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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 03.11.13

José Sócrates em Alta Definição

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  (foto retirada da NET)

José Sócrates foi o convidado do programa “Alta Definição”, na SIC, apresentado por Daniel Oliveira. O formato do programa apela às emoções e sentimentos dos entrevistados, levando-os a falar do seu lado mais intimista, onde os entrevistados vão desvendando os seus gostos, o seu percurso de vida, num registo muito humano, em que Daniel coloca questões sensíveis, mas de um modo subtil e empático, sem nunca perder a elegância nem o bom senso.

Mas, Sócrates desde o início deixou claro que não iria alinhar nesse registo. «Não gostaria de falar de coisas íntimas, está a insistir...», respondeu o ex-primeiro-ministro quando questionado a falar sobre a perda de familiares, nomeadamente do irmão. Ainda assim, este foi o momento onde Sócrates mais se expôs, comentando que «temos de nos habituar às perdas. O amor fraternal não é substituído nunca. É único». Depois, quando inquirido sobre o que é ser filho de um político, Sócrates, foi perentório. «Não estou aqui para fazer psicanálise sobre a família dos políticos e não falo sobre os meus filhos exatamente porque os protejo». Esta postura do ex-primeiro ministro motivou comentários no Facebook, designadamente a Daniel Oliveira pela escolha do entrevistado o que até originou uma nota do autor do programa.

Com um discurso pensado e calculista, José Sócrates centrou a conversa na “tortura”, tema do seu livro. A maioria dos espetadores não gostou, certamente esperavam que o ex-primeiro ministro fizesse algumas confissões, partilhas e desabafos pessoais. Sócrates não quis ir por aí. E foi pena, talvez tivesse aqui uma oportunidade de se reconciliar com alguns portugueses.