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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 22.09.13

Sem limites

Não se sabe por onde o Sr. Fernando Seara andou desde 2010. Na China? Em lugares ainda mais proibitivos, sem nenhuma comunicação com o mundo exterior? Na lua? Ou simplesmente mergulhado nas profundas trevas da sua inconsciência? E é ele, como pretende, um ex-comentador de futebol e um antigo presidente da Câmara de Sintra? A sua verdadeira identidade intriga toda a gente. Seja como for, o sr. Seara não tem com certeza vivido em Portugal e, por isso, caiu do céu num estado de inocência e de ignorância que deixou Lisboa de boca aberta. Um destes dias, saí de casa e, olhando para os cartazes da criatura, julguei que se tratava da provocação de um milionário louco, como nos filmes de 1930. Mas, pouco a pouco, acabei por me convencer de que a coisa era a sério.

Os cartazes do sr. Seara, que o CDS e o PSD, os partidos do Governo, autorizaram e apoiam, prometem só isto: "estacionamento gratuito para residentes em qualquer zona da cidade": "manuais escolares para todos" (uma promessa ambígua, que tanto pode incluir os manuais do 1º ciclo como os manuais de Biologia ou de Medicina); "residências sociais para os mais carenciados"; "túnel no Saldanha (eixo central)"; "brigadas permanentes de limpeza" para garantir que Lisboa se torna num sítio muito "limpo", presumo que gabado na Europa pelo seu asseio. Estas promessas do sr. Seara ou são absolutamente inviáveis (como o "estacionamento gratuito para residentes", por exemplo) ou sintomas de uma megalomania patológica (o túnel do Saldanha), que é um perigo para o cidadão desprevenido.

António Costa conseguiu ao fim de muito tempo e de muito esforço reduzir a dívida da Câmara de Lisboa e chegar a uma situação financeira sustentável. O "programa" de Seara (se merece o nome) iria uma dúzia de meses criar uma nova dívida muitas vezes superior à antiga. Mas parece que ninguém lhe chamou a atenção para esse ridículo pormenor; e nem o CDS e o PSD se importam que ele faça uma campanha destinada a arruinar o Estado e a ludibriar o eleitorado. Esta prática não escandaliza agremiações que por ela sempre manifestaram uma especial preferência. Só não se percebe como, no meio do regabofe estabelecido, o Governo ainda arranja coragem para "cortar" dez por cento aos pensionistas do Estado e aos pobres reformados do "regime geral". A desvergonha é ilimitada».
Vasco Pulido Valente, no Público ontem

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