Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Dom | 31.03.19

O que Portugal perdeu

befunky-collage-4-8-850x499.jpg

Vale muito a pena ler este texto do Ferreira Fernandes sobre o João Vasconcelos:

 

«Eu escrevo, assim: "João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria, morreu." Primeiro, o nome do homem extraordinário, para que se saiba logo a extensão da perda; e, de seguida, nunca escondendo a palavrinha fundamental que deixei escrita na frase do meu anúncio: ex. É, temos de pensar na palavrinha.

 

Ex, pois. Quando o João Vasconcelos morreu aos 43 anos, nesta semana, era um ex há quase dois anos. Evidentemente, não para os seus, nem para os que profissionalmente continuavam a beneficiar da sua inteligência e rasgo. Mas uma crónica de jornal é dirigida para o público e, oficialmente para os portugueses, ele estava assim: ex. E quem perdia com isso eram os portugueses.


João Vasconcelos governou-nos, deixara de nos governar e dificilmente haveria um governo que voltasse a interpelar os portugueses sobre a tentação de o trazer para o natural lugar dele: querem voltar a tê-lo como ministro? Já perdemos a noção da diferença entre um escândalo e um escândalo fátuo. Em havendo canzoada, vergamo-nos. "Eh pá, ele teve aquele problema... - Mas qual problema?... - Sim, sim, eu sei, não foi bem problema, mas..."


Enfim, mas. Esse argumento definitivo a que se vergam as sociedades assustadas pelo coro com os escândalos verdadeiros, os assim-assim, os nem por isso... Então, ele já era um ex-político quando morreu. Infelizmente para nós todos, o que nos remete para a obrigação de pensar a causa e o efeito da tal palavrinha, ex.


João Vasconcelos tornou-se um ex-governante por causa de um bilhete de futebol para jogo do Campeonato Europeu de Futebol. Ele e mais dois secretários de Estado aceitaram um convite para um jogo e a viagem em voo fretado pela empresa patrocinadora da Federação Portuguesa de Futebol, a Galp. Fez-se um caso, os secretários de Estado ainda pagaram as despesas de que beneficiaram, mas abriu-se um inquérito, eles foram constituídos arguidos, demitiram-se. O Ministério Público abandonou o assunto e uma juíza quer prossegui-lo. Em todo o caso, para o que diz respeito à nossa perda, era isto quando ele morreu: João Vasconcelos, ex-governante.


Os jornais chamaram Galpgate ao caso, os jornalistas nem foram admoestados por falta de imaginação nos títulos (o que é um erro profissional?), os diretores dos jornalistas não foram incomodados por terem ido com os mesmos bilhetes grátis (a hipocrisia é um erro moral, e então?), e o segundo político mais famoso comentador político desta vez não comentou, pois fora visto nesse verão de 2016, indo e vindo a Paris, com os seus habituais cachecol e bilhete de borla... Mas o facto foi: João Vasconcelos saiu definitivamente da coisa pública, passou a ex.


Sim, são necessárias leis sobre os Crimes de Responsabilidade de Titulares de Cargos Políticos, mas só o comprimento do título da lei devia advertir-nos de que tanto palavreado pode esconder tolices que num dó-li-tá podem manchar gente honesta: por exemplo, um político (qualquer político) que aceite um bilhete de futebol, num mundo habituado a esses pequenos favores, pode ser levado a deixar a política. Sim, sim, é preciso acabar com os favores de bilhetes de futebol à borla, mas para isso fazem-se e aplicam-se regulamentos e pratica-se a modificação paulatina de hábitos que era melhor não serem incentivados. Não se criam escândalos.


Como? Olhem, aproveitem a tolice do carimbo que se deu ao caso, o tal Galpgate, e deixem-se ir em raciocínio do bom senso: Galpgate, Galp; Galp, gasolina; gasolina, autoestradas; autoestradas, velocidade; velocidade, 125 km/hora; 125 km/hora, multa!... Perceberam? Num mundo normal, 125 km/hora não dá para retirar por toda a vida a carta de um condutor. Multa-se, não se guilhotina. Sigam essa lógica do bom senso e, ao mesmo tempo que se modificam os hábitos públicos, previnem-se os abusos dos caça-escândalos.


