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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 17.03.13

O MINISTRO DAS FINANÇAS

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Vítor Gaspar veio reconhecer que falhou todas as previsões e não conseguiu atingir um único dos objetivos inicialmente fixados: o défice não foi cumprido, o desemprego disparou, as receitas fiscais diminuíram, o consumo interno contraiu drasticamente e as previsões sobre recessão no Orçamento do Estado (1%), atingiram, dois meses depois, a fasquia de 2%. Agora, já vamos em 2,3 % e a única conclusão do ministro das finanças é apenas que vamos no bom caminho e que o governo não pediu nem mais tempo nem mais dinheiro.

No que toca ao desemprego, o mesmo atinge proporções gritantes. Há pouco mais de dois meses, o governo anunciava que o seu valor em 2013 iria ser de 16,4%, estando neste momento nos 18,4 % e podendo atingir, em breve, um pico de 19%. O quadro adensa-se para 2014, ficando por explicar como é que com um crescimento tímido nos próximos anos, é possível diminuir estes valores.

Como seria de esperar, face a estes números catastróficos, o governo não desarma: o ajustamento é para continuar, com mais doses de austeridade, com os famigerados cortes de 4 mil milhões de euros e o mais que for necessário para tapar os inúmeros desvios das contas do ministério das Finanças. Como, aliás, sempre se suspeitou, os cortes provisórios passam a permanentes e a queda dos impostos que se seguiria aos cortes no Estado não irão ocorrer. O adiamento do défice para mais um ano não é, uma vitória do governo, mas sim a confirmação do seu absoluto falhanço. O principal partido que suporta o governo vem agora dizer que o programa de ajustamento poderá ter sido “mal desenhado”, com projeções e efeitos que não tinham adequação à realidade. Isto, depois de ter andado, durante dois anos, a tecer loas ao programa, considerando até que era necessário ir mais longe que a Troika.

Perante isto, e como seria natural, o primeiro-ministro não parece disposto a retirar quaisquer consequências dos erros políticos cometidos. Nem a nível económico, nem sequer a nível político. Num país normal o ministro das finanças devia demitir-se ou ser demitido, depois de ter falhado em toda a linha.

Apesar do estado calamitoso da economia, numa sondagem realizada pela Universidade Católica com um índice de confiança de 95% revela que 77% dos inquiridos classificam negativamente a ação do Governo; 61% dos entrevistados consideram, no entanto, que nenhum partido da oposição faria melhor ou diferente; 50% dos que foram ouvidos acreditam que há "alternativas viáveis" ao rumo que está a ser seguido pelo Governo; mas 57% dos inquiridos não veem essas alternativas nos discursos dos partidos da oposição. Moral da história: O governo não tem um bom desempenho, contudo a alternativa não se afigura muito melhor.