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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 03.04.20

O Público errou

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O Jornal Público escreve hoje um artigo da autoria da jornalista São José Almeida com o seguinte título: “Costa proíbe a Páscoa e fecha aeroportos”.

 

Infelizmente numa altura em que mais precisamos de bom jornalismo, de notícias credíveis, por vezes elas descambam.

 

António Costa não proibiu a Páscoa, como o título faz supor,  nem podia como é óbvio. O governo apenas proíbe saídas dos concelhos durante a época pascal, nesta fase de mitigação do vírus. As limitações de circulação durante este período fazem parte de um conjunto de medidas extraordinárias devido ao estado de emergência. Lamentável este atentado ao bom jornalismo e ao bom senso que espero que não passe sem consequências.

 

O Público errou, e por isso deve, através do seu diretor, um pedido de desculpas não apenas ao primeiro ministro, mas a todos os portugueses (católicos e não católicos) assim como a todas as pessoas que continuam a comprar ou assinar (ou simplesmente consultar online) este jornal.

Sex | 03.04.20

Entrevista de Eanes na RTP

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O General Ramalho Eanes deu uma entrevista na RTP 1 proporcionando-nos um grande momento de televisão e de serviço público.


Uma entrevista notável do antigo Presidente da República, agora com 85 anos. Respondeu com verdade, clarividência e desassombro às perguntas formuladas por Fátima Campos Ferreira.


Tenho apreço pela figura de Ramalho Eanes, no entanto, discordo, ao contrário da maioria das pessoas, da forma como o general abordou a questão dos “velhos”.


Diz Eanes, «Nós os velhos já passámos por isto e temos de dar o exemplo. Se chegarmos ao hospital temos de ceder o ventilador ao homem que tem mulher e filhos».


Cai sempre bem este gesto de altruísmo, e não tenho dúvidas que ele o faria, mas, na minha opinião, os mais velhos não têm que se sentir na obrigação de ceder o que quer que seja. A população idosa, infelizmente pelas suas vicissitudes e fragilidades, é a grande vítima desta pandemia, ocupando uma posição ultraperiférica entre as prioridades do Estado e da sociedade.

 

Veja-se o caso dos lares britânicos que, alegadamente, estão a aconselhar os seus utentes a assinar ordens de “não-reanimação”, para evitar que as camas nos hospitais fiquem ocupadas por pessoas que têm menos probabilidade de sobreviver ao Covid do que uma pessoa mais nova e mais saudável. É esta prática que queremos seguir? Não me parece. Eu pela minha parte, dispenso.


Por isso julgo que a questão de ocupação de camas e ventiladores bem como todos os meios colocados à disposição do SNS terá que caber, não a cada um de nós, mas ao corpo clínico do hospital. São eles, e só eles, que poderão avaliar e gerir tais recursos.