Mas o que aqui me traz, mesmo, é sublinhar a defesa do nosso interesse. O nosso, o de todos - lembrar como a histeria do patrulhamento leva, por razões fúteis, a perdermos os melhores. A modernização da indústria portuguesa, a evolução industrial da digitalização, o regresso dos nossos jovens mais qualificados - e nem meto siglas para impressionar, Web Summit, Startup Portugal, Indústria 4.0, porque não quero impressionar, quero que sintam a perda - enfim, expulsámos da nossa empresa, Portugal, o político João Vasconcelos, por causa de um bilhete de futebol. Não se entende. Pensem no tamanho desperdício de João Vasconcelos não nos ter governado nos derradeiros dois anos da sua já de si curta vida.


Nos últimos meses, conheci-o pessoalmente. O interesse era todo meu e, confesso, cronista da espuma das coisas com que construí a minha carreira, ele atraiu-me pela dimensão do "não se entende" como o Portugal político (metam políticos nisso, mas sobretudo a canzoada popular, incluindo a manhosamente organizada) o desperdiçou. Acontece que nos últimos tempos, porque diretor de um jornal, isto é de uma indústria de tão dramático presente e ainda mais de futuro promissor, precisei dele. Sabem? Paguei-lhe dois almoços e, confirmou-se a frase feita, não foram grátis. Fiquei a dever-lhe uma fortuna: fiquei ambicioso quando já não me pensava virado para aí.

 

O João Vasconcelos falou-me do pequeno e ágil, do bem feito e do ousado. Do mundo que nos espera, quanto mais cedo soubermos melhor. Tinha a cara de boxeur como a imagem das luvas com que um dia posou. A última vez que o vi, passou montado na ironia: uma trotineta que anunciava à Galp que ela tem de se reinventar... E, numa destas manhãs, quando soube, no que pensei, mas logo, foi logo, em mim: perdi-o. Calculem agora o que Portugal perdeu.».

Ferreira Fernandes - DN

Qui | 28.03.19

Relações Familiares no Governo PS

21398692_WZHSa.png

 

É um assunto que está a marcar a atualidade e a gerar polémica e já se percebeu que vai ser um tema que a oposição vai retomar em próximos atos eleitorais, caso não tenha outros trunfos.

 

Penso que a existência destas teias familiares no governo socialista são mais o resultado da falta de opções do primeiro-ministro e da descredibilidade dos cargos políticos do que propriamente atos de nepotismo. Como se sabe, hoje, a política e os cargos governativos não são funções aliciantes para altos quadros do país. É uma atividade mal paga e sujeita a um escrutínio permanente, dai que seja mais fácil recrutar nos círculos familiares e de amizade.

 

Sempre achei que o importante é o mérito, a competência técnica ou a capacidade política de cada uma destas pessoas, por isso mesmo sou contra as quotas, mas tantas relações familiares dentro do governo parece-me no mínimo exagerado e pouco saudável em democracia.

 

É que um governo constituído por laços de consanguinidade fortalece certamente a lealdade entre os seus membros, mas, por outro lado, enfraquece a capacidade de crítica, a reflexão interna e pior, aumenta a desconfiança dos cidadãos porque coloca em causa a legitimidade das suas medidas e ações e não assegura uma imagem de responsabilidade, independência, integridade e credibilidade.

 

Ora, como se sabe, nada impede o Governo de nomear familiares, mas, como dizia ontem e bem a Dra. Manuela Ferreira Leite, quando há relações intimas tão próximas «com alguma dificuldade uma filha critica o projeto que o pai leva a conselho de ministros e vice-versa. O debate, a controvérsia, o contraditório perde-se ou pelo menos enfraquece-se».

Sab | 23.03.19

Ciclone Idai causa destruição em Moçambique

 

 

55495968_2087051884683537_2844280540599681024_n.jp
25846123_770x433_acf_cropped.jpg

A passagem do ciclone Idai por Moçambique, com fortes chuvas e ventos com mais de 170 quilómetros por hora, devastou a província de Sofala, no centro de Moçambique, deixando a cidade da Beira transformada num imenso lago e provocando centenas de mortos e milhares de desalojados.


