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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 15.05.13

Toda a Verdade sobre a 7ª Avaliação da Troika

narrativadiaria

 (imagem retirada do blog "what have see in the garden")

Ficamos a saber pelo Presidente da República que a 7ª Avaliação da Troika ficou  concluída, não pelo pacote de austeridade imposto pela Troika, não pelos sacrifícios feitos pelos portugueses, não pela ação do executivo, mas  por “inspiração de Nossa Senhora de Fátima”. Só falta dizer que os três pastorinhos representam Passos, Portas e ele próprio ou organizar uma comitiva para se deslocarem à Cova de Iria para agradecer esta bênção.

Confesso que senti pena pelo meu país quando ouvi este senhor dizer: «Penso que foi uma inspiração da Nossa Senhora de Fátima. É o que a minha mulher diz», com aquela sua forma tão peculiar e ridícula. A mim envergonha-me, não enquanto católica, mas enquanto cidadã portuguesa, ter por chefe de Estado um homem que diz semelhantes insanidades.

 

 Ainda a propósito deste tema o artigo de Ferreira Fernandes, hoje, no DN:

«Andavam Aníbal e Maria a passear o rebanho, não na Cova de Iria, mas no Poço de Boliqueime, quando viram dois clarões como se fossem relâmpagos. Nesse momento, viram em cima de uma azinheira uma Senhora vestida de branco e mais brilhante do que o Sol. Que disse: "Não tenhais medo." E Maria: "Donde é Vossemecê?" O rebanho não se surpreendeu, já se habituara a ver Maria muito afoita de conversa. O Aníbal é que não percebia nada, porque enquanto a prima via, ouvia e falava com a Senhora, ele só via mas não ouvia. A primita segredou-lhe ao ouvido e então ele virou-se para o rebanho [leitor, por favor, leia os telexes da Lusa para ver que não é o cronista que endoidou] e disse: "Penso que a sétima avaliação foi uma inspiração da Nossa Senhora de Fátima. É o que a minha mulher diz." O rebanho ficou espantado: 1) porque não sabia que os primos se tinham casado; 2) porque aquilo era a primeira aparição e não a sétima avaliação; 3) não entendia como a Angela Merkel (os rebanhos são muito prosaicos e o que veem, veem) se aguentava em cima da pequena azinheira. Havia um quarto espanto: como é que o Aníbal para confirmar que pensa, diz o que a Maria lhe diz? Mas o rebanho estava era preocupado com os cortes - em tempos de troika, até os três pastorinhos passam a dois - e com aquele "não tenhais medo" da gorda da azinheira que lhes cheirava a ameaça. Ruminava, o rebanho: isto nem com o Milagre do Sol em Outubro vai lá...»