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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 19.09.13

O Contrassenso de Crato

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Há escolas do 1º ciclo que este ano letivo deixaram de lecionar a língua inglesa ou que mantêm a oferta  reduzida, enquanto outras ainda continuam a ensinar esta língua em todos os anos de escolaridade. A variedade de situações é possível uma vez que estes estabelecimentos de ensino deixaram de ser obrigados a proporcionar aulas de inglês aos alunos do 1º ciclo. O fim da obrigatoriedade foi determinado por um despacho de julho, assinado pelo ministro da Educação. Nuno Crato mandou reduzir as Atividades de Enriquecimento Curricular para metade e retirou a obrigatoriedade do ensino de Inglês, introduzida pela primeira vez em 2005, no governo de José Sócrates por Maria de Lurdes Rodrigues, constituindo uma das bandeiras do anterior governo. Contudo,  o ministro da Educação anunciou, há pouco tempo, com pompa e circunstancia, a realização de um exame de inglês obrigatório no 9º ano. O diploma que promulgou a medida, destacava a importância da aprendizagem de línguas estrangeiras para um «percurso formativo de qualidade», sublinhando que existe «uma percentagem expressiva de alunos» que «não reúne ainda os requisitos mínimos de aprendizagem das línguas, nas suas diversas vertentes, nomeadamente, da compreensão e produção escritas e da compreensão e produção orais, pelo que se torna necessário um maior acompanhamento e avaliação do efetivo domínio de línguas estrangeiras, em especial da língua inglesa». Qual a lógica destas duas medidas?

Será que Nuno Crato não vê que o domínio deste idioma constitui uma ferramenta indispensável para aumentar a competitividade das empresas e dos trabalhadores portugueses num mundo globalizado? Será que o Sr. Ministro não entende que a introdução desta medida coloca os alunos deste país em situação de profunda desigualdade, uma vez que haverá, seguramente, alunos a frequentar o 5º ano (2º ciclo), com diferentes graus de aprendizagem? Os nossos níveis de proficiência em Inglês já são dos mais baixos da Europa Ocidental. Isto é só mais um reforço para Portugal continuar a ser um país de periferia, atrasado e elitista, onde só uma pequena minoria terá direito a uma educação de qualidade.