Estão contabilizados já 700 mortos na sequência deste ciclone de categoria 4, classificado como uma das piores catástrofes no Sul de África em décadas. Há inúmeras casas destruídas e um milhão de crianças afetadas. 

 

Trinta portugueses estão por localizar na cidade da Beira, afirmou o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, que está em Maputo, a fim de fazer um levantamento das necessidades dos cidadãos portugueses afetados que, segundo registo do Consulado de Portugal na capital da província de Sofala, aproxima-se dos 2.500 portugueses.


O número de pessoas atingidas pelo ciclone Idai poderá ultrapassar os três milhões e os recursos necessários para a assistência humanitária são ainda muito insuficientes.


As ligações terrestres com a zona da Beira continuam cortadas. As vias aéreas e marítimas são a única forma de fazer chegar ajuda às vítimas. Em Maputo gerou-se uma onda de solidariedade que já permitiu juntar até agora mais de 240 toneladas de bens.


Mas neste momento toda a ajuda é bem-vinda e há várias formas de contribuir, seja enviando produtos alimentares não perecíveis ou através de transferência bancária.


A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) disponibilizou cinco mil euros do seu Fundo de Emergência para catástrofes e criou um Plano de Ação de Emergência para Moçambique. A instituição aponta os medicamentos, água, saneamento, higiene e abrigo como sendo as  necessidades mais prementes.


Para quem quiser ajudar ou contribuir, a CVP disponibiliza-se a enviar produtos para Moçambique, basta para isso fazê-los chegar à sede nacional da instituição: Jardim 9 de Abril, 1249-083, Lisboa e  abriu também uma conta para transferências bancárias, cujo IBAN é PT50 0010 0000 3631 9110 0017 4. Outra forma de ajudar é por pagamento de serviços para a entidade 20999, com a referência 999 999 999.


A Cáritas Portuguesa já se comprometeu a ajudar com 25 mil euros e conta com o Fundo de Emergência Internacional que recebe donativos através da conta, com o IBAN: PT50 0033 0000 01090040150 12.

 

A Assistência Médica Internacional (AMI) está igualmente no terreno a ajudar a região da Beira, que ficou destruída em cerca de 90%. O IBAN da conta da AMI que está a receber donativos destinados às vitimas do ciclone Idai é: PT50 0007 0015 0040 0000 00672.


A solidariedade chega também através do futebol. O Sporting Clube de Portugal promete fazer uma recolha de bens alimentares, através da Fundação Sporting, antes do dérbi de Lisboa para a Taça de Portugal, no próximo dia 3 de abril, em Alvalade. 


O Sport Lisboa e Benfica, através da Fundação Benfica, também já demonstrou a sua solidariedade para com as vítimas do Idai. O clube apela à mobilização e solidariedade de todos e pede que contribuam para recolha e envio de alimentos enlatados para Moçambique. As contribuições podem ser entregues em qualquer Casa do Benfica do país, de 21 a 31 de março, ou diretamente no Estádio da Luz, de dia 27 a 31 do corrente mês.


Também a receita da venda de bilhetes para o jogo entre Vitória de Guimarães e Desportivo de Chaves, da 28.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol vai reverter a favor das vítimas do ciclone Idai. O clube vimaranense anunciou hoje, no sítio oficial na Internet, que «não poderia passar ao lado da tragédia que atingiu Moçambique» e decidiu enviar para aquele país africano o dinheiro da bilheteira da partida, marcada para o fim de semana de 06 e 07 de abril, no Estádio D. Afonso Henriques.

 

As ajudas multiplicam-se. A Câmara Municipal de Lisboa anunciou que vai contribuir com «150 mil euros, havendo igualmente disponibilidade imediata de envio de equipas multidisciplinares de técnicos para apoio a necessidades básicas no terreno». A autarquia definiu ainda os quartéis do Regimento de Sapadores Bombeiros da cidade para pontos de recolha de donativos em géneros.


