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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 12.05.13

Os Comentadores Políticos

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O jornal Público na edição de hoje divulga um artigo muito interessante sobre os comentadores políticos. Um aspeto particularmente preocupante que ressalta do artigo é a promiscuidade entre o exercício da política propriamente dita e do comentário político. São numerosos os casos de políticos ou ex-políticos, que aparecem regularmente na televisão para fazer comentário político. Alguns destes “fazedores de opinião” que marcam a “agenda mediática”, embora devessem prevenir algum distanciamento face aos seus partidos, não se importam de causar danos nessas forças políticas para alcançar protagonismo. Os comentadores possuem projetos e ambições políticas, usando a televisão como rampa de lançamento para os conseguir. Os comentadores não políticos também terão as preferências políticas – não serão neutros. Mas um comentador que é simultaneamente um político, estando ou não no ativo, tem necessariamente menor credibilidade e independência do que um comentador não político. Paira sempre no ar a dúvida sobre se os comentários de quem está na política, ou pode a ela regressar, decorrem de uma agenda política pessoal. Mas, segundo o “Público”, estes políticos  não se dedicam a esta atividade apenas pela exposição mediática. «Financeiramente, a atividade parece ser lucrativa. Rebelo de Sousa, líder nas audiências entre todos os comentadores, confirmou ao Correio da Manhã receber dez mil euros por mês pelo seu comentário semanal na TVI. Marques Mendes, antes de sair da TVI24, terá recusado uma oferta de sete mil euros e, alegadamente, ter-se-á transferido para a SIC por ter recebido uma proposta melhor(...)Manuela Ferreira Leite, alegadamente terá um ordenado que ronda os cinco mil euros pelo espaço de comentário semanal que tem na TVI24». Outra questão, não menos importante, prende-se com a manifesta impreparação de muitos comentadores. Falta efetivamente alguma preparação a muitos deles, que recorrem a cartilhas que inclusive conhecem mal, quando se pronunciam sobre determinados assuntos. Outros, usam declaradamente a função para fazer passar as suas mensagens, e não para fazer comentários aos factos políticos. Para os diretores de informação, nada disso é feito com o objetivo de condicionar ou manipular. Existe outro motivo muito mais forte: ganhar audiências e, com isso, arrecadar mais “receita”. Há uma guerra entre os vários canais pela disputa dos comentadores políticos porque eles “vendem” e têm o seu público fiel. Todavia, na maioria dos casos, nos programas de comentário político não há "contraditório" nem pluralismo (que não se limita aos partidos, como sabemos). Estes espaços televisivos são, sim, um campo fértil para a manipulação por parte de quem escolhe os diversos protagonistas. E o País assiste a tudo isto. Assiste e compra tudo o que lhe vendem. Esta plêiade de iluminados vai fazendo opinião, vai formando mentalidades, vai formatando intenções. A opinião é fundamental num estado de direito democratico e, a nós cidadãos, cabe-nos saber escolher e interpretar essa mesma opinião.