

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Pedro Passos Coelho (PPC) abandonou as funções de deputado da Assembleia da República para ir dar aulas na área da Administração Pública e de Economia no ISCSP (Universidade de Lisboa), usufruindo de um salário equiparado ao de professor catedrático, topo da carreira docente no ensino universitário.

 

As reações não se fizeram esperar: um grupo de alunos daquela universidade fez mesmo um abaixo-assinado contra a ida de PPC para aquela universidade, protestando quanto à contratação do antigo primeiro-ministro que se afigura «uma afronta à meritocracia».

 

Junto-me a coro de críticas por quatro razões:

 

Primeiro, porque considero que, não obstante a experiência como primeiro-ministro, não é aceitável que alguém apenas com o grau de licenciatura e sem trabalhos de investigação que se conheça ou um percurso académico digno de destaque possa dar aulas a alunos com um grau académico superior ao seu. Parece-me um contrassenso!

 

Segundo, porque há regras e procedimentos que devem ser seguidos para se poder ser professor universitário. Um professor catedrático, julgo eu, deve ter o grau de doutoramento e não basta ter simplesmente experiência para o conseguir. Não se pode ser docente universitário através de um programa tipo «Novas Oportunidades», criado por José Sócrates para aumentar a escolaridade e criticado, bem, pela oposição pelo facilitismo que o mesmo continha.

 

Terceiro, porque não deixa de ser curioso que a nomeação seja feita justamente por alguém que foi promovido a deputado do PSD pelo próprio PPC.

 

E finalmente porque este é precisamente o tal governante que mais cortou na educação pública em prol da privada; que queria uma redução significativa da função pública; que convidava os portugueses a emigrar e que via o desemprego como uma oportunidade para sair da «zona de conforto».

 

Depois queixem-se da qualidade do ensino superior!

 

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