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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 23.02.14

35º. Congresso do PSD

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  (imagem retirada do facebook)

A novidade do 35º Congresso do PSD foi o regresso de Miguel Relvas ao núcleo duro de Passos Coelho e à política ativa, depois de aceitar o convite para o número 1 do novo Conselho Nacional, órgão máximo do partido entre congressos, regressando assim às lides políticas, depois de um período de ”nojo” desde que abandonou o Governo liderado por Pedro Passos Coelho. Foi, aliás, o atual primeiro-ministro quem, no Congresso do PSD, que este fim-de-semana decorreu no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, que anunciou o nome de Relvas, numa equipa em que estará também Nilza Sena, número dois da lista anunciada por Pedro Passos Coelho que é despromovida para o Conselho Nacional. Mantêm-se nos lugares anteriormente ocupados Jorge Moreira da Silva, Marco António Costa, Teresa Leal Coelho e Pedro Pinto.

A 2ª surpresa do congresso foi a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, que havia referido que não iria estar presente. Contudo Marcelo não só apareceu, como se sentou ao lado do primeiro-ministro. Marcelo sabe bem que terá que contar com o apoio do PSD e do CDS na caminhada que traçou para Belém e por isso tem que se prestar a estes números.  Marcelo aterrou de paraquedas no Coliseu O homem é um verdadeiro artista. Faz de tudo, desde cómico a ilusionista, neste último espetáculo era vê-lo a dominar a arte do contorcionismo. Assumiu-se como único cofundador do PSD no ativo. Poderão aqui estar lançados os dados para as presidenciais. A menos que Passos Coelho queira deitar tudo a perder, terá de apoiar Rebelo de Sousa e, provavelmente pedir o seu apoio nas legislativas.

Pedro Santana Lopes, outro putativo candidato às presidenciais, comparou o congresso do PSD com uma festa de aniversário em que «havia uma série de pessoas que não eram para vir, o aniversariante julgava que não vinham, e de repente começou a aparecer tudo». Para mim, «terem vindo cá significa uma coisa: reconheceram definitivamente a liderança de Pedro Passos Coelho e o seu papel imprescindível na condução dos destinos do país», afirmou o antigo presidente do PSD, depois de acentuar que, ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, não decidiu vir a este Congresso em cima da hora. «Quando a família está a passar por momentos muito difíceis - e o PPD/PSD está num momento muito difícil, com a responsabilidade de conduzir uma nau numa grande tormenta, uma grande nau - a nossa obrigação é estarmos presentes», considerou.

Santana Lopes defendeu que é essencial a presença do Estado na saúde e questionou se será assim tão errado ponderar a mutualização de parte da dívida. O antigo primeiro-ministro recebeu palmas dos congressistas do PSD quando defendeu que «há limites» para as divergências internas, referindo o caso de António Capucho e fazendo alusão às críticas feitas ao governo por Pacheco Pereira e Ferreira Leite nos seus programas semanais na TV.

Sem surpresas, Paulo Rangel foi apresentado como cabeça-de-lista ao Parlamento Europeu. O seu discurso animou ontem o Congresso do PSD, ao prometer várias vezes uma vitória nas eleições europeias. «Vai ser um calendário hostil, uma campanha duríssima, tudo ou quase tudo está contra nós. Mas, apesar das dificuldades, vamos ganhar, vamos vencer», afirmou. Será «uma missão de curto prazo e de grande alcance: ganhar as eleições europeias”, insistiu para júbilo dos congressistas».

Para já, a nota mais importante deste Congresso, foi ver adversários internos unidos em torno do líder. Foi assim com Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa que se passearam por lá, na esperança de, mais tarde, chegarem ao «pote». Para estes dois estará destinado lugares no Palácio de Belém: Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República e provavelmente Marques Mendes como chefe da Casa Civil. E assim se dará continuidade ao modelo de presidência seguido por Cavaco (pelo menos no que toca à estatura dos protagonistas). Mas há ainda Pedro Santana Lopes que também quer ser candidato a Belém. Mas, dado essa possibilidade ser remota, veremos o que a sorte lhe reserva. «Está escrito nas estrelas!».