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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 19.10.13

Entrevista de Jose Sócrates ao Expresso

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   (fonte Expresso) 

O mote para a entrevista de José Sócrates ao Semanário ‘Expresso’ foi o livro de sua autoria - «A Confiança no Mundo» -  que constitui a sua tese para o grau de Mestre em Teoria Política, no Institut d'Études de Paris. O livro, com lançamento marcado no dia no próximo dia 23 de Outubro em Lisboa, contará com o prefácio do ex-presidente do Brasil, Lula da Silva. O tema foi escolhido por Sócrates, após se ter confrontado com a prática de violação de direitos humanos para efeitos de confissão pelos Estados Unidos. Ao longo de dez páginas, são muitas as declarações de Sócrates marcadas por uma linguagem informal e pela sua habitual frontalidade.

Para lá do tema principal do livro - a tortura nas sociedades democráticas - o ex-primeiro-ministro discorreu longamente sobre a política portuguesa, não se furtando também a comentar o caso Freeport, o PS, a crise da dívida, o BPN, o PEC IV, a ética kantiana, o seu posicionamento político, a sua história de vida sem esquecer os familiares mais próximos, a verdade e a mentira em política, ou a sua relação com Teixeira dos Santos, seu ministro das Finanças. A propósito do seu posicionamento no espetro político português, José Sócrates garantiu que é «o chefe democrático que a direita sempre quis ter».  

O político socialista relembrou o período que antecedeu o pedido de assistência financeira internacional, insistindo que PEC IV podia tê-la evitado e podia ter sido uma boa solução, não fora a direita deitar abaixo essa oportunidade «apenas para ganharem uma eleição». Referindo que lhe custou «os olhos da cara pedir ajuda. A alternativa era o default. Assinei. O que é que podia fazer? Já ninguém lá fora dava nada por nós. Foi o que a direita quis, obrigar a pedir a ajuda e o PS assinar o memorando», reiterando que o seu erro foi, em 2009, ter aceitado formar um governo minoritário.

Embora enquadrada numa reflexão sobre o Estado e a democracia, Sócrates salientou que «a responsabilidade de um político perante a comunidade que o elegeu é o respeito pela Constituição e da lei». «A partir do momento em que um traste de um político invoca a razão de Estado para pôr em causa a Constituição e a lei, ele atravessa a minha linha vermelha. Ele não está a defender o estado, está a matá-lo!», concluiu.

Deixou claro que não pretende voltar a depender do «favor popular», em resposta a uma questão colocada sobre as próximas presidenciais, embora se defina mais como «um homem de ação» que da vida contemplativa que teve nos últimos dois anos.