Os quartéis RSB D. Carlos I, Martim Moniz, Graça, Defensores de Chaves, Santo Amaro, Monsanto, Alvalade, Benfica, Marvila, Encarnação e Alta Lisboa vão estar abertos 24 horas por dia para receber as contribuições.


Também a autarquia do Porto divulgou que vai disponibilizar o «apoio de equipas pós-catástrofe» e 100 mil euros para ajudar na reconstrução do hospital da Beira.


À semelhança dos anteriores municípios, também o município de Sintra vai prestar apoio financeiro de 120 mil euros e logístico à câmara moçambicana da Beira. O presidente da autarquia acrescentou que, além do apoio financeiro para a recuperação de infraestruturas ou equipamentos, está a ser preparado «com a Cruz Vermelha o apoio logístico, que pode ser da Proteção Civil, da Polícia Municipal ou de outros vários tipos de apoio, de alimentos ou de vestuário».


Os CTT também já aderiram à causa e estão a aceitar doações de roupa. A ação de recolha tem início no dia 25 de março. Os interessados devem dirigir-se a qualquer uma das lojas CTT espalhadas pelo país, pedir uma «Embalagem Solidária» onde deverá ser colocado o donativo e o envio será feito de forma gratuita. A recolha de donativos nas Lojas CTT decorre até 8 de abril.


A organização não-governamental Oikos já está zona da Beira, uma  das regiões mais afetadas, a «preparar as condições logísticas para apoio às populações afetadas«, trabalhando em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, com as Nações Unidas e parceiros humanitários.


A Oikos promete em breve começar «a distribuir kits de bens de primeira necessidade, materiais para a construção/reparação de abrigos e materiais para água e saneamento para as populações do distrito da Beira e do Dondo, de acordo com as necessidades e prioridades identificadas» e disponibiliza também uma conta para receber donativos: PT50 0036 0265 9910 0013225 29.


A UNICEF também está a aceitar donativos, que podem chegar de várias formas. Através do site oficial da organização, por MBWay para o número 919 919 939, por transferência ou depósito bancário através do IBAN PT50 0033 0000 5013 1901 2290 5 ou pela opção de pagamento de serviços, disponível no Multibanco, com a entidade 20 467 e referência 777 777 777. Também é possível fazer donativos por correio, através do envio de um cheque para a morada Rua António Augusto Aguiar, 21 -3E, 1069-115 - Lisboa, endereçado ao Comité Português para a UNICEF.


Para o efeito, a Health4MOZ criou o movimento #unidospelabeira, com o apoio da Ordem dos Médicos e outras entidades públicas e privadas., com o objetivo de enviar uma equipa de médicos e enfermeiros voluntários para dar assistência aos mais necessitados. A Health4MOZ vai, por isso, angariar e fornecer medicamentos e consumíveis médicos, tal como, angariar fundos para recuperar unidades de saúde que se encontram inoperacionais e danificadas.


A Arquidiocese de Braga anunciou o envio de 25 mil euros para a Arquidiocese da Beira, em Moçambique, para contribuir para os esforços de salvamento da população e reconstrução das infraestruturas afetadas pela passagem do ciclone Idai. Em comunicado, a Arquidiocese de Braga acrescenta que vai também estabelecer uma «ponte de distribuição imediata com a Arquidiocese da Beira, por forma a colmatar as necessidades da forma mais célere possível». Neste caso, os donativos podem ser entregues nos Serviços Centrais da Arquidiocese de Braga.

 

Recentemente, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa começou a montar um fundo especial para ajudar as vítimas do ciclone Idai. Uma decisão tomada por unanimidade numa reunião extraordinária do Comité de Concertação Permanente. Ainda não há um montante definido, cada país ainda vai ter que decidir com quanto dinheiro quer contribuir. O presidente em exercício da organização e embaixador de Cabo Verde em Lisboa, Eurico Monteiro, garante que os fundos vão ser libertados «nos próximos dias» de acordo com a disponibilidade dos Estados-membros.


