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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 09.07.13

«O ministro do pastel de nata»

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Quando Pedro Passos Coelho anunciou a formação do Governo surpreendeu com escolha para a pasta da Economia. Foi com espanto que vimos entregar a um académico, vindo do Canadá, sem qualquer experiencia política, um superministério. Além da Economia e do Emprego, Santos Pereira ficou com a tutela da Energia, Turismo, Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, e Desenvolvimento Regional. Numa economia que não cresce o ministro com esse pelouro precisaria de ser capaz de operar milagres para gerir aquele ministério. A orgânica do Executivo é a primeira responsável pela situação. Constrangido pela promessa de constituir uma equipa pequena, poupada e eficiente, com o objetivo de dar o exemplo em época de exigência e de sacrifícios, Pedro Passos Coelho criou uma estrutura difícil de gerir. E a demagogia paga-se cara. Todavia, alguém que aceita tal tarefa sem contestação, ou se acha um super-homem, coisa que manifestamente não é, ou não tem pura e simplesmente a noção dos seus limites e das suas próprias capacidades, confundindo coisas como escrever uns livros sobre  economia com a responsabilidade de escolhas e tomada de decisões num ministério e num Governo. Desde o início que Álvaro Santos Pereira demonstrou ser um "erro de casting". Cedo se fez notar as suas fragilidades, sobretudo a falta de jeito para comunicar e para fazer política. Após vários tiros no pé, foram-se esvaziando os seus superpoderes: nas privatizações, nas parcerias público-privadas, no emprego jovem, nos fundos comunitários. O Ministro da Economia foi um dos bombos da festa deste Governo. O “tiro ao Álvaro” tornou-se um dos desportos mais praticados pelos comentadores políticos, humoristas e pela blogosfera. Tem sido visivelmente o elo mais fraco deste Governo, também por ser uma espécie de outsider, sem filiação partidária conhecida. Quando se cogitava uma hipotética reestruturação ministerial, logo o nome do ministro da Economia aparecia como “remodelável”. Contudo, contra ventos e marés, lá se foi mantendo. Agora que estará finalmente de saída por imposição de Paulo Portas que há muito ambicionava a pasta da economia para o CDS, Álvaro sairá do governo e na nossa memória ficará apenas como «o ministro do pastel de nata»…