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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 04.10.19

Sondagens das Legislativas

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Todas as sondagens indicam que o PS vencerá as eleições legislativas, mas não chegará à maioria absoluta. A sondagem Expresso/SIC, por exemplo, realizada pelo ISCTE e ICS, mostra que os socialistas têm vindo a perder eleitorado desde setembro e prevê-se que possam chegar aos 38%. Contrariamente, o PSD tem vindo a recuperar pontos desde essa altura e prevê-se que chegue aos 28%. Recorde-se que há cerca de um mês, os dois partidos estavam separados por 19 pontos, mas essa distância encurtou-se e é agora de 10 pontos.

 

Olhando para o número de deputados, os socialistas poderão alcançar mais 19 deputados do que os sociais-democratas. A vitória, mesmo assim, é clara: se tiver 38%, o partido socialista ganhará mais 18 representantes no Parlamento do que na anterior legislatura.

 

A CDU pode alcançar 0s 7%. A confirmar-se seria um péssimo resultado, mas não inédito, já que em 2002, com Carlos Carvalhas, ficou-se pelos 6,9%.

 

As sondagens são animadoras para o BE, apontam para os 10%, parecendo quase certo que conseguirá um terceiro lugar, com um resultado semelhante ao que obteve, quer nas últimas europeias (9,8%), quer nas legislativas de 2015 (10,2%).

 

De acordo com esta sondagem, o partido de André Silva foi o que mais subiu, registando 3% das intenções de voto. O PAN, que elegeu um deputado pela primeira vez há quatro anos, pode triplicar ou até quadruplicar o seu grupo parlamentar de acordo com estes dados, pode ficar com dois (no mínimo) e quatro (no máximo) de mandatos. O distrito onde é mais forte é Lisboa, mas tem possibilidades de eleger também no Porto e em Setúbal. Em sentido contrário, o CDS-PP mantém uma tendência de descida, que se verifica desde setembro. O partido de Assunção Cristas regista agora 5% das intenções de voto, podendo ainda descer mais.

 

No que diz respeito aos partidos que esperam uma oportunidade de chegar pela primeira vez à Assembleia da República, os mais bem colocados na projeção nacional são o Aliança de Pedro Santana Lopes e o Livre de Rui Tavares. O Iniciativa de Liberal de Carlos Guimarães Pinto e o Chega de André Ventura estão mais abaixo (0,9%).

 

Mas como sabemos nada está decidido, sondagens são isso mesmo, estimativas. Valem o que valem. Por isso, ide votar no dia 6 de outubro!

Qui | 03.10.19

Morreu Freitas do Amaral (1941-2019)

 

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Morreu Diogo Freitas do Amaral, 78 anos. Foi professor universitário, deputado e ministro dos Negócios Estrangeiros.

 

Foi assistente e professor de Direito Administrativo da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, obtendo o título professor catedrático em 1983. Em 1996, foi cofundador e primeiro diretor da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, onde passou a lecionar, até 2007.

 

Na política, foi uma figura incontornável da história da democracia em Portugal. Além de fundar e presidir o CDS, Diogo Freitas do Amaral fez ainda parte de governos da Aliança Democrática (AD), entre 1979 e 1983, e mais da tarde do PS, entre 2005 e 2006, após ter saído do CDS em 1992.

 

Em 1986, candidatou-se à Presidência da República, com o apoio da AD, atingindo 48,8 por cento dos votos na segunda volta, mas insuficientes para derrotar Mário Soares. Foi uma campanha extremamente disputada, pelo meio houve insultos e violência. Com o tempo as diferenças entre ambos foram-se mitigando, Soares e Freitas aproximaram-se e tornaram-se amigos, a tal ponto que o antigo líder do CDS chegou a dizer que Mário Soares foi «o maior político português do século XX».

 

Freitas do Amaral lançou em junho deste ano o seu terceiro livro de memórias políticas, intitulado Mais 35 anos de democracia – um percurso singular, abrangendo o período 1982 e 2017, editado pela Bertrand.

 

Encontrava-se internado desde 16 de setembro, nos cuidados intermédios do Hospital CUF de Cascais, por motivo de doença oncológica.

Ter | 01.10.19

O caso Tancos mancha campanha eleitoral do PS

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Já entrámos na última semana de campanha eleitoral para as Legislativas de 2019. Faltam 6 dias para se decidir a constituição do novo parlamento e o tema Tancos está a marcar a agenda política.

 

É que curiosamente ou talvez não, ficou a saber-se que o caso conta com  23 acusados pelo Ministério Público, um deles o ex-ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes. O momento escolhido não podia ser pior porque não há como evitar o facto de um ex-ministro da Defesa deste governo estar acusado de quatro crimes. Além de Azeredo Lopes estão igualmente “chamuscados”,  o Primeiro Ministro e o Presidente da República. O Primeiro Ministro por existir a suspeição de que ele saberia do caso, através do ministro da Defesa. E quanto ao Presidente da República, por a escuta do major Vasco Brazão insinuar claramente que o “Papagaio-mor” sabia de tudo. Será que se estava a referir-se a Marcelo Rebelo de Sousa ou a Marques Mendes?

 

Neste caso Rui Rio tem-se pautado pela incoerência. É que tão depressa diz que não se pode julgar em praça pública como aparece a rasgar as vestes e a querer ver tudo e todos responsabilizados, num claro aproveitamento político que levou o líder socialista a acusá-lo de ver conspirações em todo o lado. A justificação é que o PSD está a recuperar nas intenções de voto. De acordo com a mais recente sondagem da Pitagórica a diferença entre PS e PSD encurtou-se para 10,7 pontos. O PS tem agora 36,1%, enquanto o PSD estabilizou nos 26,4%.

 

Os centristas também não abandonaram o tema e a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, começou por dramatizar, marcando uma reunião de emergência com o seu núcleo duro e posteriormente defendeu uma nova comissão de inquérito, pedindo ao Ministério Público que investigasse melhor as declarações de Azeredo Lopes e de António Costa.

 

A coordenadora do Bloco, Catarina Martins, comentou o caso, alegando que a acusação do Ministério Público é «extraordinariamente grave», mas recusou «fazer especulações» sobre quem tinha conhecimento do furto e do reaparecimento do material militar.

 

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considera que a direita encontrou no processo de Tancos «uma boia de salvação» para colher dividendos políticos, mas mostrou-se disponível para aprovar uma nova comissão de inquérito.

 

Mais comedido foi André Silva ao referir que «Tancos não deve entrar na campanha», por não querer «alimentar mais ruído em torno de um caso que precisa de muitos mais esclarecimentos».

 

Recorde-se que há quatro anos, António Costa perdeu umas eleições que pareciam ganhas à partida por o tema ‘José Sócrates’ ter dominado a campanha. Agora, arrisca-se a perder uma maioria absoluta devido ao caso Tancos. Coincidência ou conspiração? O Partido Socialista acredita que a acusação de Tancos, deduzida esta semana pelo Ministério Público, é parte de um ataque, de uma conspiração política contra o Governo e o Presidente da República.

 

Também Jose Sócrates crê que a acusação judicial sobre o caso de Tancos a meio da campanha eleitoral tem «evidente e ilegítima motivação política». Estas posições do antigo primeiro ministro constam de um artigo publicado este domingo e que pode ler aqui.

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