Portugal vai enviar para Moçambique uma equipa do grupo Águas de Portugal e uma estação compacta de tratamento de água para ajudar a restabelecer o fornecimento de água potável à população atingida pelo ciclone Idai, informação avançada pelo ministro do ambiente, João Pedro Matos Fernandes. Em declarações aos jornalistas, à margem do encontro, o ministro acrescentou que no domínio da energia, está também previsto o envio de geradores para repor a energia. Matos Fernandes, adiantou que os técnicos deverão chegar ao local no domingo e no final da semana deverá estar na Cidade da Beira a estação de tratamento de água.

 

 

 

Sex | 22.03.19

Descida dos passes sociais

destaque_site_402x260_1552926091.jpg

 

«A descida dos passes sociais suscitou uma série de comentários verdadeiramente imperdíveis. O de Marques Mendes, na SIC Notícias e Jornal de Negócios, pela sua longa argumentação, é um caso notável de hipocrisia, desfaçatez e trafulhice.

 

Começando por afirmar a justeza da medida, que “vai na direcção certa – incentivar o uso do transporte público”, levanta de seguida tantos e tão graves problemas, que talvez o melhor mesmo seria inviabilizar a “mudança (é) justa”! Os três argumentos expendidos são uma maravilha.

 

A “qualidade dos transportes”. Isto é, como os transportes são de baixa qualidade, as pessoas devem continuar a pagar bilhetes e passes caros. Uma lógica notável! Como se o aumento da procura – e o problema de facto pode ser se há condições para a oferta suficiente – não fosse um elemento de incentivo e pressão para a sua melhoria, para a exigência de mais qualidade e de mais quantidade.

 

O “eleitoralismo”. Ou seja, grande parte das medidas aprovadas no OE2019, não poderá ser concretizada em 2019. Em 2019… há eleições, e duas, uma em cada semestre, logo, cabem todas no rol de medidas eleitoralistas. Além da grande confusão que se faz (e não é por lapso!), entre medidas a concretizar agora, hoje, amanhã, e o anúncio e propaganda de medidas e promessas, a assinatura de contratos, a bênção da primeira pedra e etc.

 

E o cúmulo da desfaçatez: “a injustiça com o interior do país”. Grande “injustiça” partilhada por outros ínclitos defensores do interior, como o Expresso (Vítor Matos, Expresso Curto, 18MAR19), cheios de peninha pelo povo abandonado das Beiras e Trás-os-Montes. Assim o povo do Mogadouro não vai poder tirar um passe social para a Linha do Sabor. E o de Vila Pouca de Aguiar para a Linha do Corgo. E o de Viseu para a Linha do Vouga. Não se faz! E todas aquelas aldeias do nosso mundo rural profundo, que deixam de poder pedir o passe para a Rodoviária Nacional!

 

Dirá Cristas, dirá Rui Rio, na esteira de Marques Mendes: ah gente, que grande injustiça. E só não é maior porque nós, a tempo e horas, já lhe tínhamos acabado com as linhas férreas e a ida de autocarros da RN às suas freguesias. (Bem, para alguns deles já nem isso podia acontecer, porque já lhe tínhamos liquidado também as freguesias). É verdadeiramente lamentável. Então como é que essa gente se vai deslocar agora para o Porto e Lisboa, para aceder ao Hospital ou ao Tribunal? Quando acabámos com o regime de apoio ao transporte dos doentes nessas regiões, foi com ideia de criar um passe social para doentes. E outro para as deslocações aos tribunais!

 

Contrapôs muito bem Marques Mendes aos passes sociais anunciados: “E o interior do país (…)?” “Para esses não há dinheiro nem compensação?”. Mas sabem, nós do PSD e CDS, tínhamos pronta uma lei para garantir contrapartidas a essa gente do interior onde fechámos (sempre com a participação do PS, sublinhe-se) “serviços públicos, escolas e centros de saúde” (como diz Marques Mendes) e maternidades, e tribunais, e estações dos CTT, e postos da GNR, e Zonas Agrárias, e entidades de turismo e centros da segurança social, e delegações da CGD e do Banco de Portugal, e etc. (como não diz Marques Mendes). Mas não nos deram tempo nem dinheiro para o fazer! Mas íamos fazer, que nós somos dos que temos peninha do interior.

