Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 27.07.13

O fim dos Superministérios

narrativadiaria

«Vamos apresentar um Governo historicamente pequeno e sem paralelo na história em Portugal», disse Passos Coelho em 2011 quando tomou posse. Se no início Passos Coelho defendeu um Governo curto e com dois superministérios - Economia e Ambiente – este novo ciclo acaba com o excesso de pastas sob a mesma tutela. O Ministério de Assunção Cristas perde o Ambiente que passa para Jorge Moreira da Silva. A polémica pasta da energia - que levou à primeira demissão no Governo com a saída de Henrique Gomes, sai da Economia e fica no ministério do Ambiente - o que já motivou algumas críticas. Outra mudança surpreendente foi a acumulação do Emprego na Segurança Social tutelada por Pedro Mota Soares. Nos últimos dois anos, a integração do Emprego na Economia foi bastante criticada pelos parceiros sociais e era mais uma pasta no enorme ministério que foi de Álvaro Santos Pereira.

O Governo de Passos Coelho que em 2011 era composto por 48 elementos, passa agora a ter 57. Entre ministros e secretários de Estado já se verificou 18 alterações. Este executivo é superior aos de José Sócrates (isto sem contabilizarmos consultores como António Borges e grupos de trabalho extras ministeriais, como o de Lobo Xavier para o IRC).

Passos Coelho ao regressar ao modelo tradicional vem implicitamente reconhecer que falhou. Mas será responsabilizado por isso? Claro que não, mas devia. Os "superministérios" custaram milhões ao país. Foram não apenas os custos relacionados com a ineficácia, com a negligência, com a impreparação e com a inoperacionalidade do governo, a que se associam igualmente custos respeitantes a mudanças de nome de ministérios, de património, de leis orgânicas, de assessores, de chefias, de funcionários, de papel e de burocracia. Estes erros são simplesmente imperdoáveis, até por que, na altura, houve muitas vozes contra este figurino. Agora, faz de conta que não aconteceu nada e segue caminho.