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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 17.07.13

Entendam-se!!

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Segundo o semanário Expresso, está a circular um manifesto que apela ao acordo de salvação nacional. «Entendam-se», defende o manifesto dirigido ao PSD, CDS e PS. Entre os signatários estão o economista Daniel Bessa, o antigo presidente da CIP Francisco Van Zeller, os empresários João Bento, Rui Horta e Costa e Alexandre Relvas, ex-mandatário presidencial de Cavaco Silva. Também João Talone, José Manuel Morais Cabral, António Palha, António Ramalho, Duarte Calheiros, Frederico Lima Mayer, João Melo Franco, João Soares da Silva, Nuno Fernandes Thomaz, Nuno Galvão Teles, Paulo Sande, Salvador de Mello e Vasco de Mello assinam o manifesto.  Os signatários reconhecem que há «um rasto de sofrimento» provocado pelas medidas de austeridade adotadas e deixam um apelo aos três maiores partidos políticos: «Entendam-se, nos termos que só os próprios determinarão, condicionados, para que o exercício cumpra os objetivos pretendidos, ao acordo das entidades que hoje nos financiam, enquanto não conseguirmos dispor da autonomia que só poderá ser assegurada por um regresso pleno aos mercados financeiros». Além disso, sublinham que «foram conseguidos alguns resultados positivos (por exemplo, nas contas externas)», mas que «há objetivos que só foram parcialmente alcançados (sobretudo em matéria de finanças públicas e de reformas estruturais)». 

O documento surge ao quarto dia de negociações entre os partidos do «arco da governação» com vista a um acordo que responda ao apelo de Cavaco Silva, que pediu há uma semana um compromisso de «salvação nacional» entre os três partidos, que possibilite o cumprimento das metas orçamentais de curto prazo e que garanta também a estabilidade e a sustentabilidade das contas públicas no médio prazo.

Esta será também, sem dúvida, uma prova de fogo para António José Seguro: ou reforça o peso político da sua liderança ou é o anúncio do seu fim. Na verdade o PS joga nestas negociações muito do seu futuro político, na medida em que aparece como a solução (leia-se «salvação nacional») ou o «coveiro» de uma pretensa política de estabilidade necessária a um país sob resgate financeiro. Para além disso, enfrentará ainda os ímpetos da esquerda mais radical (PCP, Verdes e BE) que irá usar a anunciada Moção de Censura ao Governo, a ser debatida amanhã na Assembleia da República, como arma política para forçar o PS ao posicionamento face ao memorando e à austeridade tantas vezes criticados por António José Seguro.