 

Cai o pano, envergonhado com tanto descaramento.».

 

 

Qua | 20.03.19

Começa hoje a Primavera

25553a5234db93ec307b66aa6e40f447.jpg

 

Bem-vinda, Primavera! A estação chega com temperaturas a condizer. Os dias acordam com céu limpo, sol a brilhar e aquela frescura matinal tão agradável quando abrimos a janela.

 

O Equinócio da Primavera, este ano, ocorre no dia 20 de março às 21h58 (hora de Lisboa). Este instante marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. Esta estação prolongar-se-á até ao Solstício de Verão.

 

Hoje no Hemisfério Norte, o dia e a noite duram o mesmo tempo. Os raios solares apresentam menor inclinação, logo a temperatura aumenta.

 

É o tempo ideal para iniciar novas coisas. Época para elaborarmos planos e táticas. Começarmos um regime alimentar, fazer exercício físico e passear. Na alimentação é tempo de desintoxicar. Sumos verdes, frutas e legumes são bem-vindos e devem fazer parte do nosso dia-a-dia.

Qua | 13.03.19

InCRível!!!

mw-680.jpg

Que noite para CR7! A Juventus que vinha de uma derrota de dois golos em Madrid,  venceu  ontem o Atlético Madrid por 3-0 e está nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, tudo graças a um hat-trick do craque português. Estava feita a remontada, em mais uma noite épica para Ronaldo e para a Juventus.

 

A formação italiana mostrou ao que vinha desde o começo do encontro e não descansou até passar para a frente da eliminatória. Bernardeschi esteve em bom plano e  João Cancelo fez a assistência para o segundo golo.

 

Porém, a noite foi mesmo de Cristiano Ronaldo que, mais uma vez, deixa o mundo a seus pés com uma exibição portentosa. A Juve está nos ‘quartos’ da liga milionária e o sonho está mais vivo que nunca!

Sex | 08.03.19

Seis anos de Blog

6-anos_dia.jpg

(imagem retirada da Net)

Faz hoje seis anos (!) que me aventurei na blogosfera. Foi há seis anos que tive um impulso e decidi embarcar neste mundo.

 

Não sei se é a minha percepção...mas o tempo está a passar demasiadamente rápido desde este primeiro post .

 

Ao longo destes seis anos muitas coisas aconteceram. Em seis anos a minha vida mudou e eu mudei com ela. O blogue fez certamente parte dessa aprendizagem, deste caminho de renovação que se vai construindo devagar, a cada dia, com tudo o que entretanto conheci, li e vivenciei.

 

É engraçado verificar que se começa com muito receio, mas com o tempo vai-se perdendo o medo do julgamento e escrevemos sem pensar muito quem está do outro lado. Hoje o blog é o lugar “onde estou como sou”, o lugar onde me sento tranquila e descontraída, de onde observo “o país e o mundo”, e onde me permito pensar, falar e partilhar tudo o que me apetece, sem medos, sem esconder vontades, nem gostos, nem opiniões. Aqui sou eu, sem máscaras ou disfarces.

 

Mas, desengane-se que pensa que é fácil  “alimentar” um blogue. Obriga a estar atenta aos temas da atualidade, a ler a imprensa diária de referência, a fim de selecionar os assuntos que merecem ser objeto de análise. Com a voragem da informação há assuntos que rapidamente ficam desatualizados e saem da agenda mediática. Ou se agarra de imediato determinado tema ou amanhã já é tarde. Um blog ocupa-nos horas e horas da nossa vida. Mas, por outro lado, é tão bom o que recebemos em troca que compensa tudo.

 

Por isso, o balanço que faço é muito positivo. Acho que tenho muitas razões para celebrar e, enquanto isto me der prazer, vou andando por aqui.

