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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 09.06.13

O Ministro da Saúde recusou convite para a PT

narrativadiaria
(imagem retirada da net)

Li no “Económico” que o ministro da Saúde teria sido convidado para ser o novo presidente executivo da Portugal Telecom em substituição de Zeinal Bava que está de saída para o Brasil onde vai presidir à Oi, empresa na qual a PT tem 25,6%, e teria recusado, preferindo continuar no Governo, com a tutela da Saúde. Esta notícia foi no entanto desmentida pelo presidente do conselho de administração, Henrique Granadeiro, que segundo o próprio acumulará o cargo que detém atualmente com o de presidente executivo da PT SGPS.

Paulo Macedo está a fazer um bom trabalho no Ministério da Saúde, o que não constitui propriamente uma surpresa, já que na Direção-geral de Impostos o seu desempenho fora notável. Seria penoso para o país se agora abandonasse o governo. Está a levar a cabo um sem número de reformas estruturais e conjunturais. A reforma hospitalar que visa reforçar uma nova organização, mais equilibrada do ponto de vista da oferta, mais racional do ponto de vista dos custos, com novo horário de 40 horas, sendo 18 horas para a urgência. A reforma na área do medicamento, nomeadamente com a mudança da composição do cabaz e do preço de referência (que passou a ser o mais baixo dentro do cabaz) e com a obrigatoriedade de prescrição por substância ativa, fez com que os gastos com medicamentos caíssem 40 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano. Em 2012, já tinham sido gastos menos 190 milhões que em 2011. Isto terá acontecido porque os portugueses consumiram menos medicamentos? Não, consumiram até mais 200 mil embalagens no primeiro trimestre de 2013 que em relação ao mesmo trimestre do ano passado, e mais cinco milhões em 2012. Só que o preço dos medicamentos baixou cerca de 20% nos últimos dois anos e como a venda de genéricos ganhou novo impulso. As farmácias estão naturalmente insatisfeitas com esta política, dado que viram as suas margens de lucro baixarem. As reservas das farmácias, em consequência da diminuição das margens e da descida abrupta dos preços dos medicamentos levaram ao rateio e à exportação, diminuindo a sua disponibilidade no território nacional. Estamos a assistir mesmo a constrangimentos graves na qualidade e na capacidade de resposta das farmácias que afetam sobremaneira os utentes, pondo em causa o acesso da população ao medicamento e a rede de distribuição que, penso ser indiscutível, funcionava bem no nosso país. Paulo Macedo tem vindo a cortar despesa pública de forma discreta, a tentar combater os desperdícios hospitalares e cortar as horas extraordinárias, a racionalizar a oferta de serviços e evitar duplicações, a acabar com os lucros astronómicos da indústria farmacêutica e com isso a poupar uns milhões ao erário público. As medidas tomadas têm revelado sensibilidade social e política o que contrasta bastante com os seus parceiros de governo.