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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 13.06.13

Dia de Santo António

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 (imagem retirada da net)

O Dia de Santo António é celebrado no dia 13 de junho, sendo feriado municipal em Lisboa. Neste dia, as festividades da cidade são marcadas pelas marchas populares, que desfilam na noite do dia 12 de junho pela Avenida da Liberdade e onde participam todos os bairros da cidade. O feriado do dia 13 de junho é a homenagem do alfacinha (como é conhecido o lisboeta) ao Santo padroeiro da cidade, ainda que São Vicente seja efetivamente o verdadeiro santo padroeiro de Lisboa, apesar de grande parte da população lisboeta ignorar este facto. O dia de São Vicente, padroeiro de Lisboa, é comemorado em 22 de janeiro. Santo Antônio é para os lisboetas, o seu verdadeiro santo padroeiro, de quem são extremamente devotos. Este equívoco histórico, religioso e popular tem as suas raízes nos primórdios da nação portuguesa, na época do seu primeiro rei, Dom Afonso Henriques. Os alfacinhas têm por hábito festejar o dia de Santo António nas ruas da cidade, enfeitando as casas e bairros históricos com cores coloridas e colocando o manjerico nas janelas. Manda a tradição que neste dia se comam sardinhas assadas, pimento assado e broa, foi o que fiz. A história de Santo Antônio é contemporânea da história de Portugal. Oficialmente, o reino de Portugal teve a sua origem em 1139. Santo Antônio teria nascido no dia 15 de agosto de 1195, pouco mais de cinqüenta anos da formação da identidade da nação lusitana.Nascido Fernando Martins de Bulhões, em Lisboa, no local onde hoje existe a cripta da sua igreja. Fernando era filho de uma família de pequena nobreza, tendo sido batizado na Catedral de Santa Maria Maior, Sé de Lisboa. Aos 15 anos entrou para o mosteiro de São Vicente de Fora, pertencente à Ordem dos Cônegos Regrantes de Santo Agostinho. Fernando, cônego professo, deixou Lisboa à procura de maiores conhecimentos teológicos, indo, aos 17 anos, para o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, ordenando-se sacerdote, sendo-lhe destinado o cargo de irmão-porteiro. Teria sido em Coimbra que começara a preparação dos sermões. De volta a Lisboa, Fernando entrou em contacto com os frades mendicantes franciscanos, dessa aproximação, ele decidiu pelo seu projeto de vida, vencendo assim, a busca espiritual sobre a satisfação intelectual. Em 1220, Fernando Martins obteve autorização para passar de Cônego Regrante a Frade Menor, adotando definitivamente o nome de Antônio, em homenagem a Santo Antão Abade e Ermita. É como frade menor, que Antônio parte como missionário para o norte da África. Em 1222 já em Assis, investido pelo próprio São Francisco, que lhe chamou seu Bispo, percorreu o norte da Itália e o sul da França, com a missão de pregar e ensinar aos frades. Já doente, em Pádua, reiniciou o ensino e a escrita dos seus Sermões Dominicais e Festivos. Em 1230 a debilidade da sua saúde obriga-o a pedir dispensa do cargo. Em 1231, morre a caminho de Pádua, em Arcella, numa sexta-feira de 13 de junho. A sua morte traz uma comoção entre a população, que lhe velam o corpo por cinco dias, sendo enterrado apenas na terça-feira, dia que foi definitivamente consagrado ao santo. Desde então, ficou a ser conhecido como Santo Antônio de Pádua, só sendo conhecido como Santo Antônio de Lisboa nos países de língua portuguesa. A canonização de Santo Antônio aconteceu em maio de 1232, sendo a mais rápida da história da igreja romana. Em 1934 o papa Pio XI proclamou o santo o segundo padroeiro de Portugal, ao lado de Nossa Senhora da Conceição. Em 1946, o papa Pio XII declarou-o Doutor da Igreja Católica. Com o correr dos séculos, os lisboetas passaram a cultivar seu santo nativo, popularizando o seu culto, que ofuscou ao culto a São Vicente. Santo Antônio foi proclamado pelo povo de Lisboa como o santo padroeiro. Para a igreja católica portuguesa, oficialmente São Vicente é o santo padroeiro da cidade de Lisboa. A perda de identidade deste santo com a população deve-se ao fato de Santo Antônio ter nascido em terras lusitanas, tornando-se uma das figuras mais importantes da história portuguesa. Mais de 800 anos se passaram do nascimento de Santo Antônio, tempo suficiente para o esquecimento a São Vicente, só revelada no registro do brasão de Lisboa, que traz o corvo como símbolo. Este desencontro histórico entre o padroeiro real e o padroeiro eleito pelo povo, acentua-se à medida que o tempo passa. Enquanto isto, Lisboa vive o privilégio  de ter dois santos padroeiros.