Qua | 06.03.19

António Costa foi ao Programa da Cristina Ferreira

antónio-costa-1.jpg

Vejo por ai um bando de indignados porque António Costa foi ao "Programa da Cristina". A opinião expressa por José Paulo Fernandes-Fafe sobre o assunto é coincidente com a minha e, por isso, transcrevo- a aqui:

 

«Enganem-se os que pensam que hoje em dia, quando o “factor científico” pesa como nunca pesou no exercício da política, que o primeiro-ministro foi ao programa da SIC unicamente “porque sim”, porque acha “pilhas” à senhora, ou porque não o irrita a gargalhada da dita cuja ... Erram os que pensam que a decisão de Costa em cruzar as portas dos estúdios de Carnaxide foi tomada sem que antes o seu “staff” não tivesse avaliado a oportunidade, os riscos, os prós e contras, o “público-alvo” que se pretendia atingir, ou o momento; que a presença televisiva não foi monitorada minuto a minuto por um ou outro “focus group”; ou que Costa não preparou ao detalhe toda a sua prestação, desde a opção pela caldeirada, até à forma como cortava os legumes ou inquiria sobre se estavam, ou não, lavados.

 

O balanço, esse, foi claramente favorável ao primeiro-ministro - goste-se, ou não, dele, vote-se, ou não, socialista. Foi-o tanto ao nível do programa em si, como da inevitável comparação que inconscientemente somos obrigados a fazer com Assunção Cristas e o seu arroz de atum. É a diferença entre aquilo que podemos denominar de “profissional” e “amadora”, entre o que passa por “genuíno” e o que soava a “artificial” dos pés à cabeça.

 

Uma última nota: Costa foi ao “Cristina” no preciso momento em que, ao quarto ano de mandato, o seu governo começa a dar alguns sinais de “cansaço” - também isso não foi decidido por acaso...»

 

Jose Paulo Fernandes-Fafe (via Facebook)

Ter | 05.03.19

Um saco sem fundo

 

img_818x455$2017_07_11_23_27_02_647449.jpg

O Novo Banco pediu uma nova injeção de capital de 1149 milhões de euros, o que levou o Ministério das Finanças a requerer uma auditoria face ao que considera ser um «valor expressivo» das perdas registadas.


Mais de metade deste valor resulta de perdas verificadas nos ativos problemáticos herdados do BES, sendo que 350 milhões de euros devem-se a exigências do regulador. A instituição registou em 2018 um prejuízo consolidado de 1.413 milhões de euros, menos 38,5% do que no ano anterior.

 

Quando ficou fechada a venda da instituição ao fundo americano, Lone Star, em outubro de 2017, foi criado um mecanismo de capital contingente que obriga o Fundo de Resolução (uma entidade pública que é financiado pelos bancos do sistema) a injetar dinheiro no banco sempre que as perdas na alienação de ativos problemáticos provoquem uma descida dos rácios abaixo dos níveis exigidos. Foi o que aconteceu em 2018 e também vai acontecer agora em 2019: o Fundo de Resolução vai ser chamado a contribuir com mais 1.149 milhões de euros para o banco restabelecer o seu equilíbrio financeiro


É a segunda vez que é solicitada esta ajuda através do mecanismo de capital contingente. Não deverá ser a última. Em quantos milhares de milhões vai a conta?


As ajudas ao sistema financeiro português já custaram aos contribuintes cerca de 17 200 milhões de euros, entre 2008 e 2018.


Com o recém-anunciado pedido de 1149 milhões de euros do Novo Banco ao Fundo de Resolução, este ano a fatura pode chegar aos 18 350 milhões de euros, uma média de quase 1800 euros – a pagar por cada português.


«Se ficar a dever 100 dólares a um banco, o problema é seu. Se ficar a dever um milhão, o problema é do banco». Do banco, leia-se, dos seus trabalhadores, dos acionistas (especialmente os pequenos) e dos contribuintes.

 

A frase, da autoria de Jean Paul Getty, homem de negócios norte-americano e sobrevivente da grande crise americana de 1929 é uma máxima que continua atual até hoje e aplica-se bem aos contribuintes portugueses, que se habituaram nos últimos anos a conviver e a suportar o crédito tóxico da banca, as famosas imparidades.