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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 05.03.20

Rúben Amorim

 

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Rúben Amorim, de 35 anos, é o novo treinador do Sporting Clube de Portugal. Após 13 jogos, onde somou 10 vitórias, no SC Braga, transferiu-se para Alvalade substituindo Jorge Silas. Amorim é 0 4º treinador do SCP esta época e custou aos cofres do clube 10 milhões de euros, valor da cláusula de rescisão com o SC Braga. O novo treinador leonino ficará vinculado ao clube até 2023.

 

Obviamente que a contratação de Rúben Amorim é um risco, não pelo treinador em si que até aprecio, mas porque neste momento o Sporting é um clube sem uma estratégia delineada. Limita-se a navegar à vista, de acordo com as circunstâncias.

 

Se estivéssemos a falar desta contratação com uma equipa estável, com um plantel competitivo não tinha dúvidas em apoiar a 100%. No entanto, também considero que este é um ato legítimo de gestão da Direção de Varandas, como foi à época a opção de Bruno de Carvalho na contratação de Jorge Jesus por 6 milhões de euros e a compra de jogadores sem categoria que se vieram a revelar um flop.

 

Ao contrário da maioria dos adeptos penso que deveríamos dar, uma vez mais, o beneficio da dúvida, isto é, em vez de estarmos a diabolizar, melhor esperar para ver o treinador em ação e ver o projeto que o acompanha. Depois, das duas uma: ou Ruben Amorim é um flop e cai, arrastando consigo Frederico Varandas e toda a Direção, ou então é um novo "craque", tipo Mourinho, com grandes êxitos, e todos os críticos, comunicação social incluída, metem “a viola no saco”.

 

O timing certo é este. A vir tem que ser agora. Não para salvar a época (o Sporting está a uma derrota do seu pior registo de sempre), mas para ter tempo e espaço para preparar a próxima época com serenidade, sendo que no final da temporada estaria a ser disputado por outros clubes, nomeadamente o Benfica, clube do seu coração, que não rejeitaria certamente.

 

Os aspetos mais negativos são naturalmente os valores envolvidos e o facto de encheremos os cofres de Braga, nosso rival direto, depois de já termos emprestado ou oferecido jogadores, como Palhinha, Esgaio, Wilson Eduardo que face ao último plantel teriam sido muito úteis em Alvalade.

 

Como sportinguista só posso desejar a Ruben Amorim os maiores sucessos neste seu novo projeto.

Ter | 03.03.20

Super Terça Feira

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Porque é tão importante a super terça feira? Porque poderá ser o momento decisivo no processo de nomeação de um candidato presidencial. Hoje, 30 por cento dos eleitores vão votar em 14 estados para escolher o candidato presidencial democrata.

 
 

Em jogo está o desfecho final das primárias do Partido Democrata. São 1.344 delegados, cerca de um terço dos 3.979,  que decidirão quem vai ser o adversário do republicano Donald Trump nas eleições de novembro, numa altura em que menos de uma dezena de candidatos se encontra ainda a disputar as primárias democratas.

 

Cada estado representa um número de delegados que varia consoante a população. O número total de delegados é que vai determinar a escolha do adversário de Donald Trump.

 
 

A corrida para a nomeação democrata termina em julho, altura em que o futuro adversário de Trump é nomeado no âmbito de uma convenção nacional.

 

Esta convenção nacional, realizada em ambiente de festa, marca também o início do processo interno de reconciliação que se prolongará até às eleições previstas para novembro.

Dom | 01.03.20

Não paniquem

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A capa do Expresso de ontem causou um alarmismo desnecessário ao referir que: “Graça Freitas admite um milhão de infetados em Portugal”, a fazer lembrar muito notícias tituladas pelo Correio da Manhã.


Até porque quando começamos a ler a notícia, propriamente dita, a Diretora Geral da Saúde refere que estão a trabalhar sobre cenários à semelhança do que havia sido feita para a pandemia da Gripe A, em 2009, diz a Dra. Graça Freitas: «Na altura, pensávamos que podia ter uma taxa total de ataque de 10%: um milhão de pessoas doentes ao longo de 12 semanas, mas não todas graves. Mas, afinal, foram 7%, cerca de 700 mil pessoas no total da época gripal de 2009/ 10. Uma epidemia depende da taxa de ataque, da duração e da gravidade. No caso do Covid-19, ainda não sabemos tudo para fazer cenários tão bem feitos. Assim, estamos a fazer cenários para uma taxa total de ataque de 10% [um milhão de portugueses] e assumindo que vai haver uma propagação epidémica mais intensa durante, pelo menos, 12 a 14 semanas. Temos estudos que nos dizem que 80% vão ter doença ligeira e moderada e só 20% terão doença mais grave e 5% evolução crítica. A taxa de mortalidade será à volta de 2,3% a 2,4%. No cenário mais plausível prevemos cerca de 21 mil casos na semana mais crítica, dos quais 19 mil ligeiros - não é muito, é como a gripe - e 1700 graves, que terão de ser internados, nem todos em cuidados intensivos. E nessa fase haverá camas em todos os hospitais».


Ainda a este respeito partilho convosco um texto da autoria de Alexandra Vasconcelos, muito avisado sobre o coronavírus:

 

«A recente avalanche de notícias e a falta de rigor que as caracterizam estão a provocar uma situação que é no mínimo ridícula: criam nas pessoas o medo do coronavírus. Ora vejamos:

 

É especulativa a forma como tentam espalhar o pânico sobre uma epidemia mais inofensiva do que uma gripe vulgar (normalmente morrem em Portugal cerca de 3 000 pessoas, por Inverno, devido à gripe). Não entendo o interesse em espalhar o medo e asfixiar a economia, ao invés de explicar como nos podemos defender desta e de outras doenças mais graves que crescem vertiginosamente. Não seria mais útil para as pessoas ensinar-lhe como se podem proteger, melhorando a eficiência do sistema imunitário? Ou talvez seja mais rentável lançar rapidamente uma vacina para o coronavírus?


E o mais extraordinário é que muitos continuam a acreditar mais nas notícias oriundas da comunicação social do que nas informações veiculadas por entidades reconhecidas cientificamente.


É obvio que devemos ter cuidado com o contágio, como o devemos fazer em relação a todas as epidemias sazonais que aparecem todos os anos. A ameaça é real, mas não podemos criar ambientes de terror. Este vírus não circula na comunidade da maioria dos países (excepto China e Itália). Porque não informam que a mortalidade e virulência do vírus é menos do que as de uma gripe comum? Em pessoas mais novas a incidência de mortalidade é nula e a recuperação é muito rápida e quase sem sintomas. Entre os 30 e os 40 anos só 0,2 % morrem e apenas as pessoas que têm comorbidades associadas A taxa de mortalidade mais alta é de cerca de 14% e em pessoas com mais de 85 anos, mas ainda assim muito menor do que a mortalidade causada pelo vírus da gripe que já conhecemos, ou por pneumonia, ou por tantas outras doenças.


Mesmo na China, epicentro da epidemia, não há nenhuma criança que tenha morrido e as pessoas contagiadas ultrapassam a situação mais rapidamente do que ultrapassariam numa gripe ou pneumonia.


O comportamento deste vírus é semelhante ao vírus da gripe e para haver contaminação há necessidade de um contacto próximo. É completamente ridícula a corrida às máscaras e desinfectantes para evitar o vírus que menos mata e é menos agressivo. Trata-se de uma estirpe nova de um vírus que já existia. Porque será que pouco ou nada se fala em corrigir o nosso terreno, tornando-nos mais fortes e resistentes?

 

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