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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 15.09.13

Um Cunhal Méli-Mélo

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A jornalista Judite de Sousa lançou um livro, no início de setembro deste ano, sobre Álvaro Cunhal, intitulado- Álvaro, Eugénia e Ana – o homem por trás do político,  por referência a uma das suas irmãs e à sua filha, no ano em que se completam cem anos do nascimento do político, baseado numa reportagem realizada pela jornalista ao antigo dirigente comunista.

Pacheco Pereira, também ele, um estudioso da vida de Álvaro Cunhal, leu o livro e comentou-o na sua coluna semanal da Revista Sábado. Refere o comentador que «um dos resultados das comemorações do centenário de Álvaro Cunhal foi a deliberada construção, feita por propagandistas e inocentes úteis, de um Cunhal méli-mélo, cheio de "interesse humano" e vazio de política». «Significa isto que Cunhal era um ho­mem insensível, sem sentimentos, nem qualidades "humanas"? Longe disso, só que nem sempre são os que lhe atribuem, como, mesmo esses, eram mitigados por uma dedicação maior à sua causa. É nessa dedicação que reside o verda­deiro Cunhal, o Cunhal que é diferente, e que transportou as suas inegáveis qua­lidades e talentos para um combate po­lítico que é o que foi, e não o que agora se pretende adocicar com esta face méli-mélo do "Álvaro", em conjugação com a "Eugénia" e "Ana", como aparece no tí­tulo do livro de Judite Sousa, tudo cons­truções ficcionais mais do que pessoas».

«O PCP, que não abre nenhuma informação dos seus arquivos aos historiadores, abre-se generosamente a jornalistas e autores, mesmo muito sensacionalistas e muito de direita, dando-lhes acesso a depoimentos e testemunhos não a papéis, mas a testemunhos», acrescentou Pacheco Pereira.